Notas iniciais
Uma prova para saber a reação da audiência.
Se você se ofende ao ver os pensamentos de uma mulher desejando outra, por favor, vá ler outra história.
Sabemos que plágio é crime.

“Meus sonhos são só meus...” Se eu inclinasse a cabeça em direção ao som, quase poderia ouvir um lobo rosnando por detrás de minhas palavras.

Isso vinha acontecendo com certa frequência esses tempos. Com uma resposta bem dada a alguém, era possível até sentir o rosnado de ameaça. Especialmente nessa situação, eu estava sentindo o incomodo que a magia de perseguição de um arcano pode proporcionar. Os meus sonhos estavam sendo invadidos e aquilo tinha que parar alguma hora, porém pelo tempo que falei essas palavras para o espectro, ele se dissolvera em um piscar de olhos.

Enfim, não que eu realmente estivesse incomodada com a porra toda do lobo, não é isso. Mas ter mais que uma voz habitando a sua cabeça não parece ser a chave para manter a paciência por muito tempo, essa que parecia correr na direção oposta à minha quando necessitava dela.

Não sei dizer quando tudo começou, nem saberia dizer se já tinha passado algum período sem a companhia delas.

Até onde poderia dizer, eram três vozes ou entidades distintas: um lobo que parecia não gostar das pessoas, uma mulher oferecida e um homem que parecia ter saído das terras nórdicas, fora a voz da minha própria consciência.

Sei que vocês devem estar pensando, são três personalidades diferentes, que eu sou louca, e que é apenas invenção da minha própria mente, por mais que ache que ela não teria toda a sofisticação de criar algo dessa complexidade.

Não, não é. Você não saberia o quanto é difícil controlar a vontade de rasgar a garganta de alguém que você não suporta, ou melhor, seu lobo não suporta ou controlar seu corpo ao escutar tantas obscenidades ao ver uma pessoa bonita passando e sim, aparentemente essa mulher oferecida não tinha restrições no cardápio.

O meu problema realmente começou quando já não conseguia controlar meu corpo, ansiava por fechar as mandíbulas ao redor da garganta de alguém, satisfazer os desejos pessoais e ainda querer tomar um chifre inteiro de hidromel quando tudo acabasse.

Bom, as pessoas realmente não são perfeitas, acho que eu menos ainda. Acho que alguma coisa saiu errado quando me fizeram. O Criador deve ter se distraído com alguma coisa e algum moleque atentado veio e cagou a coisa toda. Só podia ser isso, veja bem sorte a minha que ele cagou o interior e não o exterior, esse último até parecia ser algum sinal de que os deuses tinham algum apreço por mim.

Creio que me fizeram como uma excelente mistura das minhas vozes, com olhos amarelados e caninos aguçados do lobo, a altura e os cabelo do nórdico e o corpo da mulher oferecida, já que não tinha um nome melhor para ela.

Parecia até irônico, já que não conhecia meus pais biológicos, as vezes achava que as vozes representavam meus pais, apenas não conseguia imaginar aonde o lobo se metia nessa história, se é que se metia...

Sei o que devem estar pensando “ Essa mulher é louca, psicótica, esquizofrênica” e muitos outros adjetivos criativos. Sim, podia estar tudo isso e ser tudo isso também, mas eu tinha um certo senso de moralidade, que quase me custou caro em certas situações.

Posso dizer que algo se quebrou dentro de mim em algum lugar no meio do caminho até aqui, eu não tinha o mesmo senso de ingenuidade que a maioria esmagadora da população parecia ter, por mais que o mundo em que vivemos não deixe muito espaço para ingenuidade.

Num mundo pós-apocalíptico, com magia se misturando à ciência e as portas que separavam os mundos foram deixadas abertas por algum tipo de criança perversa, uma mistura de Loki, Hermes e Seth, que parecia se divertir às custas das vidas que lutavam para mantes as coisas dos outros mundos dentro deles, por mais que já fosse estabelecido algum tipo de comércio entre eles.

Agora devem estar se perguntando em qual mundo nasci. Como disse anteriormente, sou órfã e meus pais poderiam pertencer a qualquer um das dezenas de mundos conhecidos, fora os ainda desconhecidos.

Voltando ao que interessava, diga-se de passagem, ao presente, agora eu me encontrava em uma espécie de bar, num dos mundos em que a magia e a eletricidade andavam lado a lado, mas não de mãos dadas, sentada em um dos bancos rotatórios em frente ao balcão.

Quase podia ver a mulher pervertida sentada ao meu lado direito, o grande nórdico ao lado esquerdo e o lobo deitado às minhas costas, sim, eu via os donos daquelas vozes, assim como via um cara vestindo uma armadura com uma escopeta presa nas costas apalpando a garçonete bonitinha, que tentava fazer seu trabalho.

Há muito o espectro tinha ido embora e estava com uma dor de cabeça daquelas e não era por conta do líquido borbulhante a minha frente. O nórdico falava sobre esmagar o crânio do homem com o cabo da escopeta, a mulher falava sobre salvar a garçonete de seu assediador e uma recompensa com atos envolvendo usos bem criativos das bebidas do bar e o lobo parecia rosnar em concordância.

Cada vez que eles falavam, a dor de cabeça parecia piorar, quase podia imaginar o Thor dando marteladas com o Mjonir na minha cabeça. Aquilo já estava me deixando irritada e acho que foi por isso que me levantei e agora estava enforcando o tal guerreiro com sua escopeta. Aparentemente ele não usava nenhum feitiço de proteção, idiota, pois seu rosto estava ficando roxo rapidamente.

O nórdico falava que eu precisaria soltá-lo dentro de alguns instantes se eu quisesse que ele vivesse.

A dor de cabeça parecia pirar tudo e afetar ainda mais a minha sanidade. Com um suspiro cansado, solto o quase defunto em cima da mesa, com suas mãos caídas ao lado do corpo, pego a primeira garrafa com uma bebida e saio em direção a rua.

Os raios de sol batem na minha cara e sinto agulhas perfurando meu crânio. A mulher parecia rir dentro de minha cabeça e mostro o dedo do meio em direção aos céus. Muitas vezes os deuses gostam de pregar peças.

A rua tinha a aparência de uma rua qualquer de um mundo que não possuia magia. A rua era de asfalto, as calçadas de concreto e até as casas pareceriam normais se não fosse o estranho trânsito, incluindo carroças puxadas por unicórnios até skates voadores.

Ando em direção a minha moto, jogo a bebida nos alforjes, coloco o capacete e estabeleço uma rota no gps e parto para o local, ainda sentindo as agulhadas no meu cérebro.

Um comerciante dissera que havia um artefato mágico escondido no bairro do Bronx, em alguma das casas abandonadas, e quem o encontrasse poderia ganhar uma boa quantia de grana, o suficiente para conseguir viajar entre os mundos sem se preocupar em pagar pelar viagens entre os mundos.

Aquela era uma oportunidade em um milhão para mim. Somente assim conseguiria descobrir o paradeiro dos meus pais ou talvez descobrir o que significa as vozes em minha cabeça

Notas finais
É isso. Agora conto com a resposta de vocês.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.