Papai
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— O que? – Danny disse e riu
— Danny, eu tenho um filho – Steve olhou sério pra ele
— Espera, você está falando sério? Você tem um filho? – Danny disse quase em um sussurro – Você tem um filho? – Disse mais alto e incrédulo, e em seguida sorriu
— É, eu tenho um filho. Você acredita nisso? Danny, a Catherine escondeu esse garoto de mim, ela não teve a capacidade de me dizer que eu tinha um filho! Olha, eu sinceramente não sei como agir... Eu a odeio de tantas maneiras, mas ela tá morta e eu não sei se eu deveria estar sentindo isso...
— Steven, você é pai! Eu não estou acreditando! – Danny falou mais alto, e abriu um sorriso largo – Sabe, eu nunca imaginei Steve McGarrett virando pai
— Tem como você falar um pouco mais baixo? Não precisamos que todo o Havaí saiba disso – Steve sorriu
— Meu Deus, cara parabéns! – Danny se aproximou e Steve se levantou para receber o abraço do amigo
— Obrigado, irmão – Steve sorriu e pegou a foto do menino na caixa e entregou a ele – É ele
— Ele é lindo, Steve – Danny disse sorrindo e fez uma pequena pausa – Qual é o nome dele?
— Freddie. Eu acho que isso foi a única coisa com que ela se importou, algo com que ela se preocupou. Uma vez eu disse a ela que quando eu tivesse um filho, colocaria o nome de Freddie, por causa do meu amigo, pelo menos isso ela fez...
— E ele vem quando?
— Não sei, eu falei com a assistente social que queria que ele estivesse no primeiro voo, ela vai fazer o necessário para trazê-lo o mais rápido possível – Steve fez uma pausa – Você acredita que eles estavam perguntando se eu estaria considerando entregá-lo para adoção? – Ele disse em um tom horrorizado
— Talvez eles pensaram que você não lidaria bem com isso, sabe? Nem todo mundo aceita igual você. Mas é bom saber que você quer fazer parte da vida dele
— É, você tem razão... Danny, eu perdi três anos da vida do meu filho, eu não sei o que ele gosta de fazer, ou de brincar ou comer... Eu perdi tudo... Eu não vi ele dar os primeiros passos, eu perdi as primeiras palavras...
— Ei, eu sei como isso é frustrante, lembra? Mas eu te garanto, tem tanta coisa que você pode fazer com seu garoto pela primeira vez, ele tem três anos, tem tanta coisa que ele ainda não fez e você estará com ele pra fazer cada uma delas, ok?
— Tudo bem, eu só... Eu não queria perder isso
— Eu te entendo, amigo... Sei como se sente – Danny deu um sorriso de conforto para Steve
— Eu preciso comprar algumas coisas, tenho que arrumar o quarto e comprar comida decente para uma criança de três anos
— Boa sorte, você vai precisar! – Danny riu
— Eu acho que você pode ir comigo comprar o que precisa, não é, Danno? Eu meio que não sei por onde começar
— Apesar de eu saber que eu não tenho escolha, eu posso ir com você fazer isso, você pode precisar realmente de ajuda, você não está alimentando o menino com MREs
— Ei! Eu não faria isso, ok?
— É, eu sei que não – Danny disse zombando
— Ainda bem que você sabe bem o que crianças precisam, não é Danno? – Steve sorriu
— É, eu posso ter experiência – Danny riu – Já vou avisando que vamos demorar, porque sabe, quando soubemos da Grace, ficamos horas e horas nas lojas de bebês, acredite, a cada uma coisa que você compra, você se lembra de duas
— Ai Senhor... Pelo visto não temos nenhum caso em aberto não é? – Danny assentiu – Então eu vou avisar as crianças que estamos indo, então poderemos começar – Steve se levantou e Danny voltou pro próprio escritório para pegar o que precisava. Eles resolveram deixar o Camaro na sede e ir na pick-up de Steve, seria mais fácil para transportar todas as coisas necessárias.
— Sabe, apenas de saber que eu tenho um filho, eu já estou feliz, meu Deus, eu o amo tanto sem nem conhecê-lo, eu não sei explicar – Steve disse quebrando o silêncio enquanto dirigia ao Shopping
— Eu entendo, eu sei o que quer dizer com isso, um filho muda a vida de qualquer um, a vida sempre vai ficar melhor, exceto se você tem uma filha que já está na faculdade com um monte de meninos asquerosos por perto – Steve riu
— E como ela está se saindo, Danno?
— Bem, ela disse que nunca se sentiu tão bem na vida, eu acho que ela está gostando da vida sem o pai dela encher o saco
— É, mas ela vai perceber que é bem melhor ter você no pé dela quando experimentar totalmente a estressante vida de adulto
— Bom ponto, meu amigo, bom ponto – Danny sorriu – Ela vai pirar quando ficar sabendo, assim como o Charlie
— Eu sei que vão, e eu não queria dizer a Grace por telefone, como eu sei que ela vem no fim de semana que vem, queria que vocês fossem lá pra casa, então eu contaria pra ela
— Tudo bem, você que sabe como vai querer isso. Eu vou pedir a ela que não marque nada no sábado, ok?
— Sim, e bom... Eu preciso contar a equipe, apesar de que depois de você ter gritado, já devem saber, e se não escutaram, tenho certeza que você já contou porque é língua solta
— Eu não contei, ok? Você é o pai, você conta
H50~H50~H50~H50~H50~H50~H50
— Steve, tem quase trinta minutos que você está olhando isso, você precisa decidir a mobília do quarto – Danny disse aparecendo com um catálogo para a mobília
— Danny, eu preciso ler pra saber qual deles é o mais seguro – Danny sorriu e Steve o encarou – Do que você está rindo?
— Nada não – Steve revirou os olhos e continuou a ler a embalagem. Eles ficaram por quase 6 horas dentro da loja para levar tudo o que precisava, no fim, Steve passou na sede para que Danny pegasse o Camaro e eles irem direto pra casa de Steve. A assistente social ligou, Freddie chegaria na sexta feira pela manhã, o que daria Steve apenas a quinta para montar e organizar todas as coisas do garoto. Enquanto Danny guardava todas as comidas, Steve limpava seu antigo quarto e desmontava algumas coisa, movendo para o antigo quarto de Mary
— Steve, as comidas já estão nos armários e geladeira, precisa de mais o que? – Disse chegando na porta
— Tá tudo bem, eu posso tomar frente daqui, Danno, não vai ser complicado
— Tem certeza?
— Sim, pode ficar tranquilo
— Então tá, bom, eu te vejo amanhã?
— Com certeza – Steve sorriu e Danny foi pra casa. Steve desmontou todo o quarto, e arrumou a metade até se sentir esgotado, ele comeu algo que Danny havia deixado pra ele e tomou um banho, rapidamente se deitou e dormiu.
Pela manhã, Steve fez o habitual, nadou todas suas milhas, tomou seu café e esperou o parceiro para irem trabalhar. Eles estavam indo para a sede quando Steve recebeu uma ligação, algo em Diamond Head estava acontecendo e já não era um caso da HPD. Steve estava torcendo pra que resolver isso a tempo de terminar o quarto e buscar o garoto na próxima manhã.
O caso estava estava se desenrolando com dificuldade, foi algo bem orquestrado, roubo seguido de morte em um bairro rico, ninguém faria perguntas. As câmeras da casa estavam apagadas, na rua, os assassinos sabiam todos os pontos cegos. Os itens roubados em um lixo há três quadras da casa, que fizeram a HPD passar o caso para a Five-0, isso não era um roubo seguido de morte, isso era assassinato, um assassinato duplo que vai fazer uma criança crescer sem os pais.
Eles passaram a manhã toda tentando algum rastro, mas ninguém na vizinhança ouviu ou viu alguma coisa, tentaram falar com o irmão da vítima, mas foi frustrada ao saber que ele estava no continente há 3 dias. Quando Danny voltou do seu almoço, encontrou Steve repassando tudo do caso novamente, e parecia que ele não tinha saído dali em nenhum momento.
— Você pode ir pra casa, você sabe, né? – Disse Danny olhando o parceiro
— Nada leva a gente a lugar nenhum, isso está complicado, laboratório não achou DNA, não achou digitais, eles não encontraram rastros nenhum, nem marcas de pneu e nem pegadas, vocês precisam de toda a ajuda nisso, eu não posso ir agora
— Mas você também precisa se organizar, seu menino chega amanhã, e você já me disse que não terminou de arrumar o quarto
— Só mais um pouco, Danno. Se não resolver eu vou pra casa
— Tudo bem, ótimo. Aproveita e come algo, porque aquele seu shake nojento não da sustento para um dia inteiro não
Quando o irmão da vítima se apresentou pra ficar com a sobrinha, o horário não batia com o tempo de viajem em que ele chegaria ao Havaí, já que o aeroporto de Chicago, onde ele faria uma conexão, estava fechado por causa de uma tempestade. Jerry checou as câmeras do aeroporto e viu que o rapaz nunca havia viajado, ele resolveu ir mais a fundo, já que antes não era um suspeito em potencial, e descobriu que o irmão tinha feito dívidas de milhões de dólares, e que no testamento da vítima, ele deixava toda a fortuna para que o irmão cuidasse da garotinha. Com um pouco de pressão, ele admitiu que havia contratado atiradores para matar o casal.
— Eu retiro totalmente o que eu já disse há algum tempo, existe uma coisa que mata mais do que um casamento fracassado – Danny disse após passar com Steve pela porta de vidro
— O que?
— Dinheiro
— É, tenho certeza que sim... Danny, você pode me emprestar o Camaro amanhã pra ir na assistente social?
— Claro, mas... Aconteceu alguma coisa com sua caminhonete?
— Não, eu apenas achei que tava na hora e mandei pra fazer uma revisão e trocar os pneus
— Hum... – Danny sorriu
— Você fez de novo, esse sorriso aí olha
— Olha pra você, todo preocupado
— Você não pode falar nada, eu te vi por anos com as crianças
— Mas você é Steve McGarrett – Danny sorriu e entrou no Camaro – Ser cuidadoso não está em seu DNA
— Haha, você é muito engraçado, sabia? – Steve disse deslisando pro banco do motorista
— Eu tento – O caminho pra casa de Steve foi silencioso, salvo por alguns comentários sobre o garoto que chegaria amanhã. Danny resolveu ficar um pouco para ajudar Steve a terminar o quarto, em um momento, Steve desceu as escadas e deixou Danny na parte de cima da casa.
— Vamos ver o que você deixou, Catherine – Steve disse sozinho e abrindo uma das cartas, ele lia uma por uma com cuidado, descobrindo as coisas sobre o garoto que ele não imaginava
“Ei Steve,
O Freddie está cada vez mais parecido com você, na aparência, e nas ações. Sabe, ele faz a babá passar horas na piscina da casa para que ele nade, bom, o que eu acho engraçado é que ninguém ensinou a ele, eu acho que é o seu sangue correndo nas veias.
Ah, ontem ele te reconheceu, ele olhou para uma foto e disse “o meu papai” e sorriu, apesar de estar mantendo ele de você, eu não quero que ele não saiba. Eu sinto muito por fazer isso, você sabe... Ele foi um acidente, e no momento eu que eu resolvi não te contar, não poderia voltar atrás, você sabe o porque... E além do mais, você está com envenenamento por radiação, se isso piora da noite pro dia, como o menino ficaria? Acho que é melhor assim.
Bom, se você está lendo isso, provavelmente algo aconteceu comigo, e eu sinto muito por tudo, mas de verdade, eu não me arrependo de nada, mas... Me desculpa”
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