Pandora
28 Capítulo XXVIII – Meu Futuro
Notas iniciais
Dois anos depois...
— Professora Fabray? — Levantei os olhos e encontrei um grupo de alunos na minha frente. Acenei pra que falassem e a garota que estava na frente riu timidamente e falou: — Queríamos saber se você irá para a festa amanhã à noite.
Franzi o rosto e passei uma mão pelo cabelo. Meus olhos foram para os outros alunos que conversavam entre si. Eu só tinha a atenção da garota morena na minha frente.
A festa que teria amanhã à noite era uma festa que a Universidade de Columbia resolveu fazer para os departamentos de Artes. Então, Cinema, Música, Fotografia. Teria de tudo lá. E seria uma festa de gala. Porque, claro, Columbia não organizaria uma festa assim se não fosse de gala.
— Sim, estarei lá. Sou professora, afinal. — E sorri pra garota, voltando minha atenção para as coisas que eu arrumava para sair da minha sala.
A garota riu mais uma vez.
— Que bom. Vai ser melhor com você lá. — E foi a ultima coisa que ela disse, que me fez levantar o rosto pra ela, mas não tive tempo de falar alguma coisa, já que ela saía pela porta da minha sala com os outros.
Claro que não era a primeira vez que um aluno ou aluna flertava comigo, mas ninguém foi tão óbvio assim. E isso só me fazia rir. Claro, eu não ficaria com uma aluna. Não de novo, é claro. Até porque, quando eu encontrar Rachel mais uma vez, ela não será minha aluna. Então não, não namorarei uma aluna nunca mais.
E pensar nisso me fez rir saindo da minha sala.
— Tão sorridente. — Mark Gibbins comentou quando passou pela porta da minha sala. Revirei os olhos e ri mais uma vez. — Me acompanha pra um almoço?
— Claro. Até parece que eu iria negar um almoço de graça.- E nós andamos pelo corredor juntos. Mark contava como foi a sua aula de Filosofia e ria contando como seus alunos tinham medo dele. Mark Gibbins foi o primeiro amigo que fiz aqui em Columbia. E nós criamos um laço através da Mitologia. E também pelo fato que nós tinhamos aula no mesmo horário e nosso departamento ficava no mesmo prédio.
Saímos do prédio de História de Columbia e andamos juntos pelo campus até o enorme refeitório da Universidade.
— Então, vai amanhã? — Mark me perguntou depois que pedimos nossos almoços e procurávamos um lugar pra sentar.
— Para a festa de gala? Claro. Já me viu perder a oportunidade de vestir um vestido?
Mark riu.
— Eu adoro quando não consigo identificar seu sarcasmo.
— Sou uma pessoa sarcástica, Mark. Tudo que eu falo pode ser sarcasmo. Aliás, adorei sua camisa. — Apontei para a camisa listrada roxa e branca dele que doía ficar olhando pra ela. Me lembrava bastante de Will Schuester. Mark revirou os olhos e eu ri colocando minha bolsa nas pernas e abrindo para pegar alguns papeis.
— Mas falando sério, vai pra festa?
— Sim, tenho que ir. — Mostrei pra ele os papéis que segurava. — Sabe o que é isso?
— O quê? — Ele perguntou antes de enfiar uma garfada de arroz grego na boca.
— Lembretes que a Universidade achou interessante me mandar.
— Lembretes de quê?
— Eles querem ter certeza de que estarei lá.
— É o seu aniversário, Quinn. Columbia se importa com isso, por algum motivo.
— A festa não é pra mim, Mark.
— Não, mas você vai ser prestigiada, afinal, você é uma das alunas de Fotografia. E, sinceramente, uma das melhores. Suas fotos estarão alí, e ainda é seu aniversário. E você ainda é uma professora. Não culpe a admnistração de Columbia pelo fato de que você não gosta de receber atenção.
Sim, eu tinha entrado pra fotografia depois de um ano ensinando em Columbia. Mark e Santana me convenceram que era uma boa ideia voltar a estudar. Eu nunca tinha realmente me interessado por Fotografia desde que saí de Lima dois anos atrás. Alguma coisa dentro de mim me dizia que eu deveria me ocupar mais, então comprei uma câmera e saí pela cidade, tirando foto de tudo. E, aparentemente, eu tinha talento.
Foi então que arrumei um emprego em Columbia e depois de alguns meses vi que eu teria um desconto absurdo de professora se eu quisesse estudar algum curso lá. Santana e Mark insistiram que era uma boa ideia, e eu entrei para Fotografia em Columbia.
Então sim, eu tinha algumas aulas com meus alunos.
E talvez por isso que aquela aluna de mais cedo resolveu dar em cima de mim.
Resolvi comentar isso Mark, afinal, ele sabia sobre Rachel, e ainda brincava comigo sobre isso.
— Mas olha só! Quinn Fabray é papa anjo! — Ele resolveu gritar isso no meio do refeitório.
Por sorte, estava quase vazio.
Mas por azar, estava quase vazio.
— Porra, Gibbins! — Bati no braço forte dele repetidamente enquanto Mark ria da minha cara. — Você poderia ser pior do que isso?
— É uma sugestão?
E eu só revirei os olhos enquanto ele ria.
— Será que pode ser sério por alguns minutos? — Perguntei e Mark balançou a cabeça, rindo um pouco menos agora.
— Tá bom, tá bom. Vamos lá então. Quanto tempo que você não namora alguém? — Ele perguntou empurrando seu prato vazio pro lado. Fiz o mesmo e dei de ombros. — Acha que não vai mais encontrar a sua menina?
— Sabe, ela já é uma mulher hoje em dia. — Corrigi e Mark revirou os olhos.
— Mulher, menina, tanto faz. Agora me diz logo.
— Sabe, a feminista dentro de mim ficou realmente ofendida com isso.
Mark gargalhou e balançou a cabeça.
— Desculpa, desculpa. — Ele bateu na mesa suavemente e me lançou um olhar. — Falando sério. Você ainda tem esperanças de encontrar ela?
Balancei a cabeça suspirando.
Não. Eu não tinha esperanças que fosse encontrar Rachel mais uma vez. Quando fiquei sabendo por Will que o pessoal do New Directions tinha se formado, fiquei esperando encontrar Rachel em qualquer lugar. Shopping, cafeterias, lojas. Qualquer lugar. Até mesmo em algum banheiro público, mas nenhum sinal dela. Então não, eu não tinha esperanças de encontrá-la aqui em Nova Iorque. Talvez ela estivesse em algum outro lugar. E tivesse desistido de Nova Iorque.
E sim, nós não mantemos contato nesse tempo.
Porque? Bem, nós tentamos, mas com meu trabalho em Columbia e com seu ultimo ano no colegial deixou tudo mais difícil. Até que nós paramos de manter contato.
Foi difícil pra entender porque de repente minhas mensagems foram parando de ser respondidas. Mas eu tinha que entender em algum momento, afinal, Rachel era uma adolescente no colegial. Ela poderia estar preocupada com seus trabalhos e provas. Ou até mesmo arrumado algum namorado ou namorada.
E sim, a ideia de alguém com Rachel me incomodava.
Mas eu não estava lá pra falar o que pensava, e nem para reclamá-la. Então não tinha direito de me sentir mal.
— Não. — Finalmente respondi Mark, que acenou lentamente. Ele tinha aquela expressão de que sentia muito. — Acho que ela seguiu em frente, e que eu deveria também, mas não tenho bolas o suficiente.
— Verdade, você não tem bolas suficiente.
— Porra Gibbins, achei que você deveria ser meu amigo aqui.
E Mark riu mais uma vez.
— Sim, sim, eu sou o legalzão, mas tenho que dizer a verdade. Você não tem bolas o suficiente pra seguir em frente. — E antes que eu pudesse reclamar, Mark colocou a mão na minha e sorriu carinhosamente. — Mas você vai fazer isso eventualmente, o problema é que você não teve um fechamento, não teve alguém que te falasse que vocês terminaram o relacionamento de vocês. Então isso faz com que você não tenha coragem de seguir em frente.
Bufei e bati nele mais uma vez.
— Eu odeio quando você resolve falar a verdade.
Mark riu e tomou um gole do seu chá gelado antes de dar de ombros.
— É, fazer o quê? — Ele deu de ombros, convencido.
— Eu te odeio.
— Sei.
E depois disso, nós recolhemos nossas coisas e voltamos para o prédio de História.
—_
No dia seguinte, quando acordei, Santana já estava de pé. Ou melhor. Ela nem dormiu. E pela aparência cansada, ela tinha acabado de voltar do seu plantão.
— Tudo bem aí? — Perguntei quando ela se assustou no momento em que entrei na cozinha.
— Sim. Só cansada pra caralho. — Suspirou e terminou de beber seu copo de água.
— Cansada, mas feliz.
Santana riu e se apoiou na pia. Assentindo pra minha afirmação.
— Muito feliz. Tô recebendo o quanto eu mereço, tô trabalhando com o que eu quero e sendo reconhecida. — Ela suspirou mais uma vez, e por um segundo, Santana não estava cansada e sim, brilhando.
— Dois anos aqui, você tinha que se sentir bem com esses plantões gigantescos. — Brinquei e ela riu antes de suspirar.
— Vai pra Columbia hoje?
— Não, não. Eles suspenderam as aulas do dia por causa do evento de noite. — Me sentei na cadeira de lado e continuei olhando pra Santana. — Você vai querer ir comigo?
— Depende da minha situação, Fabray. Se eu tiver condições suficiente pra sair de casa as sete da noite, eu vou, mas se não, foi mal.
— Tanto faz.
Revirei os olhos e me levantei, abrindo a geladeira e tirando uma caixa de suco.
— Awn, ficou chateada porque não sei se vou conseguir ir no seu recital?
Virei pra ela com uma sobrancelha erguida.
— Você tá ligada que não é um recital, né? Recital é...
— Eu sei o que é um recital, Quinn. — Ela me interrompeu colocando a mão no meu ombro e passando por mim para sair da cozinha. — Eu vou dormir. Se eu acordar a tempo, vou pra esse negócio aí.
— É uma festa de gala.
— E eu tenho que arrumar uma porra de um vestido se eu for. — Ela conclui e sai da cozinha.
Escuto a porta do quarto fechar e solto uma risada.
Santana e eu nos aproximamos mais ainda, se é que isso é possível. Nós viramos irmãs. Praticamente. Com o trabalho de Santana aqui em Nova Iorque, fica extremamente difícil para que nós duas voltássemos para Lima para encontrar nossas famílias. Então eles vinham pra cá. Pelo jeito, tinham bastante tempo livre.
O apartamento que Santana e eu conseguimos aqui em Nova Iorque antes de sair de Lima, era muito bom, mas não cabia duas famílias. Então eles revezavam para vir passar algum tempo com a gente.
Ao menos eu não estava distante novamente. Steph veio com Frannie para Nova Iorque no seu aniversário de seis anos e nós tivemos um piquenique no Central Park. E Frannie vivia falando que queria vir para Nova Iorque ficar com a gente, e que só não fazia isso porque ainda estava tentando sair do Lima Memorial.
Ela decidiu que iria fazer isso no mês passado, quando Santana disse que poderia ajudá-la conseguir um emprego no Presbyterian. Então era basicamente isso que as duas conversavam por três semanas inteiras.
Enquanto Santana estava dormindo e eu não tinha exatamente o que fazer, decidi que deveria caminhar um pouco. Era outono em Nova Iorque, mas ainda não era tão frio quanto eu esperava que estivesse. Como o Outono do ano passado, que foi mortalmente frio e pegar o metrô para Columbia ficava cada dia mais difícil.
Vesti uma calça de moletom e uma camisa de manga comprida, amarrei o cabelo num rabo de cavalo alto. Calcei meus tenis e peguei minhas chaves, meu fone de ouvido e meu celular.
Correr pelo Central Park era algo que eu me acostumei a fazer. O vento frio, o cheiro de terra molhada. Eram coisas que me agradavam. E melhor ainda era quando eu não corria sozinha. Algumas pessoas decidiam me acompanhar, e até me faziam tirar o fone ouvido para conversar sobre qualquer coisa que acontecia no mundo.
Mas dessa vez, ninguém me atrapalhou na minha corrida, então consegui fazer tudo isso. O vento frio batia no meu rosto, mas meu movimento esquentava meu corpo.
Não sei exatamente quanto tempo passei correndo, mas quando meus pulmões começaram a queimar, fui obrigada a parar e respirar fundo. Finalmente olhando ao redor e observando algumas pessoas que corriam também e alguns donos de cachorros passeando com eles. Tirei um fone do meu ouvido e fui andando até sentar num banco.
Respirei fundo mais uma vez e sorri quando alguém se aproximou de mim com um cachorro correndo na frente.
— Ele te viu e não resistiu! — Natasha fala rindo e eu ri quando o labrador pulou no meu colo, colocando as patas da frente nas minhas coxas.
— O nome disso é amor. — Falei piscando pra ela quando Tommy lambeu meu queixo, me fazendo rir mais ainda.
Natasha continuou rindo e sentou ao meu lado.
Natasha Fray é uma das professoras de Columbia. E ela também está no curso de fotografia comigo. Mas ela era professora de Literatura Inglesa de Columbia. Natasha era uma mulher incrível. Quando a conheci em uma aula de fotografia tive uma queda por ela. Seus olhos eram negros e seu cabelo da mesma cor. Eram curtos e cacheados. E quando ela sorria, seu rosto inteiro acendia como uma árvore de natal.
Então sim, foi fácil gostar de Natasha. Principalmente quando ela era toda sorridente.
Apesar de como eu ainda me sentia em relação a Rachel, quando descobri que Natasha era gay, algo me disse para tentar investir da garota, mas quando conheci sua namorada, deixei isso de lado. Sua namorada era tão linda quanto ela. E elas eram extremamente apaixonadas uma pela outra.
— Laura já começa a sentir ciúmes porque ele gosta mais de você do que dela. — Natasha brincou acariciando a cabeça de Tommy quando ele deitou ela no meu joelho.
— Em compensação, o seu gato ama ela.
— Ah, claro que ama. Bagheera ama mais ela do que eu. Tudo isso porque ela deixa ele dormir com ela quando eu não estou em casa.
E ela contava isso com seu tom de indignação, me fazendo rir mais ainda e Tommy levantar a cabeça pra me lamber no queixo mais uma vez.
— Bagheera é um amor também, ele só me odeia.
— Te odeia bem muito. — Ela confirmou e eu balancei a cabeça, concordando com ela. — Mas então, o que faz aqui? Você vai pro evento mais tarde?
Acenei com a cabeça e suspirei.
— Não queria, mas aparentemente, hoje é meu aniversário e eu deveria comemorar.
Natasha arregalou os olhos.
— Hoje é seu aniversário! — Não era nem uma pergunta, mas eu acenei e gargalhei quando ela pulou em cima de mim, abraçando meu pescoço e me balançando de um lado pro outro. Tommy latia insistentemente no chão e tentava pular entre a gente. — Feliz aniversário!!!
Ela ainda gritou no meu ouvido, me fazendo rir mais uma vez e abraçá-la de volta.
— Obrigada, obrigada, mas já chega de abraços.
E Natasha se afastou de mim ainda sorrindo.
— Como eu não sabia que hoje era seu aniversário?
— Ah, eu nem te culpo, minha melhor amiga nem ao menos falou comigo. E olha que ela vive comigo.
— Não fale isso de Santana, ela estava de plantão, né? — E eu assenti me encostando no banco e passando a barra da camisa no meu celular, tirando os pingos de chuva da tela. — Ela provavelmente ainda acha que é ontem.
— Não seria a primeira vez. — Dei de ombros e sorri. — E você, vai mais tarde?
— Sim, e Laura também. E ela vai fazer um artigo sobre isso, então vai querer entrevistar você.
Enquanto ela falava, meu celular vibrou com uma notificação da minha mãe dizendo que quer uma chamada no skype comigo.
— Tudo certo então. — E me levantei. — Eu vou indo agora, tenho que voltar pra casa. Minha mãe quer me ver através de uma tela de um notebook.
— Tudo bem, vai lá. — E ela puxou Tommy que tentou me seguir quando saí correndo.
—_
Passava maquiagem quando senti alguém pulando em mim e beijando minha bochecha repetidamente.
— Parabéns filha da puta!
Era Santana.
— Ah vagabunda, vou ter que fazer a maquiagem toda de novo. — E tentei me soltar dela, tentando não rir quando ela me apertou mais e colocou uma mão no meu cabelo, assanhando todo. — Filha da puta.
— Também te amo. E foda-se, a maquiagem tava ruim mesmo.
E foi quando ela me soltou e saiu rindo do quarto.
— Sua nojenta! Voltei aqui! Você vai comigo ou não?
E Santana aparece na porta com uma sobrancelha erguida.
— Claro que eu vou. Quem você acha que eu sou?
E ela saiu andando pelo corredor. Franzi o rosto e me olhei no espelho.
— Essa maquiagem tá uma bosta.
— EU AVISEI.
Revirei os olhos e me levantei da cadeira, voltando pro banhei pra lavar o rosto.
—_
— Porra, isso aqui tá mais chique do que eu imaginava. — Escutei Santana comentando enquanto tirávamos nossos agasalhos. Observei seu vestido vermelho com uma abertura na perna.
— Você diz isso como se não tivesse exatamente como cada uma dessas pessoas.
— É porque eu sempre me visto melhor do que todo mundo, só não esperava que todo mundo fosse pensar o mesmo do que eu.
Revirei os olhos e passei a mão pelo meu vestido preto, respirando fundo e olhando ao redor.
— Tá nervosa? — Santana me perguntou quando pegou meu braço e enlaçou com o seu. — Me segure que eu salto não vai me manter em pé por muito tempo.
— Primeiramente, não estou nervosa. — E eu falei isso com minha voz tremendo. Santana riu e teve que se apertar em mim quando ameacei soltá-la.
— Me segure, caralho.
— Não ria de mim que eu seguro. — E continuamos andando pelos enormes corredores do salão.
Era um salão branco com algumas paredes soltas pelo salão. E nas paredes do salão tinham quadros ou fotos. Pelo que eu tinha entendido, cada aluno teria uma própria parede. Então fiz de tudo pra não encontrar a minha parede, apesar de Santana ficar me puxando pra procurar exatamente a minha parede.
No salão também tinha uma mesa gigante com comidas finas, mas meu interesse era o bar, que ficava no final do salão. Guiei Santana até o bar. Ela não reclamou.
— Sabe, eu vim aqui pra ver o que você faz com aquela câmera já que não mostra, mas parece que vou ficar sem saber mesmo.
Bem, ela reclamou. Mas só foi isso mesmo.
Estávamos pegando nossas bebidas quando escutei alguém me chamando.
— Quinn! — Virei pra encontrar Natasha e Laura sorridentes na minha frente. Natasha me abraçou e Laura o fez logo em seguida, sussurrando um 'feliz aniversário' enquanto Santana reclamava sobre o fato que ela teria que se apoiar no balcão. — Já viu a sua parede? Está cheia de gente!
Eu pude sentir meu corpo inteiro ficando fraco com o que Natasha disse, e o sorriso saiu dos lábios dela.
— Quinn?
— Eu to bem. — Falei rápido e respirando fundo. — Só tendo um leve ataque de ansiedade.
— Ela nem me levou pra lá ainda. — Santana reclamou mais uma vez.
— Vocês deveriam ver. — Laura apontou para trás, diretamente para uma parede que realmente tinha muita gente comparado as outras. — Vou querer uma entrevista com você, Quinn.
Acenei sem tirar os olhos da quantidade de gente que estava vendo meu trabalho.
— Acho que deveríamos ir lá. — Laura continuou falando e quando virei pra ela, Natasha e Santana também me observavam com um sorriso curioso.
— Também acho, você está relutante demais pra alguém que tá fazendo tanto sucesso. — Natasha comentou e apontou para um lugar. — Aquela ali é a minha parede, e nem tem tanta gente lá.
— Eu só vou se alguém me levar lá. — E nós três viramos pra ver Santana se sentando no banco do balcão. Ela apontou para os saltos vermelhos. — Ta foda.
Laura foi até ela e esticou o braço para que ela pegasse. Só agora pude ver o que Laura e Natasha vestiam. Laura vestia um terno preto com uma gravata folgada e Natasha vestia um vestido preto e roxo. Eram um casal interessante. Enfim, Santana suspirou e olhou para os pés.
— É né. — E levantou com dificuldade, se apoiando em Laura, que arregalou os olhos. O arrependimento era claro. Mas Laura era mais forte do que eu pensava.
Natasha ria enquanto andávamos. Quando ela tentou me fazer virar pra ver a minha parede, eu virei ela pra irmos até a sua parede.
— Nós ainda vamos ver sua coleção hoje, Fabray. — Natasha ameaçou e isso me deixou mais nervosa.
Porque quando você faz algo diferente e tem a chance de mostrar pra alguém, você tem medo da opinião dessa pessoa? Tudo bem que isso acontece sempre, mas eu não deveria estar me sentindo assim. Natasha, Laura e Santana me conhecem e já viram o tipo de foto que eu tiro. Mas acho que eu fiz algo a mais. Só pode ser isso. Pra sentir tanto medo assim.
— Quinn! — Escutei e vi Mark vindo até mim quando paramos para ver a parede de Natasha. Mark vestia um terno roxo. Eu me perguntava como ele não era gay. Realmente, como? — Já viu a sua parede?
E antes que pudesse falar alguma coisa, Santana falou atrás de mim, colocando as mãos nos meus ombros e se apertando ao meu lado, segurando meu braço.
— Ela não quer. — Foi o que ela disse e eu revirei os olhos.
— Porque não?
— Não é que eu não quero. — Falei rapidamente e Mark franziu o rosto e eu senti Santana beliscar meu braço.
— Você não mostrou nada até agora e...
— Eu já vi. — Laura comentou e vi que ela voltava exatamente da direção da minha parede. Seus olhos brilhavam.
Quando foi que ela soltou Santana pra ir ver minha coleção?
— Então? — Natasha se aproximou dela e eu franzi o rosto.
— Natasha, olha só a sua coleção! — Tentei mudar o foco, apontando para suas fotos que ficaram fantásticas.
— Ah, cala a boca, Fabray. — Santana reclamou e se abaixou pra tirar os sapatos. — Foda-se esse sapato.
E jogou eles pro lado antes de me puxar na direção da minha parede.
— Santana?
— Calada.
E eu continuei seguindo ela, mas não era como se eu tivesse alguma escolha.
Podia escutar Natasha, Laura e Mark nos seguindo.
Então nós chegamos na minha parede e eu fechei os olhos antes de focar nas fotos. Ainda tinha gente vendo as fotos, mas a maioria já estava nas outras coleçõs. Ainda assim, tinha gente comentando minhas fotos.
— Caralho, Fabray.
— É impressão minha ou você misturou mitologia com fotografia? — Mark me perguntou e eu finalmente foquei nas fotos.
Sim, eu fiz exatamente o que ele disse.
Antes de fazer essa coleção, eu viajei Nova Iorque inteira – o estado, não a cidade – e procurei lugares que seriam perfeitos pra fazer exatamente isso. Procurei situações clássicas em florestas e tal. E consegui achar algumas. E maioria eu tive que fazer o próprio cenário. Até mesmo com a ajuda de algumas pessoas que estavam andando pelos lugares que eu tirava foto.
Então sim, todas as fotos eram fotografias de situações da mitologia grega. Porém, no centro. Tinha a clássica. Aquela que fez parte da minha vida. Foi a única foto que eu já tinha guardada e eu só precisei fazer uma edição.
Era Rachel. Bem, não exatamente Rachel, mas ela estava lá. A foto era um fundo claro com uma silhueta de uma garota. Deveria ser a foto mais difícil de identificar. Por que era somente isso. Um fundo claro com uma situlheta.
Mas era Pandora.
— Eu não consigo identificar a do meio. — Laura comentou apontando e eu acenei.
— É porque é...
— Pandora.
Escutei atrás de mim e tudo parou.
Meu coração, minha respiração, o ar.
Tudo parou.
Tudo.
Quando finalmente consegui respirar, virei para encontrar a pessoa da foto. A pessoa que eu procurei por um ano. E a pessoa que esperei por dois anos.
— Rachel. — Sussurrei e senti uma movimentação atrás de mim. Mas ignorei, sabia que era Santana explicando Natasha e Laura quem era Rachel, e Mark provavelmente estava ajudando.
E sim.
Rachel estava ali.
Na minha frente.
E ela sorria pra mim.
— Achei que nunca fosse encontrá-la mais uma vez. — Ela comentou e sorriu mais ainda, porém seus olhos brilharam tristemente e eu senti meu peito apertando.
— Então não confiou em mim? — Brinquei e ela soltou uma risada. Uma leve risada que fez meu coração saltar.
— Claro que eu confiei. — E ela piscou pra mim antes de desviar os olhos dos meus.
Rachel estava tão linda quanto eu me lembrava.
Ela usava um vestido cor de champagne, brilhoso com um decote na frente. Seu cabelo estava solto em cachos e longos, bem maiores do que eu me lembrava. E agora ela tinha uma franja que quase cobria seus olhos.
E por algum motivo, ela parecia estar mais alta.
Não sei quanto tempo passamos olhando nos olhos uma da outra, mas Santana me deu um empurrão fazendo com que meu corpo batesse com o de Rachel e por instinto, meus braços foram para seus cotovelos.
— Vão embora daqui, vão. — Escutei antes que ela me empurrasse mais uma vez e as risadas dos outros três ecoasse atrás de mim.
Revirei os olhos, mas não tirei as mãos de Rachel, que ria deixando a testa apoiada no meu ombro. O conforto que eu senti no momento em que nós estávamos tão próximas em um lugar público, foi tão bom. Foi tão diferente. Era um certo alívio. Principalmente depois de dois anos sem ter uma notícia dela.
— Vamos embora daqui. — Pedi e Rachel se afastou do meu ombro, sem olhar nos meus olhos quando acenou. Ela ainda ria quando coloquei minha mão nas suas costas e a levei para um lugar mais afastado.
Não saímos do salão porque chovia torrencialmente lá fora, então ficamos perto dos banheiros. Como era um evento tão arrumado, quase ninguém ia para os banheiros. Então ficamos sentadas em um tipo de recepção para os banheiros. Tinha sofás e umas mesinhas. Rachel e eu sentamos em um sofá e ficamos de frente uma pra outra.
— Faz um tempo, não é? — Rachel foi a primeira com coragem pra falar. Se dependesse de mim, só ficaríamos ali, nos encarando. Rachel riu quando demorei pra falar algo. — Sabe, ainda somos as mesmas pessoas...
— Não somos. — Interrompi e Rachel franziu o rosto, mas ainda com um sorriso nos lábios.
— Como assim?
— Foram dois anos Rachel, e com um ano sem nenhum contato. Nós mudamos.
Então ela parou de sorrir e abaixou o rosto. Ainda olhando pra ela, senti sua mão em cima da minha e seus dedos tocando os meus.
— O que quer dizer com isso? — Ela me perguntou e levantou a cabeça. Meu peito doeu. Eu não sabia o que eu queria falar, mas estava com medo de qualquer coisa que acontecesse com a gente.
Nunca, nunca eu esperava encontrá-la aqui. Em um evento de Columbia.
— O que faz aqui? — Foi o que saiu da minha boca e Rachel piscou.
— Aqui no evento...?
— Sim.
— O namorado novo do Kurt estuda aqui em Columbia e ele faz fotógrafia aqui. — E ela deu de ombros. — Eu não tinha muito o que fazer além de estudar então ele me perguntou se eu queria vir.
Soltei uma risada e Rachel sorriu, mas ela parecia confusa.
— Eu não esperava encontrá-la mais uma vez, Rachel. — Falei e ela continuou com a expressão confusa. — E você aparece aqui? De todos os lugares. Você aparece aqui.
E sorri vendo-a entender.
— Então foi como você disse. — Ela comentou, sua voz ficando mais baixa e eu rindo.
— Sim, as nossas linhas se cruzaram mais uma vez. — E peguei sua mão, olhando pra ela antes de levantar meus olhos para os seus.- E agora só depende de nós duas pra saber o que fazemos com essa chance.
Rachel comprimiu os lábios.
— Você me pediu pra confiar em você, dois anos atrás. E agora você me diz que nem tinha certeza de que iríamos nos encontrar...
— Rachel. — Apertei sua mão fazendo-a olhar pra mim. — Eu sabia que iria encontrá-la. Só não sabia quando.
E ela sorriu pra mim, se aproximando.
— E agora?
Ela finalmente perguntou e eu apenas dei de ombros. Ficamos em silêncio por um longo tempo. Nossas mãos dadas e nossos olhos perdidos em qualquer outro lugar dessa sala.
Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que fazer com a chance que o universo estava me dando. Rachel estava aqui, na minha frente. E tudo que eu queria fazer era pular em cima dela e fazer tudo que eu não poderia fazer antes.
— O que quer fazer? — Resolvi lhe perguntar e Rachel franziu o rosto. Ela olhou pra mim, confusa.
— Eu não sei exatamente o que eu quero fazer. E você?
— Eu sei o que quero fazer. — Susssurrei, esperando que ela não escutasse, mas Rachel continuou olhando pra mim com o rosto franzido.
— O quê?
Ergui as sobrancelhas pra ela, sem saber como falar isso.
— Rachel...
— Quinn?
Desviei o olhar, ainda sem saber como falar isso.
— Você quer... — Ela começou e voltei meus olhos pra ela, quando não terminou. Rachel tinha um sorriso malicioso e eu pude sentir minhas bochechas esquentarem. Soltei uma risada e dei de ombros. — Vamos.
Me voltei pra ela com os olhos arregalados.
— Está falando sério?
— Quinn, eu estou sem ter um contato físico desse tipo com alguém a dois anos. — Ela rosnou e começou a parece inquieta. Soltou minha mão e levantou do sofá, então olhou pra mim. Seus olhos tinham escurecido. — O banheiro está bem aqui?
— Não quer ir pra o meu apartamento...
— Quinn! — Ela me interrompeu e eu não consegui evitar uma risada. — O que foi?
— É que eu to lembrando de como era dois anos atrás. — E me levantei, arrumando meu vestido. Circulei um braço na sua cintura e puxei seu corpo para apertar no meu. Nossos rostos centímetros de distância. — Então?
E antes que eu pudesse falar algo. As mãos de Rachel foram pra minha nuca e nossos lábios se encontraram com força.
Eu não sei exatamente o que aconteceu depois disso, mas o que eu saiba era que eu tinha Rachel dentro de uma cabine do banheiro. As costas da morena contra a parede da cabine e minhas mãos tentando subir o seu vestido.
— Quinn... — Escutei ela gemendo e meu corpo inteiro estremeceu. Porra. Eu sentia falta disso. Sentia muita falta disso.
Se eu começasse a chorar no meio de uma cabine de um banheiro público seria vergonhoso o suficiente. Imagina antes de ter sexo com o amor da minha vida.
— Hmm?
— Me deixa... me deixa fazer... — Escutei e me afastei, olhando em seus olhos. Me surpreendi ao ver que estavam levemente úmidos.
— Está tudo bem?
— Sim. — Ela balançou a cabeça e segurou meu rosto para beijar meus lábios antes de falar contra eles: — Eu só não consigo acreditar que você está aqui.
Soltei um ar com uma risada nos lábios dela.
— Eu também não consigo acreditar. — E me afastei para olhar em seus olhos. Minhas mãos estavam começando a ficar desconfortáveis então subi até que elas estivessem confortavelmente em sua cintura. — E eu não vou deixar você escapar, Rach.
Os olhos de Rachel brilharam e eu me aproximei dela, beijando seus lábios.
— Me deixa fazer uma coisa. — Rachel sussurrou em meus lábios e me afastei para olhar pra ela, confusa. Rachel sorriu mordendo o lábio inferior. Seus olhos estavam escurecendo.
— Não posso deixar se você não falar, Rach.
E ela revirou os olhos.
— Seu vestido é mais curto e mais fácil de levantar do que o meu. — E ela começou a levantar meu vestido antes de me empurrar para o outro lado da cabine. — E eu realmente sinto falta de ter você contra meus lábios. — Minha cabeça bateu na parede da cabine e soltei uma risada quando senti seus lábios no meu queixo. Eu sabia o que ela estava falando, mas era tão sexy sentir ela falar cada palavra assim. — E eu quero fazer isso agora.
E eu poderia gozar no exato momento em que ela se ajoelhou e terminou de levantar meu vestido.
Em um segundo minha calcinha desceu para meus tornozelos e sua cabeça foi pra baixo do meu vestido.
Então... puta que merda.
Dois anos.
Porra. Foram dois anos sem nenhum contato intimo com alguém.
Então não dava pra me culpar que eu já estava tremendo quando a língua de Rachel tocou meu clítoris.
As mãos de Rachel corriam pelas minhas coxas enquanto sua boca trabalhava exatamente aonde eu precisava. Sentia sua língua percorrendo pelas minhas dobras e eu poderia sentir meus olhos lacrimejando.
— Rach... — Gemi e mordi o lábio quando sua língua se enterrou em mim. Levei uma mão até minha boca, gemendo um pouco mais alto.
— É melhor se controlar. — Escutei e deixei minha cabeça cair pra frente para ver o que Rachel estava fazendo que sua boa não estava no lugar certo. Ela sorria pra mim, seus lábios molhados e brilhosos quase me fizeram ter um orgasmo só de ver. — Qualquer um pode entrar aqui e...
— Rachel. — Lhe interrompi levando a mão até sua cabeça e empurrando-a na direção de onde eu precisava. — Por favor...
E tudo que escutei foi só uma risada quando Rachel continuou fazendo exatamente o que eu precisava.
Não demorou muito pra que eu começasse a tremer contra a parede da cabine e minhas pernas enfraquecessem. Fechei os olhos com força, tentando me apoiar no vaso enquanto meu corpo inteiro tremia com o orgasmo eminente.
Quando eu era somente uma bagunça tremendo contra a parede da cabine, Rachel subiu pelo meu corpo, soltando meu vestido e seu rosto encontrando o meu. Ela tinha uma porra de um sorriso convencido no rosto. Eu amava aquela garota.
— Você cresceu. — Foi o que saiu dos meus lábios quando percebi que seu rosto estava no mesmo alcance que o meu.
Ela franziu o cenho e seu sorriso congelou.
— Eu estou de salto. — Ela comentou repentinamente irritada.
— Mas eu também estou de salto.
— Seu salto é pequeno comparado ao meu. — Ela resmungou e eu ri antes de puxar seus lábios contra os meus, beijando o meu gosto da sua boca.
— Minha vez. — E empurrei ela do outro lado da cabine, finalmente conseguindo subir seu vestido.
Quando meus dedos entraram em Rachel e ela se agarrou em mim com força, meu corpo inteiro tremeu. Estar assim com Rachel era tudo o que eu queria nesses dois anos. Ela gemia contra minha boca enquanto eu enfiava três dedos profundamente dentro dela e sussurrava o quanto ela estava apertada e molhada.
Sim, depois da nossa primeira vez dois anos atrás, e ocorreu a segunda e a terceira, e depois a quarta, ainda na mesma noite. Percebi que falar o quanto o corpo de Rachel reage pra mim para a própria Rachel, fazia com que o orgasmo dela chegasse com mais intensidade e ela choramingasse mais. E ela também ficava impossivelmente mais molhada.
Era um excelente benefício para nós duas.
— Quinn... — Escutei ela choramingar contra meus lábios e a perna que eu segurava para impulsionar com mais facilidade, começou a tremer.
Ela estava chegando perto de um orgasmo intenso.
E não tinha nem passado um minuto desde que entrei com meus dedos nela.
Cara, eu nunca me senti tão orgulhosa de mim antes.
— Rach. — Chamei ainda impulsionando, porém afastei meu rosto para olhá-la nos olhos. Rachel jogou a cabeça pra trás, os olhos fechados. — Olha pra mim, Rach.
Ela choramingou com o meu pedido, mas fez o que pedi. E seus olhos escuros, seu pescoço suado, seu cabelo desarrumado e alguns fios colados na testa, seu peito subindo e descendo sem fôlego.
— Seu cabelo cresceu. — Escutei ela comentar e franzi o rosto. Soltei uma risada quando ela riu e colou nossas testas.
— Não é hora pra comentar o tamanho do meu cabelo.
— Eu sei que não, mas você ficou tão mais gostosa assim. — Ela ainda falava com dificuldade e eu ri antes de apertá-la com mais força contra a parede da cabine, meus dedos enterrados profundamente dentro dela, fazendo-a estremecer e morder o lábio pra não gritar.
— Agora você não fala mais.
E ela fechou os olhos, soltando um gemido abafado pelo lábio que ela mordia. Rindo, beijei seus lábios enquanto ela gemia na minha boca. Então seu corpo estremeceu completamente em meus braços, e ela derreteu contra mim.
Continuei beijando seus lábios, depositando leves beijos em cada lábios, fazendo-a sorrir e retribuir, segurando minha nuca e me deixando enfiar a língua na sua boca.
— O que vamos fazer agora? — Ela me perguntou quando tirei os dedos de dentro dela.
Ergui os dedos até meu rosto e nós duas olhamos para os três dedos ensopados. Dei de ombros e enfiei um de cada vez na minha boca.
Quando me voltei pra Rachel, seus olhos estavam focados na minha boca.
— Eu aguentaria mais algumas vezes, mas essa cabine não é exatamente confortável pra continuar isso. — Ela comentou e eu ri, finalmente me separando dela.
— Acho melhor sairmos daqui então. — E abri a porta da cabine, olhando pra ver se tinha algum sinal de alguém, mas quase ninguém vinha nesse banheiro.
E se viesse, teria escutado Rachel e eu fazendo sexo.
Eu não tinha mais um problema com isso.
—_
Uns minutos depois, Rachel e eu estávamos sentadas no chão do banheiro. Uma do lado da outra. As costas contra a parede e de frente para a porta trancada do banheiro. Ainda não foi dito em voz alta o porquê de nós duas estar ali. Mas eu diria que era porque não queríamos nos afastar. E que no momento que destrancarmos aquela porta, nós teríamos que pensar melhor no que fazer com essa segunda oportunidade que nos foi dado.
E ficar ali sentadas no chão fazia com que não tivessemos que pensar no que iriamos fazer.
A realidade do lado de fora tinha só que esperar.
— Seu cabelo ficou lindo assim. — Escutei e senti uma mão na minha nuca, acariciando meu couro cabeludo. Fechei os olhos e sorri com o carinho.
— Você deixou isso bem claro minutos atrás. — E abri os olhos, virando o rosto para ela. Nossos rostos estavam próximos de novo. Meus olhos iam da sua boca para seus olhos. Era impossível não olhar para sua boca. Principalmente como estava inchada por causa do que fizemos minutos atrás.
Levantei uma mão para tocar seu lábio inferior. Meu polegar passou por seu lábio sentindo a maciez. Um lábio que tantas vezes apreciei e fiz isso minutos atrás. Lábios esses que eu sentia tanta falta. O canto dos seus lábios tremeu e curvou em um sorriso suave.
— Quinn.
— Hmmm?
— Você está me fazendo querer fazer tudo de novo.
Sorri e balancei a cabeça, recuando antes de rir. Minha mão voltou para o meu colo, e meus olhos focaram nos seus.
— Não é uma má ideia.
— Quinn...
— O quê? Não é! — E sorri pra ela, fazendo-a rir e se aproximar de mim. Sua cabeça encostou no meu ombro e deixei a minha cair na sua. — Será que Santana está me procurando?
— Provavelmente.
— É.
— Mas ela provavelmente deve saber o que estávamos fazendo.
Soltei uma risada com a sua afirmação.
— Provavelmente.
— É.
Virei meu rosto para beijar o topo da sua cabeça.
— Aonda está estudando? — Perguntei efchando os olhos e sentindo o seu cheiro.
Puta merda eu sentia falta dela.
— NYADA. Entrei no ultimo ano. Kurt também entru comigo. — Sua mão entrou na minha e nossos dedos se entrelaçaram. — E você voltou a estudar?
— Sim. Santana me convenceu que é uma boa ideia.
— Você é muito boa com fotografia. Devia investir. — E a falou isso com um sorriso. Eu não via seu rosto, mas tinha certeza que tinha um sorriso.
— Não quer que eu ensine mais?
— Não tenho problema com você ensinando. — Seus dedos apertaram os meus suavemente. — Mas vai me dizer que não tem aluna atrás de você.
Soltei uma risada abafada e beijei sua têmpora.
— Só me interesso em uma. — Confessei e senti ela rir antes de forçar um ofego dramático e se afastar de mim com os olhos arregalados.
— Como assim você se interessa por suas alunas?
— Infelizmente. — Dei de ombros e continuei sorrindo, vendo como ela dramaticamente fingia achar tudo um absurdo.
— Isso é horrível, espero que saiba o que fazer com essa tal aluna. Não quero que acabe presa ou sei lá o que. — E voltou a se aconchegar em mim.
Balancei a cabeça com um sorriso.
— A única aluna que eu me interesso não é mais minha aluna. — Comentei levantando nossas mãos para beijar o torso da sua. Deixei meus lábios lá quando percebi que ela ia falar algo.
— Ela também está na sua classe de fotografia?
— Não. Ela está em outra universidade. — E beijei sua mão de novo. — E agora vou poder ser feliz com ela.
Rachel se fastou um pouco para me olhar. Nossos olhos se encontrando de novo. Ela tinha um sorriso terno nos lábios e seus olhos tinham um brilho amoroso.
— Nós vamos ficar juntas? — Ela perguntou e eu dei de ombros.
— Se você quiser.
— Eu quero.
Sorri e balancei a cabeça.
— Tudo bem então.
— Só tudo bem?
— O que quer que eu diga?
— O que quer dizer?
Soltei uma risada e me inclinei para beijar seu nariz.
— Eu te amo.
E uma mão foi pra minha nuca. Antes que eu pudesse fazer algo, nossos lábios se espremeram juntos.
— É tão bom escutar você falando isso de novo. — Ela murmurou nos meus lábios e eu ri, enfiando a língua na sua boca.
Não sei exatamente quando tempo nós passamos ali nos beijando, mas a porta do banheiro começou a balançar com alguém batendo nela.
— Fabray? Já terminou de comer a Berry?
Nós nos afastamos no susto e olhamos para a porta.
— Alguém tira ela daqui? — Era Natasha. — Mark, por favor. Ela está bêbada.
Santana estava bêbada.
Merda.
Agora eu tinha que cuidar dela.
— Quinn? — Era Laura dessa vez e sua voz estava enrolada. Provavelmente também bêbada. — Ainda vou entrevistar você?
Olhei pra Rachel que balançava a cabeça, de olhos fechados rindo em silêncio. Balancei a cabeça e levantei do chão, ajudando-a se levantar.
— Vamos sair. — Pedi pra Rachel que acenou ainda tentando não rir.
Andando de mãos dadas até a porta e Rachel destrancou. Nós duas paramos ali vendo natasha e Mark tentando fazer com que Santana largasse o copo de marguerita enquanto Laura jogava almofadas neles.
— São seus amigos. — Rachel comentou e eu suspirei.
— Infelizmente.
Um tempo depois, todos nós estávamos do lado de fora prontos pra ir embora. A chuva já tinha parado e Mark levaria Santana e eu pra casa. Enquanto Natasha e ele tentavam colocar a latina dentro do carro e eu me virei pra Rachel, que estava um pouco mais afastada falando no telefone.
Seus olhos encontraram os meus e um sorriso cruzou seus lábios antes que ela desligasse o celular e enfiasse na bosa. Inclinei a cabeça quando ela começou a se aproximar de mim ainda com aquele sorriso lindo enfeitando seus lábios.
— Então? — Foi a primeira coisa que ela me perguntou quando parou na minha frente.
Eu só consegui dar de ombros. Rachel franziu o cenho com minha reação e nós duas só ficamos ali em silêncio.
— O que vai querer fazer? — Perguntei e ela mordeu o lábio inferior.
— Quer mesmo saber? — Eu assenti e ela corou antes de suspirar. — Eu quero ligar pra você amanhã e nós duas sairmos para tomar um café e então continuarmos de onte tínhamos parado dois anos atrás.
Então ela acabou de falar e continuou olhando pra mim. Suas bochechas estavam vermelhas, porém ela não tinha tirado os olhos de mim. Sorri e mordi o lábio para me impedir de dar um sorriso gigante.
— Eu não teria colocado de uma maneira melhor. — Minha voz saiu meio quebrada e sorri sentindo meus olhos se encherem de lágrimas de emoção.
Os seus olhos também estavam cheios de lágrimas, mas nenhuma de nós deixou elas escaparem.
— Então? — Ela repetiu e eu ri, assentindo.
— Então? Nós vamos sair daqui hoje e amanhã vamos nos encontrar pra voltar de onde tínhamos parado.
O sorriso de Rachel era enorme. Tão grande que não consegui me segurar e me inclinei para beijar seus lábios. Segurando seu rosto com carinho. Senti suas mãos indo para o meu rosto e apertaram os dedos da minha mandíbula.
— Vem logo porra! — Era Santana. Como ela ainda estava consciente? Não sei.
— Até amanhã então? — Perguntei pra Rachel que assentiu. Algumas de suas lágrimas escaparam e eu as enxuguei com os dedos.
— Até amanhã. — Ela diz com dificuldade antes de se afastar e suspirar. — Seu número é o mesmo?
— Sim. — Assenti e dei alguns passos para trás, sorrindo pra ela que mordeu o lábio.
— O meu mudou. Amanhã vou te ligar. Por favor... Atenda.
Assenti mais uma vez e pisquei pra ela.
— Seria louca de não fazer isso.
E continuei andando de costas sem querer parar de olhá-la.
— Eu te amo. — Falei e ela riu, corando e assentindo.
— Eu também te amo, Quinn.
E finalmente virei de costas. Mas não para o meu passado e sim para o meu futuro.
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