Paraíso Sombrio

18 A casa do sol nascente


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Antes de qualquer coisa, desculpem pela demora! Além de estar soterrada de trabalhos e pesquisas do final do semestre, andei fazendo umas visitinhas (involuntárias) ao hospital. Estava com um peso enorme na consciência, mas vocês sabem que eu jamais demoraria tanto tempo para postar um capitulo se não fosse por um motivo de força maior. Na quarta-feira, comecei a receber as mensagens “carinhosas” dos leitores, perguntando onde eu estava, e “Cadê o capítulo, autora-san?”, “O que houve, autora-san?”, “Por que está demorando tanto, autora-san?”, “Autora-san, você morreu?”, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E o melhor de tudo é que, como vocês sabem que eu sou movida à música, alguns leitores acharam que eu estivesse sem inspiração, e me mandaram várias músicas divosas que tem muito a ver com a fic, para me motivarem a escrever. OOOWWNNN, meus amores, o que eu faria sem vocês? Cheguei antes de ontem do hospital, ontem eu descansei pra poder ir a noite pra faculdade, e prometi a mim mesma que eu iria escrever e postar o capítulo ainda hoje, mas passei a manhã emperrada, sem conseguir escrever uma única linha decente. Tava triste e cansada com todos esses problemas de saúde + essa pilha de livros e artigos que eu tenho que ler. Daí fui fazer o quê? Ouvir as músicas que me mandaram! E não é que ajudou, meu povo? Por isso que eu grito aos quatro ventos desse Nyah!: VOCÊS SÃO OS MELHORES LEITORES DESSE MUNDO TODO! Mas agora, falando dos capítulos: Estou vendo, aos poucos, os leitores se rendendo ao Kiba! Aaawwwnnn, tá todo mundo amando ele, hihihihi Só me aguardem, MUWAHAHAHAHA! Ah, gente, mas realmente, já tem muitos leitores apaixonados pelo Inuzuka... admitam, ele é um amor. rsrsrsrsrs Todos estão amando o Jiraya... seria uma pena se... Alguém viesse e... MATASSE ELE! BRINCADEIRINHA! kkkkkkkkkkkkkkkkk Fico impressionada ao perceber o quanto vocês se empolgam com a mera possibilidade de haver uma cena GaaIno, mesmo que seja por um instante, mesmo que seja apenas uma troca de olhar, qualquer coisa. Vejo fãs NaruHinianos com o coração batendo forte pelo casal GaaInoniano, e fico feliz, pois é sinal de que tenho feito um bom trabalho com os casais que me dispus a desenvolver, e ver essa reação positiva ao que escrevo deixa o coração dessa autora-san aqui em festa! Que bom ver uma reação positiva quanto ao Sai e Deidara! E gente... Sai tem uma queda por loiros. Alguém aposta quem é a pessoa por quem ele nutria sentimentos antes de notar que o Deidara era “bonitinho”? Ino vai pirar se souber que já existem leitores SaiDeidarianos tocando o terror por aqui, torcendo por eles, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Não prometo que esse casal vai acontecer, hein? É apenas uma possibilidade, uma suspeita, ou um acontecimento qualquer, quem sabe? Não estou dizendo que esse casal vai existir, mas bem... é bom ver o que vocês acham a respeito. Não posso dar spoillers... não sei de nada... sou só a autora ._. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Portanto, continuem opinando quanto à isso! Gente, desculpem pela minha nota enorme, mas eu adoro fazer essas notas, vocês sabem xD Adoro contar tudinho pra vocês, kkkkkkkkkkkkkkkk Dedico este capítulo a todos que torcem pelo reencontro dessa “família” pra lá de maluca! CALA A BOCA, AUTORA-SAN! O POVO QUER SABER É DO CAPÍTULOOOOO! Tá bom, tá bom... rsrsrsrs Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



"Há uma casa em Nova Orleans.

Eles a chamam de Casa do Sol Nascente

E tem sido a ruína de muitos pobres garotos

E, Deus, eu sei que eu sou um."

House Of The Rising Sun — The Animals, 1964



Hinata arregalou os olhos, observando o ruivo a sua frente, que estava com uma expressão aparentemente feliz em vê-la. E apesar daquele sorriso, ele não parecia nem de longe aquele rapaz alegre e cheio de brincadeiras que Hinata conhecera. Mesmo que ele estivesse sorrindo, ela podia sentir que ele não era mais o mesmo. Que as coisas haviam, de fato, mudado.

Mesmo assim, ela não pôde conter a alegria que a invadiu ao vê-lo. Aquele sentimento a surpreendeu, não havia percebido o quanto sentira falta dele, mesmo que tenham convivido juntos por tão pouco tempo. Além disso, tinha esperanças de que a presença dele ali devolvesse à Naruto o sorriso que ele havia perdido naquela manhã.

–Gaara! – Hinata cumprimentou, sorrindo para ele.

O ruivo se aproximou, e abraçou a morena, que retribuiu o gesto calorosamente. Gaara arqueou uma sobrancelha.

–Ei, desde quando você abraça? – perguntou, a expressão divertida e surpresa – E sorri? O que foi que o Naruto fez com você?

Uma risada baixa e tímida escapou dos lábios da Hyuuga, e Gaara se afastou para encará-la.

–Sério, o que aconteceu com você enquanto estive fora? Quer dizer que foi só eu ir embora pra você resolver se soltar?

–Bem... acho que eu mudei um pouco. – ela respondeu, timidamente.

–Um pouco? Olha pra você! Tá até falando e tudo mais. – o ruivo debochou, e novamente se surpreendeu ao vê-la sorrir para ele de forma sincera. – E então... a turma tá toda aí, né? – perguntou, e Hinata percebeu nos olhos dele o lampejo de algo que parecia ser nervosismo.

–Sim... Você... veio pra ficar? – ela perguntou.

Gaara suspirou e passou as mãos pelo rosto, querendo livrar-se da expressão hesitante que se estampava ali, assim como dos pensamentos que lhe tomavam a mente. Não, ele não podia ficar. Por mais que quisesse ter sua família de volta, não podia ficar.

Resolveu mudar o foco daquela conversa antes que ela tomasse rumos desagradáveis.

Enlaçou um dos braços nos ombros de Hinata, induzindo-a a entrar na casa.

–E ai? Sentiu minha falta? – ele perguntou, voltando a sorrir.

Mas aquele não era, nem de longe, o sorriso que ele costumava exibir antes de jogar tudo pro alto e sumir junto com Sasuke.

–Acho que todos nós sentimos sua falta. – ela falou num tom baixo, enfatizando cada palavra. Queria que ele entendesse que não apenas Naruto estava sofrendo com a partida dele. Havia também uma certa loira cujo sorriso perdera um pouco o brilho desde aquela noite, na boate de Deidara...

Gaara soltou uma risada, parando na soleira da porta.

–Que foi? – a morena perguntou, confusa com aquela reação.

–Eu sabia que você tava morrendo de saudades de mim, Hinatinha. – ele respondeu, e piscou para ela.

Os olhos perolados da Hyuuga se arregalaram diante daquelas palavras.

–Nã-Não foi isso que eu quis dizer! – ela grunhiu, falando cada vez mais baixo devido o constrangimento que sentia.

Gaara soltou outra risada.

–Pelo visto, mesmo um pouco diferente... você continua a mesma Hinatinha de sempre. – ele disse, ainda rindo. Mas sua expressão foi ficando um pouco mais séria ao encarar a porta aberta – É hora de ir enfrentar os tubarões! – disse, e respirando profundamente, ainda com o braço envolto nos ombros de Hinata, entrou de vez na casa de Naruto.

Quando entraram, Gaara e Hinata podiam sentir o clima desagradável que havia se instalado ali. Todos estavam em silêncio, se encarando de forma constrangedora e tensa, provavelmente se questionando mentalmente se a ajuda de Sasuke seria realmente algo positivo para a Hyuuga. Naruto, ainda perto da adega, estava de costas para a sala, sem querer encarar aquele cenário. Já era difícil demais para ele ter que pedir um favor ao Uchiha; não precisava submeter-se à mais uma experiência humilhante.

Mas ao perceberem que Hinata não havia entrado sozinha, todos os pares de olhos que estavam naquela sala se arregalaram de surpresa, com exceção de Jiraya, que apesar de tudo, mantinha a expressão tranquila, como se o que estivesse acontecendo fosse algo previsível para ele. Deidara, Sai e Kiba tiraram os olhos de Sasuke para fitarem Gaara com um olhar que expressava o choque por vê-lo ali. Vendo a expressão confusa de Sai, Ino seguiu o olhar do moreno até deparar-se com a figura do ruivo, que exibia a todos um sorriso torto.

A loira sentiu o sangue em seu corpo parar de circular, os olhos azuis levemente arregalados. Gaara fitou cada um dos presentes, inclusive Ino, mas seu olhar não se deteve nela.

Os olhos verdes do ruivo estavam agora fixos em Naruto, que de costas, ainda não havia se dado conta da presença de Gaara ali. Todos observavam enquanto o loiro virava outro gole de bebida, e, intrigado pelo silêncio que pairava na sala, ele resolveu virar-se para ver o que acontecia.

O olhar de Naruto deteve-se em Sasuke, até que um certo colorir afogueado em sua visão periférica o chamou atenção. Os olhos azuis voltaram-se involuntariamente para o ruivo, arregalando-se com a surpresa. Seu cérebro, já sob o efeito do álcool, tentava processar a presença de Gaara em sua casa. Sentiu algo em seu coração rasgar, algo em sua mente se romper. Ouviu, num sussurro, Kyuubi grunhir alguma coisa, mas a confusão e o álcool faziam com que um zunido baixo sufocasse a voz do Bijuu em sua consciência. Suas sobrancelhas se uniram por um momento, enquanto tentava organizar as ideias na cabeça.

Gaara tirou o braço dos ombros de Hinata, e caminhou na direção de Naruto. Ninguém conseguia definir se ele sorria ou se estava triste – embora seus lábios estivessem curvados em um sorriso carregado de ironia, seu olhar perdia-se em lástima e agonia.

Sob o olhar de todos, inclusive do de Naruto, ele pegou uma garrafa, abriu, e a encostou no copo de vidro que estava na mão de Naruto, como um brinde.

–Por que está bebendo de dia... – começou Gaara, virando um gole no gargalo da garrafa – Sem mim? – completou a frase, o meio sorriso em seus lábios se alargando um pouco mais.

O loiro piscou, tentando abstrair o sentido daquelas palavras.

–Não podia esperar a vida toda. – Naruto respondeu, encarando-o friamente.

Gaara apenas assentiu. Sentia que aquela seria apenas a primeira alfinetada daquele dia, e não queria pensar muito naquilo. Ele virou outro gole, e sentou-se no sofá ao lado de Hinata, que observava a reação de Naruto com um misto de curiosidade e preocupação. Os olhos do loiro estavam levemente vermelhos, e ela sabia que ele já estava um pouco alterado pela bebida.

O ruivo então olhou para Jiraya, que sorriu para ele mantendo a expressão serena. Gaara reprimiu o impulso de levantar-se e abraça-lo, pois sabia que o sennin não devia mais vê-lo com os mesmos olhos. Ele agora era aquele que havia abandonado sua família em busca de algo que ninguém compreendia, não mais o menino que Jiraya vira crescer, mudar e amadurecer ao lado de Sasori. Gaara sabia que não seria mais recebido ali como se fosse parte da família, e estava perfeitamente ciente disso quando fez sua escolha, mas aquilo ainda lhe doía de forma profunda nos raros momentos em que a dor pela perda de seu mestre não o adormecia para qualquer outra dor. Na maior parte do tempo, o ruivo era como o menino sem sentimentos que vivia nos becos e nas esquinas das ruas escuras, insensível, entorpecido, distante. Porém, em alguns raros minutos do dia, as lembranças dos momentos felizes lhe vinham a mente, e o despertavam para um outro tipo de dor: a ausência, a saudade.

De volta àquela casa, ele não conseguiria manter por muito tempo aquele escudo de frieza que com o qual ele se defendia da ausência de seu mestre.

Sentado ao lado de Hinata, Gaara sentia um par de olhos a encará-lo insistentemente, e recusou-se a focar seu pensamento nisso. Não queria pensar na expressão que Ino deveria ter estampada em seu rosto naquele momento. Tudo em que queria pensar era que estava, mesmo que temporariamente... em casa.

–Vamos começar com isso ou não? – Sasuke perguntou, impaciente. Revirou os olhos quando Naruto piscou novamente, como se estivesse despertando de um sonho. Pelo visto, a presença de Gaara ali havia abalado a estrutura de todos naquela sala.

–Na verdade, Sasuke, está passando da hora do almoço. Que tal nos sentarmos todos à mesa e termos uma refeição juntos? – perguntou Jiraya, levantando-se da cadeira e se espreguiçando, ainda sorrindo de forma tranquila.

–Ino, você podia tentar fazer aquele macarrão... – Kiba propôs, sorrindo para a loira, e aquelas palavras fizeram com que Gaara, involuntariamente, voltasse o olhar para a reação de Ino – Afinal, você tem mãos de fada na cozinha, e se quiser, eu posso ajudar. – disse o garoto, olhando com carinho para ela.

Os olhos verdes do ruivo se estreitaram.

–Obrigada, Kiba! – Ino respondeu, também sorrindo – Eu posso preparar alguma coisa, sim, Hinata também pode ajudar, não é?

Mas antes que a morena pudesse dar sua resposta, todos ouviram o sussurro baixo de Naruto.

–Me recuso.

–O quê? – Ino perguntou, sem entender bem o que ele dizia.

Sasuke bufou, irritado e impaciente com todo aquele drama.

Largando o copo na estante, Naruto esfregou as mãos no rosto, tentando manter o foco de seus pensamentos.

–Com licença. – pediu, saindo da sala a passos apressados, sem olhar para trás.

Hinata quis se levantar, mas Gaara segurou o braço da garota, impedindo-a de ir atrás de Naruto.

–Deixe ele ir. – o ruivo sussurrou para ela.

Ainda de pé, Jiraya parecia não ter se surpreendido ou se deixado abater pela reação de seu discípulo.

–Então, Ino, esse macarrão ainda está de pé? – perguntou o mestre, sorrindo.

–Claro! – respondeu a loira – Só preciso de um minutinho pra fazer uma ligação, e então podemos começar. – disse, pegando o celular do bolso e levantando-se do sofá.

Ino dirigiu-se até a varanda, encostando-se na grade, as mãos trêmulas segurando o celular com dificuldade. Ela fechou os olhos por um minuto, respirando profundamente, tentando se acalmar. Precisava manter o foco; ainda havia algo a ser feito, e aquela era a oportunidade perfeita.

No aparelho em sua mão, discou um número conhecido. Depois de tocar algumas vezes, alguém atendeu.

–Alô? Ino? – a voz feminina soou do outro lado da linha.

–Oi. Não tenho muito tempo pra falar, então apenas escute. – a loira sussurrou – Preciso que você venha agora pra casa do Naruto.

–Mas por q...

–Não pergunte nada, apenas faça o que eu disse! Venha o mais rápido possível. – falou, e antes que ouvisse alguma objeção, desligou. Tendo feito o que precisava fazer, virou-se para voltar à sala quando viu Sai na porta da varanda, observando-a com um olhar estreito.

–O que pensa que está fazendo, Ino? – ele perguntou, tentando encontrar um sentido em tudo o que estava acontecendo naquele dia confuso.

–Estou tentando recuperar nossa família. – ela respondeu, a expressão tomada de seriedade.

–Ino... – Sai começou a protestar, mas ela o interrompeu.

–Apenas fique quieto, está bem? Apenas hoje, vamos tentar fazer as coisas darem certo. Por favor. – Ino suplicou.

O moreno suspirou, acatando aquelas palavras.

–Tem certeza de que pode lidar com isso? – Sai perguntou, e ela sabia bem a quê ele se referia.

–Está tudo bem. – Ino respondeu, e sem olhar para ele, saiu depressa da varanda.

Vendo a amiga se afastar, Sai soltou um outro pesado suspiro.

–Será que você esqueceu de que eu te conheço melhor do que você mesma, Ino? – sussurrou consigo mesmo – Sei que não está nada bem...

Aproveitando a saída de Ino e a distração de Gaara – que, repentinamente, parecia ter seus olhos fixos somente em Kiba – Hinata aproveitou para tentar observar Sasuke. Ele continuava encostado na parede da sala, parecendo alheio e distante de tudo o que acontecia. Aquele homem a assustava, e ela temia o que aconteceria quando ele a “ajudasse” a despertar seu Dom.

Seus olhos perolados voltaram-se novamente para Gaara, e Hinata sentiu certa tristeza lhe tingir os sentidos. Era uma pena perceber a dureza na expressão do ruivo, a maneira como, mesmo fingindo sorrir, ele parecia frio e diferente. Ela queria poder ir falar com Naruto e quem sabe convencê-lo a voltar à sala, mas Gaara havia lhe pedido para deixa-lo ir. Deidara e Kiba mantinham uma expressão tensa, embora tentassem, a todo custo, disfarçar isso. Mas, estranhamente, as reações de Jiraya eram as que mais intrigavam Hinata. Ele parecia tranquilo, sereno, e nem um pouco surpreso. Aquele comportamento parecia ser algo pertinente à personalidade do mestre, mas mesmo assim, a morena não podia deixar de cogitar que talvez houvesse algum motivo por trás da aparente calma de Jiraya.

Ino retornou à sala, seguida de Sai, e chamou Kiba para acompanha-la até a cozinha. O Inuzuka levantou-se do sofá, mas não sem antes estender a mão para Hinata, ajudando-a a levantar-se também. Kiba enlaçou seu braço no da morena, a outra mão pairando carinhosamente sobre os ombros de Ino. Os três seguiram para a cozinha, enquanto Gaara os observava com um olhar estreito, antes de sentir Sasuke dar um tapa em sua cabeça.

–Acorda. – o Uchiha falou, antipático.

Gaara bufou, e Sasuke sentou-se onde antes estava Hinata.

–Então, Jiraya, com você aqui, bebendo todo santo dia, acabando com o estoque, Naruto está fodido, hein? – o Uchiha debochou.

–Não tão fodido quanto você parece estar. – Jiraya respondeu, mantendo a expressão serena – Mesmo que Naruto fique sem as bebidas, no final, ele ainda terá uma família para ajuda-lo a comprar outras.

Gaara soltou um outro suspiro. Aquela metáfora que Jiraya, tão sutilmente, utilizara, era a segunda alfinetada do dia. Mas ele não reclamaria, embora soubesse que Sasuke era idiota o suficiente para querer matar alguém por causa daquele desaforo.

–Akatsuki, hein? – Deidara sorriu amarelo, tentando desanuviar o ambiente – Como está sendo por lá? Muitas gatinhas do mal pra azarar? – debochou.

Pelo visto, o ruivo iria precisar de um caderno para registrar a quantidade de alfinetadas.

Sasuke apenas revirou os olhos para aquela pergunta, quando ouviu a campainha tocar.

Como uma desesperada, derrubando tudo no caminho, Ino saiu correndo da cozinha com uma frigideira nas mãos e colocou a cabeça na porta da sala, esbaforida pela pressa. Vendo que Gaara já se levantava para ir abrir a porta, sem piedade, ela mirou e acertou em cheio a cabeça ruiva com a panela.

–Ai! Tá querendo me matar?! – Gaara grunhiu, virando-se na direção de onde viera o golpe, indignado.

–Eu apoio essa ideia! – ouviram Kiba gritar da cozinha, a voz abafada pelo barulho de algo que fritava no óleo quente.

–Você é cabeça-dura, vai sobreviver. – Ino respondeu, piscando para Gaara.

O ruivo bufou, alisando a cabeça.

–Sasuke, por favor, pode abrir a porta para mim? – a loira perguntou, sorrindo.

O Uchiha a encarou como se estivesse olhando para uma desconhecida sem qualquer importância.

–Por que eu? – questionou, já desconfiado.

Sem perder o sorriso angelical, a garota respondeu:

–Porque você sumiu, filiou-se à Akatsuki, e como um idiota, arrastou o Gaara junto, que é outro imbecil, mas isso é papo pra outro dia. Então o mínimo que você pode fazer é ir abrir a droga da porta sem reclamar, pode ser?

Gaara e Deidara soltaram uma risada alta, enquanto Sasuke bufava e se levantava, encarando Ino mortalmente.

A loira voltou correndo para a cozinha com um sorriso sapeca nos lábios, como se uma bomba estivesse prestes a explodir naquela sala. Todos ouviram quando Sai soltou um pesado suspiro.

Sasuke abriu a porta, e por um minuto, ficou paralisado. Seus olhos negros encararam o par esmeraldino que o fitava como se não acreditasse no que estava vendo.

Um minuto se passou sem que ambos dissessem qualquer coisa.

–Ino está? – perguntou Sakura, depois do momento de silêncio constrangedor.

O Uchiha se afastou um pouco, dando passagem à rosada.

–Está na cozinha. – respondeu.

Sakura avançou para dentro da casa, mas antes que passasse da soleira, a mão de Sasuke segurou seu pulso, os olhos negros se fixando em um ponto indistinto. Sem fita-la, os dedos do moreno tatearam a pele da Haruno, deparando-se com um metal que reluzia discretamente sob a manga comprida da blusa que ela usava.

Um meio sorriso curvou os lábios do Uchiha antes de Sakura desvencilhar-se das mãos dele e encaminhar-se para a sala. A gola alta da blusa da rosada escondia a mancha em seu pescoço que insistia em não desaparecer, lembrando-lhe constantemente que seu coração, seu corpo e sua mente ainda pertenciam àquele homem. E aquilo era frustrante, porque embora se desvencilhasse das mãos dele, jamais se desvencilharia daqueles sentimentos.

–Sakura! – cumprimentou Jiraya, erguendo-se para abraçar a rosada. O sorriso dela se iluminou ao ver o mestre.

–Jiraya! Eu não sabia que você estava na cidade! – falou, retribuindo o abraço com alegria. Ao afastar-se do sennin, seus olhos pairaram sobre Gaara, confusos. – Olá, Gaara. – cumprimentou, sem compreender a presença do ruivo ali.

–Qual é, eu não posso ser o centro das atenções, o Sasuke também tá aqui! – argumentou o ruivo, indignado com a reação de Sakura.

A rosada sorriu para ele, tentando dissipar o choque de sua expressão.

–Que bom que você veio. – ela disse, e Gaara assentiu.

Mentalmente, o ruivo praguejou sobre aquela situação.

“Ainda é cedo demais para pensar assim, Sakura...”, reclamou, o peso em sua consciência impedindo-o de falar qualquer outra coisa.

Sakura cumprimentou todos que estavam na sala, e sem olhar para Sasuke, dirigiu-se à cozinha. Parou na porta, encostando-se na madeira, as pernas levemente bambas. A rosada suspirou, passando as mãos no rosto.

–Mas que diabos está acontecendo nessa casa hoje? – murmurou consigo mesma.

Ino voltou à cozinha com um sorriso maroto e empurrou Kiba com o quadril para longe do fogão. O rapaz cambaleou para o lado e riu quando ela despejou alguns pedaços de tomate em uma outra panela, enquanto cantarolava alegremente uma canção.

–Você é uma peste. – Kiba comentou, enquanto entregava à Ino um pote de azeitonas.

Ela apenas sorriu ainda mais, porém, logo estancou com o vidro nas mãos, virando-se para o amigo.

–Ei, cadê a Hinata?

–Ela não foi atrás de você, quando a campainha tocou?

–Ela foi? – a loira piscou, confusa.

–Sim, eu vi ela saindo daqui logo que você foi pra sala. Achei que ela tivesse ido ver o que você tava aprontando. – Kiba estreitou os olhos.

Ino suspirou. Sabia exatamente onde Hinata havia ido, e não tinha interesse em se envolver naquela situação. Esperava apenas que a Hyuuga soubesse onde estava se metendo.

–Bem, que seja. Vamos, me dê o molho! – pediu ao Inuzuka, sem querer pensar muito naquilo.

Enfim Hinata havia conseguido uma distração que lhe desse a oportunidade de escapulir sem que todos percebessem. De frente para a porta de Naruto, ela bateu sem hesitar. Não tinha mais tanto receio em entrar ali – estranhamente, o quarto do loiro era o lugar em que ela mais queria estar nos últimos dias. Aquele pensamento a despertou para as palavras de Gaara. Realmente, ela havia mudado muito desde a última vez em que eles haviam se visto.

Como não houve qualquer resposta, novamente sem hesitar, ela bateu. Não queria que o barulho chegasse até a sala, e começava a se impacientar com o fato de que Naruto não respondia. Irritada, ela girou a maçaneta, e seus olhos se arregalaram de susto quando a porta abriu.

Antes que alguém resolvesse dar uma voltinha naquele corredor, ela entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Encostou-se na porta, suspirando. Não precisou procurar muito para encontrar aquilo que desejava. Naruto estava perto da janela, de costas para onde ela estava, e no beiral, Hinata podia ver que havia uma garrafa de uísque e um copo de vidro. Como era possível que houvesse tanta bebida em todos o cantos daquela casa?

–Naruto... – a garota chamou, baixinho.

Ele não se virou nem respondeu. Continuou encostado na janela, seus olhos fixos em alguma coisa que ela não conseguia ver.

–A porta estava destrancada e eu... – ela tentava justificar sua presença ali. Não só para ele, como para si mesma.

–Eu sei. Fui eu quem deixou destrancada. Estava esperando que você viesse. – ele finalmente falou, e seu tom de voz se mantinha baixo e inflexível.

–Você... estava me esperando? – Hinata perguntou, surpresa – Por quê?

Naruto então se virou, ainda encostando-se na janela. Esfregou as mãos no rosto, impaciente com a bagunça em sua mente.

–Não sei. – respondeu. – Mas queria que você viesse. Pra que... eu não me sentisse tão sozinho.

Hinata sentiu um aperto no peito, sua garganta fechando-se com a agonia que ela via transparecer na máscara de frieza que Naruto sempre deixava a mostra para todos. Mas ele estava embriagado, e não conseguia esconder o que sentia naquele estado.

Ela se aproximou, e sentou-se na lateral da cama, de frente para ele.

–Você não está sozinho. Seu padrinho e Ino sempre estiveram ao seu lado, e... agora eu também estou.

–É... você está. – ele respondeu, encarando-a com seriedade.

Os dois ficaram em silêncio, sem saber como prosseguir com aquela conversa. Hinata sentia algo diferente na maneira como Naruto havia pronunciado aquelas palavras. E era impossivel vê-lo admitir aquele tipo de coisa quando estava sóbrio. Geralmente ele era só provocações, implicâncias e impaciência, e apenas deixava transparecer o que sentia quando estava descontrolado emocionalmente.

Ele então suspirou e aproximou-se de onde ela estava sentada. Ajoelhou-se na frente dela, e Hinata arfou, chegando a conclusão de que estava enganada. Era cedo demais para achar que ele não tentaria nada com ela estando naquele quarto.

–Na-Naruto, por favor, va-vamos voltar para a sala... – ela falou, o nervosismo fazendo as palavras saírem atropeladas. Mas para a sua surpresa, tudo o que ele fez foi apoiar a cabeça nas pernas dela, fechando os olhos. Uma única lágrima escorreu das pálpebras fechadas, que ele logo tratou de esconder, enterrando ainda mais o rosto no tecido da roupa que cobria as coxas da morena.

–Tudo bem. Posso... ficar aqui, só um pouco? – pediu, ainda de olhos fechados.

Hinata engoliu em seco. Era difícil ver o loiro frágil daquela maneira, e aquilo significava que ele, de fato, passava a considera-la alguém que não só merecia confiança, mas como parte de sua família. Alguém cujo colo ele poderia desabar suas mágoas.

–Claro que pode, Naruto... – ela sussurrou, suas mãos acariciando os fios loiros de Naruto. Alí, como um menino, ele era embalado pelo cheiro de Hinata, que carinhosamente acolhia suas mágoas sem nada perguntar.

Todos estavam sentados à mesa, encarando-se com uma expressão desagradável. As duas grandes travessas de macarronada fumegavam no centro da mesa, e o cheiro inundava a sala de jantar, deixando Kiba, sentado entre Ino e Sakura, com água na boca. Vez por outra ouvia-se o ronco do estômago de alguém. Uma veia destacava-se na testa de Gaara, enquanto ele encarava, impacientemente, a proximidade entre Kiba e Ino.

Naruto e Hinata não estavam ali, e todos esperavam por eles para enfim começarem a comer. Não tinham muita esperança de que o Uzumaki viesse, mas Hinata sumira de forma suspeita, e Ino não havia deixado ninguém procurar por ela. Deidara engoliu em seco, sentindo a boca salivar.

–Bem... acho que é isso. Somos apenas nós. Vamos comer – Sai falou.

–Pelo amor de Deus, vamos. – suplicou Deidara.

–Não ouse meter a mão aí, seu loiro de farmácia. – Ino sibilou, vendo que Deidara já avançava na direção da travessa.

–Mas nós estamos morrendo de fome! – Gaara falou, e um novo ronco soou.

–Não interessa, Ketchup. A ideia era de que todos nós comêssemos juntos. Vamos esperar só mais um pouco. – a loira disse, e o ronco de seu estômago soou mais alto do que o de Gaara.

Todos suspiraram de desgosto com aquela situação.

–Sempre soube que você um dia mataria todos nós, sua loira psicopata. Só não pensei que fosse ser de fome. – o ruivo resmungou.

–Olha ali, Gaara, não tá vendo nada de familiar nessa macarronada, não? Vou dar uma dica: é vermelho. – Ino implicou, sorrindo de forma irônica, olhando para o molho que envolvia o macarrão na travessa.

Sasuke revirou os olhos.

–Vocês são uns idiotas. – o moreno murmurou.

–Cala a boca, Uchiha. – Sakura rebateu, estreitando os olhos para ele.

–É, cala a boca, Uchiha. – Kiba provocou, fazendo eco às palavras de Sakura. A rosada sorriu de satisfação com aquele apoio.

–Vai latir em outra vizinhança, Kiba. – Sasuke grunhiu, a voz baixa em tom de ameaça.

–Ele late onde ele quiser, seu emo. – Ino saiu em defesa do amigo.

–Gente, só pra deixar claro, eu não vou latir em lugar nenhum. – Kiba explicou, piscando atônito com aquela situação – Eu não sou cachorro.

–Fica quieto, Kiba, eu te defendo – Ino prosseguiu, sem parar para ouvir o que o Inuzuka dizia – Diferente de você, Sasuke, Kiba é um amigo fiel.

–Todos os cachorros são fiéis, Ino. – Gaara resmungou, sorrindo com ironia – Por isso que eles são os melhores amigos do homem.

Jiraya observava a tudo aquilo em silêncio, com um sorriso nos lábios.

Mas antes que a discussão prosseguisse, eles ouviram passos se aproximando dali.

Todos encararam, surpresos, Hinata e Naruto – que estava de rosto lavado e um pouco mais sóbrio – chegando até a sala de jantar.

–Você veio. – Gaara murmurou, sorrindo de forma verdadeira a involuntária para o loiro.

–Senti o cheiro do macarrão da Ino. – Naruto deu de ombros, sentando-se entre o ruivo e Hinata.

–Pois muito bem! – Jiraya levantou-se – Antes de comermos, eu gostaria de dizer algo. – o mestre exibiu a todos um sorriso cruel, ouvindo o murmúrio geral.

–Mas que merda, eu tô com fome! – Deidara reclamou.

–Serei breve. – o sennin prometeu — Quero apenas que todos olhem ao seu redor. – pediu.

Jiraya viu enquanto os olhos de todos os presentes ali vasculharam as pessoas que estavam ao redor da mesa, e novamente se voltaram para ele.

–Quero apenas dizer, que... É bom estar de volta, família. – disse o mestre, sorrindo, e sentando-se, enquanto Gaara, Ino, Deidara, Sai, Sakura, Hinata e Kiba erguiam seus copos para brindar o reencontro quase completo.

Sasuke, que estava sentado ao lado de Gaara, e Naruto mantiveram a expressão impassível, mas, mesmo que se recusassem a admitir, ambos sentiam algo aquecendo seus corações.

A mão de Hinata alcançou a de Naruto por baixo da mesa, e ele, enfim, sorriu. Não era o sorriso que ele costumava exibir, cheio de ironia ou de segundas intenções. Era o sorriso de um menino que havia encontrado o caminho de volta pra casa, depois de ter se perdido a noite inteira em uma floresta vazia.

Jiraya apenas observava aquela cena, sorrindo, satisfeito.

O mestre, aos poucos, colocava tudo no lugar.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Espero que sim! De maneira sutil, Ero-sennin vai colocando as coisas no lugar sem que ninguém se dê conta, hihihihihi esse velho é demais, mesmo. O que acharam desse reencontro? E das cenas NaruHinianas? Agora, gente... Ino e Gaara, Sakura e Sasuke, sob o mesmo teto? Vai dar certo? E o que acharam da reação de Gaara sobre Kiba? Algo me diz que esse Inuzuka ainda vai provocar os nervos de muita gente nessa fic, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Me contem tudinho! Muito obrigada à todos que acompanham fielmente essa estória e jamais deixam de comentar e de recomendar a leitura da fic aos amigos... a autora-san ama vocês! Aqui está o link da música do The Animals que inspirou as cenas mais intensas e o título desse capítulo... Afinal, a casa do Naruto, com todos reunidos assim, é mesmo a Casa do Sol Nascente *0* http://letras.mus.br/the-animals/302271/traducao.html Não vou prometer o próximo capítulo pra logo, loguinho, mas prometo tentar disponibilizá-lo o mais rápido possivel. Bjks!