Paraíso Sombrio

34 As lágrimas do furacão


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Eita que a Yugito mal apareceu e já está sendo jurada de morte, kkkkkkkkkkk Percebi que os leitores ficaram um pouco surpresos com a escolha de Hinata, sobre Sasuke ser o mestre dela, embora alguns já apostassem nessa possibilidade. Será que a relação entre esses dois vai vingar, mesmo? Bom... sei que todos estão ansiosos pelo desenrolar da cena do capítulo passado, então, aí está. A trilha sonora de hoje é uma música do Pink Floyd chamada High Hopes. O link estará nas notas finais, mas pra quem já quiser ir procurar a música no youtube, aí está o nome. Peço, por favor, que ouçam a música, pois ela é importante, e desde o começo da fic eu planejei utilizá-la para esse momento. Acho que consegui encaixa-la na cena no tempo certo, e a indicação estará no decorrer do capítulo, então, por favor, por favorzinho, ouçam. Sobre o capítulo de hoje, não tenho muito o que dizer. Apenas que ele é curto, mas importante. Espero que gostem. Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



–ERO-SENNIN!

Enquanto seu corpo caia, Jiraya mal ouvia os gritos desesperados do raio dourado que corria em sua direção. Seus olhos embaçaram um pouco, mas ele ainda pôde ver o olhar de pavor de todos os que chegavam ao local onde tudo estava acontecendo. Sasuke também corria para perto, os olhos vermelhos arregalados. Todos observavam, apavorados, o corpo grande do mestre tombar de encontro ao chão.

Memórias de um passado distante

–Por que eu?! – gritava Jiraya, indignado. Fitava seu mestre com desgosto e mágoa, muita mágoa. Por que Sarutobi insistia em lembra-lo de coisas do passado que só o magoavam? Porque só lhe passava aquelas missões complicadas? Ele era jovem, queria viajar, aproveitar a vida, e não passar seus dias atrás de um moleque que eles sequer sabiam se ainda estava vivo.

–Já se esqueceu da promessa que fez a Kushina e Minato? – Sarutobi perguntou, indo direto ao ponto, sabiamente atingindo o ponto fraco de seu discípulo – Já se esqueceu de que eles confiaram a vida do filho a você?

–O menino está morto. – respondeu o sennin, exibindo ao mestre uma expressão amargurada – Temos que aceitar isso.

–Ele não está morto. No fundo, você sabe disso. Ele tem o sangue de Minato e Kushina. O dom deste menino está além do fato de que ele possui um Bijuu. Não se esqueça de quem ele é filho. Com certeza essa criança herdou a generosidade de Minato e a garra de Kushina. Esse menino tem o Dom de sobreviver, não importa o que aconteça.

Jiraya passou as mãos pelos cabelos, angustiado. Tinha que se controlar para não fazer uma bobagem e desrespeitar seu mestre, mas Sarutobi estava passando dos limites. Aquele velho sabia o grande laço que ele tinha com Minato, e Jiraya havia jurado nunca mais experimentar uma dor como a que sentiu quando o perdeu. Minato havia se tornado um grande amigo, alguém de quem ele sentia uma saudade imensa. Para o sennin, falar daquela maneira sobre seu falecido discípulo era pura crueldade.

–Sei que a morte de Minato lhe causou grande dor. – disse Sarutobi, fitando seriamente a expressão amargurada de Jiraya – Mas eles morreram para proteger essa criança. Compreendo que você não queria apegar-se novamente a um discípulo e ver a vida dele se esvair por entre seus dedos. Mas você é o único que conhece o segredo do destino desse menino. O único que conhece a profecia da Kyuubi e sabe o que pode torna-la mais forte ou destruí-la. Você precisa...

–Chega, Sarutobi! – Jiraya gritou, batendo o punho cerrado na mesa, levantando – Esse menino está morto!

–Jira... – o mestre começou, mas Jiraya não deixou que ele continuasse.

–Sejam quais forem os seus motivos, eu não quero ouvir, está bem? Não vou aceitar ninguém como discípulo. Nunca mais. Este assunto está enterrado junto aos corpos de Minato e Kushina. – disse o sennin, encerrando o assunto.

Mas tudo mudou quando Sarutobi faleceu. Somente sentindo a dor da perda novamente Jiraya foi capaz de se lembrar do valor de sua promessa. E mesmo que não estivesse pronto – e todos sabiam que ele não estava – aquela era a missão que seu discípulo e seu mestre lhe haviam confiado antes de morrerem.

Ele cumpriria sua palavra. Não importava o que acontecesse, encontraria o filho de Minato e Kushina e deixaria seus amigos e mestre orgulhosos.

Quando enfim resolveu partir em busca daquele que seria seu novo discípulo – se ainda estivesse vivo – Jiraya tratou de levar pouca coisa consigo. Tinha experiência com viagens ao redor do mundo e sabia que não era aconselhável procurar alguém levando uma grande bagagem. Aquilo não seria difícil; apesar de ter muito dinheiro, sempre fora um rapaz de estrada, nunca se apegando a um lugar ou a objetos. Possuía pouca coisa, e gostava disso. Menos com o que se preocupar, ele pensava.

Enquanto colocava seus pertences em uma mala, percebeu que Tsunade se aproximava, encostando-se na porta de seu quarto. Ah, quando ele entrava no quarto dela sem permissão, apanhava, mas quando ela queria entrar no seu, não pedia nem “com licença”. Não dava pra entender a cabeça daquela mulher.

–Já está de partida? – Tsunade perguntou, sacudindo casualmente um baralho nas mãos, tentando esconder sua preocupação.

–É o jeito! – Jiraya bufou, desanimado – Se eu não for, Sarutobi nunca mais me deixa em paz. – resmungou, referindo-se aos sonhos insistentes que tinha com seu mestre quase todas as noites.

Tsunade franziu o cenho, nervosa. Não tinha um bom pressentimento sobre aquilo.

–Esse jinchuuriki vai acabar te matando, hein? – ela avisou, debochada, mas sua voz trêmula denunciava seu medo.

Jiraya não lhe deu atenção. Apenas continuou a colocar as roupas na mala, sem querer se deter ao fato de que não veria Tsunade por um bom tempo.

–Não quer jogar uma partida antes de ir? – ela ofereceu, mostrando o baralho, esperançosa. Talvez conseguisse adiar a ida dele por alguns dias até convencê-lo a ficar. Sabia que Jiraya estava fazendo aquilo somente por causa da morte de Sarutobi e pela constante lembrança de Minato e Kushina. Ir atrás de um jinchuuriki e ainda por cima treiná-lo como discípulo era algo perigoso, principalmente um que carregava a Kyuubi dentro de si. Além do mais, que garantia ele tinha de que aquele garoto ainda estava vivo?

–Pra quê? Você vai perder mesmo. – Jiraya debochou, soltando uma risada.

–COMO É QUE É?! – indignou-se Tsunade – EU TE DESAFIO A ME VENCER! – ela berrou, apontando o dedo na direção do sennin.

Jiraya sorriu, deixando de lado a arrumação de suas malas por um instante. Avançou um passo para frente, puxando o braço que a loira mantinha estirado em sua direção. O corpo de Tsunade esbarrou no seu, e ele sorriu mais abertamente ao vê-la arfar.

–Certo. Desafio aceito. – o sennin sussurrou, o rosto tão próximo ao dela que era possível sentir a respiração descompassada da loira – Qual a aposta?

–A... é... – Tsunade divagou debilmente, sacudindo levemente a cabeça, querendo voltar a si – Eu aposto... aposto que...

–Que...? – Jiraya instigou, divertindo-se com o nervosismo da loira.

–Aposto que você não sobrevive ao garoto. – ela finalmente falou – Porque eu sempre perco. – disse, o coração acelerado.

–E eu aposto que volto vivo pra você. – disse o sennin, grudando rapidamente seus lábios nos dela, para em seguida soltá-la. Não era bom ficar tão próximo de Tsunade. Aquilo só dificultaria ainda mais sua partida – Vamos ver se sua má sorte me ajuda um pouco. – falou, voltando a arrumar as malas.

Tsunade o fitou por alguns instantes, um pouco decepcionada pelo fato de que aquele beijo não havia durado o suficiente para aplacar a saudade que já podia sentir se instalando em seu peito. Inconformada, ela novamente se aproximou, e beijou a bochecha de Jiraya, fazendo com que ele a olhasse com uma expressão surpresa.

–É a primeira vez que desejo boa sorte ao meu adversário em uma aposta. – ela sussurrou, os olhos cheios de lágrimas – Acho bom não me decepcionar.

Jiraya sorriu.

–Não irei. – prometeu, contente por ter um motivo para partir, e outro para voltar.

***

"A grama era mais verde

A luz era mais brilhante

O sabor era mais doce

As noites de surpresas

Com amigos por perto

A brilhante névoa do amanhecer

A água correndo

O rio sem fim

Para sempre e sempre"

High Hopes, Pink Floyd

Sinos dobravam perto dali, ecoando por todo o cemitério. Haveria uma igreja ali perto? Jiraya não sabia. Apenas se deleitava com o som bonito dos sinos até que seu corpo enfim atingiu o chão num baque surdo que ele não ouviu. Mal se dava conta do que acontecia ao seu redor. Tudo o que sentia era o sangue escorrer de dentro para fora de seu corpo, os sentidos já um pouco dormentes. Havia sido um golpe rápido e certeiro. Ainda bem. Ele não sofreria muito.

–ERO-SENNIN! NÃO! – Naruto berrava, desesperado, atirando-se de joelhos na grama, escorregando até o corpo do mestre – ERO-SENNIN!

Jiraya enxergava vagamente o raio dourado que se aproximava, chamando por ele, brilhando de encontro ao sol. Como o dia estava bonito! O mestre achava que aquele era um bom dia para morrer. A grama na qual estava deitado era a mais verde que já havia visto em toda a sua vida, o céu era azul, limpo de qualquer nuvem. Nunca havia visto um dia tão bonito quanto aquele, nem em todas as suas viagens pelo mundo.

Colocou as mãos sobre a ferida, sentindo o líquido quente que tingia suas roupas e a grama de vermelho. Sua garganta e seus lábios também estavam quentes; por eles saia um pouco do sangue que escorregava pelas curvas de seu sorriso. Havia um sol brilhando com intensidade perto dele, dourado, balançando-se como fios de cabelo... havia também o eco distante de uma voz conhecida que chamava por ele. Será que aquele momento poderia ser mais perfeito? O dia estava realmente lindo...

–ERO-SENNIN! – Naruto berrava, as mãos tateando debilmente o grande ferimento do mestre. Seus olhos arregalados pareciam não acreditar no que viam, embora o restante de seu corpo tentasse alertá-lo para o fato de que aquele parecia ser o fim. Mas ele se negava a acreditar. Era impossível. Aquilo não estava acontecendo – PADRINHO, OLHE PRA MIM! NÃO FECHE OS OLHOS! OLHE PRA MIM! ERO-SENNIN!

O mestre tentou fixar os olhos no sol que se agitava ao seu lado, mas era difícil. Ele brilhava, iluminando seus dias, sua vida. Brilhava como nunca. O cheiro da grama o embalava no torpor que tomava conta de seus sentidos, fazendo com que o chamado do sol ecoasse cada vez mais distante...

–PADRINHO, OLHE PRA MIM! – Naruto sacudia o corpo do sennin, inconformado, desesperado. “NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO! ISSO NÃO TÁ ACONTECENDO, NÃO TÁ!”, sua mente barulhenta se negava a crer no que via. A consciência do loiro se agitava com as passadas pesadas de Kyuubi, que caminhava para lá e para cá, angustiada, as garras se arrastando pelas grades. Os olhos azuis de Naruto estavam arregalados, fixos no rosto do mestre. Impossível. Inadmissível. Não era real. Não podia ser.

–Não... não fique assim, pirralho... – Jiraya balbuciou fracamente, o olhar perdido no borrão dourado dos cabelos de Naruto – Eu só vou... dormir... um pouco... – disse, a tosse interrompendo suas palavras. Mais sangue jorrou de sua boca e de seu ferimento, mas não tinha importância. Nada mais importava. Tudo o que importava era aquele dia perfeito, tão perfeito...

Ah, que céu bonito era aquele que brilhava para ele! Sol e céu, unidos em um só rosto. Nos olhos de Naruto não havia uma nuvem sequer. Seu céu estava azul, azul só para ele, uma última vez.

–SAKURA, FAZ ALGUMA COISA! AGORA! – Naruto berrou para a amiga, ouvindo Kyuubi uivar em sua consciência, agoniada, inquieta. Em seus olhos já se acumulavam pequenas gotas de água salgada que ele não admitia deixar cair. Aquilo não estava acontecendo. Era apenas um pesadelo e ele iria acordar a qualquer momento. Não era real.

A rosada o fitou, paralisada, os olhos verdes embaçados pelas lágrimas que se acumulavam nas pálpebras. Era uma curadora experiente, e só de olhar já sabia que não havia nada que pudesse fazer. Pelo sangue que escorrida, o ferimento havia sido profundo demais. Seus olhos treinados sabiam dizer que vários órgãos haviam sido atingidos, e alguns nervos também.

–SAKURA! – Naruto rosnou, fitando-a como se fosse arrancar-lhe a cabeça caso ela não se mexesse.

Ela então obrigou as pernas bambas a se moverem na direção de Jiraya, ajoelhando-se perto do sennin.

–Vai ficar tudo bem, Ero-sennin... – Naruto balbuciava, desorientado pelo nervosismo, as mãos encharcadas com o sangue do mestre – Sakura vai dar um jeito e... e tudo vai ficar bem! – ele disse, descontrolado.

“ACORDE, ACORDE AGORA! VAMOS, ACORDE!”, o loiro ordenava a si mesmo, em pensamento.

Mas não estava acordando.

Sakura se ajoelhou próximo a Naruto, as mãos trêmulas concentrando chakra sobre o corpo de Jiraya. Uma atitude vã, ela bem sabia disso, porém, o que mais poderia fazer?

Os soluços da rosada faziam com que suas mãos tremessem ainda mais, dificultando a concentração de chakra. As lágrimas impediam que ela enxergasse direito o que fazia, e por isso Sakura se assustou um pouco ao sentir as mãos fracas de Jiraya segurarem-lhe os pulsos.

–Solte, criança... – o mestre murmurou, deixando uma lágrima escorrer pela listra vermelha da cicatriz em seu rosto – Você e eu sabemos que é tarde demais para mim...

As mãos de Sakura fraquejaram e ela soluçou mais alto, se afastando antes que Naruto pudesse ver seu rosto.

–NÃO! Você disse que ia me mostrar o mundo, lembra?! – o loiro gritou, transtornado — Disse que ia me mostrar todas as músicas, todas as mulheres, todas as bebidas... Você não pode me deixar! Não pode me abandonar!

–Já não há mais nada que eu precise lhe ensinar... – disse o mestre, sorrindo – Olhe só para você... – murmurou, deixando outra lágrima cair – Meu redemoinho cresceu e se tornou um furacão...

–Padrinho, por favor... Não... – Naruto chorou baixinho, apoiando o rosto no corpo do mestre. Seus soluços soavam abafados e desesperados, confundindo-se com os uivos cada vez mais altos de Kyuubi em sua mente.

Reunindo suas últimas forças, Jiraya pousou as mãos sujas de sangue sobre os cabelos do loiro, tingindo seu sol de vermelho. O céu havia desaparecido agora que Naruto se apoiava em seu corpo, de olhos fechados, chorando. Aquele dia estava bonito demais para chover. Seu céu não podia chorar.

–Não fique assim, pestinha... – o mestre murmurou, sem deixar de sorrir – Minha missão aqui está cumprida... É hora desse velhote sossegar um pouco... não... acha?

A cabeça do sennin tombou um pouco para o lado, seu olhar caindo sobre Hinata, que observava a tudo sem conseguir esboçar nenhuma reação que não fosse chorar. As lágrimas desciam fartas dos olhos dela, quentes, sem que pudesse controlar o aperto que lhe sufocava a voz, o peito, a respiração. Não podia acreditar. Jiraya não podia morrer. Não podia.

A tristeza e a dor a invadiam, dando-lhe a certeza de que ela estava perdendo o único pai que conhecera em toda a sua vida.

Jiraya sorriu, satisfeito. Ali estava ela. O futuro de seu discípulo, de seu filho... do único filho que fora capaz de ter. Ele havia feito o seu melhor para encontra-la e trazê-la para a vida de Naruto. A perdição ou salvação de seu discípulo. Esperava que eles fizessem a escolha certa em sua ausência, e sentia orgulho da mulher que ela demonstrava ser. Hinata faria seu menino feliz, ele tinha certeza disso. A grande missão agora estava nas mãos dela. O mestre a entregava sua vida, seu amor, seu sol e céu... Lhe entregava seu bem mais precioso: Naruto.

Os olhos perolados da Hyuuga se arregalaram ao perceber que os lábios de Jiraya se moviam, lhe dizendo palavras mudas. Ele deixaria sua missão para que ela a concluísse, afinal, era a Hinata que ele entregaria todas as suas esperanças.

“Cuide do meu menino”, o mestre pediu, seus lábios se movendo em uma súplica silenciosa que só ela viu.

Hinata assentiu levemente, um movimento que apenas Jiraya percebeu. Muitas lágrimas rolavam do rosto da morena, mas o sennin sorriu mais ainda.

“É uma promessa, Hyuuga”, ele pensou, feliz.

O mestre sentiu os dedos de Naruto o apertarem, recusando-se a deixa-lo partir.

–Não... fique... assim... – Jiraya balbuciou, cada vez menos lúcido. Estreitou um pouco os olhos, fraco. Estava chegando ao seu limite – Quero ver você... sorrir... sempre...

Naruto ergueu o rosto manchado de sangue, fitando o sennin, ainda sem acreditar. Não, não e não. Não podia perder seu mestre, seu padrinho, o único pai que conhecera. Jiraya era sua esperança, e ele se recusava a deixar aquela chama se apagar. Seu mestre tinha que continuar brilhando, queimando, iluminando sua vida, seu destino, como sempre havia feito. Não tinha lágrimas suficientes para aplacar a dor daquela perda, Naruto sabia que não sobreviveria àquilo. Não podia perder o laço mais precioso e verdadeiro que possuía.

Sem Jiraya, ele acabaria sozinho, como antes. Mendigo de si mesmo, sem encontrar uma migalha sequer de alegria em sua vida ou qualquer vestígio de amor em que pudesse se apegar. Sem Jiraya, tudo seria como antes. Sem a chama de seu mestre para iluminar seu caminho, ele se perderia na escuridão novamente. Tudo seria como antes de ser resgatado.

Mas em vez de fome, ele sentiria solidão. Em vez de frio, ele sentiria raiva. Em vez de sujeira, seu corpo se mancharia com o abandono. Em vez de vida...

Haveria a morte.

Por um momento, Jiraya pensou ter visto o rosto triste e maduro de Naruto transformar-se no garotinho travesso que ele fora um dia, cheio de energia e alegria de viver. Os olhos azuis agora já não choravam, mas brilhavam de contentamento, o sorriso grande estampado em seu rosto.

“Isso... sorria... meu menino...”

–Padrinho... Pai... Não... por favor, não... Ero-sennin, olhe pra mim! ERO-SENNIN!

–Estarei sempre olhando pra você, pestinha... — o mestre balbuciou, fazendo os olhos do menino loiro a sua frente piscarem de alegria – Eu amo... você... meu... menino redemoinho...

–Eu também... – Naruto murmurou baixinho, entre soluços e lágrimas – Eu também amo você... velhote... Por favor... não...

Jiraya sorriu ainda mais. A luz do dia aos poucos virava escuridão e torpor, o sorriso de Naruto se desfazendo à sua frente. Tentou fixar seus olhos em Hinata novamente, vendo duas estrelas peroladas brilharem para ele. A noite já havia chegado? Que bom... O tempo passava depressa quando estava com sua família.

Nos braços do dia, mirando a noite, Jiraya apertou a mão de Naruto uma última vez. Era hora de partir.

O sennin enfim se entregou ao infinito, fechando os olhos, sorrindo.

Sorrindo para sempre.

Rodeada por pessoas desconhecidas que, em meio à bebedeira e algazarra, já eram suas amigas de infância, Tsunade pulava, alegre como nunca. Desde que acordara e fora para o cassino, descobrira a si mesma com uma sorte inédita em seu histórico de derrotas. Suas apostas estavam a mil, e ela já havia faturado uma pequena fortuna. Las Vegas era o melhor lugar do planeta, com toda certeza! Estava tão feliz por não ter dado ouvido às reclamações de Shizune e ter viajado para lá!

Animada, a loira sacudia os dados nas mãos, prestes a lança-los na roleta que girava rapidamente. Estava tão entusiasmada e envolvida nas apostas que mal percebeu Shizune correndo em sua direção, parando perto dela, esbaforida, com o telefone na mão. Geralmente, a morena não gostava muito daquele tipo de ambiente, então Tsunade arranjava um jeito de escapulir do hotel em que estavam hospedadas para ir se divertir e apostar. Queria só ver a cara dela quando mostrasse quanto dinheiro já havia ganhado... A própria Tsunade estava surpresa. Naquele dia, estava realmente com uma sorte que nunca tivera para os jogos. Geralmente, era surpreendida com uma derrota atrás da outra, e quase chegara a perder tudo o que tinha, mas graças a Shizune, não foi à falência. Mas naquele dia, tudo estava diferente. Ela estava vencendo, e aproveitaria a sorte.

–Tsunade... – Shizune chamou, respirando profundamente, tentando recuperar o fôlego de ter corrido até ali.

Mas Tsunade não escutava. Ela vibrava, pulando de contentamento. Que dia inusitado, aquele! Estava ganhando todas as apostas que fazia, e aquilo era algo realmente raro. Tinha que comemorar!

–Shizune, peça outra rodada de vodka! – a loira gritou, agitando os dados nas mãos – Vou conseguir para nós a suíte presidencial!

–Tsunade! – Shizune chamou, séria.

–Que é, mulher! – a outra se impacientou – Você precisa relaxar um pouco e sorrir! – disse, sacudindo os dados entre os dedos.

–Era Sakura no telefone... – Shizune avisou, a expressão carregada de angústia e seriedade.

Tsunade estreitou os olhos para a morena.

–O que ela queria? – perguntou, ainda sacudindo os dados nas mãos – Não me diga que é noticia ruim... – debochou, bem humorada – Estou vencendo todas as apostas hoje, nada pode estragar esse dia!

–É sobre o Jiraya. – Shizune avisou, fitando a loira com uma expressão pesarosa – Ele... ele morreu.

O sorriso de Tsunade desapareceu, o corpo fraquejando, apoiando-se na mesa de jogos.

Os dados escaparam de seus dedos dormentes, rolando pelo chão.

Ela havia vencido a aposta.

Notas finais
Oi! E ai? Gostaram? Link da música: http://www.youtube.com/watch?v=7jMlFXouPk8 Não se esqueçam de comentar! xD *Autora-san se mudando para um lugar muito, muito distante, onde não poderá ser encontrada jamais* Bjks!