Pandora
29 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
O sininho ocou no momento em que abri a porta e ela o balançou. A cafeteria estava mais quente do que o lado de fora, fazendo com que eu me sentisse mais acolhida. E acabou acalmando a ansiedade que eu sentia desde que levantei da cama hoje de manhã. Olhando ao redor, suspirei ao ver que o lugar estava mais cheio do que imaginava.
Bem, era uma tarde de domingo. As pessoas tendiam ir para qualquer cafeteria só pra passar a tarde de domingo fazendo algo que não fosse ficar em casa vegetando.
Como não vi Rachel assim que entrei, fui logo para o balcão e pedi um cappuccino. E como sempre acontecia, o atendente começou a puxar assunto. Não que ele estivesse dando em cima de mim, é que eu sempre venho para essa cafeteria e sempre puxo assunto com os atendentes, basicamente todos eles me conheciam. Eu que não lembrava bem dos nomes de cada um.
O problema era que eu estava tensa porque Rachel não tinha chegado ainda e não tinha mandado nenhuma mensagem sobre seu atraso. Porém a possibilidade de ela ter se arrependido não tinha me atingido ainda. Portanto, conversar não era algo que eu queria fazer agora.
Então apenas sorri pra ele e tomei um gole do cappuccino. O rapaz me olhou estranho e me perguntou se estava tudo bem. Eu apenas assenti e pedi alguns cookies para distraí-lo.
Quando o sino balançou com um barulho mais uma vez e virei pra ver se era quem eu imaginava que era. Não me decepconei quando meus olhos encontraram aquela que eu tanto amava.
Rachel sorriu pra mim e eu mordo o lábio pra não deixar um sorriso muito grande crescer.
— Me desculpa a demora, tive que ajudar Kurt com uma surpresa que ele está preparando para o namorado dele. — E ela se justifica enquanto sorri pra mim. Suas bocehchas coradas faziam meu coração explodir e uma vontade imensa de beijar seus lábios.
— Não precisa se justificar, Rach. — E abri os braços vendo ela corar mais ainda antes de finalmente se aconchegar nos meus braços e enterrar o rosto no meu ombro. Apertei meus braços em volta dela e beijei sua cabeça. — Nem parece que estivemos assim ontem.
Senti ela rir contra meu ombro.
— Era disso que eu ia falar.
— Quinn? — Escutei e virei para o atendente que parecia curioso com Rachel em meus braços. Ergui uma sobrancelha e ela pigarreou antes de colocar os cookies em cima do balcão e sorrir pra mim. — Seus cookies estão prontos.
Assenti, agradecendo antes de pegar os cookies. Rachel se separou de mim com um sorriso contido.
— Com licença? — Ela chamou o rapaz que sorriu pra ela educadamente, porém suas bochechas estavam coradas. — Você pode pegar pra mim café preto? Um copo grande.
— Claro que sim, senhorita. — E ele virou pra colocar o café no copo.
Me virei pra Rachel, que tinha deitado a cabeça no meu ombro e beijei sua testa. Meu coração inchando quando ela se aconchegou em mim mais ainda.
— Vamos procurar um lugar pra sentar. — Ela me pediu quando se afastou pegando minha mão e sorrindo pra mim.
Assenti e peguei o meu cappuccino quando o bartender colocou o café de Rachel ao lado do meu e dos nossos cookies. Apanhei o prato de cookies e ela pegou o seu café e fomos para um sogá no final da cafeteria para termos mais privacidade. Colocamos nossos copos em cima da mesa de centro e voltamos a nos aconchegar juntas.
— Você me assustou um pouco quando demorou pra chegar. — Comentei e senti os dedos de Rachel na minha nuca, acariciando meu cabelo. Olhei em seus olhos e sorri ao ver o seu sorriso.
— Tive um pouco de medo de chegar aqui e você não estar. — Ela confessou e meu sorriso murchou assim como o dela. — Mas não foi por isso que me atrasei... bem, não só por isso. É aniversário do namorado do Kurt e ele queria fazer uma surpresa. O que significa que eu não posso voltar para o apartamento, que divido com ele, hoje.
E ela revirou os olhos me fazendo sorrir.
— Você pode voltar comigo. — Ofereci dando de ombros e pegando a mão dela. Nossos olhares presos uns nos outros. — Santana provavelmente vai passar o dia trancada no quarto de ressaca, então podemos comer algumacoisa lá e assistir filmes.
Rachel corou e desviou o olhar, me deixando confusa.
— Isso me lembra de quando eu passava o resto do dia na sua casa. — Ela riu e voltou os olhos pra mim. — Você cozinhava algo vegano e nós duas comiamos enquanto assistíamos alguma série ou filme na Netflix.
— É algo bom ou ruim? — Perguntei desviando os olhos para nossas mãos.
— É um sentimento misto. — Observei como ela acariciava meus dedos com os seus. — Bom, porque era quando tínhamos um tempo a sós. E isso sempre era maravilhoso. E ruim porque... bem porque estávamos escondidas no seu apartamento.
Não consegui falar porque ela tirou uma mão das minhas e se inclinou para pegar algo na mesa de centro. Percebi que ela alcançava o prato de cookies. Franzi o cenho.
— Esse cookie provavelmente tem leite ou algo derivado dele. — Comentei vendo que ela voltava a se encostar no sofá com o cookie cada vez mais próxim da boca.
E ela continuou olhadno pra mim quando mordeu o cookies, rindo com uma mão na boca quando viu meus olhos arregalados.
— Então... — Ela começou com a boca ainda cheia. O sorriso divertido ainda brincando em seus lábios.
— O que...
— Ela riu mais uma vez e continuou comendo o cookie, meus olhos com certeza arregalaram mais.
— Acho que está na hora de falar que eu não sou vegana mais. — E ela finalmente disse depois de ter engolido o cookie e eu sentia meus olhos arderem de tanto que eu os arregalava e não piscava.
— É o quê?
Rachel riu antes de enfiar o último pedaço na boca e se inclinar para pegar seu copo de café e tomar um gole. Depois voltou pra mim, lambendo os lábios satisfeita.
— Não sei bem quando aconteceu, mas um dia acordei com uma vontade imensa de comer sanduíche com queijo grelhado. — E ela deu de ombros. — E eu comi, mesmo pensando que estava fazendo algo horrível. Depois passei mal porque fazia anos que não comia nada desse tipo. Quando conversei com o médico, ele me receitou voltar a comer isso aos poucos.
— E você simplesmente fez?
Ela deu de ombros.
— Simplesmente não consegui resistir aos encantos do queijo. — E sorriu pra mim. — Agora como tudo do tipo. Mas ainda sou vegetariana. E pretendo continuar assim.
Assenti lentamente, tentando processar o que ela tinha acabado de falar. Senti sua mão no meu rosto e ela se inclinando pra mim. Então seus lábios estavam colados nos meus.
— Te assustei, né?
E eu só consegui rir, balançando a cabeça em incredulidade.
— Bastante. Por um seugndo achei que tinha sido substituída.
Rachel riu e se aproximou de novo, beijando meus lábios mais uma vez. Dessa vez sua mão foi para o meu cabelo e senti seus dedos entrelaçando com meus fios.
— Isso é estranho. — Comentei quando nos afastamos, mas não nos separamos. Nossos olhos ainda fechados e rostos ainda próximos.
— Sim... é diferente. Nunca fizemos isso antes. — E ela riu antes de me puxar para outro beijo. Era tão bom sentir seus lábios nos meus mais uma vez. Meu corpo inteiro arrepeiava sempre que ela ofegava antes de apertar meu cabelo e me puxar mais pra ela.
— Eu posso me acostumar com isso. — Sussurrei em seus lábios e senti os seus curvando em um sorriso antes que ela se afastasse pra rir. Colando a testa na minha.
Nos beijamos mais uma vez até que finalmente nos afastamos e começamos a tomar nossas bebidas e comer os cookies. Ainda demoraria um pouco para me acostumar com a ideia de Rachel comendo esse tipo de coisa.
Então começamos a conversar sobre o tempo que passamos afastadas. O que passamos nesse tempo. Rachel explicou o porque de ter parado de manter contato, Puckerman a jogou na piscina e ela tinha o celular no bolso naquele momento. Tentou fazê-lo funcionar, mas nem ao menos ligava.
Ela comentava como conseguiu entrar em NYADA, e que quase não conseguiu porque teve um ataque de nervos e não conseguia lembrar da música nas audições, porém teve uma 'luz' segundos antes de entrar no palco e cantar. E agora ela estava brilhando em NYADA.
Algo que me fez sentir uma leve dor no peito, foi quando ela falou que Finn e ela tinha começado a namorar novamente no ultimo ano. E Rachel falou sobre isso tão delicadamente, apertando minha mão enquanto ela falava o porque de ter feito isso. Eu não precisava de uma explicação, afinal, nós não estávamos dando um tempo, nós realmente não estávamos namorando. Então ela não precisava me explicar o porque de namorar o Finn Hudson.
E ela explicou o porque de ter feito isso. O namoro dela com o Finn se inciou em um momento de fragilidade. Finn tinha beijado ela no palco das Regionais. Eles perderam e Finn pediu para namorarem. Rachel abaixou a cabeça quando falou que não sabia como negar. Finn resolveu se cobrir em culpa por terem perdido e chegou pra Rachel como um cachorrinho abandonado, praticamente pedindo por um colo e Rachel não sabia como negar isso.
Porém isso não me impediu de sentir uma leve falta de ar e meus olhos arderem enquanto tudo que eu conseguia visualizar era o enorme Finn Hudson beijando Rachel e fazendo algo que eu não queria estar pensando.
Eu não queria perguntar se eles tinham dormido juntos. Mas, infelizmente, o olhar de Rachel me dizia que sim. Ela e Finn tinham dormido juntos.
— E ele meio que terminou comigo quando descobriu que eu não era virgem. — Quando ela me falou isso, uma raiva inesplicável subiu pelo meu corpo e minha mandíbula travou.
— Eu não acredito nisso.
Rachel franziu o cenho.
— Não acredita que Finn terminaria comigo ao descobrir que eu não era mais virgem antes de ficar com ele novamente? — E o seu tom irônico fez com que eu me acalmasse um pouco.
Sim, Finn era infantil, mas não sabia que ele seria infantil até esse ponto.
— Ele não te merece. — Foi o que eu consegui reproduzir e Rachel sorriu pra mim, docemente.
— Só uma pessoa me merece, Quinn. — E sua mão foi para o meu rosto. — E até agora eu sei que sou destinada a ficar com essa pessoa.
E seu tom ficou mais baixo e mais carinhoso enquanto seu polegar acariciava meu lábio.
— E quem é essa pessoa? — Sorri sentindo o polegar dela no canto dos meus lábios. E ela também sorria.
— Quem será? — E se inclinou, beijando meus lábios.
Passamos alguns segundos assim, nos beijando enquanto eu tentava esquecer que aqueles lábios que eu tanto adoro beijaram os despresíveis lábios de Finn Hudson. Tudo isso no intervalo de tempo do nosso relacionamento.
— E você, não ficou com ninguém? — Ela me perguntou depois que nos separamos. Franzi o cenho com a sua pergunta.
— Não. — Balancei a cabeça com um suspiro e apanhei sua mão em meu rosto, beijando-a. — Eu não consigo me imaginar com mais alguém além de você.
E ela murchou, olhando para sua mão que eu segurava em meus lábios.
— Agora me sinto mal por ter namorado Finn.
— Não se sinta mal, Rach. Nós passamos dois anos sem nos ver, não é como se fôssemos passar dois anos sem algum contato íntimo.
— Então porque você não teve nenhum? — Ela perguntou e eu suspirei.
— Eu tive. — Confessei e Rachel franziu o cenho, seus olhos brilhando levemente com insegurança.
— Quando?
— No ano passado, uma garota chamada Nicole. Não tivemos nada demais. — Balancei a cabeça, tentando fazê-la esquecer disso, mas Rachel pareceu ficar mais curiosa.
— Como se conheceram?
E eu suspirei, lembrando do dia em que conheci Nicole e nunca mais a vi.
— Ela foi uma das modelos que eu pedi para me ajudar com as minhas fotos. — Dei de ombros. — Aconteceu que apenas nos beijamos e eu não consegui ir além.
E dei de ombros. Rachel acenou lentamente.
— Entendo. — E ela acariciou meu rosto mais uma vez, dessa vez, com ambas as mãos. — E agora estamos juntas?
— Acho que sim. — E sorri pra ela, que sorriu de volta pra mim. — Deveriamos sair daqui? Acho que já se passaram cinco horas desde que chegamos.
E olhei para a janela atrás de Rachel e estava começando a escurecer.
— Sim, acho melhor irmos embora daqui.
E nos levantamos, pagamos nossas bebidas – eu paguei os cookies, mesmo com Rachel insistindo que ela comeu a maioria deles – e nós saímos da cafeteria.
Não sei bem como viemos parar no Central Park, mas aqui estávamos nós, andando lado a lado enquanto o vento frio fazia com que nos aproximássemos. Até que Rachel resolveu passar o braço pelo meu e nós continuamos nosso caminho pelo parque.
Ainda conversávamos sobre o que faziamos em nossas faculdades. Rachel comentava sobre algumas de suas aulas. E falava também que conversava frequentemente com Will Schuester sobre algumas coisas que passou logo no início do curso e ele lhe ajudava com algumas coisas e trabalhos da faculdade.
O que era bom, porque Will sempre foi egoísta pra algumas coisas, e saber que ele ajudava Rachel a seguir seu sonho, era algo que fazia com que meu coração inchasse um pouco pra lado dele.
— Sabia que ele tinha uma queda por mim? — Perguntei quando ela terminou de falar e Rachel me olhou assustada, parando de andar.
— Mentira.
— Verdade.
E comecei a rir quando ela arregalou os olhos.
— Então era por isso que ele levava você pra todo lugar que iamos!
E gargalhei enquanto puxei ela pra andar. Rachel ria comigo e nós voltamos a andar com um silêncio confortável entre nós.
Então Rachel soltou um suspiro audível e eu esperei até que ela falasse o que a fez suspirar tão alto.
— Acha que vamos dar certo? — Ela perguntou e eu sorri, virando a cabeça para beijar o topo da sua.
— Rachel, nós passamos por tudo isso e estamos aqui, com tudo ao nosso favor. Se não fomos destinadas a ficar juntas, então eu não sei o que estou fazendo aqui.
E ela riu, se aconchegando mais em mim e suspirando.
— Sabe, as suas amigas Natasha e Laura me lembram alguém. — Ela comentou baixinho e eu ri, balançando a cabeça.
— Sei como se sente. Desde que as conheci fico imaginando de onde eu as conheço.
Fim!
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