Paraíso Sombrio
25 ESPECIAL: Sussurros doces e vazios
Notas iniciais
Kiba olhou o relógio pela décima quinta vez. Com todas aquelas luzes piscando de forma irritante, era difícil enxergar a hora que os ponteiros marcavam, mas ele sabia que fazia bastante tempo desde que Sakura ligara para Sasuke. Onde diabos aquele Uchiha infeliz estava?
–Tem certeza de que não quer ligar pra ele de novo? – ele perguntou à rosada, entediado.
–Ele já deve estar chegando. – ela respondeu, tensa.
O Inuzuka observou o rosto da amiga com atenção. Aquela expressão que ela exibia estava lhe martirizando. Sakura parecia inquieta, parecia estar sofrendo, embora nada dissesse. Os olhos verdes vasculhavam o local em busca de qualquer sinal da presença de Sasuke na boate.
Mas ele não chegava nunca.
Erguendo a mão, Kiba tocou delicadamente a testa da rosada com o polegar, tentando desfazer a ruga de preocupação que parecia uma marca permanente naquele rosto bonito.
Ao sentir o toque quente e gentil do amigo em sua pele, Sakura o fitou, os olhos arregalando-se de surpresa.
–Não fique assim. Vai acabar tudo bem. Você vai ver. – ele disse, tentando tranquiliza-la.
A rosada suspirou. Considerando a situação em que estavam, era muito difícil acreditar que tudo ficaria bem. Seus ombros arriaram, parte pelo cansaço físico e psicológico, parte pelo fardo que carregava consigo. Ela sentia, lentamente, sua mente rachar, partir-se em duas, prestes a desmoronar. Por quanto tempo mais ela conseguiria aguentar?
–Sabe, Sakura... – Kiba falou distraidamente, fitando a pista de dança. A batida daquelas músicas sem sentido o irritavam – Isso que você... que vocês tem, não é saudável. Não te faz bem.
Sakura fitou o amigo, confusa.
–Do que você está falando? – ela perguntou.
–De você e do Sasuke. Não sei bem o que acontece entre vocês dois, mas seja o que for, está te matando por dentro. Visivelmente. – disse o rapaz, ainda olhando de forma entediada para o salão. Aquelas músicas estavam lhe dando dor de cabeça.
Ela ficou em silêncio, sem saber como responder àquilo. Kiba era sempre solícito, um bom amigo, mas também era muito observador e, nesse quesito, só perdia para Sai. Mas não tinha ideia de que sua situação desesperadora estava tão visível.
A rosada suspirou. Estava chegando ao seu limite.
–Você deveria se dar uma chance de viver. De verdade. Deveria tentar libertar seu coração desse veneno que está te consumindo. Isso não tá te fazendo feliz, Sakura. – Kiba prosseguiu – Não estou dizendo para você deixar de amá-lo. Estou dizendo que esse jeito de amar está... — Ele alisou as têmporas, impaciente. Mas que raio de lugar irritante. Por que não tocavam uma música boa naquele inferno? – Está fazendo mal tanto pra você, quanto pra ele.
–Kiba eu... eu... – Sakura tentou se explicar, sem saber exatamente o que dizer. Mas, de repente, ela viu os olhos do amigo se arregalarem.
Kiba ergueu a mão, interrompendo o que quer que a rosada estivesse pretendendo dizer. Seus ouvidos estavam atentos, a expressão chocada.
–Meu. Deus. – ele falou, perplexo.
A súbita mudança no ambiente fez Sakura perceber a que se devia a expressão mortificada de Kiba. A música que agora soava por todo o lugar era diferente das outras e fez com que a pista de dança ficasse praticamente vazia, exceto por algumas pessoas que estavam bêbadas ou empolgadas demais para perceber a diferença das sequencias sonoras.
Ela quase sorriu. Quase. Não havia nada que conseguisse distrai-la das reflexões provocadas pelas palavras de Kiba. Mas ficou feliz ao ver a expressão do amigo se iluminar ao reconhecer a música que tocava.
–Stevie Nicks. – Sakura disse, os lábios levemente curvados num fraco sorriso.
–É que está na hora da troca de Dj’s. – o barman que estava próximo aos dois explicou – Então eles colocam umas músicas aleatórias pra tocar enquanto o outro assume o lugar.
–STEVIE NICKS! – Kiba gritou, de olhos arregalados, a empolgação evidente em sua expressão – TÁ TOCANDO STEVIE NICKS NESSA JOÇA! – disse, quicando na cadeira.
–Calma, Kiba. – a rosada dessa vez riu verdadeiramente da súbita euforia do amigo.
–VEEEEMMM! VAMOS LÁ! – ele gritou novamente, levantando-se e arrastando Sakura pela mão.
–Ki-Ki-ba, não! – ela disse, puxando-o de volta – Não é uma boa ideia... não tô no clima...
–Ah, qual é, Sakura... é Stevie Nicks! Quer clima maior que esse? – ele insistiu, esperançoso.
Sakura franziu o cenho numa careta de recusa.
–Just like the white winged dove sings a song, sounds like she’s singing... Woo… Woo… Woo…– Kiba cantarolou, fazendo passinhos pra lá e pra cá, a fim de convencer Sakura a acompanha-lo.
–Ai, meu Deus, Kiba. – ela disse, rindo, alisando a testa, sem coragem.
–Vaaaaamos! – ele insistiu, pulando feito uma criança na frente de Sakura.
Ela suspirou, estendendo a mão para Kiba, rendendo-se. Era uma de suas músicas preferidas também.
Um sorriso sincero espalhou-se pelo rosto de Kiba. Sakura estava precisando de um pouco de animação. Antes que ela pudesse se arrepender, o rapaz arrastou-a para a pista de dança, onde poucas pessoas ainda dançavam. A música havia espantado muita gente para o bar. Talvez, quando as batidas sem sentido voltassem a soar pelo lugar, eles voltassem.
–Vamos lá, Sakura! – Kiba gritou, movendo-se na frente dela de modo desajeitado. Mas ele parecia não se importar.
A rosada sorriu um pouco mais, quase entrando em pânico pelos passos de Kiba, que não passavam de “dois pra cá e dois pra lá” ritmados. Vez por outra ele pulava e movia a cabeça, acompanhando a batida, e apontava para todos os lados, primeiro com uma mão, depois com a outra.
–And the days go by... Like a strand in the wind…– ele prosseguiu, cantando enlouquecidamente – Por que você não tá cantando, Sakura? – indignou-se, querendo contagiar a amiga.
Sakura revirou os olhos, acompanhando os passos de Kiba.
–In the web that is my own... i begin again…– ela cantarolou baixinho, fitando o chão enquanto movia o corpo no ritmo da música.
–NÃO TÔ OUVINDO! – Kiba motivou, pulando e erguendo as mãos como se estivesse na festa de sua vida.
–SAID TO MY FRIEND, BABY... NOTHIN’ ELSE MATTERED! – ela gritou, começando a se empolgar também.
Kiba sorriu de satisfação.
–Isso, garota! – ele disse, sem parar de dançar.
A rosada fechou os olhos. Que mal faria esquecer-se de tudo aquilo só por um momento? Que mal faria deixar-se levar pela voz de Stevie Nicks mais uma vez?
Sob suas pálpebras fechadas, ela recordava a festa de seu aniversário na casa de Naruto, ocasião em que havia ganhado de Sasuke o presente que carregava no pulso até hoje. Naquele dia, os três dançaram essa música juntos, pulando feito loucos, embriagados. Como nos velhos tempos.
Kiba continuou dançando, percebendo que a rosada movia o corpo de modo totalmente entregue à música, perdida em lembranças. Se aquilo era bom ou ruim, ele não sabia dizer. Mas queria que ela se libertasse um pouco daquela dor.
–Ooh, baby, ooh... said ooh... – ela continuou, e algumas lágrimas começaram a escapar sob suas pálpebras fechadas. Será que poderia se permitir ser um pouco fraca? Só por um instante? Estava sendo tão difícil manter-se forte com o coração encharcado de veneno...
Enquanto ela se movia, o vestido de botões que estava usando esvoaçava, em sintonia com as emoções que se alastravam em sua mente. Seria difícil manter-se neutra por muito mais tempo.
Kiba a observava, sério, sem parar de dançar. Viu quando Sakura ergueu as mãos em direção ao rosto, querendo limpar as lágrimas, e ele logo tratou de segurar os pulsos da amiga antes que ela o fizesse.
–Deixa sair, Sakura. – ele disse, aproveitando pra rodopiar a amiga.
Sakura soltou um riso fraco e desorientado, enquanto mais lágrimas rolavam sem que ela pudesse controlar. Que diabos aquela música estava fazendo com ela?
Fechou os olhos novamente, mas assim que o fez, a lembrança do negror de um olhar familiar tomou sua mente, fazendo-a arregalar os olhos. Sem conseguir mais conter as emoções que ameaçavam explodir, ela parou de dançar. Colocou o rosto entre as mãos, envergonhada. As lágrimas desciam fartas e incontroláveis.
Kiba também parou de se mover, encarando-a com a expressão vincada de seriedade.
Sem parar para pensar no que fazia, Sakura atirou-se nos braços de Kiba, apoiando o rosto no peito do amigo, soluçando. O rapaz suspirou. Ele sabia que havia algo errado com ela, assim como sabia que ela preferia manter segredo sobre o que quer que a estivesse fazendo sofrer daquela maneira. Solidário, ele a abraçou, acariciando os cabelos da rosada com uma das mãos.
–Põe pra fora. Ninguém está julgando você. – ele sussurrou.
Ao ouvir aquilo, Sakura soluçou mais alto, apertando a gola da camisa de Kiba. Como ela estava precisando deixar aquelas lágrimas saírem!
Enquanto a música enchia o ambiente, o Inuzuka embalava a rosada em seus braços com carinho, aquecendo-a com a amizade de que ela precisava naquele momento. Sentia, aos poucos, o desespero do choro de Sakura dando lugar ao alívio. E quando o pranto cessou, eles continuaram abraçados, sem saber como agir. Ela tinha receio de encará-lo, vergonha, medo de que ele lhe fizesse alguma pergunta. Ele tinha receio de que ela cedesse ao desespero e se entregasse à dor.
–Está tudo bem? – ele perguntou, baixinho.
–Ainda não. Mas está melhor do que antes. – ela respondeu, erguendo a cabeça para fitar o amigo. Exibiu a ele um sorriso aliviado.
–Que bom. – ele sorriu de volta. Mas sua satisfação se desfez ao sentir uma mão lhe puxando para trás bruscamente, quase fazendo-o cair no chão.
–Quer morrer, vira-lata? – Sasuke perguntou tranquilamente, encarando o rapaz.
–Sasuke! – a rosada alarmou, surpresa.
Mas ele não olhou para ela. Continuou encarando Kiba de modo inexpressivo, embora seu olhar demonstrasse um ódio incontrolável.
Uma outra música preencheu o ambiente, fazendo com que algumas pessoas voltassem para a pista de dança, sem dar muita atenção à tensão que se instalava no ambiente com a chegada do Uchiha. Kiba não gostou da mudança da trilha sonora, pelo visto, o outro dj havia assumido sua posição. Mas ele não teve muito tempo para se deter à esse detalhe.
“Você pegou meu coração e o segurou em sua boca
E com uma palavra todo meu amor veio à tona rapidamente
E cada sussurro é o pior
Esvaziado por uma única palavra
Há um vazio em mim agora...”
Sweet Nothing, Calvin Harris feat. Florence Welch
–Estávamos apenas... – Kiba começou, mas foi interrompido pela mão que, mais rápida do que seus olhos podiam acompanhar, agarrou sua garganta, erguendo-o um pouco do chão. Sasuke apertou com força moderada, mas suficiente para fazer o Inuzuka calar a boca.
Sakura arregalou os olhos, assustada, a súbita atitude do Uchiha deixando-a louca de raiva.
–Solte ele, Sasuke! – a rosada sibilou, enfurecida.
Com as mãos do Uchiha em seu pescoço, Kiba suspirou, distraidamente. Não poderia reagir pois, se machucasse Sasuke, corria o risco de que aquela atitude magoasse Sakura. Mas sabia que se não se defendesse, o moreno o estraçalharia em mil pedaços. Por um momento, Kiba se questionou sobre o que diabos estava fazendo no meio daquela confusão. Por que Sasuke tinha que ser tão idiota?
O Uchiha fitou Sakura com uma expressão enfurecida.
–Você quer defende-lo?! – ele cuspiu as palavras, sem querer acreditar. A raiva fazia com que suas mãos apertassem cada vez mais a garganta de Kiba.
–Você está machucando ele! – Sakura gritou, agarrando os pulsos de Sasuke, querendo faze-lo soltar o Inuzuka.
Kiba revirou os olhos. Não estava doendo, embora Sasuke estivesse apertando com bastante força e raiva – o que tornava tudo muito perigoso, já que o rapaz ameaçava explodir de verdade a qualquer momento – e talvez, se fosse uma pessoa normal, já tivesse sufocado. Era a reação de Sakura que deixava Kiba apreensivo. Ele tinha medo de provocar uma confusão ainda maior se reagisse.
Sakura cravou as unhas no braço do Uchiha, mas ele parecia sequer sentir. Entorpecido pelo descontrole que se esgueirava em sua mente, alastrando-se rapidamente por todas as suas terminações nervosas, tudo o que seus olhos cheios de ódio enxergavam era aquilo que o ciúme permitia.
–Foi pra ver isso que você me chamou até aqui?! – Sasuke rosnou, os olhos ainda fixos na rosada.
Desnorteada com aquelas palavras, ela soltou os pulsos do Uchiha. Sentia seus olhos arderem, como se estivesse prestes a chorar novamente, e a cada vez em que piscava de incredulidade com aquela reação absurda de Sasuke, ela tinha medo de que as lágrimas escorressem fartas por seu rosto. Mais uma vez.
–Do que você está falando?! Nós não estávamos fazendo nada! Kiba é meu amigo, nosso amigo! Ele é parte da família! Solte ele!
Kiba começou a perder a paciência também. Mas que droga de situação.
–Sasuke, já chega. – falou o Inuzuka, tranquilamente.
–O que quer dizer com isso, Sakura?! – o Uchiha perguntou, sem dar atenção às palavras de Kiba.
Os olhos verdes da rosada novamente perderam o foco com a pergunta e ela sentiu que estava mesmo prestes a chorar de novo. Sakura sabia bem que palavras poderia usar para ferir aquele coração de pedra. Sabia que, mesmo fingindo estar distante e alheio a tudo, ele ainda se importava. No fundo... ela sabia.
–Quero dizer que... – ela começou, com medo de suas próprias palavras.
–Diga! – Sasuke gritou, encarando a rosada.
Sakura o encarou, seus lábios cerrados em uma linha rígida. Sentiu a raiva esquentando seu sangue, as emoções fervilhando, a flor da pele. Seu coração lhe dizia que estava na hora de acabar com aquilo.
–Quero dizer que você fez a sua escolha! Que você foi embora quando todos precisavam de você e mesmo assim você... foi! Você... – ela se interrompeu, sabendo que suas próximas palavras poderiam rachar o coração de pedra do Uchiha. E mesmo assim, ela resolveu continuar — Você não faz mais parte dessa família!
Ao ouvir aquilo, as mãos de Sasuke livraram o pescoço de Kiba do aperto que antes estava prestes a sufoca-lo. Ao ser recolocado no chão, o Inuzuka respirou profundamente, alisando o pescoço. Estava doendo.
O moreno continuou fitando Sakura com uma expressão que não dizia nada, mas, ao mesmo tempo, questionava tudo. Ele parecia não conseguir abstrair o significado daquelas palavras, como se não as aceitasse, como se elas fossem uma injúria. Mas seu pensamento contrastava com a expressão que a rosada lhe exibia. Os olhos verdes que o fitavam estavam repletos de dor, angústia e verdade.
Ela estava falando sério.
–Você não pode... – ele tentou começar, mas Sakura não deixou.
–Posso. – a rosada o interrompeu – Não só posso, como vou. – ela disse, mas cada palavras pronunciada denunciava quão trêmula estava, e quão insegura se sentia – Você não faz mais parte dessa família... – ela repetiu, arrancando a pulseira com o símbolo do clã Uchiha de seu pulso – E não faz mais parte da minha vida! — completou, atirando o presente na direção de Sasuke, para logo em seguida virar-se e sair correndo, antes que ele pudesse ver a mágoa e o descontrole que tomava sua expressão. Colocando a mão na boca para abafar o soluço involuntário que preenchia sua garganta, Sakura seguiu sem rumo para qualquer lugar, a fim de deixar sair de si a dor desesperada que ela estava sufocando desde o dia em que ele havia ido embora.
A pulseira atingiu o peito de Sasuke, para logo em seguida tilintar no chão. O moreno fitava, de modo inexpressivo, a figura de Sakura, que subia as escadas na direção do segundo andar. E quando ela finalmente sumiu de sua visão, ele se abaixou e pegou a pulseira de volta.
–Sasuke, eu... – Kiba tentou, mas não sabia muito bem o que dizer.
O Uchiha apertou o metal da pulseira em sua mão.
–Com licença. – ele pediu, para surpresa de Kiba. Sasuke nunca havia sido o tipo educado.
Mas ele parecia mesmo desnorteado com o que acabara de acontecer, e por conta disso, Kiba não se atreveu a dizer mais nada. Apenas viu quando o Uchiha caminhou até a escada a passos apressados, pulando os degraus de dois em dois, seguindo na mesma direção em que Sakura havia ido.
"O amor é cegueira
Eu não quero ver
Você não vai embrulhar a noite em volta de mim?"
Love Is Blindness, Jack White
Caminhando a esmo, Sakura viu-se em um grande corredor, repleto de portas. Ela não sabia para onde estava indo, mas aquilo não importava mais. As lágrimas que se acumulavam em seus olhos impediam-na de enxergar claramente o rumo que tomava, o tremor que se espalhava em seu corpo impossibilitando que ela controlasse seus passos. Apoiando-se na parede, ela avançava, desnorteada, em busca de qualquer saída. Qualquer porta que a livrasse daquele lugar infernal.
Tateou todas as portas, percebendo que algumas delas estavam abertas. Sem parar para pensar no que fazia, a rosada entrou em um dos cômodos, sem se preocupar em trancar a porta. Tudo o que ela precisava era de alguns minutos sozinha. Seria o suficiente para reorganizar seus pensamentos, sufocar a dor e as lágrimas, voltar a ocupar seu papel na missão que lhe fora confiada. Havia vidas em jogo. Não era hora de deter-se em suas próprias desilusões.
Respirou profundamente. Uma, duas, três vezes. Limpou as lágrimas.
De pé, no meio daquele cômodo estranho, ela ergueu o olhar pela primeira vez. Observou com mais atenção o ambiente precariamente iluminado por duas lâmpadas de luz vermelha que estavam grudadas nas paredes laterais. Não dava para enxergar muita coisa, mas ela podia ver claramente que a parede à sua frente, no fundo do quarto, era completamente revestida por um espelho. Um grande espelho, que refletia quão devastada ela parecia.
Ao seu redor havia alguns sofás e poltronas, em um dos cantos do quarto, um pequeno palco com uma trave de ferro no centro, que ia do teto ao chão. Que tipo de lugar era aquela boate de Hidan, afinal?
Mas Sakura não pôde estender-se em seus questionamentos. De repente, ouviu os passos pesados e apressados que se aproximavam de onde ela estava, e logo se virou em direção à porta que havia deixado destrancada. Seus olhos verdes arregalaram-se, percebendo o erro que havia cometido, e ela apressou-se em direção à porta, empurrando-a, mas antes que pudesse fecha-la, sentiu uma resistência barrando-lhe a intenção.
As pupilas negras de Sasuke encontraram as de Sakura pela fresta da porta, enquanto ele empurrava a madeira de volta, impedindo-a de fecha-la.
–Não! – ela gritou, empurrando com mais força. Mas o Uchiha era mais forte. Com um único movimento, ele empurrou a madeira, fazendo a rosada cambalear para trás.
Sasuke parou na soleira, encarando Sakura com o olhar frio que ela não queria ver. A rosada odiava aquele olhar. Era a expressão fria que lhe dava a certeza de que ele era uma alma irrecuperável, não importava o que ela fizesse.
O Uchiha respirou profundamente, tentando manter o controle de si. O ácido das palavras de Sakura ainda corria por suas veias, rasgando tudo em seu interior.
De seus dedos pendia a pulseira que ela havia deixado para trás.
–Vá embora. – Sakura pediu, fitando o moreno com receio.
–Não posso. Você sabe que eu não posso. – ele respondeu baixo, sem tirar os olhos dela, e logo em seguida avançou um passo para dentro do cômodo, fechando a porta atrás de si e girando a chave, trancando-a.
Sakura deu um passo involuntário para trás.
–O que está fazendo?! – ela questionou.
Mas Sasuke não respondeu. Tudo o que ele fez foi caminhar lentamente na direção da rosada, que por sua vez, vasculhava sua mente em busca de uma saída.
–Quer fugir de mim? – o moreno perguntou, e sua voz era baixa e aparentemente tranquila, mas sua expressão era sombria, os olhos negros pareciam ainda mais escuros e intensos – Quer voltar lá pra fora, onde Kiba está?
–Quero você longe de mim. – Sakura respondeu, tentando manter a voz baixa, como a dele – Quero você fora da minha vida.
Sasuke parou de andar, estancando ao ouvir aquelas palavras. A voz de Sakura soava com uma certeza que o invadiu como veneno, matando-o por dentro. Ele fechou os olhos, respirando profunda e pesadamente.
–Não. – ele falou, e aquela palavra soou como uma sentença. O moreno abriu os olhos novamente, voltando a fita-la.
–Sasuke... – ela começou, sentindo o olhar do homem a sua frente perfura-la como mil cacos de vidro. O pânico ameaçou se instalar em sua mente ao perceber que ele novamente caminhava em sua direção.
–Você prometeu. – ele falou, encarando-a seriamente – Prometeu que, não importava o que acontecesse, você me esperaria. – disse, sem parar de andar.
–Não posso mais cumprir essa promessa! Tudo isso é demais pra mim, Sasuke! Essa história tá te consumindo, te enlouquecendo e você não percebe! – ela argumentou, tentando se controlar para não chorar novamente – Não posso mais ficar em silêncio vendo nossa família desmoronar, vendo você se destruir... Eu não aguento mais! Pra mim, já chega! – disse, virando-se para fugir dele. Sua mente embaralhada não se atentou ao fato de que não havia como escapar. Ela virou-se na direção da parede espelhada, a fim de se livrar daquela situação.
Mas o Uchiha foi mais rápido.
Antes que pudesse reagir, Sakura sentiu o corpo de Sasuke colado em suas costas, empurrando-a com força rumo à parede de espelho. A bochecha da rosada atingiu a superfície reflexiva em um impacto firme e dolorido, enquanto o punho cerrado do Uchiha atingia a parede ao lado de sua cabeça em um murro, rachando o espelho. Dos dedos fechados ainda pendia a pulseira, que agora se misturava ao sangue do ferimento causado nos dedos pelos cacos que se fragmentavam de encontro à força e descontrole do moreno.
Ela se assustou, arregalando os olhos ao ver o líquido viscoso e vermelho escorrer da mão cerrada ao lado de sua cabeça, mas não pôde dizer nada. A respiração de Sasuke contra a pele de seu pescoço a desnorteava, e quando ele grudou os lábios em sua orelha, ela sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha.
–Se você me deixar... – ele sussurrou, sem se importar com a dor provocada pelos cacos que penetravam sua pele, nem pelo sangue que escorria de seus dedos – Estará tudo acabado para mim. E tudo o que fiz até agora terá sido em vão. Se você me deixar... Se você desistir de mim... – continuou, pressionando seu corpo contra o de Sakura no espelho – Será o fim. – completou, afastando o punho cerrado da parede. Os cacos de vidro tilintaram no chão, enquanto outros pedaços do espelho se desfaziam na parede.
–Já é o fim, Sasuke... Você já está acabando com tudo... – Sakura sussurrou, as palavras entrecortadas pelo choro angustiado que ela tentava segurar. Era difícil manter o controle sentindo o corpo do Uchiha colar-se às suas costas com tanta força. O calor dos lábios dele em sua orelha era desorientador.
–Não... Agora é que estamos começando... – ele falou, suas mãos alcançando o primeiro botão do vestido que ela usava. Em vez de abrir um por vez, ele puxou o tecido, fazendo com que todos os botões cedessem de uma só vez, sem tirar completamente o vestido do corpo de Sakura. Apenas os botões foram abertos, revelando a lingerie.
–Sasuke, nã...
–Não me diga “não”. – ele a interrompeu, os lábios arrastando-se pelo pescoço da rosada, distribuindo beijos e fogo por onde passavam. Suas mãos apertavam a cintura dela contra seu corpo, o sangue de seu ferimento tingindo a pele pálida de Sakura – Não me mande embora, porque eu não vou. Você é tudo que me resta. Eu já perdi tudo... não posso perder você também. – sussurrou, os dedos arrastando-se pela pele da barriga da Haruno.
Sakura soluçou, o choro de vários meses jorrando, livre, em uma só noite. Sentia sua pele se arrepiar em contato com as carícias desesperadas de Sasuke, o metal frio da pulseira enrolada nos dedos dele em contraste com o líquido quente do sangue que ainda escorria. Suas mãos tentaram impedir as dele quando o Uchiha agarrou a renda da lateral de sua calcinha, a fim de livrá-la da peça.
–Eu não quero mais você... – ela sussurrou, entre os soluços – Não quero mais nada disso... Você está me matando, Sasuke!
Ele novamente forçou o corpo contra o dela, fazendo-a atingir o espelho em um baque surdo. As mãos espalmaram-se sobre a superfície reflexiva, sem que houvesse qualquer chance de Sakura escapar daquele corpo que a encurralava.
–Não... diga... isso... pra mim! – ele sibilou, enfurecido – Você é minha última esperança... Não se perca de mim, por favor... – sussurrou, afundando a cabeça no ombro da rosada, a fim de esconder o rosto para que ela não visse seus olhos tristes refletidos no espelho.
Agora era impossível para Sakura conter o choro, porque ela não podia, e no fundo, não queria, conter Sasuke. Seu corpo ardia em mágoa e saudade – ela estava marcada como dele, afinal. Conhecendo a mente distorcida do Uchiha, Sakura sabia que ele pensava estar reivindicando o corpo que, por direito, lhe pertencia.
Sem conseguir se mover ou protestar, ela sentiu o moreno arrastar a calcinha para baixo, fazendo a peça escorregar de suas pernas e cair junto aos seus pés.
As mãos de Sasuke continuaram vasculhando e manchando de sangue o corpo de Sakura, e logo ela sentiu que o moreno desabotoava o fecho da frente do sutiã sem alças que estava usando, livrando-a da lingerie incômoda, atirando a peça para trás sem se virar para ver onde cairia. Restava no corpo da rosada apenas o vestido totalmente aberto na frente que ainda pendia de seu corpo.
Por um momento, Sakura sentiu as mãos do Uchiha livrando sua pele. Mesmo estando de costas para ele, a rosada pôde ver pelo espelho onde seu corpo estava grudado que Sasuke tirava a camisa e abria o zíper de sua calça jeans. Ela suspirou, seus olhos marejados fixos da figura do homem atrás de si, refletida à sua frente. Que saudade daquele corpo, daquela pele...
Por que Sasuke tinha que ser tão inconsequente? Por que ele tinha que ser tão estúpido, tão idiota? Por que ele insistia em querer carregar o mundo nas costas sozinho? Por que não se abria para sua família, para ela?
Por que ele tinha que deixa-la sempre?
Não demorou muito para que ela novamente sentisse as mãos ásperas de Sasuke em sua cintura, deixando rastros vermelhos em sua pele.
– Você é a única coisa que eu não admito perder, Sakura. Preciso saber que você ainda é minha... Que ainda tem necessidade de mim como eu tenho de você...
A rosada tentou se virar para ele, mas Sasuke não deixou. Continuou pressionando-a contra o espelho, esperando por uma resposta.
–Preciso ouvir, Sakura! – insistiu, beirando o desespero – Preciso ouvir ou vou enlouquecer!
–Eu não tenho escolha, Sasuke! Não consigo deixar de ser sua, mesmo que eu queira, mesmo que eu tente... não consigo... – ela se interrompeu, arfando ao sentir as mãos do Uchiha apertando-lhe os seios com força. Ele sempre acabava conseguindo o que queria, no final das contas. Era impossível resistir à saudade que a consumia. Precisava dele. E este era um fato contra o qual Sakura não tinha forças para lutar.
–Não tente... me esquecer... – ele sussurrou enquanto arrastava os lábios pela pele do pescoço da rosada e levantava o vestido que, mesmo completamente aberto na frente, ainda cobria as costas da Haruno – Não tente me apagar da sua vida.... Por favor, Sakura... – pediu, uma das mãos descendo até o meio das pernas da Haruno. A pressão em sua intimidade encharcada fez com que ela sentisse seus joelhos fraquejarem, mas a mão do Uchiha a amparou. De forma tentadora, os dedos do moreno brincavam com os grandes lábios daquela fenda macia, enquanto a outra mão acariciava um dos seios. Vez por outra, Sakura sentia o calor daqueles dedos habilidosos confundir-se com a frieza do metal de sua pulseira, que ainda jazia enrolada na mão dele.
–Então fique... e... me... ame... – ela exigiu, tentando dar foco e coerência aos seus pensamentos, o que era cada vez mais difícil, tendo em vista que seu corpo estava sob total controle das caricias de Sasuke, que ficavam cada vez mais intensas.
–Não posso... Não tenho coração para isso. Deixei ele com você, antes de partir. – o moreno falou, penetrando a Haruno por trás com força exagerada que a fez novamente bater dolorosamente de encontro à parede do espelho. Ela apertou os lábios para reprimir o grito de dor e prazer que encheu sua garganta, embora tenha deixado escapar um gemido abafado, impossível de ser contido. Sasuke ainda não se movia dentro dela, esperando que a dor inicial da rosada passasse.
Sakura apoiou as mãos no espelho, respirando profundamente, tentando se acalmar. Sentiu o moreno retirar a mão de sua intimidade e puxa-la para si pelo quadril, obrigando-a a empinar-se para ele. Ela permaneceu imóvel, sentindo o corpo de Sasuke contraindo-se contra suas costas por conta da respiração descompassada que ele tentava controlar.
–Vem pra mim, Sakura... – ele pediu, sussurrando em seu ouvido.
O corpo da rosada correspondeu àquelas palavras automaticamente quando ele voltou a acariciar seu clitóris, e ela logo rebolou de encontro ao membro que permanecia imóvel dentro de si. Os dedos de Sasuke em sua intimidade a estimulavam em movimentos circulares, do jeito que ele se lembrava que ela gostava. A mão dele estava molhada. Encharcada, na verdade.
Sasuke iniciou os movimentos de vai e vem devagar, os olhos se fechando involuntariamente, enquanto ele apertava os lábios, se deliciando ao sentir as nádegas da rosada comprimindo seu membro. Tentou controlar a respiração, impedindo-se de estoca-la com a força com a qual desejava estar dentro dela. Fazia muito tempo desde que a tivera em seus braços pela última vez e queria aproveitar o momento ao máximo. Mesmo que durasse pouco. Mesmo que, logo em seguida, fosse obrigado a voltar à realidade dura que o obrigava a estar longe dela.
–Senti... tanta... saudade... do seu corpo... – ele conseguiu balbuciar, administrando os movimentos de vai e vem. Seu peito bateu de encontro às costas de Sakura por conta de um leve espasmo de prazer, e o moreno afastou a mão que acariciava o seio da rosada para apoiá-la no espelho. Suspirou, tentando se controlar, afundando novamente sua cabeça no pescoço da Haruno, a língua arrastando as gotas de suor que começavam a brotar na pele dela. Tudo em Sakura lhe parecia delicioso. Convidativo.
Viciante.
E era do sabor daquela pele que Sasuke se sentia totalmente dependente. Sua sanidade ameaçava se esvair a qualquer momento, mas era naquele corpo onde ele encontrava as últimas gotas de resistência e persistência para conseguir continuar. E mesmo que odiasse admitir, a saudade que sentia o queimava, o envenenava, o matava. Ele tinha certeza de que não conseguiria jamais seguir seu rumo e deixa-la para trás. E, embora soubesse que suas promessas de ficar ao lado dela não passavam de sussurros doces e vazios, era impossível não fazê-las. Era impossível não ser egoísta, não marca-la como sua. Era impossível esquecer o gosto que tinha a pele daquela mulher.
Nenhum outro corpo o deixava em chamas como Haruno Sakura fazia.
–Eu... – ela tentou dizer, mas interrompeu suas palavras com um gemido alto quando sentiu que ele acariciava sua intimidade com mais força e rapidez.
–Você o quê? – o moreno exigiu, apressando seus movimentos dentro dela, o barulho alto de seu corpo batendo com força nas costas de Sakura soando por todo o cômodo.
–Eu também... senti sua falta... – Sakura admitiu, e novamente gemeu alto quando sentiu Sasuke puxar seus cabelos para trás com força moderada, mas firmemente, com a mão que antes ele apoiava no espelho.
Os olhos escuros e frios do Uchiha encararam a rosada por um instante, que se via obrigada a fita-lo de volta, presa pelos fios que ele segurava carinhosamente.
E, sem qualquer aviso, ele a beijou, esmagando seus lábios contra os dela, a língua invadindo a boca de Sakura sem permissão, a necessidade latente fazendo-o estoca-la com uma força desmedida e desesperada que a fazia gemer em seus lábios, de prazer e de dor.
O corpo da rosada arqueava-se para trás, de encontro ao peito de Sasuke, que continuava a penetrá-la com força, sugando sua língua como se quisesse arranca-la e levá-la embora com ele. O Uchiha parecia, de fato, sentir-se dono de tudo nela.
Os gemidos dele também eram abafados pelos lábios de Sakura, e quando os espasmos de seu corpo se tornaram incontroláveis, ele cambaleou alguns passos para trás, arrastando-a consigo, sem desgruda-la de seu corpo, sem deixar de estoca-la, cada vez com mais força, acariciando-a com cada vez mais intensidade. Não conseguiria conter-se por mais tempo...
–Vem comigo, Sakura... por favor, vem comigo... – o moreno pediu, as palavras quase ininteligíveis por conta dos lábios que ele se recusava a afastar dos dela. Ele não queria chegar ao ápice sozinho.
Sakura ergueu uma das mãos para trás, querendo alcançar os cabelos de Sasuke, nos quais ela entrelaçou os dedos, puxando-o com força para si, a boca grudando-se a dele com mais intensidade e força do que ela sabia ser capaz.
E quando o orgasmo veio, Sasuke novamente forçou o corpo de Sakura rumo à parede do espelho, os espasmos no corpo de ambos fazendo soar pancadas surdas na superfície reflexiva, sem que eles interrompessem o beijo por um instante sequer, enquanto o moreno continuava a se mover dentro dela com a mesma força, até que seus sentidos novamente voltassem a norteá-lo à terra, até que seu corpo se fartasse do corpo de Sakura. E aquilo lhe parecia impossível de acontecer.
Mesmo assim, ao sentir que ela havia atingido o ápice junto dele, Sasuke parou de estoca-la, saindo de dentro da rosada de uma só vez, virando-a bruscamente de frente para ele. Sem esperar que ela esboçasse qualquer reação de dor, ele novamente a forçou contra o espelho, agarrando-a pela cintura, voltando a beijá-la. Sasuke sabia que era impossível se fartar do sabor daqueles lábios, da maciez daquela pele, cheia dos rastros vermelhos de seu sangue, e roxos da sua força. Mesmo com a pouca luz, ele podia distinguir claramente as marcas de seus dedos e lábios que se espalhavam pelo corpo de Sakura, mas não ligava.
Afinal, ela era Sua Sakura...
Os dois afastaram-se, ofegantes, exaustos. Sasuke apoiou as mãos no espelho, puxando o ar dos pulmões com toda a força que conseguia. A rosada, por sua vez, sentia suas pernas bambas, seu corpo trêmulo e ao mesmo tempo relaxado. Seu corpo doía um pouco, mas o sexo com Sasuke sempre lhe causava algum tipo de dor – geralmente não no corpo, mas na alma.
Sem conseguir manter-se de pé, ela deixou-se escorregar pelo espelho, sentando-se no chão.
Sasuke sentou-se à sua frente, afastando os fios negros de seu cabelo que estavam grudados na testa por conta do suor. Sakura também respirava profundamente, encarando o moreno, que a fitava com um olhar cheio de desejo e... tristeza.
Ela passou as mãos pelo rosto, tentando organizar os pensamentos em sua mente. Seus amigos deviam estar lhe procurando, e não tardaria até que alguém invadisse todos os quartos daquele andar até conseguir encontra-la.
Sakura sabia que não seria nada bom que a vissem naquela situação.
–Eles sabem sobre o que você fez com o Itachi. – ela falou, de repente, encostando a cabeça no espelho, fitando-o, preocupada – Algum dos seguranças do Hidan deixou a informação escapar.
Sasuke permaneceu em silêncio, o desejo em seus olhos desaparecendo ao ouvir aquelas palavras. Sua expressão assumiu a costumeira frieza que o impedia de demonstrar o quanto lhe doía tocar no nome de seu mestre. Seu irmão.
–O que você vai dizer? – a rosada questionou, esperando alguma reação.
O Uchiha suspirou. Ainda sem dizer uma única palavra, ele se levantou e estendeu a mão para Sakura.
–Levante-se daí. Precisamos ir. – disse o moreno, encarando-a de forma inexpressiva.
Aceitando a ajuda de Sasuke, a rosada se ergueu e começou a procurar suas peças íntimas, vestindo-se o mais rápido que podia, enquanto ele também se vestia, abotoando a calça e procurando sua camisa, jogada em algum canto do cômodo. Sakura parou por um instante, fitando-se no espelho, percebendo as marcas roxas em seu corpo e, o problema mais visível: sua pele e sua roupa manchadas com o sangue da mão do moreno.
Mas seus pensamentos logo foram interrompidos pelo corpo de Sasuke que a abraçava por trás, fitando o reflexo dos dois no grande espelho. Delicadamente, ele recolocou a pulseira no braço de Sakura e depositou um beijo no rosto da rosada.
–Deixe-me ver isso... – ela pediu, tentando pegar a mão do Uchiha.
–Está tudo bem. – ele disse, desvencilhando-se das habilidades curadoras de Sakura, abraçando-a com força.
Ela suspirou, revirando os olhos. Ele continuava o mesmo orgulhoso de sempre, afinal.
Os dois fitaram seu reflexo por um instante. Porque aquela imagem dos dois juntos não podia se transformar em uma realidade fixa?
Antes que aqueles pensamentos tortuosos ganhassem mais profundidade em sua mente, Sasuke deu um passo para trás, afastando-se de Sakura e virando-se rumo à porta.
–Sasuke... – a rosada o chamou, preocupada, fazendo-o parar na soleira.
O moreno suspirou.
–Vou dizer a verdade. – ele disse, sem se virar para encará-la. — Eu matei Uchiha Itachi. – completou, abrindo a porta – Vamos embora.
Foi a vez de Sakura suspirar, apressando-se em acompanha-lo para fora do quarto. Não sabia se deveria sentir-se feliz ou triste por ele dizer a verdade aos amigos. Aquela informação não era novidade para ela, afinal.
A figura dos dois abraçados em frente ao espelho se desfez em sua mente, transformando-se em uma memória fraca dos rastros de loucura com o qual ele incendiara seu corpo naquela noite.
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