Pandora

27 Capítulo XXVII – Vai Ficar Tudo Bem


Notas iniciais
Olá! Eu não iria postar esse capítulo até que eu tivesse terminado o ultimo capítulo, mas amei tanto os comentários que resolvi trazer esse logo pra vocês. Não tive tempo pra responder todos (tá um frio do cacete aqui e ta difícil ficar parada com as mãos fora do cobertor) mas respondi a maioria. E quero agradecer por cada comentário, vocês foram maravilhosos e me fizeram escrever 5mil palavras em dois dias sem problema nenhum. Vou terminar o próximo capítulo ainda nessa semana e trazer pra vocês com muito amor. Esse é o penúltimo capítulo, espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo XXVII – Vai Ficar Tudo Bem

Meu sangue corria frio, minha respiração era superficial. Minha mente estava em branco. O chão embaixo de mim não existia.

— Quinn! — Escutei Rachel me chamar e abri os olhos. — Quinn, você não pode desmaiar.

Ela estava na minha frente. Seus olhos cheios de lágrimas e eu balancei a cabeça. Concordando com ela.

— Você está certa, eu não posso. — E me sentei na cadeira. Respirei fundo, procurando ar aonde não tinha. — Não posso desmaiar.

— Eles não vão contar pra ninguém...

— Mas? — Levantei meus olhos pra ela que mordia o lábio e se balançava pra cima e pra baixo. Seus olhos não queriam mais me encontrar. — Rachel?

— Com a condição de você ir lá em casa. E nós duas explicarmos como isso começou.

— De jeito nenhum. — E me levantei da cadeira, passando por Rachel e indo até o final da sala.

— Quinn.

— Não, Rachel. Eu não vou fazer isso.

— Nós só vamos falar como isso aconteceu, não precisamos aprofundar, eles não estavam bravos.

Travei contra a parede no final da sala e virei pra Rachel.

— Como assim 'não estão bravos'?

Rachel cruzou os braços e deu de ombros.

— Eles não falaram nada demais, só disseram que queria uma explicação.

Franzi o rosto e sentei em uma cadeira, ainda longe de Rachel.

— Como é que vamos dar uma explicação sobre isso, Rachel?

Rachel deu alguns passos na minha direção.

— Nós podemos falar que não esperávamos por isso. — E sorriu pra mim. Um sorriso tenso. Assenti lentamente.

— Okay.

— E que foi inevitável.

Continuei assentindo, mas Rachel não continuou a falar. Ergui as sobrancelhas, esperando que ela falasse mais alguma coisa. Seu silêncio não era do tipo 'terminei de falar' e sim do tipo 'tenho mais uma coisa pra falar mas você não vai gostar'. E isso me deixou muito mais tensa, mas não tão tensa quando Rachel realmente falou o que era.

— E nós podemos falar o que aconteceu na sua casa naquele dia e...

— Não.

— Porque não?

— Sério que você está me perguntando isso?

Rachel olhou para as próprias mãos, não parecendo querer encontrar meus olhos.

— Eles estão me perguntando o que aconteceu que eu passei um dia inteiro sem voltar pra casa. Kurt não sabia aonde eu estava e... ele não conseguiu mentir a tempo e meu pai...

— Rachel. — Suspirei levando uma mão até a testa. — Rachel...

— Eu sei.

Rachel continuava me olhando enquanto espremia os dedos. Balancei a cabeça e respirei fundo. A ideia de sentar com os Berry e falar que Rachel e eu estávamos juntas esse tempo todo e que fizemos sexo no meu apartamento na semana passada, não era exatamente o que eu esperava no dia de hoje. Olhei para baixo, para minhas próprias mãos e suspirei.

Ainda sentia os olhos de Rachel em mim, mas não queria ter que enfrentar seus olhos agora.

Mas não era como se eu tivesse uma escolha.

— Por favor, Quinn... Eu não quero fazer isso sozinha. — Suspirando mais uma vez, me obriguei a levantar meus olhos pra ela. Rachel estava a beira de chorar e um leve desespero bateu em mim. Como sempre fazia quando isso acontecia.

— Você não vai fazer isso sozinha. — Me apressei pra falar e estiquei minha mão pra ela pegar, Rachel apanhou minha mão timidamente e eu a puxei pra perto de mim. — Eu só preciso me acostumar com esse ideia. Só isso.

Rachel assentiu e suspirou, enxugando as lágrimas que tinham escapado.

— Eles prometeram que não falariam sobre isso com alguém.

— E é com isso que eu estou contando. — Apertei suas mãos entre as minhas. — Quando eles querem...

— Amanhã. — Rachel funga antes de colocar a mão no meu ombro. — Eles disseram que vão fazer um jantar amanhã.

Acenei rapidamente.

— Vai me dar tempo pra pensar no que falar. — E apertei sua mão mais uma vez antes de puxar Rachel pra um abraço. — Eu não vou deixar você fazer isso sozinha. Não vou ser covarde. Não se preocupe.

E isso era verdade. Mesmo com o leve ataque de pânico no momento em que Rachel me contou, eu iria crescer e tomar responsabilidade pelo que aconteceu. Rachel não fez nada sozinha, ela não me obrigou a ficar com ela. Então sim, eu iria no jantar amanhã na casa dos Berry.

Só não sei se vou sobreviver a isso.

Quando Rachel saiu da minha sala falando que passaria no banheiro antes de ir para sua próxima aula, continuei no mesmo lugar. Pensando no que eu iria fazer. Não era como se fugir fosse uma opção. Eu nunca iria fazer isso com Rachel. Nunca.

Mas não posso mentir e dizer que isso não passou pela minha cabeça. Posso ser covarde, mas não até esse ponto.

Voltei pra casa ainda com a cabeça cheia de pensamentos. Uma dor leve no peito surgiu quando meu apartamento estava vazio. Santana não estava sentada no sofá como geralmente acontecia antes de semana passada acontecer. Mas ela me mandou uma mensagem. E pela mensagem que ela mandou, ela tinha se demitido, porém passaria mais um tempo no hospital. Fazendo uns plantões antes de ir embora.

E saber que ela iria embora fazia com que eu sentisse uma azia chegando.

Pedi uma pizza e sentei no sofá, ligando na Netflix e procurando algum série ou filme que ainda não tinha assistido.

No dia seguinte, meu estômago estava se revirando sem parar. Quando entrei na minha sala e sentei na minha cadeira, tudo pareceu ficar mais lento. Rachel veio na minha sala mais uma vez na hora do almoço, apenas pra perguntar se estava tudo certo e eu assenti. Então ela se aproximou de mim e beijou minha testa, sentando no meu colo e colocando minha cabeça para encostar no seu peito.

— Não vai ser ruim, eu prometo. — Foi o que ela disse e eu sabia que não era verdade, porém Rachel tinha os dedos enterrados no meu cabelo e arranhava suas unhas curtas no meu couro cabeludo.

E foi impossível não me sentir melhor com isso.

Quando a ultima aula acabou e eu arrumava minhas coisas pra ir embora, Rachel entrou na minha sala e parou na porta. Levantei meus olhos pra ela.

— Tudo bem?

— Sim.

Ergui uma sobrancelha e esperei ela falar alguma coisa. Rachel demorou alguns segundos antes de entender o que eu estava esperando.

— Vamos juntas pra minha casa, lembra?

— Vamos?

Rachel deu de ombros e se aproximou com um sorriso cauteloso.

— Meus pais só vão chegar depois das seis. Então teremos três horas só nossas. E eu meio que sinto sua falta. — Suas bochechas coraram e ela desviou o olhar por alguns segundos.

Ela queria passar um tempo a sós comigo. Franzi o rosto e coloquei a bolsa nos ombros.

— Rachel...

— Eu sei que o que vai dizer. — Ela revirou os olhos. — 'Seus pais acabaram de descobrir sobre nós e o mais sensato seria acabar isso'. Sim, seria. Mas eu não quero acabar isso, Quinn.

— Você sabe que seus pais não vão exatamente nos dar sua bênção né?

— Você não sabe disso. — Ela falou rapidamente e eu respirei fundo, olhando-a profundamente nos olhos. Rachel suspirou e balançou a cabeça. — Tá certo. Vou pegar um ônibus, não precisa me dar carona.

E deu a volta pra sair da sala.

— Não seja ridícula, eu deixo você em casa.

—_

Deixei Rachel em casa e fui firme sobre ficar com ela nessas três horas sozinhas. Eu não faria isso. Apenas dificultaria a conversa com seus pais. E dificultar algo que já é difícil não é exatamente o que estou procurando.

E três horas depois eu tocava a campainha dos Berry.

A porta abriu e Hiram estava lá. E pra minha surpresa, ele tinha um sorriso carinhoso pintado em seus lábios. Ele me chamou pra dentro e me abraçou carinhosamente. Hiram falava sobre o que fez pra jantar enquanto me guiava para a sala de estar – e eu pensava no fato de que não trouxe nada. Leroy estava sentado no sofá assistindo alguma coisa no History Channel. Ele acenou pra mim, sorrindo suavemente antes de voltar seus olhos curiosos para a tela da TV.

Hiram me perguntou se eu queria sentar com Leroy enquanto ele terminava o jantar.

— Não quer ajuda? — Lhe perguntei. Por algum motivo, ficar sozinha com Leroy, me deixava seriamente nervosa.

Hiram sorriu e balançou a cabeça.

— Esqueci por alguns segundos que você é filha de Judy Fabray. — Ele acenou pra cozinha. — Talvez eu precise um pouco da sua ajuda. Tenho certeza de que Judy lhe ensinou algumas receitas.

— Definitivamente. — Ri e lhe acompanhei até a cozinha. Ele colocou algumas coisas que já estavam prontas em cima do balcão. — Então...

— Rachel está tomando banho. — E Hiram respondeu uma pergunta que eu nem sabia que tinha feito. Ele levantou os olhos pra mim. — Não se preocupe, Quinn. Nós não julgamos por aqui.

Abaixei o rosto e senti uma mão em meu ombro.

— Rachel nos contou grande parte de tudo que aconteceu. O que queremos saber é o seu lado da história. — Ele sorriu pra mim e voltou a arrumar as comidas em outros recipientes mais sofisticados. — Minha filha é bem persuasiva quando quer, então...

— Rachel não me forçou a nada, Hiram. — Deixei claro. Não queria que ele chegasse a culpar Rachel por algo que nós duas fizemos. Mas por sua risada suave, não era isso que ele achava.

— Eu sei que não, querida. — Ele apontou para as bandejas de comida. — Me ajuda a levar pra mesa?

— Claro. — E levantei do banco, pegando a bandeja de arroz com brócolis.

— Hiram, querido, colocou carne em alguma coisa? — Leroy perguntou quando entramos na sala com alguns recipiente. Ele se levantava do sofá e sorria para nós. — Tenho certeza de que Quinn não é do tipo de pessoa que come papelão.

— Não é papelão! — A voz de Rachel ecoou quando ela correu pra sala. Seus olhos arregalaram quando me viram. Engoli em seco e desviei o olhar, colocando a bandeja em cima da mesa. — Quinn..

— Claro que eu fiz comidas diferentes, querido. — Hiram respondeu e sorriu pra Rachel. — Rachel, querida, sua comida tem sim gosto de papelão.

E isso pareceu distrair Rachel, que ficou emburrada.

Então todos nós sentamos e começamos a comer. Hiram ia contando como fez cada comida porque, aparentemente, Rachel não gostava quando eles debochavam do que ela comia e não confiava neles pra cozinhar. Então enquanto Hiram falava o que tinha colocado em cada comida que Rachel iria comer, Leroy ria e me contava que Rachel fazia isso desde que era uma criança.

Foi um momento de descontração. Algo que eu realmente precisava.

Até que todos nós sentamos na sala e o único som que se ouvia era a televisão ligada no History Channel. Rachel e eu sentamos no sofá que ficava de lado para a televisão, já seus pais se sentavam no sofá que ficava de frente para a televisão. Leroy estava relaxado com as pernas cruzadas e um braço atrás de Hiram, que tinha os olhos em mim e em Rachel.

Rachel colocou a mão na minha que estava na minha perna, que também não parava de balançar.

— Não precisa ficar tão nervosa. — Ela murmurou pra mim. Seu tom de voz tão baixo, seus olhar calmo me acalmou. Rachel virou para seus pais. — Eu já falei a maior parte. O que querem saber?

E ela apertou minha mão.

Leroy descruzou as pernas e tirou o braço de trás de Hiram. Seus cotovelos se apoiaram em seus joelhos e os olhos castanhos se focaram em mim. Foi difícil pra mim, segurar seu olhar, mas o fiz.

— Quantos anos você tem, Quinn? — Ele perguntou e eu respirei fundo, ainda sem tirar meus olhos dos dele.

— Vinte e três anos, senhor.

Leroy balançou a cabeça e fiquei tensa.

— Nós somos amigos, Quinn. Não me chame de 'senhor'. — E sorriu pra mim. Suspirei, me sentindo mais calma. — Tudo bem?

— Tudo bem.

— Posso continuar?

— Papai.

— Rachel, não é sua hora de falar. — Hiram interrompeu e Rachel bufou. Senti sua mão apertar a minha.

Leroy sorriu pra Rachel antes de voltar seus olhos pra mim.

— Quando você saiu da faculdade?

— Dois anos atrás.

— E começou a lecionar...

— De verdade?

Leroy franziu o rosto. Parecendo impressionado.

— Sim. De verdade.

— No ano passado.

Leroy assentiu e recostou no sofá, seu braço voltando a circular os ombros do seu marido.

— É a primeira vez que você é professora, então.

— Não exatamente.

Nessa hora, até Rachel virou pra olhar pra mim. Ela também estava surpresa.

Sorri e dei de ombros.

— Fui tutora por muito tempo durante o colégio e a faculdade. — E dei de ombros. Leroy riu e balançou a cabeça.

— Então é bem inteligente.

— Pode-se dizer que sim.

— Gosto disso. — Ele riu e eu senti minhas bochechas corarem. Então ele ficou sério. — Vou precisar conversar a sós com você, Quinn.

E ele lançou um olhar pra Rachel, que estava pronta pra reclamar, quando apertei sua mão. Olhei nos olhos dela.

— Está tudo bem.

E ela não disse nada. Apenas assentiu e me deixou levantar. Leroy apontou para que eu o seguisse para fora da sala.

— Nós voltamos daqui a pouco. — Leroy falou antes que saíssemos da sala. — Ainda quero comer a sobremesa, Hiram.

E Hiram riu na sala quando saímos.

—_

— Olha, eu não tenho problema nenhum com você namorando minha filha. — Foi a primeira coisa que Leroy disse quando saímos para a varanda. — Mas vocês não precisavam ter mantido isso em segredo.

— Eu sinto muito, senhor. — Comecei, mas Leroy não me deixou continuar.

— Eu já disse que não precisa me chamar assim. Somos amigos, Quinn. — E ele sorriu pra mim antes de sentar no banco. Me olhou por alguns segundos e bateu ao seu lado. — Venha sentar comigo.

E eu sentei ao seu lado me sentindo estranhamente mais calma do que quando saímos da sala.

— Não a culpo por ter começado a namorar minha filha. Também não tenho problema com o namoro de vocês. — Ele começou e eu não consegui olhá-los nos olhos. — Não tenho problema com você sendo mais velha do que minha filha. Isso é normal, Quinn. Meu único problema é...

— Ela é minha aluna.

— Ela é sua aluna.

— Eu deveria saber melhor, não é? — Brinquei meio que não brincando. Leroy respirou fundo. — Eu deveria ter me contido e...

— Eu não a culpo, Quinn. — Ele me interrompe e eu levanto os olhos pra ele. Leroy tinha aquele olhar amoroso que geralmente era direcionado à Rachel. — O coração não tem olhos, Quinn. Idade, sexo, aparência. Nunca importa. Apenas acontece.

— Então...

— Vocês deveriam esperar. Esperar até que ela tiver terminado o colegial pra que vocês ficassem juntas. — Ele sugere e olha pra mim.

Seu olhar dizia tudo.

— Leroy eu... — Respirei fundo, desviando meu olhar. — É o que eu quero fazer.

— Eu não estou pedindo pra terminarem. Só peço um tempo. Um tempo pra que ela se forme e entre numa faculdade. Um ano. Eu só... Não quero que vocês escondam o relacionamento de vocês. Minha filha não merece isso. E nem você, Quinn.

Aceno lentamente.

— Concordo completamente, Leroy. Posso lhe contar algo? — Perguntei sem ter a exata certeza do que iria falar. — Algo que você não pode falar pra Rachel. Ao menos não agora.

Leroy franziu o rosto e acenou lentamente.

— Claro.

Então eu contei. Falei sobre a proposta que Santana recebeu e que eu planejava ir com ela. Leroy me escutou até que eu terminasse de falar. E ainda quando terminei, ele me observou por alguns segundos antes de acenar e colocar uma mão sobre a minha que estava na minha perna. Ele aperta minha mão ternamente.

— Essa pode ser a chance de vocês terem um futuro. — Ele comenta e eu ergo as sobrancelhas. — Rachel irá pra Nova Iorque, Quinn. Quando ela se formar é pra lá que ela vai. Então a melhor opção é você ir agora. Dar esse tempo que vocês duas precisam pra ser feliz.

— Eu devo ir com Santana. — Não era uma pergunta, porém Leroy assentiu.

— Sim. — Leroy apertou minha mão e olhou nos meus olhos. — Se uma pessoa merece a minha filha, essa pessoa é você, Quinn.

Suspirei. Tudo bem. Era isso que eu ia fazer. Leroy estava certo, nós precisávamos de um tempo. Um tempo pra que tudo se acertasse e finalmente conseguíssemos ficar juntas sem nenhum obstáculo.

Só precisava falar isso pra Rachel.

—_

— Eu entendo. — Os olhos vermelhos de Rachel encontraram os meus e ela acenou. Seus lábios tremendo quando ela suspirou e continuou:- Eu sabia que meus pais iriam sugerir um tempo entre nós, mas não esperava que fosse tão rápido.

Sentei na sua cama e peguei sua mão, apertando-a.

— É exatamente o que precisamos, Rachel. — E ela balançou a cabeça, coloquei minha outra mão sobre as suas. Segurando-as entre as minhas. — Nós duas precisamos disso, e eu indo pra Nova Iorque é a chance que temos pra ter esse tempo.

Rachel comprimiu os lábios e olhou nos meus olhos mais uma vez.

— Quanto tempo pra que eu veja você de novo? — Ela perguntou e eu não soube responder. Rachel soltou uma risada sem humor. — Você diz que vai ser rápido, mas não sabe o tempo que vamos ficar separadas.

— Rach...

— Pode ser que nunca nos encontremos de novo, Quinn! — Rachel se levantou da cama e saiu andando pelo quarto. Balançando a cabeça. Não soube o que falar depois disso. — Eu sei que precisamos fazer isso, mas não quero ter que passar tanto tempo longe de você e ter a chance de nunca vê-la mais uma vez.

Senti meu peito apertar. A ideia de não ver Rachel mais uma vez na minha vida me assustava. E vê-la falando assim, como se nunca fôssemos nos encontrar mais uma vez, me fez ter a vontade de provar que sim, nós iriamos nos encontrar. E me fez ter mais vontade de ir com Santana e nos dar esse tempo. Porque sim, eu iria encontrá-la, nosso caminho se cruzava aqui, mas e se separava, mas não quer dizer que ele não cruzava mais uma vez mais pra frente.

— Você confia em mim, Rachel?

Rachel parou de andar pelo quarto e ficou parada no meio dele. Suas costas viradas pra mim e seus olhos presos na janela. Levantei da cama, dando alguns passos na direção dela.

— Porque está me perguntando isso?

Sua voz tinha um tom tenso e eu sorri. Andei até ela e abracei sua cintura. Rachel inspirou e segurou a respiração. Apertei minha frente contra suas costas e beijei sua cabeça, apoiando meu rosto em seu ombro.

— Porque eu quero saber.

— Claro que eu confio, Quinn. — Seu tom de voz agora era suave. Sorri e beijei seu ombro.

— Eu te amo, Rachel.

E sim, eu finalmente disse.

Rachel tentou virar pra me olhar, mas não deixei. Ri contra seu pescoço e beijei um ponto abaixo da sua orelha.

— Você... Quinn...

— Sim, eu disse que te amo, Rach. — E soltei uma risada. Enfiei o nariz atrás da sua orelha. — Eu te amo, Rachel. E quero que confie em mim. Nós vamos passar por isso e vamos nos encontrar daqui alguns anos e vamos ser felizes.

— Felizes pra sempre?

Ri mais uma vez e assenti com meu nariz raspando atrás da sua orelha. Rachel sentia que e estava confirmando e seu corpo derreteu em meus braços.

— Eu te amo, Quinn. — Ela ofegou e virou a cabeça. Beijei sua têmpora repetidamente e espremi os lábios lá, deixando-os ali. Meu coração estava explodindo de amor agora. — E eu confio em você. Nós vamos ficar bem. Vai passar rápido.

— Sim, vamos ficar bem.

Notas finais
Então? O que acharam? Esse capítulo não é grande como os outros, mas ele foi bem complicado de fazer. Espero que tenham gostado.