Pandora
2 Capítulo II – O Que Está Acontecendo?
Notas iniciais
Capítulo II – O Que Está Acontecendo?
Me arrastei até a cozinha e abri a geladeira para pegar água. Arregalei os olhos ao ver que, realmente, era só isso que tinha. Por isso que Santana tinha medo que eu me matasse se fosse morar em um apartamento sem ela. Era como se eu fizesse questão de não reabastecer a minha geladeira! Ainda bem que eu vim pegar as garrafas de água, Santana iria falar bastante se ela tivesse visto essa geladeira.
Voltei para a sala, encontrando-a jogada no sofá e quase babando em cima da minha almofada. Porra! Minha almofada! Ela foi cara!
— Aqui. E nem pense em dormir ai, não quero baba nas minhas almofadas. – Reclamei e entreguei a garrafa de água pra ela. – Como foi lá no hospital? Pelo visto, bem cansativo.
— Sangrento. E eu não babo! – A latina responde com um olhar de canto, estava praticamente me amaldiçoando. – E lá no McKinley? Chutou muitas bundas?
Sentei no sofá com um suspiro e liguei a televisão, logo em seguida abri a garrafa, tomando um longo gole antes de resolver responder.
— Sabia que aquela onda de slushie ainda continua acontecendo? – Comento e vejo Santana me olhar admirada.
— Sério? – Acenei e ela balançou a cabeça com uma risada. – Cara, isso é incrível. Sabia que deveríamos ter criado aquilo.
— Bom, ainda bem que não fomos nós. – Rebato e ela me lança um olhar feio.
— Que novidade é essa?
— Eu sou professora, Santana, não gosto de ver meus alunos sofrendo. – Meu tom pode até ter saído duro, mas essa era Santana. Ela não ligava para quase nada que saia da minha boca. Tanto quanto eu não ligo para o que sai da boca dela.
Era uma amizade interessante e funcionava bastante, já que temos ela desde os sete anos de idade.
— Sim? E desde quando ficou tão defensora dos menos favorecidos? – Santana debocha. – É um rito de passagem, Quinn. Todos que estudam ali vão passar ou já passaram por isso. Relaxa!
Sim, eu já levei uma raspadinha na cara. Na verdade foram várias raspadinhas em um momento só. Exatamente depois que ganhei o campeonato de História. Todos do clube de História se juntou pra jogar em mim, em comemoração! Não era para me reprimir!
— Sim, me lembro bem de como era. – Suspiro pesadamente ao me lembrar de como Rachel Berry ficou com medo. – Mas não são todos que estão recebendo isso, Santana. Os ‘populares’ estão usando isso para reprimir os outros. Está virando uma hierarquia!
Santana arregalou os olhos, então soltou uma risada.
— É, isso é meio péssimo.
— Meio? Quando fui defender uma garota de uma raspadinha o idiota do jogador disse que era uma ‘regra’. – Expliquei irritada e Santana me lançou um olhar estranho.
Agora ela notou que a situação era séria.
— Isso é... – Ela não terminou a frase. Abriu a garrafa de água e tomou um longo gole.
— O pior é que essa garota está levando slushie todos os dias. – Acrescento e vejo Santana suspirar.
— Você sabe que não tem o que fazer sobre isso. – Ela fala e eu a olho, confusa. – Estudantes escutam os professores até certo tempo, então eles voltam a fazer o errado. Não tem o que fazer.
É. Ela estava certa. Santana sempre estava certa. Não é atoa que está na área de trauma no Lima Memorial. Mas tem alguma coisa que eu poderia fazer. Eu poderia evitar sempre que estivesse prestes a acontecer.
É. É uma boa.
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Mais um dia no McKinley. Era quinta e eu estava sentada no sofá da sala dos professores. A sala estava vazia por eu ter chegado um pouco mais cedo do que o normal, então sentei no sofá e abri minha bolsa, retirando meu livro e voltando a ler.
Isso não durou tanto, até que Will Schuester entrou na sala e me encontrou no fundo dela, no sofá. Bem confortável.
— Hey! Porque não foi para a minha sala ontem? – Ele perguntou meio risonho. Lancei-lhe um olhar estranho antes de responder:
— Tive um contratempo. – Foi o máximo que disse.
Não diria nada sobre o que aconteceu no corredor. Will provavelmente era alheio a esse assunto.
— Okay então. E o que achou do terceiro ano? – Ele fica tão eufórico quando fala do terceiro ano. Sim, tinha alguns alunos realmente dedicados lá, mas sempre tinham alguns que destoavam. E na ultima aula com o terceiro ano, eu percebi isso claramente.
— É uma sala boa. Bem dedicados. – Preferi dizer somente isso. Will não pareceu satisfeito. Mas eu realmente não ligo.
— Hm. Tem aula com eles hoje? Eu tenho, mas é o clube do coral. Depois do sexto período. – Ele anuncia e eu aceno com a cabeça, voltando para o meu livro e pegando um papel para ver minhas aulas.
— O terceiro Período, antes do horário de almoço. – Digo e o vejo acenar.
Ele ficou falando algumas coisas e comentou que teria reunião do clube do coral. E ainda me perguntou para ir assistir a reunião. Não fiquei muito tentada a ir, mas ele estava tentando tanto que eu senti pena. Então não neguei. Disse que iria tentar ir.
Então, novamente, ele se levantou e saiu por alguns minutos e voltou com dois copos de café. Suspirei internamente. Não aguentava mais tomar café. Fico me perguntando se algum lugar por aqui tem cappuccino. E talvez, eu deveria perguntar isso para o Will, então ele poderia me trazer cappuccino ao invés de café.
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Quando a aula do terceiro ano acabou, sentei-me na cadeira e aguardei todos saírem para o almoço enquanto apanhava meu livro e o abria onde tinha parado. Depois de alguns minutos, uma sombra surgiu na minha mesa e eu me obriguei a levantar os olhos. Era a garota que eu ajudei no dia anterior. Na verdade, eu meio que a salvei. E ela estava bem ali, na frente da minha mesa.
Usava uma saia preta um pouco mais curta do que o normal, uma camisa branca sob um suéter verde lodo. Não era tão feio quanto eu descrevi, pode ter certeza. Na verdade, era até fofo. Principalmente com o sorriso tímido que ela carregava sempre que meus olhos encontravam os seus, o que era bem raro, já que ela nunca me olhava nos olhos.
— Oi. – A cumprimentei e quase sorri ao ver que suas bochechas coraram. – Algum problema?
— Não. É que... eu queria agradecer pelo que você fez ontem. – Rachel murmura e eu sorrio. Sempre que nossos olhos se encontravam, ela desviava rapidamente, me divertindo.
— Bem, eu somente cumpri o meu papel de professora.
Rachel corou mais um pouco e assentiu apressadamente.
— Sim Profa. Fabray. – Me senti estranha escutando-a me chamar assim, mas acenei. – Eu queria apenas agradecer.
— Certo. De nada, Srta. Berry. – Retribui lentamente e me recostei na cadeira, sorrindo para ela. – Acho melhor ir logo senão vai perder as coisas boas no almoço, ouvi dizer que hoje terá pudim.
Rachel solta uma risada e levanta os olhos para mim. Corando um pouco quando o fez.
— Sim, eu sei, mas não ingiro nada com leite, nem nada derivado de animais. – Ela explica sorrindo. – Sou vegana.
Acenei lentamente com as sobrancelhas erguidas. Tentado me lembrar de exatamente como é o estilo de vida de vegano. Nunca conheci alguém vegano antes.
— Isto é bem legal. – Falei e ela assentiu orgulhosamente. – Então eles devem fazer uma salada separada pra você?
— Não exatamente. – Ela suspira e seus olhos reviram levemente. – Eu trago meu próprio almoço. Aqui eles não têm respeito pelos veganos ou vegetarianos. Sempre entupindo todos de carne e laticínios.
Rachel parecia tão revoltada que me divertiu mais ainda. Eu realmente não deveria comentar com ela sobre a minha paixão por bacon.
— Talvez eu deva falar com o diretor Figgins sobre isso. – Ofereci e vi que ela bufou e balançou a mão em desdém.
— Nem tente, meus pais já vieram reclamar sobre isso, mas não adiantou. Bem, na verdade, até chegou a mudar alguma coisa, a comida não é mais tão amarelada e tem até alguns verdes e vermelhos nela, mas sempre misturado com alguma carne. Mesmo assim, nada vegano ou vegetariano.
Acenei lentamente com um sorriso preguiçoso surgindo em meus lábios. Era divertido conversar com Rachel. Ela falava muito, mas falava incrivelmente bem. Fico imaginando como seria escutar ela recitando algum poema. Deve ser magnífico.
— Isso é bom. Mesmo assim, vou tentar convencer o Diretor Figgins. Sabe, eu posso ser bem convincente. – Falei divertida e ela me olhou por alguns segundos antes de desviar o olhar com as bochechas coradas.
— Obrigada. – Ela murmurou baixinho e eu soltei uma risada.
— De nada.
Rachel ainda passou um tempo de cabeça abaixada na minha frente. Apoiei-me na mesa e relaxei o sorriso, dando-lhe um sorriso suave.
— Gostaria de me acompanhar no almoço? – Perguntei e a vi levantar os olhos lentamente e me lançar um olhar confuso antes de acenar devagar.
— Se você não se importar...
— Claro que não! Eu geralmente fico sozinha aqui. Não gosto muito da sala dos professores. – Explico e vejo um sorriso se formar em seus lábios.
E que belos lábios.
Mais o que? De onde veio isso? Não! Foi só um lapso de loucura. Apenas. É. Só isso mesmo. Nada mais. É. É. É. Eu sou louca? Provavelmente.
— Também não gosto de almoçar no refeitório. Eles ficam me encarando, ou derrubam o meu almoço. – Ela expôs baixinho e meu coração se apertou por ela.
— McKinley criou um sistema estranho de hierarquia. – Observei enquanto ela arrastava uma cadeira para sentar na frente da mesa.
— Sim. Desde que cheguei aqui. Nem tive chance de querer ser popular. – Ela resmunga e abre a bolsa, retirando um recipiente de plástico e abrindo-o.
— De onde você era antes de vir para o McKinley?
— Carmel. – Ela responde e pega um guardanapo no recipiente, pegando um pedaço do sanduiche. – Meu pai foi transferido quando eu estava no primeiro ano, então tive que vir para cá e ainda entrar no meio do ano.
Acenei rapidamente e abri a minha bolsa. Ver Rachel comendo certamente me deu fome. Peguei minha maçã e sorri ao ver que ela ficou curiosa.
— Só vai comer isso?- Questiona e eu aceno com um sorriso maior. Soltei uma risada antes de falar:
— Me entupo de café o dia inteiro, então não fico com muita fome. Mesmo odiando café. – Suspiro no final e desembrulho a maçã do papel laminado e admirando a maçã procurando um local perfeito para mordê-la.
Eu disse que era louca.
— Então porque toma café?
— Porque é só o que tem aqui. – Resmunguei enquanto limpava a maçã em um lenço e finalmente mordendo. – Mas não tem problema, eu consigo engolir o café.
Rachel acena lentamente e termina de comer uma banda do sanduiche. Ela olha para dentro do recipiente e pega o segundo. Surpreendeu-me muito quando ela o esticou para mim.
— Toma. – Oferece com um sorriso e meu corpo quase tremeu.
— É o seu almoço. – Aponto com as sobrancelhas erguidas.
— Sim, mas já estou satisfeita. E caso eu sinta fome, você pode pegar um copo de café para mim na sala dos professores. – Sugere e eu não consigo evitar uma risada.
— Então você gosta de café? – Pergunto aceitando o seu sanduiche e ela acena rapidamente.
— Sim, mas meu pai não me compra mais. – Ela resmunga e eu solto outra risada. – Ele acha que faz com que eu fale mais. Mas não é verdade, eu apenas gosto de falar.
Sorri enquanto mordia o sanduiche. Quase gemi ao sentir o gosto maravilhoso. Não conseguia decifrar o gosto, mas era incrível! Olhei para Rachel, que soltou um riso ofegante.
— É geleia de morango com um pouco de manteiga de amendoim. – Responde orgulhosa. – Eu que fiz. E ainda torro um pouco os pães na frigideira para deixá-los mais crocantes.
— Então você sabe cozinhar? – Pergunto quando termino de comer. Ela dá de ombros e cruza as pernas.
— Sei o básico. Meu pai que sabe cozinhar, então ele me ensina algumas coisas quando tem tempo. – Ela dá de ombros mais uma vez e cruza os braços sobre a mesa. – Eu ouvi que você já estudou aqui antes.
Peguei a maçã e lhe entreguei. Ela ficou confusa, mas aceitou.
— Sim, eu já estudei aqui. E era bem diferente do que é hoje. Você ficaria surpresa. – Comentei e vi as bochechas de Rachel se avermelhar quando ela mordeu a maçã ao lado da minha mordida. Sorri para ela.
A conversa andou tranquilamente. Eu fiquei surpresa com a facilidade em como eu conversava com ela. Era quase como se nos conhecêssemos há muito tempo, e isso era interessante, também estranho.
Logo o horário de almoço terminou e ela juntou suas coisas, se despedindo de mim com um sorriso e um ‘obrigado pro me deixar ficar aqui’ e foi embora. Olhei para a porta por alguns minutos depois que ela já tinha ido e fiquei suspirando enquanto minha mente corria para diversos lugares. Sorri com a ideia de virar amiga de uma aluna. Seria interessante.
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— Quinn? – Levantei meus olhos do livro para encontrar um Will eufórico na porta da sala.
— Hey.
— Hey. Vai vir para a reunião do clube do Coral? Vai ser bom. Eu prometo. – Ele sorriu e eu suspirei pesadamente, olhando para o livro em minhas mãos.
Will realmente estava tentando uma amizade comigo. Ou até algo mais que eu não estava interessada. Fechei o livro e abri a bolsa, colocando-o dentro dela. Fechei a bolsa e dei uns tapinhas antes de levantar e colocar a bolsa no ombro.
— Certo. Estou pronta. – Avisei com um sorriso suave.
Will continuou eufórico – como sempre. Talvez até mais. Quase revirei os olhos, mas apenas soltei uma risada e apertei a alça da bolsa acompanhando-o até a porta. Fechando-a atrás de mim e trancando logo em seguida.
— Você vai adorar! Hoje terá a apresentação da atribuição que passei na semana passada. Ícones femininos da música popular nacional. Hoje são os cinco primeiros que apresentarão. Vai ser uma surpresa pra mim também!
— Uhum. – Murmurei com o sorriso se tornando divertido. Era engraçado como ele se empolgava enquanto falava do clube do coral. Quando passamos da sala do coral e não entramos eu parei confusa. – Achei que seria uma reunião na sala?
— Sim, vai ser uma reunião. – Ele fala animado e coloca as mãos nos bolsos. Era estranho como a gravata preta não combinava com a camisa xadrez laranja e azul. Deixava-me seriamente enjoada. – Mas como serão apenas apresentações, vai ser no auditório.
Apenas acenei e o segui até a porta do auditório. Will continuava falando sobre o tipo de música que seus alunos iriam cantar. Eu continuava acenando sem me preocupar muito. Ele estava tão empolgado que tive que fingir que estava escutando.
Na verdade, era até bom que eu estava indo para algum lugar. Se eu fosse para casa estaria sentada no sofá com a televisão ligada no Netflix vendo filmes e sérios que eu já tinha visto antes. Comendo comida de um dia antes de vencer a validade.
— Aqui estamos. – Will parou em frente a porta do auditório, que não tinha mudado muito desde quando eu estudei aqui. Schuester tinha um sorriso enorme. Maior que o próprio rosto. — Você vai adorar!
— Espero que sim. – Resmunguei sob a respiração. Depois torci pra que ele não tivesse escutado.
Vendo o sorriso enorme dele, tenho certeza de que não escutou. Will abriu a porta e deixou um espaço para que eu entrasse.
— Pessoal! – Ele falou mais algo em um tom divertido e autoritário. Sorri de canto por achar que ele estava querendo se mostrar para mim, e olhei para os membros do clube.
Praticamente todos eram do terceiro ano. Os que não eram do terceiro, eram do segundo. Um deles nem ao menos parecia ser americano. Se eu não me engano, ele é o aluno irlandês que está aqui de intercambio. A outra é uma ruiva com roupas excessivamente rosa. E o outro tinha dreads estranhas.
Passando a vista, percebi que Rachel Berry também estava ali. Lembro-me bem que ela disse que gostava de cantar e que amava assistir musicais, mas não comentou coisa alguma sobre estar no clube do coral.
— A professora Fabray está aqui comigo porque eu a convidei para assistir a apresentação de vocês, como boas vindas pra ela no McKinley. – Will explicava e eu apenas acenava com um sorriso. – E que jeito seria melhor se não fosse com o New Directions apresentando? Então? Vamos começar? Quem vai primeiro?
Eles acenaram para mim timidamente, alguns até mais do que acenaram, como Noah Puckerman, que resolveu piscar para mim. Revirei uns olhos internamente, e externamente forcei um sorriso. Alguns sentaram e uma garota negra se levantou para subir no palco. Não conseguia me lembrar bem de quem era, mas lembro que ela estava na minha sala. Will me guiou para sentar mais na frente, perto dos alunos.
Quando me aproximei, Rachel virou e seus olhos encontraram os meus.
E porra... O brilho do holofote ligado apontado para a garota no palco bateu nos olhos de Rachel e eles ficaram claros e brilhantes. Respirei fundo quando algo estranho tomou conta de mim. Ignorando isso, tirei meus olhos dela e sentei ao lado de Will.
— Essa é Mercedes Jones. Uma das melhores cantoras que temos aqui. – Will fala quando a menina começou a cantar.
— Porra. – Falei sob uma respiração e Will soltou uma risada.
— Exatamente o que passou pela minha cabeça quando a escutei cantar. Ela tem uma voz característica de negro. E cantando Christina Aguilera é simplesmente incrível.
— Ela não fala muito na minha aula, bem, ela não fala muito sobre o assunto. Sempre com o rapaz do topete. – Sussurrei para Will.
— Sim, Mercedes fala muito com o Kurt o tempo inteiro. – Will comenta em um tom divertido e eu solto uma risada leve.
— Sim, é exatamente isso. – Olhei para Kurt que estava um pouco mais na frente do palco e parecia bem animado com sua amiga cantando.
Logo Mercedes terminou de cantar e Will aplaudiu com força. Segui aplaudindo tranquilamente enquanto ela saía do palco e ia se sentar ao lado do Hummel.
— Quem será agora? – Will perguntou para os alunos.
— Eu! – Um jogador alto e desengonçado se levantou e lançou um sorriso para Rachel que me fez ficar enjoada. – Vai ser pra você, Rach.
— Ah! O Finn! Vai ser perfeito. Se você gostou da Mercedes, pode ter certeza de que vai ficar de queixo caído com esse. Ele é a nossa melhor voz masculina. – Will comenta totalmente eufórico enquanto o jogador andava atrapalhado até a escada e subia no palco.
Fiquei calada esperando que ele começasse a cantar e quando ele começou, meu rosto se contorceu em uma careta. Fiquei completamente frustrada. Não era ruim, mas também não era maravilhoso. Will estava empolgado ao meu lado e eu não consegui achar nada naquela voz que me empolgasse.
Ele cantava Alanis Morissete com fervor. Como se estivesse cantando Whitney. Sua voz era baixa e leve, com força nenhuma. E sua expressão parecia de êxtase, mas não era um êxtase bom. Era quase como se ele estivesse com constipação. Pior ainda quando ele tentou dar alguns passos de dança. Quase caiu para o lado, mas recuperou-se rapidamente com um sorriso sem graça.
Meu olhar foi para Rachel, que estava com uma mão cobrindo os olhos. Soltei uma risada e meu humor ficou certamente melhor. Olhei para o Shuester empolgado ao meu lado e franzi o rosto. Ele estava tão feliz que eu diria que a Finn dedicou a música para ele.
Quando acabou, agradeci aos seus por finalmente ter terminado.
— Então?- Will me perguntou e eu virei para olhá-lo. Seus olhos tinham um brilho estranho e eu fiquei pensando se deveria mentir para ele e dizer que foi legal. – Foi perfeito, né? Ele é a nossa voz masculina principal.
Se essa é sua voz masculina principal, certamente não preciso saber da feminina. Na verdade, eu preciso sim.
— Quem é a feminina? – Questionei e ele soltou um suspiro, sua animação murchando um pouco e ele apontou para frente, segui seu olhar e me surpreendi quando vi Rachel se levantando com um sorriso e dando um beijo nos lábios do grandão. – Rachel é a voz feminina?
— Sim, ela é malditamente talentosa. – Will comenta e eu observo Rachel se afastando de Finn e indo para a escada. – Ela vai cantar agora.
Arrastei-me na poltrona e fixei meus olhos na morena que subia no palco calmamente e ia para o centro dele.
— Eu vou cantar Glitter In The Air da P!nk. – Rachel anuncia profissionalmente com a boca no microfone e por alguns segundos, seus olhos encontram os meus.
Percebi também que ela soltou um suspiro enquanto nossos olhos ainda estavam conectados. Então, finalmente, ela desvia o olhar, me fazendo sentir falta dele. Ela respira fundo antes de olhar para a banda e a música começar a tocar. Ela abaixou a cabeça, olhando para o chão e meu estômago se encheu de ansiedade.
Então ela começou a cantar e meu coração não deveria bater tão forte. Sua voz era forte e cheia de emoção. Lambi os lábios e me arrumei na cadeira, inclinando-me para frente, colocando os cotovelos no joelho e apoiando meu queixo na mão. Não consegui retirar os olhos dela. Era impossível. Completamente impossível.
Seus olhos estavam fechados e ela gesticulava os braços enquanto cantava. Meus ouvidos estavam atentos a cada frase cantada que saía por seus lábios. Will continuava falando ao meu lado, mas não consegui tirar meus olhos da morena no palco.
Rachel obviamente tinha uma presença de palco. E era incrível.
Quando terminou, seus olhos abriram e encontrou os meus mais uma vez. Era estranho como eu me sentia bem quando isso acontecia. Poderia ser algo da minha cabeça, mas ela estava sorrindo para mim, e seu olhar suave estava fazendo coisas com meu estômago e meu peito.
— Boa né? – Will me perguntou e eu virei o rosto para ele.
— Boa? – Indaguei incrédula e ele deu de ombros e sorriu como se não fosse nada demais. – Ela é a melhor que eu já escutei aqui.
Okay, eu talvez não devesse ter usado tanta indignação. Schuester me olhou assustado, mas logo sorriu e deu de ombros mais uma vez. Senti uma vontade insana de socar seu queixo e tirar aquele sorriso de lá.
— Sim, ela é muito boa. Ganhamos as regionais no ano passado, mas perdemos a Nacionais porque o outro time era melhor. Mas vamos ganhar esse ano. – Ele falou determinado.
Sim, eu percebi que ele mudou de assunto. Revirei os olhos – dessa vez externamente – Will estava me cansando. Levantei da poltrona e ele ficou todo confuso.
— Estou indo, lembrei que tenho algo muito importante pra fazer. – Tipo sentar no sofá, ligar no Netflix e fazer uma maratona de Jessica Jones e de Demolidor. – Te vejo amanhã.
Ele ainda tentou, mas eu apenas recolhi minha bolsa e saí do auditório.
Will Schuester era um homem estranho. Além de ficar querendo dar em cima de mim, e achar que está funcionando, ele ainda despreza o tamanho talento que Rachel Berry tem. Fiz uma careta ao lembrar de Finn. Schuester estava tão animadinho por causa do garoto grandão.
Revirei os olhos e fui até a minha moto Kawasaki z300, mas não consegui montar nela quando alguém gritou o meu nome. Virei para ver quem era, já pronta para dar algum fora, e me surpreendi ao ver que era Rachel correndo até mim.
— Professora! – Ela falou quando finalmente parou na minha frente.
— Quinn. – Corrigi automaticamente, mas lembrei que ela era minha aluna, então apenas balancei a mão em descaso. Ela levantou os olhos pra mim com um sorriso cansado. De repente tinham um brilho diferente, mas foi rápido. – Aconteceu alguma coisa, Srta. Berry?
— Não. Quer dizer, sim! Mas não é nada demais. – Ela se atrapalha e eu cruzo os braços com um sorriso suave esticando meus lábios.
— Não pode ser nada demais pra você ter corrido até aqui. O que houve?
— Na verdade é uma besteira. – Rachel balança a mão em desdém e olha pra mim, ligeiramente ofegante. – Eu contei para meus pais o que houve no dia anterior e eles acharam que seria sensato convidá-la para um jantar. Como uma forma de agradecimento. Sabe? Eles também querem lhe dar as boas vindas ao McKinley.
Arregalei meus olhos com o convite. Meu corpo inteiro esquentou e eu franzi o rosto com isso. Que sensações são essas? Balancei a cabeça minimamente para ela não perceber, e agora que ela olhava para o chão, pude arregalar mais os olhos. Mas foi por pouco tempo, já que ela levantou o rosto para mim.
Rachel não estava muito perto, mas eu conseguia perceber que ela estava ofegante por conta da corrida. E isso me provocou algo imensamente estranho.
— Um jantar? – Indaguei e ela sorriu sem graça.
— Eu sei que é bobeira, mas eles estão insistindo muito. – Ela se explica e eu fico sem saber como negar.
— Certo! – Aceitei e vi seus olhos brilharem mais uma vez, e seu sorriso surgindo nos lábios. – Quando é o jantar?
— Sexta está bom pra você? – Rachel pergunta meio eufórica e eu solto uma risada.
— Sim, está ótimo.
Ela acenou com fervor e se despediu com um ‘até amanhã’. Observei Rachel entrar no McKinley e respirei fundo, olhei pra minha moto e subi nela, segurando o capacete cor vinho nas mãos e olhei para o visor da moto antes de colocar o capacete.
O que estava acontecendo comigo?
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