Paraíso Sombrio

19 A peça que representa a real ameaça ao Rei


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? AAWWNNN, todos emocionados com o capítulo passado :3 Jiraya mostrando porque é o mestre, colocando a casa em ordem xD Tem gente que ainda não anda nada contente com o Kiba, kkkkkkkkkkkkkkkk além de embaçar a vida NaruHiniana, ainda quer embaçar a vida GaaInoniana... e... certo, não vou dar spoiler :) E há ainda aqueles que não gostaram das zoações que fizeram com ele, mas... Kiba, meu filho, uma vez cachorro numa fic (Laços), sempre cachorro em todas as fics. Senta. Junto. Bom menino. Brincadeirinha, Kiba! Você sabe que eu te amo! Todos empolgadíssimos com o fato de que Narutim e Hinatenha estão passando da relação carnal para a sentimental, *0* Hinateeeeeeenhaaaaa, mlr, agarra esse homem, não deixa ele se afastar, se vista de caipirinha e seduza esse loiro alcoolatra *0* (a autora-san não tem nada a ver com isso, só digo u.u) Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Todo mundo reunido novamente, bom, quase todo mundo. Ainda falta alguém? Sim, falta sim! O.O Eu NEM ACREDITO que consegui guardar segredo sobre esse especial, meu povo. Esse capítulo está pronto desde o dia em que postei o passado, e eu estava pra arrancar os cabelos com vontade de contar a vocês sobre ele, maaasssss... consegui ficar quietinha, não falei nadas nas notas... e aqui estou! Preparem-se para o... CAPÍTULO ESPECIAL SHIKATEMARIANO HENTARIANO MAIS ESPERADONIANO DAS GALAXIANIANAS! (Hein?) Eu ia postar só amanhã, mas... vocês já me conhecem o suficiente para saber que eu não conseguiria esperar até lá, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Além das putarias (huuuummm... autora-san se empolgando), esse capítulo possui informações muito importantes, então fiquem espertos! ORDEM, Akatsuki, Mestres, Discípulos... Bora começar a desenrolar essa bagaça toda xD E, claro, quem mais poderia encaixar as peças desse quebra-cabeça além do nosso gênio preferido? :3 Ah, outra coisa importante! Escrevi esse capítulo inspirada em duas músicas. Na primeira parte, inspirei-me na música Do I Wanna Know?, do Arctic Monkeys, porque eles são lindos, maravilhosos, são fodas pra caralho e a discografia deles é incrível. Quem não ama de Arctic Monkeys tem que ir correndo amar agora. É sério u.u A segunda parte, escrevi ouvindo umas das músicas mais PERIGOSAS que eu conheço, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ela se chama Slave, da banda Yeah Yeah Yeahs, e é tãããão... quente O.O Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Então por favor, por favorzinho, ouçam as músicas xD Os links estarão disponíveis nas Notas Finais. (Tenho coisas importantes para falar a vocês por lá, então não se esqueçam de ler xD) Dedico este capítulo a todos que estavam com saudades desse casal! o/ Portanto, coloquem a primeira música pra tocar, acertem o modo repeat, aumentem o volume ao máximo e... Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



“Talvez eu esteja muito ocupado sendo seu

para me apaixonar por um novo alguém

Agora tenho pensado bem sobre isso

Me rastejando de volta para você”

Do I Wanna Know? — Arctic Monkeys, 2013



A passos silenciosos, a loira entrou e fechou a porta. Aquele hotel era caro, e os dois não tiveram escolha a não ser ficarem no mesmo quarto, longe dos títulos de Padre e Freira. Há dias Temari notava que havia algo perturbando a mente de Shikamaru, e mesmo que ele não lhe contasse o que era, ela sabia que devia ser grave. O rapaz passava horas grudado no celular e no computador, mas não parecia estar satisfeito com o que quer que estivesse sendo o resultado do que tentava fazer.

Estavam naquela cidade no encalço de uma pista que Shikamaru havia encontrado, e parecia que as peças daquele quebra-cabeça começavam a se encaixar na cabeça dele. Temari notava que, na medida em que avançava nas investigações que lhe foram confiadas por Asuma, o rapaz ficava mais sério e inquieto. O Nara não compartilhava as informações que conseguia com a loira – não confiava nela, e a queria por perto apenas para que ela o ajudasse com eventuais problemas em combate, e, claro, porque ele sabia que o poder de Temari lhe seria últil. Muito útil.

Encostado na grande janela, Shikamaru estava com o celular nas mãos, uma expressão tensa estampada em seu rosto. Assustou-se quando sentiu o corpo de Temari colar-se em suas costas, as mãos deslizando por cima de sua camisa.

O rapaz suspirou de desgosto com aquela situação.

–Larga do meu pé, Temari. – ele falou, baixo.

A Sabaku sorriu com malícia e cravou as unhas sobre o tecido da camisa de Shikamaru, os dedos se arrastando sobre o peito do rapaz.

–O que pensa que está fazendo? – ele perguntou, agarrando firmemente os pulsos da loira. Virou-se para Temari, fitando-a com uma expressão indignada.

–Aqui não precisamos fingir sermos Padre Nara e Irmã Temari. Podemos ser nós mesmos e... Aproveitar o tempo livre.

–Não vou me envolver desse jeito com você de novo, Temari. – ele falou pela milésima vez, mantendo a expressão impassível.

A loira se irritou.

–Você nunca vai esquecer aquela história? – ela perguntou.

Shikamaru estreitou os olhos ao encará-la.

–Não. – respondeu.

Temari bufou, desvencilhando os pulsos das mãos do rapaz. E quando ele pensou que havia se livrado da insistência dela, a loira pousou uma das mãos sobre o tecido de sua calça, acariciando a intimidade do rapaz. Shikamaru arregalou os olhos, novamente agarrando o pulso da Sabaku.

–Para com isso, Temari!

–Você é muito irritante, sabia, Nara? – ela falou, afastando-se, e Shikamaru não respondeu, novamente voltando seus olhos para o celular, o rosto vincando-se de preocupação.

–Ei, Nara! Estou falando com você! – ela mexeu as mãos na frente de Shikamaru, querendo chamar a atenção do moreno, mas ele sequer levantou o olhar.

–Arrãm. – Shikamaru grunhiu, os olhos fixos no aparelho em suas mãos.

–Tá calor, aqui, né? Acho que vou tirar a roupa.

–Arrãm.

Temari revirou os olhos e tirou a blusa enquanto caminhava para o banheiro, jogando a peça de roupa no sofá. Tirou também o sutiã, arremessando-o bem na cara de Shikamaru.

Ele ergueu o rosto, a alça da peça íntima de Temari cobrindo-lhe o olho esquerdo. Ao se dar conta daquilo, tirou o sutiã da cabeça, jogando-o no sofá, bufando ao ver o sorriso malicioso com o qual a loira o fitava. Ele virou o rosto, sem querer se deter ao fato de que os seios dela estavam à mostra.

–Garota problemática. – resmungou, corado, ouvindo a risada debochada de Temari, que distanciava-se na medida em que ela se aproximava do banheiro.

Voltou sua concentração para o celular novamente, discando o número conhecido. Mais uma vez.

“Este número está desligado ou fora da área de cobertura.”, a voz enjoativa da gravação soou em seu ouvido.

–Que saco. – resmungou, jogando-se em uma poltrona.

Depois que Naruto compartilhou as informações que Deidara havia fornecido, Shikamaru pensou que realmente estivesse caminhando rumo ao desfecho do mistério que escondia quem quer que estivesse comandando a chacina contra os mestres. As hipóteses levantadas pelo loiro eram as mesmas nas quais ele havia chegado, porém, claro, o Nara havia ido um pouco além. Mas havia algo que o fazia acreditar que eles poderiam estar errados. E aquilo deixava-o apreensivo. Tinha um mau pressentimento sobre aquela situação, e não conseguia desviar seu pensamento disso.

Involuntariamente, sua mente trabalhava em busca de pistas, hipóteses, certezas. Qualquer coisa que estivesse lhe passando despercebida, qualquer detalhe, qualquer peça fora do lugar.

Alisou a testa, impaciente. O que ele não estava conseguindo enxergar? Que peça do tabuleiro era a real ameaça ao Rei?

Ainda com o celular em mãos, discou o número conhecido novamente.

“Este número está desligado ou fora da área de cobertura.”

–Mas que saco... – praguejou.

Foi quando algo interrompeu o raciocínio de Shikamaru. O grito de Temari, vindo do banheiro, ecoou por todo o quarto.

–AAAAIIII!

–Temari? – o moreno chamou, preocupado.

–Shikamaru! Vem aqui! AAAIIIII! – ela gritou novamente, fazendo soar um grunhido agonizante, que parecia ser de dor.

Abruptamente, o Nara se ergueu da poltrona e correu para o cômodo em que ficava a cama de casal, pela qual ele passou sem querer arriscar um olhar sequer. Na noite passada, ele dormira no sofá.

Lá dentro, deparou-se com a porta que dava acesso ao banheiro. Shikamaru bateu, aflito, escutando nada além do barulho do chuveiro ligado.

–Temari? – chamou, e sua voz era carregada de preocupação.

–Shikamaru... Eu preciso de ajuda! – ela respondeu, a voz entrecortada. Ela parecia realmente estar sentindo muita dor.

–O que houve? – ele perguntou, agoniado.

Mas não ouviu nenhuma resposta.

–Temari? – chamou novamente, mas tudo o que ouviu foi o barulho da água do chuveiro, que continuava a cair.

–Temari, se esse for mais um dos seus joguinhos, você vai pagar caro! – ele avisou, mas não ouviu nada em retorno.

Aterrorizado com a possibilidade de que ela estivesse, de fato, com algum problema sério, ele não se conteve. Deu três passos para trás, pegando impulso, para acertar a porta com o ombro. Na segunda tentativa, a madeira cedeu, a tranca partindo-se em duas, arrebentando a fechadura.

E quando enfim entrou no banheiro, a cena que viu o fez arregalar os olhos.

Nua, Temari encontrava-se no chão do banheiro, desmaiada.

Sem hesitar, o Nara se aproximou, passando por baixo do chuveiro ligado sem se importar em molhar-se. Ajoelhou-se onde estava o corpo da loira, apavorado.

–Temari?! Temari, o que houve?! – ele chamava por ela, dando leves batidinhas no rosto da Sabaku – Temari, por favor, responda! – Shikamaru estava assustado de verdade. Ergueu um pouco o tronco da loira, que continuava desfalecida – Por favor, por favor, por favor, Temari, fale comigo! O que houve?!

Seus olhos agora vasculhavam o banheiro em busca de sinais de sangue, bichos venenosos, qualquer coisa que justificasse a situação de Temari. E foi quando, de repente, sentiu pernas envolvendo-o pela cintura, puxando-o para o chão. Desavisado, Shikamaru caiu sobre o corpo nu de Temari, vendo-a sorrir, sapeca, de olhos abertos, admirando os cabelos molhados do rapaz, que tinham algumas gotículas de água nas pontas, por vezes escorrendo pelo rosto.

–Consegui. – ela falou, exibindo ao Nara uma expressão triunfante.

Temari viu os olhos de Shikamaru se arregalarem de ódio. Ele tentou se erguer, mas os braços da loira agarraram-lhe o pescoço, e suas pernas mantiveram-se firmemente pressionando o quadril do rapaz contra o seu.

–Mas que porra, Temari! – ele explodiu, indignado. Geralmente, Shikamaru era alguém muito calmo e disciplinado, mas aquela mulher conseguia mexer com seus nervos – Eu achei mesmo que tivesse acontecido alguma coisa com você!

–Eu sei. Esse era o plano. – ela continuou sorrindo, o que o irritou ainda mais – Você ainda se preocupa comigo. – disse, como se aquela fosse uma grande descoberta para ela.

–O que você quer com isso?! – ele perguntou, tentando desvencilhar-se das penas e braços dela, sem sucesso. Ela era forte.

Sob o corpo de Shikamaru, Temari rebolou, devagar, manhosa.

–Quero você, Shika... – sussurrou.

–Não me chame assim. – ele repreendeu, vendo-a usar o apelido pelo qual ela o chamava quando ainda eram namorados, em um passado muito distante... mas não distante o suficiente.

Ela ergueu o quadril contra o dele.

–Eu sei que você também me quer. Posso sentir.

Shikamaru se esforçava para manter seus olhos nos dela, e não desviar a atenção para o corpo nu e molhado que estava sob o seu. Era difícil manter o controle e a concentração com ela rebolando daquele jeito.

–Você está perdendo o juízo que te resta, Temari. – ele disse, inconformado pelo fato de que, mesmo estando por cima, era ela quem o controlava.

–Eu sei. Vem comigo. Enlouquece também. – ela pediu, erguendo um pouco o rosto, os olhos verdes embaçados de desejo.

–Ka... Ka-Kage Mane No Jutsu realizado com sucesso! – ele ofegou, quase sem conseguir utilizar suas habilidades pelo descontrole que começava a ganhar terreno em sua mente e em seu corpo.

As sombras materializaram-se sobre o corpo de Temari, puxando-a pelos braços, pernas e cabeça para o chão. O baque surdo no piso molhado fez com que a água respingasse por todo o lado, deixando o rapaz ainda mais molhado.

Temari rosnou de frustração. Aquele maldito poder do Nara a fazia perder a paciência.

–Está querendo aderir ao voto de castidade, Padre Nara? Desde quando você é tão... recatado? Está até parecendo que eu estou querendo tirar sua inocência! – ela falou, indignada.

Ainda sobre a Sabaku, Shikamaru aproximou o rosto do da loira. As mãos e joelhos apoiados no chão sustentavam seu peso, e agora não havia como não olhar para aquele corpo que, preso em suas sombras, aberto, receptivo, se debatia, tentando se soltar. Quantas vezes, na cama, ele já não havia envolvido Temari em sua escuridão?

Seu olhar também estava um pouco embaçado pelo desejo, e ele agora escolhia correr o risco de se deixar dominar pela luxúria. Roçou o nariz no dela, os lábios quase se tocando.

Percebendo o momento de fraqueza, Temari relaxou o corpo preso pelo Jutsu do Nara.

–Vem... – ela chamou.

Shikamaru então exibiu à loira um sorriso torto, os lábios roçando nos dela enquanto as palavras dele saiam, soando vitoriosas.

–Não. E essa é minha resposta final. – falou, enfim saindo de cima dela. Saiu depressa do banheiro, e tão logo deixava o cômodo, as sombras que prendiam o corpo da loira se dissiparam no ar.

Temari se sentou, encostando-se na parede revestida de azulejo. Encarou a porta aberta pela qual Shikamaru havia acabado de passar, e pela primeira vez desde que chorara pela morte de Sasori, sentiu seus olhos arderem. Sacudiu o rosto, recusando-se a aceitar a derrota. Ela não era do tipo que chorava ou se deixava abater.

Levantou-se, desligando o chuveiro e pegando uma toalha. Por um momento, fitou seu reflexo no espelho, e não reconheceu a mulher triste que a encarava. Mas sabia bem à que se devia aquele desapontamento.

Ela jamais voltaria a ser a pessoa por quem Shikamaru havia se apaixonado, um dia.

E ele jamais a perdoaria pelo que ela havia feito no passado.

Aquela era uma guerra perdida para ela.

Shikamaru saiu correndo do quarto, fechando a porta com força, dirigindo-se até o lado de fora do hotel. Chegou até a grande piscina que o estabelecimento oferecia aos hóspedes e, vendo que não havia ninguém ali, correu ainda mais. Tirou os sapatos no caminho, e de roupa e tudo, jogou-se na água fria.

Submerso, ele prendeu a respiração o máximo que pôde, esperando aquele desejo torturante deixar seu corpo. Não adiantava. Por mais que quisesse esquecê-la, por mais que tentasse, não adiantava.

Sem conseguir mais ficar sem oxigênio, ele emergiu a cabeça para fora do véu azul que segundos antes o acolhia e escondia. Sacudiu os cabelos e passou a mão pelo rosto, querendo apagar aquilo de sua mente.

Era bem melhor quando estavam na Igreja e não podiam ficar tão livres, ou tão perto um do outro. Sob o disfarce de padre, ele tinha justificativas para se manter distante. Mas ali, longe de tudo e de todos, seria difícil não resistir àquela mulher que o provocava dia e noite.

Socou a água, frustrado, percebendo o quanto ainda desejava aliviar-se no corpo dela.

Precisava tirar aquilo da cabeça. Precisava esquecer aquela mulher.

“Você me mantém seu escravo.

Venha se alimentar de seu amor...”

Slave – Yeah Yeah Yeahs, 2013

Shikamaru saiu da piscina e sentou-se na grama, em posição de meditação. Havia algo importante no qual ele podia focar seus pensamentos, e aquilo o ajudaria a afastar Temari de sua mente.

A chacina dos mestres.

A ORDEM.

A Akatsuki.

As hipóteses de Deidara e os fatos que não batiam.

Os desenhos estranhos nos corpos de alguns dos mortos, que pelo que havia descoberto, tratavam-se de rituais para tirar as possíveis informações que aquelas pessoas guardavam.

Ele respirou profundamente, concentrando-se.

Mas o que os mestres estavam tentando esconder para se deixarem torturar daquela maneira?

Que peça do tabuleiro era a real ameaça ao Rei?

Organizando os pensamentos daquela forma, subitamente, sua mente foi tingida pelas lembranças de uma conversa que tivera com seu mestre, certo dia, há alguns anos atrás, enquanto jogavam xadrez. Asuma lhe falava sobre seus ideais, e sobre como ele gostaria que, um dia, todo aquele sofrimento e aquelas guerras travadas pela ORDEM acabassem e que os poderes daqueles que os mestres protegiam pudessem ser reconhecidos e utilizados para o bem, como alguns já estavam fazendo.

Memórias de um passado distante



“-Mas nossa principal função não é proteger a ORDEM? – perguntou o Nara, movendo uma peça do tabuleiro – Xeque. – ameaçou, sorrindo.

–Está vendo essas peças de xadrez, Shikamaru? – perguntou Asuma, e o discípulo apenas assentiu – De todas elas, qual você classificaria como sendo a peça mais importante, aquela que deve ser protegida por todos?

–Claro que é o Rei. – o Nara respondeu, entediado.

O mestre riu.

–Você está errado, Shikamaru. – falou Asuma, olhando de forma desgostosa para o tabuleiro. O menino havia encurralado seu Rei. Não havia saída.

Iria perder para o garoto. De novo.

–Estou? – o discípulo perguntou, já se esquecendo do jogo – E quem é o Rei, então?

Asuma colocou a mão no ombro do garoto a sua frente, encarando-o com carinho.

–Escute com atenção, Shikamaru. Um dia, você irá descobrir aquilo que deve proteger, aquilo que será a sua peça chave, o seu Rei. E um dia, você irá compreender qual é o nosso Rei. O Rei de todos os mestres da ORDEM. Aquilo que nós mais queremos proteger.

O Nara assentiu, sem compreender o rumo que aquela conversa tomava.

–Certo... Mas você perdeu de novo. – ele disse, derrubando o rei do mestre – É um saco jogar com você, Asuma. – reclamou.

–Não é que eu seja ruim... o problema é que suas estratégias são boas demais. – disse o homem, rindo abertamente para Shikamaru – Por que você acha que o Rei é a ORDEM? – Asuma questionou, intrigado.

–Bem... não é pela ORDEM que nós lutamos? Não é a nossa organização, o lugar que nos acolheu, que devemos proteger?

O mestre suspirou. Era natural que aquele garoto, tão jovem, pensasse daquela maneira.

–Shikamaru, a ORDEM é apenas a hierarquia de nossos poderes. Nós, mestres, somos simples peões, e nós lutamos para proteger o verdadeiro Rei. A peça mais fundamental, mais importante de nossa existência.

–E que peça é essa? – perguntou o garoto.

–Você. Ino. Chouji. Naruto, Gaara, Sasuke e todos os outros discípulos, os que vieram e os que virão. Vocês é que são o verdadeiro Rei, o verdadeiro poder. Vocês são a continuidade de nossa missão. O futuro está nas mãos do Rei. Vocês são quem decidem o final do jogo.

Shikamaru refletia sobre aquelas palavras, mas não conseguia ainda abstrair os motivos por trás das ideias de seu mestre. Viu quando o olhar de Asuma fitou o tabuleiro, e o discípulo notou uma certa tristeza na expressão de seu mestre.

–É uma pena que a peça mais importante seja também a mais frágil e a mais difícil de ser protegida... – falou Asuma, voltando o olhar novamente para o Nara. O mestre parecia angustiado.

–Deixe de conversa mole e venha. O jantar já deve estar pronto. – Shikamaru chamou, sem dar atenção à tristeza no olhar de seu mestre.

–Vamos... – Asuma falou, levantando-se. Apoiou o braço nos ombros de seu discípulo, caminhando lado a lado com ele, enquanto seguiam o cheiro da comida que Ino estava preparando.”

***





Os olhos de Shikamaru se arregalaram, para logo se estreitarem ao serem atingidos pela luz do sol que cobria toda a extensão do gramado onde ele estava sentado.

A hipótese de Deidara estava errada.

Ao lembrar-se da conversa que tivera com seu mestre, a mente de Shikamaru abrira-se para aquilo que, antes, ele não conseguia compreender. O detalhe que estava lhe passando despercebido.

A peça que representava a real ameaça ao Rei.

Os ideais revolucionários que iam contra as normas da ORDEM não eram a única coisa que aqueles mestres mortos tinham em comum.

Todos eles tinham um Rei. A principal peça, que protegeriam a todo custo, sem hesitar.

Se os discípulos eram mais importantes que a própria ORDEM, e os peões estivessem protegendo o verdadeiro Rei...

E o Rei eram os discípulos...

A ORDEM achava que estava usando a Akatsuki, mas na verdade, era a Akatsuki que estava manipulando a ORDEM!

E depois que os peões fossem totalmente eliminados, o verdadeiro Rei estaria em perigo.

Shikamaru levantou-se, pegando seus sapatos e correndo de volta para o quarto, deixando rastros de água pelo chão que quase faziam-no escorregar pelo corredor e cair.

Invadiu o cômodo, jogando as roupas que já estavam organizadas no guarda-roupa de volta na mala. Achou que estivesse no caminho certo, e por isso pensou que fosse ficar por muito tempo ali. Porém, era hora de voltar a ser o Padre Nara, e retornar à cidade da qual não deveria ter saído.

O barulho causado pela pressa de Shikamaru fez com que Temari, já vestida, levantasse da cama onde descansava e fosse para a sala, afim de saber o que estava acontecendo. Fechou a porta do quarto atrás de si, fitando o rapaz que despejava todos os seus pertences na mala.

–O que está fazendo? – a loira questionou.

–Arrume suas coisas. Precisamos sair daqui. – ele falou, arrumando sua mala rapidamente, sem olhar para ela.

–Por quê? – Temari perguntou, temendo que aquilo fosse consequência de sua atitude no banheiro.

–Provavelmente, fomos seguidos. Estamos na cola de uma pista falsa.

–O quê?! – a loira grunhiu, logo apressando-se em pegar sua mala, que ainda tinha quase todas as suas coisas dentro. Ela não era tão organizada e metódica quanto Shikamaru.

–É isso mesmo. Prepare o seu leque quando estivermos saindo do quarto. Nós vamos achar quem quer que esteja nos seguindo.

Ela apenas assentiu, a expressão tão séria quanto a de Shikamaru. Terminaram de guardar suas coisas em silêncio, e sem parar para pensar no que estava fazendo, Shikamaru tirou a camisa e as calças molhadas, andando de cueca até o quarto, com uma muda de roupa nas mãos.

–O que está fazendo?! – Temari perguntou, indignada – Não temos tempo para isso! Se troca aqui mesmo!

–Não. – foi tudo o que ele respondeu, parado junto a porta fechada.

Ela suspirou, impaciente, e caminhou até onde ele estava, baixando a cueca do rapaz de uma vez. Shikamaru não se moveu um milímetro sequer, fitando-a com um olhar inexpressivo.

–Até parece que eu nunca vi isso antes. Eu e seu pênis somos velhos amigos... e pelo que percebi no banheiro, ele ainda gosta de mim. Tanto quanto você. Mas ele não esconde isso. – falou, exibindo ao moreno um sorriso travesso antes de se ajoelhar na frente dele.

A estratégia do banho frio foi por água a baixo. O membro rígido apontava para o rosto de Temari, pulsante, enquanto Shikamaru mantinha a expressão impassível.

–O que você pensa que está fazendo, Temari? – ele sibilou, sem conseguir se mexer pela tensão que instantaneamente paralisou seu corpo. Mantinha os olhos fixos na mulher ajoelhada aos seus pés. Tentadora demais. Quente demais. Problemática demais.

A loira continuava a sorrir descaradamente para ele, que continuava, inutilmente, tentando negar que também a queria. Mas ali estava a prova, e ela não deixaria aquela oportunidade passar.

Ela segurou a base do membro, sua boca envolvendo a glande como uma carícia.

Shikamaru deu um passo para trás, suas costas esbarrando na porta fechada do quarto para onde, minutos antes, ele se dirigia para trocar de roupa.

–Não... não temos tempo pra isso. – ele murmurou, encurralado. Sentia o membro pulsar, latejar. Aquela mulher iria lhe tirar a sanidade.

Ela apenas se aproximou novamente, fitando Shikamaru nos olhos.

–Essa ainda é sua palavra final, Padre Nara? – ela perguntou, sorrindo, pervertida.

–Você... – ele sibilou novamente para ela, estreitando os olhos, sem forças para recuar. Por que sempre acabava submisso às vontades e investidas de Temari? Por que aquela mulher ainda o dominava daquela maneira?

Dessa vez, os lábios de Temari dirigiram-se à virilha de Shikamaru, arrastando-se pela pele do rapaz, que já respirava descompassadamente.

Ela voltou-se novamente ao membro, beijando e lambendo toda a sua extensão. Sua boca já estava familiarizada com aquela região, não fossem os meses que passaram separados, podia jurar que havia sido ontem a última vez em que estivera de joelhos na frente de Shikamaru.

Temari viu o moreno encostar a cabeça na porta, em êxtase, e quando a boca dela envolveu novamente a glande, ele não a impediu.

Ela manteve os lábios ali, fazendo leves pressões na ponta com a língua, sentindo as pulsações de desejo que passavam pela extensão do membro. Temari observava cada reação no rosto de Shikamaru, cada suspiro de ansiedade para que ela envolvesse todo o sexo com a boca, cada vez em que ele apertava os lábios para reprimir um gemido.

A loira começou os movimentos de vai e vem, lentos, indo quase até a base do membro, engolindo-o por completo. Mesmo que fosse grande e grosso, ela lembrava-se perfeitamente de como chegar até lá.

A mente do Nara começou a perder o foco. Uma das mãos pairou involuntariamente sobre os cabelos de Temari, e sua vontade era de fazê-la ir mais rápido, mas não forçou nada. Apenas manteve a mão ali, os dedos entrelaçando-se aos fios loiros, enquanto ela apertava o membro entre os lábios, dando uma sensação apertada que o fez soltar um gemido alto e agoniado. Ela gemia baixo, apenas pela satisfação de vê-lo totalmente entregue.

Temari aumentou a velocidade dos movimentos, e os gemidos do Nara soavam cada vez mais alto. Ela mantinha seus olhos fixos no rosto dele, e viu quando o moreno arqueou a cabeça para trás, tomado pelo desejo. Shikamaru acertou a porta atrás de si com um punho fechado, para logo em seguida passar a mão no rosto, angustiado, mordendo o lábio inferior.

Ela continuou com os movimentos rápidos, até que sentiu-o puxar leve, mas firmemente, seus cabelos para trás.

A Sabaku o fitou, confusa, mas a compreensão veio quando ele a puxou pelos braços, erguendo-a, chocando seu corpo contra o dela na porta. Não daria tempo de abrir e chegar até a cama.

Os dedos do Nara pairaram no decote do vestido branco de Temari, mas a carícia que ela esperou não veio. Tudo o que ela ouviu foi o barulho do tecido sendo rasgado bruscamente, os pedaços sendo arremessados para longe.

–Você não queria mais aquele vestido, queria? – ele perguntou, a voz abafada contra a pele do pescoço de Temari.

–Manda queimar... – ela sussurrou em deleite, enlaçando-o pelo pescoço.

Ele deslizou a calcinha pelo quadril de Temari, e quando o pequeno tecido alcançou o chão, ela sacudiu os pés, desvencilhando-se dele.

Os lábios do Nara agora estavam nos seios dela, enquanto suas mãos deslizavam pela cintura e pelo quadril da loira. Já não aguentava mais.

Puxou-a pelas coxas, encaixando as penas dela em seu quadril.

–Eu sabia que você... – Temari balbuciava, tentando fazer seus pensamentos ganharem foco entre as carícias de Shikamaru — estava apenas se fazendo de difícil, Padre Nara... – provocou, rindo.

–Oh, cale a boca, Temari. – ele falou, a voz abafada pelos seios da Sabaku.

–Vem calar. – instigou, implicante, puxando-o pelos cabelos ainda molhados do banho de piscina.

E assim ele o fez. Os lábios de Shikamaru encontraram os de Temari no mesmo instante em que ele a estocou com força, mais força do que ele conseguia controlar.

Gemeram juntos, enquanto o corpo de Temaria batia contra a porta, fazendo soar por todo o cômodo uma pancada ritmada, acelerada. Não havia mais tempo a perder. Ele a estocou rápido e firme, as mãos agarrando o quadril da loira, sem desgrudar os lábios dos dela um instante sequer.

Quando estava perto do orgasmo, ele parou de se mover. Tentou sair de dentro dela com cuidado, lembrando-se de que não estavam usando camisinha.

–Fica... – ela sussurrou, completamente suada e ofegante. – Não tem perigo...

Shikamaru apoiou uma das mãos na porta, tentando se controlar, mas não conseguia. A necessidade que sentia fazia seu corpo inteiro doer.

Não discutiu com Temari sobre aquilo. Atendendo ao pedido, ele ficou, e voltou a estoca-la com vontade, sentindo os espasmos do corpo da loira de encontro ao seu. E foi dentro dela que alcançou o ápice, ouvindo-a gemer seu nome.

–Shika... – ela murmurou, para logo em seguida arquear o corpo, gritando.

Ele também gemeu alto, quase perdendo a força para segurá-la de encontro à porta, seus sentidos sendo tingidos pelo forte orgasmo.

Ofegante, Shikamaru sentiu o corpo dela amolecer em seus braços na medida em que parava as estocadas. Quando parou totalmente de se movimentar, percebeu as pernas fracas da loira escorregarem de seu quadril, apoiando-se no chão com dificuldade. Ele a segurou, fitando-a com seriedade. Temari o encarou de volta.

E sem qualquer aviso, ele a puxou pela nuca, tomando novamente seus lábios de forma selvagem e desesperada. Shikamaru sugava a língua de Temari com força e vontade, os lábios esmagando os dela.

Quando ele enfim se afastou, a loira o fitou, um pouco tristonha. Queria que aquele beijo tivesse durado mais.

Shikamaru apoiou as mãos na porta na qual Temari estava encostada, baixando a cabeça, ofegante. Não queria olhar para ela naquele momento. Não queria pensar em nada. Porém, involuntariamente, sua mente trabalhava em busca de uma lógica que pudesse explicar por que o desejo que ele sentia por aquela mulher falava sempre mais alto que a dor que ela lhe provocara. Por que, mesmo depois de passar tanto tempo sem vê-la, ainda não conseguia superar os sentimentos que achou ter dizimado de dentro de si?

Ainda em silêncio, o Nara deu um passo para trás, respirando com dificuldade e tentando recuperar o controle de si. Ele procurou as roupas que deveria ter trocado antes de toda aquela loucura começar. Nem se lembrava em que momento as havia largado no chão. Começou a se vestir, sem saber como agir ou o que falar.

Foi Temari quem quebrou o silêncio.

–Por que você não me beijou desse jeito quando estávamos no banheiro, naquela hora? – ela perguntou, revirando sua mala para achar uma roupa qualquer.

–Porque não gosto de joguinhos, Temari. Você sabe muito bem disso.

–Eu não estou jogando, Nara. – ela argumentou, vestindo-se.

Shikamaru não respondeu. Continuou se vestindo, enquanto Temari o fitava com uma expressão deprimida. Será que nem em mil anos ele a perdoaria?

Já vestida, ela se afastou e foi para junto da janela. Oculta pela cortina, a Sabaku se esgueirava um pouco sob o tecido.

–Você viu alguém suspeito lá fora? – ela perguntou, ainda de costas para ele. Ouviu o barulho do flash da calça jeans sendo fechado. Será que ele iria fazer de conta que nada havia acontecido?

–Não consegui prestar atenção. Sai da piscina apressado. Mas por que diabos eu não percebi isso antes? – ele resmungou, indignado. Como pôde ser tão cego, deixando-se enganar por aquelas suspeitas sem fundamento?

–E o que você foi fazer na piscina, de roupa e tudo? – ela falou, virando-se para ele novamente.

O Nara desviou o olhar, corando.

–Nada. Vamos embora.

Temari sorriu, segurando o leque entreaberto nas costas, já preparada para atacar. Mas antes de abrir a porta, Shikamaru puxou o braço da loira, fazendo-a voltar-se para ele.

–Eu não te beijei naquela hora, no banheiro, porque... porque todas as vezes em que eu cedi, você matou um pouco de mim. – disse para ela.

Temari piscou, atônita.

A loira sentiu um pontada de tristeza atingir seu peito. Ela não tinha resposta para aquelas palavras.

Shikamaru enfim girou a maçaneta, respirando profundamente antes de sair, acompanhado da Sabaku.

Infelizmente, tudo o que havia acontecido entre eles naquela tarde não apagava os rastros doloridos do passado.

“Querida, nós dois sabemos

Que as noites foram feitas, sobretudo,

para dizer coisas que você não conseguirá dizer amanhã.”

Do I Wanna Know – Arctic Monkeys, 2013

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Não sigam o exemplo de Shikamaru e Temari, hein? Usem sempre camisinha! SEMPRE! E não, a Temari não vai engravidar u.u Mas e ai, galerê... o que acharam do hentai? Hihihihihihi O que vocês acham que aconteceu entre esses dois no passado? O que vocês acharam das conclusões de Shikamaru sobre a ORDEM? Os peões são os mestres, que estão sendo eliminados porque protegem o Rei, e o Rei são os discípulos. Ok. E dai? E daí que mais informações sobre isso, só nos próximos capítulos, xD (autora má, MUWAHAHAHAHAHA!) Mas sério, não se esqueçam de que a opinião de vocês é meu principal incentivo para continuar escrevendo! Então comentem, analisem, diga para essa autora-san o que acharam do hentai para que eu possa saber se estou no caminho certo para as futuras safadezas dessa fic ;) Link da música do Arctic: http://www.youtube.com/watch?v=bpOSxM0rNPM Link da música do Yeah Yeah Yeahs: http://www.youtube.com/watch?v=rPtna3Thvzc Outra coisa que eu gostaria de dividir com vocês: amanhã eu estou voltando ao hospital para fazer alguns exames, e em decorrência disso, não posso prometer o próximo capítulo para logo, loguinho. Eu já imaginava que isso iria acontecer, por isso aprontei esse capítulo quatro dias atrás. Vou estar cansada e atarefada tentando equilibrar as idas ao hospital com minha rotina de estudos. (Cadê o botão que a gente aperta pra esse semestre acabar? Meodeos!) No final de semana eu devo estar em casa, então provavelmente só poderei postar na terça ou na quarta. Desculpem! Mas, infelizmente, tudo está um caos por aqui. Vou estar sempre no Nyah! respondendo aos comentários de vocês (façam essa autora-san feliz, gente kkkkkkkkkkkkkkkkkk), mensagens, assombrações, ameaças, todas essas coisas que vocês adoram fazer comigo, kkkkkkkkkkkk Cruzem os dedinhos pra que eu seja liberada amanhã mesmo, ou no sábado, e possa postar o capítulo antes do domingo *0* Eu também vou estar torcendo por isso. xD Bom, é isso, meus amores! Não deixem de me contar a opinião de vocês sobre tudinho nesse capítulo... Afinal, é o incentivo de vocês que me encoraja a prosseguir escrevendo. Bjks da autora-san!