Paraíso Sombrio

26 ESPECIAL: Nada demais


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Sei que dessa vez o capítulo demorou mais do que o normal, mas a autora-san estava em recesso, num lugar lindão, cheio de sol, mar e amor. Pra falar a verdade, ainda queria estar por lá, maaaaasss... a realidade chama! Tive que voltar, e quando cheguei, no domingo, estava cansada demais para concluir e postar o capítulo, então, aqui estou! As ameaças por causa do Jiraya não param @_@ Não sei se sobrevivo até o final dessa fic T^T Sobre o capítulo de hoje... hihihihihi xD ESPECIAL MUITO ESPERADONIANO SAIDEIDARIANO DA AUTORA-SANIANA MAIS DESNORTEADANIANA DAS GALAXIAS! (?) Certo, parei. Kkkkkkkkk Sim, esse especial é sobre eeeeleeeeeeees! Estou muito feliz em estar postando um capítulo sobre esses dois, muito feliz por saber que aqui tem tanta gente bacana mesmo, que tem muito respeito e amor pra dar, e que não se deixa vencer pela hipocrisia disseminada por essa sociedade. Por isso que essa autora-san aqui ama vocês, porque vocês são foooodaaaaa, e juntos somos mais fortes do que qualquer dor! Então que prevaleça o amor! Beijos pra sociedade, beijos pro preconceito, porque os rótulos não passarão! Preconceituosos não passarão! A hipocrisia dessa sociedade falida não passará! Que prevaleça o amor e a liberdade sempre! Ofereço este especial pra todos que, desde o começo, torcem para esse casal e, principalmente, a Jkissy, que estava tão ansiosa pela ação desse casal, e aos meus amigos que erguem sua bandeira de amor e não se deixam levar pela dor. As feridas do preconceito ainda doem, eu sei... Segurem na minha mão, amores! Caminhemos juntos e partilhemos os sorrisos trazidos pelos ventos da liberdade! Sem vocês meus dias não tem tanta beleza... não deixem essa bandeira de amor cair, tá? Amo, amo, amo vocês! A música desse capítulo é a Say It Right, interpretada pela Nelly Furtado e pelo Timbaland. As indicações de quando escutá-la estarão no capítulo, e o link, nas notas finais xD E, pra quem mandou mensagem perguntando, eu sou hétero, sim, mas isso não me impede de defender qualquer outra forma de amor. Afinal, não é isso que importa de verdade? O amor? O respeito ao ser humano, acima de tudo? Então... é isso que eu defendo, com unhas e dentes. A liberdade de ser! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Os dois mantinham-se do outro lado do salão, em um canto mais isolado do bar, encarando a movimentação ao redor de forma aparentemente distraída. O tempo estava passando e as emoções de todos pareciam estar fervilhando. Primeiro, não conseguiam achar Asuma de jeito nenhum. Talvez tivessem começado pela boate errada, talvez devessem ter ido para outro lugar ou traçado um plano mais ofensivo.

Não... Shikamaru nunca errara na formulação de uma estratégia antes. Mas, afinal, o que havia feito o Nara começar logo por aquele lugar?

Segundo, Sasuke. Aquele Uchiha era sempre um causador de problemas, e toda vez em que o assunto girava em torno dele, Naruto ficava agitado, inquieto, e acabava agindo de forma imprudente. Na atual situação, não podiam correr o risco de ver o loiro entrando em colapso, porém, tudo caminhava inevitavelmente para isso.

Terceiro, Jiraya e Shikamaru. As noticias que Ino lhes passava através do jutsu os deixavam aflitos a cada minuto que passava de forma lenta, sem que fosse possível perceber nenhuma movimentação suspeita que lhes indicasse que pistas deveriam seguir. As coisas estavam saindo do controle, o plano estava desmoronando.

Afinal, o que diabos estava acontecendo ali?

Estes eram os questionamentos que se amontoavam na mente de Sai, confundindo-lhe o raciocínio. Algo de muito errado estava se passando ali e ele se esforçava para compreender o que era. Que detalhe estava passando despercebido aos sentidos de todos?

–Minhas boates são melhores. – Deidara resmungou, observando cada detalhe do estabelecimento de Hidan.

Sai revirou os olhos. Desde que haviam saído para assumir suas posições no plano de Shikamaru, o loiro não parava de fazer comparações de suas boates com a casa noturna na qual estavam. “A textura dos bancos”, “a cor das paredes”, “os jogos de luzes”, “as bebidas”, “a recepção”, “a segurança”. Deidara não parava de tagarelar sobre tudo o que havia naquele lugar e em como ele, com certeza, tinha melhores lucros do que Hidan, ou em como seus serviços noturnos dispunham de melhor qualidade. Sai geralmente era um sujeito paciente, mas se Deidara não calasse a boca, ele iria esmurra-lo.

–As músicas que tocam nas minhas boates são melhores. – o loiro disse, com o ar entediado.

–As suas boates tocam a mesma porcaria que essa. Não tem diferença alguma. – Sai rebateu, tentando não desmanchar sua expressão neutra.

–Claro que tem! – Deidara indignou-se.

–Que seja. – Sai tentou encerrar o assunto, observando discretamente o ambiente a sua volta. Alguns seguranças subiam para o segundo andar. Aquela movimentação não era natural. Até que enfim algo lhe parecia fora do comum naquele ambiente todo igual.

–Que merda isso do Uchiha, hein? – Deidara comentou, dando outro gole em sua bebida.

–É... – o moreno respondeu vagamente, fixando os olhos escuros nos seguranças que subiam as escadas, esperando perceber algo anormal e suspeito que lhe indicasse que deveria segui-los ou avisar aos outros sobre aquilo.

–Será que o Naruto vai pirar quando ele chegar aqui? – o loiro perguntou.

Sai apenas suspirou, sem responder. Deidara deveria ser, com toda certeza, hiperativo. Ele não conseguia ficar quieto ou calado um minuto sequer, e aquilo lhe dificultava a concentração. Era impossível se deter em qualquer detalhe fora do comum quando o loiro não conseguia parar de chamar a sua atenção para coisas desnecessárias.

–Talvez a gente devesse dar uma volta pelo segundo andar. – sugeriu Deidara.

–Naruto disse para ficarmos aqui e esperarmos por novas ordens. As coisas mudaram.

–Esse Sasuke é um otário. Não deveríamos mudar o plano por causa dele. – Deidara protestou.

–Não é por causa dele. Você ouviu o que a Ino disse. Ela perdeu o contato com Shikamaru e Jiraya.

–É... Isso tá bem estranho. – o loiro comentou, estreitando os olhos, confuso. – Que merda está acontecendo?

–Não sei. – Sai respondeu, preocupado, o olhar perdido na pista de dança a sua frente – Realmente não sei.

Os dois ficaram em silêncio por um instante, a tensão pairando sobre o ambiente. Mas esse momento de “tranquilidade” não durou muito. Logo o moreno ouviu Deidara suspirar de frustração. Deveria ser torturante para ele ter que ficar parado em um canto, esperando que algo de suspeito acontecesse, mas aquelas haviam sido ordens de Naruto. E Sai jamais ousaria ir contra as decisões do Uzumaki.

–Ei, você viu? – Deidara alarmou repentinamente, arrancando Sai de seus devaneios sobre Naruto, os olhos azuis arregalados com uma súbita empolgação – Você viu aquela mulher?

O moreno fitou o outro com uma expressão entediada.

–Não.

–Como “não”?! – o loiro indignou-se – Ela passou aqui na nossa frente, agorinha, olha ela ali, na outra ponta do bar, com as amigas. – disse, apontando para a moça em questão com um gesto de cabeça.

Sai fitou o grupo de mulheres que, animadamente, faziam pedidos ao barman.

–A de vestido vermelho? – perguntou, sem interesse algum.

–Sim... – Deidara confirmou, mordendo o lábio inferior, a expressão estampada com uma luxúria que Sai nunca havia visto – Que mulherão...

–Você não tem chance com ela. – Sai falou tranquilamente, bebendo um gole de sua cerveja. Não era muito dado a bebidas alcoólicas, mas aquela situação estava lhe deixando tenso demais.

–O quê?! Por que não?! – Deidara guinchou.

–Você não parece ser o tipo dela. – o moreno respondeu, tediosamente.

Deidara encarou o outro com um olhar estreito.

–Está querendo dizer que eu não sou bonito? – perguntou o loiro, incrédulo.

Dessa vez, Sai teve que se esforçar para conter o riso. A personalidade explosiva e impulsiva de Deidara tornava-o facilmente manipulável, e era tão fácil tirá-lo do sério que chegava a ser cômico.

–Eu nunca disse isso. – o moreno falou, piscando para o amigo da forma mais inocente que podia – Apenas acho que você não tem mesmo chance nenhuma com ela.

–QUE PORRA ISSO QUER DIZER?! – Deidara gritou, impacientando-se de vez. Sai teve apertar os lábios para não soltar uma risada – EU SOU LINDO! – o loiro alarmou.

–Deidara – Sai chamou, calmamente – Você está parecendo uma diva. Não me diga que está tendo um ataque de pelanca.

–SEGURA A MERDA DESSE UÍSQUE! — Deidara gritou, estendendo o copo para Sai – SEGURA, QUE EU VOU LÁ FALAR COM ELA!

–Cara, fica na sua...

–NÃÃÃO... EU VOU LÁ! VOU TE MOSTRAR QUE A ARTE DA CONQUISTA É UMA EXPLOSÃO!

Sai revirou os olhos. Deidara era tão inocente que o moreno até se sentia um pouco culpado por manipulá-lo daquela maneira.

–Pois façamos uma aposta. – Sai disse, fazendo o loiro encará-lo com uma expressão confusa – Você vai lá falar com a garota, e se conseguir ficar com ela, nós desobedecemos as ordens do Naruto e vamos para o segundo andar procurar pelo Asuma e explodir esse lugar, do jeito que você quer.

Os olhos azuis de Deidara brilharam de contentamento.

–Mas... – o moreno continuou, antes que o outro se empolgasse demais – Se EU conseguir ficar com ela, VOCÊ fica comigo.

Deidara piscou, sem conseguir abstrair o significado daquelas palavras.

Os segundos se passavam e o loiro continuava a encarar Sai com uma expressão embasbacada, como se estivesse preso em algum tipo de transe.

–E então? – o moreno perguntou, esperando alguma reação.

Deidara piscou novamente.

–Não, espera... você tá falando sério? – ele questionou.

–Claro que sim.

–VOCÊ TÁ FALANDO SÉRIO! – o loiro alarmou – PIROU, SAI?! EU SOU HÉTERO! HÉTEEEEROOOO! MEU NEGÓCIO É MULHER, CARA! NÃO ME LEVA A MAL, EU TE AMO, CARA, MAS SÓ COMO AMIGO, EU...

–Você não consegue ficar com a garota. Eu sabia. – Sai falou, bebericando sua cerveja novamente.

–O QUÊÊÊÊ?! ESSA NÃO É A QUESTÃO! EU CONSIGO, SIM!

–Então, se você consegue, não tem com o que se preocupar. Não é? – o moreno provocou, sorrindo com ironia.

Deidara estreitou os olhos para o amigo, sentindo-se desafiado.

–SEGURA! – falou, novamente estendendo o copo para Sai.

O moreno segurou a bebida e riu discretamente quando viu Deidara dando meia volta, indo, à duras e indignadas pisadas, na direção do grupo em que estava a garota que havia chamado a atenção do loiro.

–Isso vai ser divertido... – Sai murmurou, encostando-se no balcão, observando atentamente a cena que se desenrolava a poucos metros de onde estava.

Mas a paquera de Deidara não durou tanto quanto Sai imaginara. Quando o loiro se aproximou, sorrindo de forma sedutora, tocando a cintura da moça, já trazendo-a para perto e falando algum gracejo, ininteligível para Sai daquela distância, mesmo com a música alta, logo pôde-se ouvir o sonoro e pesado tapa que quase fez o rosto do loiro dar uma volta completa no pescoço.

Os olhos azuis de Deidara piscaram, incrédulos. Sua bochecha ardia.

–Ai. – ele murmurou baixinho, a dor no rosto latejando tanto quanto a no orgulho.

O loiro deu um passo para trás, os olhos encarando o chão, dizendo à mulher – que o fitava com grande indignação, enquanto as outras encaravam a cena parecendo irritadíssimas — algo que pareceu ser um pedido de desculpas, para logo em seguida voltar para onde o amigo estava, desanimado, os ombros arriados.

Sai novamente teve que conter o riso ao ver que o amigo projetava levemente o lábio inferior para frente, num beicinho emburrado.

–Acho que... você estava certo. Eu não sou o tipo dela. – Deidara disse, pegando de volta a sua bebida, sem encarar o moreno nos olhos.

–Você acha? – Sai provocou.

–Nem vem... até parece que VOCÊ é o tipo dela. – o loiro resmungou, mau-humorado.

–Está querendo dizer que eu sou feio? – Sai perguntou, fingindo indignação.

–E-E-EU NÃO DISSE ISSO! – Deidara balbuciou, nervoso com a possibilidade de ferir os sentimentos do amigo.

–Então eu sou bonito demais pra ela? – o moreno questionou, apertando os lábios para segurar o riso que ameaçava sair toda vez em que ele fitava a expressão aflita de Deidara.

–TAMBÉM NÃO FOI ISSO QUE EU DISSE!

–Você tem que se decidir, cara.

Deidara alisou a testa, impacientando-se. Que droga de situação era aquela?

–NÃO TENHO QUE DECIDIR NADA! SÓ SEI QUE A GAROTA ME DISPENSOU, FIM! – ele disse, torcendo para encerrar aquela conversa.

Sai estreitou os olhos.

–Segura! – pediu, imitando a atitude de Deidara, fingindo-se ofendido – Vou lá mostrar pra ela que eu sou lindo!

–Você tá tendo um ataque de pelanca, Sai? – perguntou o loiro, lembrando-se das palavras que o amigo havia lhe dito instantes atrás.

–Segura a droga dessa bebida! – Sai novamente guinchou, torcendo para que sua expressão não denunciasse a vontade de rir.

Deidara suspirou, segurando a cerveja do amigo, vendo-o marchar decididamente rumo ao grupo de mulheres do qual ele havia voltado há pouco tempo.

–Isso vai ser um massacre... – o loiro pensou, observando o amigo se afastar.

Sai encostou-se casualmente no balcão, bem próximo aonde estavam as moças, que conversavam animadamente sobre o atrevimento de um cara loiro que havia importunado uma delas.

–Me vê uma garrafa do champagne mais caro que você tiver aí. – o moreno pediu ao barman, atentando-se ao papo que rolava entre as garotas.

–Mas que cara abusado! – dizia uma delas, parecendo muito irritada.

–Não é... já vem logo agarrando e dizendo aquelas coisas... – a outra comentou.

–Ele é gatinho, mas muito cara de pau! – uma outra se intrometeu.

–Me digam, meninas, como é que um cara já chega numa mulher pedindo boquete? É o cúmulo! – alarmou a moça do vestido vermelho.

Sai revirou os olhos, compreendendo o motivo do tapa. Pensando bem, ela deveria ter batido mais. O que Deidara tinha na cabeça?

Quando o barman finalmente voltou com a garrafa, Sai depositou algumas notas de dinheiro no balcão, para logo em seguida virar-se para onde as mulheres estavam.

–Olá, moças... – ele falou, sorrindo de forma simpática.

Todas elas viraram-se para eles, a expressão interrogativa. Seria mais um homem ridículo querendo fazê-las de objeto sexual? Será possível que não podiam encontrar um cara normal, ou apenas aproveitar uma noite entre amigas em paz? Sempre tinha que aparecer um tarado sem noção ou um sorridente esquisito? E, por Deus, porque eles tinham que ser tão bonitos?

–Não acho que eu vá conseguir beber todo esse champagne sozinho... Será que vocês poderiam me acompanhar? – ele pediu, exibindo às garotas a expressão mais inocente de que era capaz.

Elas se entreolharam, desconfiadas. O cara era lindo, mas depois de toparem com um loiro com tendências abusivas, preferiam não arriscar.

–Não, obrigada. – uma delas disse, virando-se para o outro lado, seguida de todas as outras.

Ok, hora do plano B. Aparecer depois de um cara como Deidara, realmente, não era uma atitude muito promissora.

Sai se levantou, aproximando-se delas novamente.

–Sabe o que é, garotas... Eu sou gay. – ele revelou de uma vez, percebendo que elas agora o encaravam com um brilho estranho nos olhos – E aquele cara loiro que veio aqui falar com vocês é meu amigo e... Eu meio que estou querendo tirar proveito dele. – disse, exibindo um sorriso culpado e malicioso.

–Espera... – uma delas falou – Você é amigo do tarado?

–Sim. Mas eu quero que ele gaste aquela tara comigo. Mas ele é TÃO hétero... – lamentou-se exageradamente, vendo que as garotas agora o fitavam de forma simpática e sorridente.

–Ah, que barra... – uma lamentou.

–É, tadinho de você, lindinho! – uma outra consolou.

–Logo, logo aparece outro cara lindo e gostoso pra você se aproveitar dele! – uma outra gracejou, e todas riram escandalosamente. Sai também riu. Elas eram tão parecidas com Ino... e mesmo que ele não tivesse muita prática em lidar com emoções diversas, convencer aquelas garotas não seria difícil. Ele tinha anos de prática e convivência com a Yamanaka. Na frente da loira, aquelas mulheres eram tarefa fácil.

–Pois é... mas é porque esse loiro é difícil! E eu gosto de um desafio...

De longe, Deidara observava Sai sorrindo descaradamente no meio das mulheres, sem conseguir ouvir nada do que eles conversavam.

–Eu não acredito nisso... Que porra é essa?! – murmurou, perplexo.

–Poxa... Deve ser difícil querer aquele corpinho e não poder tirar uma casquinha! Por que você não ataca esse cara, tipo, no banho, ou sei lá... Pede pra ele apanhar um sabonete ou fazer uma massagem... no pênis... – uma outra arriscou, virando um gole da bebida cara. As outras novamente riram de forma escandalosa.

–Aí é que está. Tem um jeito mais rápido de eu conseguir agarrar esse loiro. Eu fiz uma aposta com ele que, se eu conseguisse beijar você, – Sai disse, apontando para a moça do vestido vermelho no meio do grupo – ele teria que ficar comigo.

–E por que ele veio aqui primeiro? – outra moça perguntou, confusa.

–Porque eu sabia que ele ia dar um jeito de ferrar com tudo... Ele é meio desajeitado. – o moreno contou, ainda sorrindo.

–E como! – elas disseram, em coro.

–Mas... e ai? Vocês podem me ajudar? – Sai questionou.

–Claro! – uma delas gritou, animada – Meninas, todas beijem o moreno gatinho! Ele tem que pegar uma lasca daquele loiro hoje!

E Deidara não acreditou quando, por fim, viu todas as mulheres do grupo agarrando Sai, acariciando-o e beijando-o, deixando marcas de batons de todos os tons pelo rosto, pescoço e lábios do moreno.

Dando-se por satisfeitas, elas se afastaram, deixando espaço para a moça de vestido vermelho que, sedutoramente, agarrou Sai pelos cabelos, dando-lhe o beijo mais avassalador de que era capaz.

–Mas o que...?! – foi tudo o que Deidara conseguiu murmurar, o choque atravessando sua expressão.

Quando a moça se afastou, Sai respirou profundamente, abrindo os olhos, fitando a expressão divertida do grupo de mulheres que o encarava. Tudo havia saído melhor do que ele planejara, mesmo que ele ainda não soubesse qual seria a reação de Deidara. Uma única palavra lhe passou pela cabeça.

“Exagerado”, o moreno pensou. “Com certeza ele vai fazer aquele escândalo...”

–E então, bonitinho? – uma das moças chamou – Você acha que vai dar certo?

–Com certeza, vai. Obrigado, meninas! – ele agradeceu, sorrindo de forma sincera, e logo em seguida, virou-se para o balcão – Desce outro champagne! – pediu para o barman, ouvindo os gritos histéricos de empolgação do grupo de mulheres.

–E agora, como vai ser? – outra moça perguntou.

–Agora... – Sai sorriu, malicioso. Era até estranho sentir-se daquela forma, mas ele não ligava. A sensação de vitória era boa, e ele queria aproveitar — Agora eu vou pegar o prêmio da minha aposta. – disse beijando a bochecha de cada uma delas, entregando a nova garrafa de bebida à moça de vestido vermelho — Divirtam-se! – gritou, afastando-se.

As moças sorriram, e quando viram Sai caminhando na direção de onde o loiro esperava, elas não puderam evitar gritar, empolgadas.

–OOOOOOOOWNNNNNNN! VAI LÁ, PEGA ESSE LOIRO! – uma gritou.

–NÃO SE ESQUECE DA IDEIA DO SABONETE! – a outra lembrou.

–E DA MASSAGEM... NO PÊNIS! – uma outra esgoelou-se.

O moreno apenas riu, enquanto se aproximava de Deidara, que encarava-o com uma expressão embasbacada.

“Oh, você não significa nada demais para mim

Não, você não significa nada demais para mim

Mas você tem o que é preciso para me libertar

Oh, você poderia significar tudo para mim”

Say It Right, Nelly Furtado feat. Timbaland

–Mas o que...?! – o loiro balbuciou, em choque, os olhos azuis arregalados. Encostado na parede, ele tentava compreender o que havia acontecido, sem conseguir encontrar qualquer resposta coerente.

–Eu venci. – Sai anunciou, exibindo ao outro um sorriso de triunfo.

–MAS QUE PORRA VOCÊ FEZ?! – Deidara guinchou.

–Nada demais. Apenas venci a aposta. – o moreno respondeu, naturalmente.

–SIM, MAS PRECISAVA DAQUILO TUDO?! O QUE VOCÊ TEM, O PAU DE OURO?!

–Não... mas, claramente, sei como conquistar uma mulher melhor do que você, que é HÉTEROOOOO! – Sai respondeu, referindo-se às palavras que o loiro havia dito quando ele sugeriu a aposta.

Deidara estreitou os olhos e cruzou os braços, emburrado. Não era possível que Sai fosse melhor do que ele com as mulheres. Simplesmente não era possível. Não tinha como.

–Aposto que você trapaceou... – o loiro resmungou, fazendo birra como uma criança.

–Por isso que Sasori costumava dizer que você é um péssimo perdedor. – Sai rebateu, suspirando de impaciência.

–É PORQUE O SASORI TRAPACEAVA, QUE NEM VOCÊ! – Deidara berrou, indignado.

–Já chega disso. – disse Sai, fitando o amigo com seriedade. Deu mais dois passos até onde o loiro estava encostado, apoiando as mãos na parede, cercando-o – Eu venci. Quero meu prêmio. – exigiu, encarando os olhos azuis apavorados à sua frente.

–PE-PE-PE-PE-PERAI, SAI! – Deidara se desesperou – VAMOS CONVERSAR, ESSA SUA APOSTA ERA SÓ BRINCADEIRA, NÃO ERA?! VOCÊ TAVA BRINCANDO, NÃO TAVA, AMIGÃO?!

Agora os dois estavam tão próximos um do outro que Sai conseguia enxergar claramente a agonia do rosto de Deidara. Ele novamente teve que se esforçar para manter-se sério, mas era muito difícil. Como era possível que aquele loiro fosse tão escandaloso?

–Não, eu não estava brincando. Quero o que é meu por direito. – Sai disse, aproximando ainda mais seu rosto do de Deidara – Venci honestamente e quero meu prêmio.

–MA-MA-MAS SAI, EU... EU... – o loiro se desesperava profundamente ao ver que Sai se aproximava cada vez mais, pretendendo beijá-lo. Aonde estava com a cabeça quando havia concordado com aquilo? Por que tinha que ser tão impulsivo?

O rosto tão perto, a respiração descompassada... Sai fitava a expressão apavorada de Deidara a cada centímetro que avançava na direção dele. Quando ele iria sair correndo?

Mas antes que pudesse prosseguir com suas suposições, algo se expandiu em sua mente. Um pensamento alheio, um chamado. Uma voz que soava distante, quase inaudível...

“Sai? Sai, consegue me ouvir?”, Ino perguntou, através do jutsu. “Se estiver me ouvindo, saia de sua posição e vá até o segundo andar... perdi contato com a Sakura também! Não sei o que diabos está acontecendo, mas é melhor reunirmos o pessoal e nos reorganizarmos. Encontre Kiba do outro lado do bar e procurem a Sakura... E, caso vejam Gaara e Hinata, peçam para eles voltarem para o terraço, está bem?”, ela disse, e sua voz soava carregada de preocupação e agonia.

Sai suspirou. Aquela noite estava sendo uma droga.

“Estamos indo...”, ele respondeu, e Ino encerrou a comunicação.

Deidara ainda o encarava com os mesmos olhos arregalados, apavorado, como se desejasse desaparecer daquele lugar. Paralisado, ele esperava que Sai se afastasse.

Mas o moreno continuou a encará-lo.

–Vo-vo-você ouviu a Ino, nós temos que... – Deidara balbuciou, mas quando os lábios de Sai tocaram seu nariz, beijando-lhe delicadamente a ponta, sua expressão foi tomada de surpresa – Quê que é isso?!

–Uma gentileza. – Sai respondeu — Eu não iria obrigar você a me beijar por conta de uma aposta idiota. Mas é bom saber como você se sente a respeito. – disse, e a frase final soou com um pouco de amargura que não passou despercebida à Deidara.

Sai por fim se afastou, caminhando na direção do outro lado do bar, onde deveria ir encontrar Kiba. Deidara, sem saber o que dizer, apenas o acompanhou em silêncio.

A tensão entre os dois parecia ter aumentado consideravelmente. Enquanto observava Sai caminhando silenciosamente à sua frente, Deidara não conseguia deixar de pensar que o amigo era seu extremo oposto. Era sempre muito difícil para o loiro lidar com Sai, porque o rapaz não reagia às situações da mesma forma que ele. Sai era sempre impassível, neutro, calmo, inalterável. Deidara era explosivo, impulsivo, imprevisível. A água e o fogo, a luz e a escuridão. E, com toda aquela diferença de personalidade, era impossível para Deidara tentar deduzir se o amigo estava chateado ou se tudo não passava de uma brincadeira.

Em meio a tantas dúvidas, Deidara tentava sufocar a que mais o incomodava naquele momento. Mas era impossível calar a voz em sua consciência que gritava a pergunta que não queria calar: Será que ele queria beijar Sai?

Não. Aquilo era tolice. Deidara era hétero. Ele jamais se deixaria levar por um sentimento estranho e momentâneo que se alastrava por seu corpo ao pensar na possibilidade de ficar com o moreno... Mas... como será que Sai iria reagir caso Deidara o beijasse?

As ideias não paravam de fervilhar na mente do loiro. E se... E se, apenas por mais um instante, ele resolvesse ser impulsivo? E se ele resolvesse arriscar se deixar levar pelo súbito desejo que lhe queimava o corpo sem que ele soubesse como?

No meio do caminho, Sai sentiu alguém arrastando-o bruscamente pelo braço rumo ao espaço mal iluminado em baixo das escadas que davam para o segundo andar.

–Deidara, o que você... – o moreno tentou argumentar, mas antes que concluísse sua frase, sentiu lábios estranhos calando os seus com força esmagadora, uma língua desconhecida invadindo sua boca, sugando a sua de forma desajeitada e nervosa. Nenhuma mão lhe tocava, Deidara mantinha os punhos cerrados, os braços esticados ao lado do corpo, sem saber o que fazer com eles.

Um segundo se passou até que Sai compreendesse o que estava acontecendo. Deidara sugava sua língua com força exagerada, os lábios espremidos nos seus. Percebendo o nervosismo do rapaz, o moreno fechou os olhos, fazendo de tudo para que o momento fosse prazeroso para ambos.

Querendo ensinar o caminho certo, Sai desacelerou o beijo, os lábios pressionando os de Deidara levemente enquanto deixava que ele lhe sugasse tudo. Involuntariamente, o moreno pousou a mão na nuca de Deidara, sobre os longos e loiros cabelos do rapaz, e deu um passo para trás, encostando-se na parede, a fim de trazê-lo para mais perto.

Arrastado pelo moreno, Deidara cambaleou um passo para frente, sentindo o corpo do outro grudado ao seu, e quando Sai o puxou para si pelo quadril, ele sentiu um súbito calor lhe percorrendo o corpo. O moreno se deliciava com os lábios quentes de Deidara, aproveitando seu merecido prêmio.

Para Sai, a vitória era doce, desajeitada, tinha cabelos loiros que cobriam seu rosto e um cheiro masculino inebriante.

Ao perceber o toque do moreno sob sua camisa, na pele da base da cintura, Deidara sentiu uma outra rajada de calor espalhar-se por seu corpo.

Era hora de parar.

Tão repentino quanto começou, o beijo acabou. Deidara deu dois passos para trás, afastando-se de Sai enquanto o moreno o fitava com uma expressão indecifrável.

–Eu... eu paguei a aposta. – Deidara disse, baixinho, mal conseguindo enxergar o amigo sob o véu escuro da sombra das escadas. Passou a costa das mãos pelos lábios, molhados pelos rastros das carícias da língua de Sai – Você venceu, merecia o prêmio. Estamos quites.

O moreno apenas assentiu, compreendendo que Deidara deveria estar com os pensamentos em pânico, fervilhando. Mas, enquanto teve seu corpo colado ao dele, Sai pôde sentir o desejo que ardia no corpo do loiro. A pressão que crescia forte de encontro ao tecido de sua calça, enquanto tinham seus corpos grudados um ao outro, era a prova da confusão mental visível na expressão de Deidara. Compreendendo o momento delicado, Sai não disse nada. Apenas se afastou, saindo da escuridão sob as escadas, caminhando em direção ao bar onde deveria encontrar Kiba.

Deidara o acompanhou, o cenho franzido. Seus pensamentos estavam tão embaralhados que sua mente queimava na vã tentativa de organizá-los.

Que diabos estava acontecendo com ele?

Vendo o amigo caminhando a sua frente, o loiro sacudiu a cabeça, em negação, tentando afastar aqueles pensamentos tortuosos. Aquilo não havia sido nada demais.

Sai não era nada demais.

O desejo que ardia em seu corpo não era nada demais.

Aquele beijo, que ascendera alguma coisa em sua alma, não significava nada demais.

“Eu não posso dizer

Que não estou perdido

E culpado

Eu não posso dizer

Que não amo

A luz e o escuro

Eu não posso dizer

Que não

(...)

Você não significa nada demais para mim”

Say It Right, Nelly Furtado feat. Timbaland

Notas finais
Oi! E ai? Gostaram? O link da música: https://www.youtube.com/watch?v=xKIasOz_qrA Gente, essa boate do Hidan tá rendendo, hein? kkkkkkkk Vocês acham que a fic tá ficando muito comprida? Isso é ruim? Querem que eu encurte a estória? Opinem ai! xD Já sabem que eu estou aqui quicando de curiosidade pra saber o que vocês acharam do capítulo, né? Então, por favor, não deixem de comentar, deixar suas opiniões, mandem e desmandem nessa autora-san, que afinal, essa fic é pra vocês, é de vocês, então... não esqueçam de passar por aqui e dizer o que acharam! *0* Um Special Thank’s desse tamanhão pra todos os leitores que recomendam essa fic aos amigos e que favoritam minhas estórias... vocês são uns lindos! Bom... é isso. Espero que tenham gostado xD Até o próximo! Bjks!