Pandora
16 Capítulo XVI – Mitos Podem Ser Reais?
Notas iniciais
Capítulo XVI – Mitos Podem Ser Reais?
Cinco horas da manhã do dia seguinte acordei com meu celular tocando. Era meu pai. O que foi realmente estranho, já que ele não telefonava pra ninguém se não fosse do trabalho. Então atendi, temendo que fosse algo sério, mas ele tinha o tom de voz leve e me pediu pra passar em casa antes de ir para o McKinley.
Como não consegui voltar a dormir, apanhei minhas coisas e entrei no banheiro, tomando um banho frio. O que foi uma merda, porque o clima estava assustadoramente frio. Tão frio que me aproximei da janela só com um roupão e fui checar se estava nevando. Mas não estava. Ainda bem. Mas estava chovendo. Muito.
Gemi quando lembrei que teria que dirigir uma moto até a casa dos meus pais. Ou seja, teria que levar uma bolsa com uma roupa pra poder me trocar no McKinley. As vezes dirigir moto é uma vantagem, mas as desvantagens são tantas que eu não sabia se essa era uma opção sábia.
Vesti uma calça jeans preta e uma camisa azul, peguei uma bolsa e enfiei outra calça jeans nela e um suéter cinza com uma jaqueta marrom. Saí de casa de seis e meia, com sorte a chuva tinha diminuído e eu consegui chegar na casa dos meus pais sem estar muito molhada.
— Lucy! — A garagem estava abrindo e meu pai surgiu dela com um sorriso. Ele não usava o terno de trabalho.
— Pai! O que houve? Não vai trabalhar? — Apontei para suas roupas e corri pra dentro da garagem com minha mochila e minha bolsa.
— Só depois do almoço, queria te mostrar uma coisa. — Ele fala e aponta para algo atrás dele. Olho por cima do seu ombro e vejo uma lona, claramente, cobrindo um carro.
Será que... não...
— O que é isso pai? — Apontei e ele sorriu misteriosamente.
— Ah, bem. Eu queria te mostrar isso desde quando você veio jantar aqui naquele dia. Mas não estava pronto, bem, ainda não está pronto, mas não aguentava mais esconder isso. — Ele estava tão ansioso que eu não consegui evitar um sorriso.
— O que é, pai? — Perguntei mais animada, ele sabia que eu tinha ideia do que era, afinal, era óbvio.
Meu pai andou até a lona e a puxou. Quando o tom avermelhado começou a surgir diante dos meus olhos, senti meu queixo cair.
— Acho que você sabe o que é isso. — Ele brinca e eu o encaro com o queixo ainda caído.
— Pai... isso é...
— Sim, o seu carro.
— Mas ele...
— Estava todo quebrado depois do que aconteceu. — Ele suspira e eu o acompanho. Sim, eu fiz algumas merdas na adolecência. Vejo meu pai se aproximando do carro, tinha uma caixa de ferramentas perto do carro e ele abre o capô. — Ainda não está totalmente pronto, falta alguns ajustes, mas não consegui me aguentar.
Sem conseguir evitar, e nem querendo, me aproximei dele e o envolvi em um abraço. Meu pai soltou uma risada calorosa e beijou minha cabeça.
— Muito obrigada, pai. E você acertou em cheio! — Me afastei e ele riu mais uma vez, suas bochechas corando suavemente. — Agora que o inverno 'tá chegando não dá pra andar de moto pra todo lugar. E também com essa chuva.
Apontei pro céu, suspirando com a chuva aumentando. Vai ser péssimo pra chegar no trabalho.
— É, uma pena que ele não esteja pronto hoje. — Meu pai me lançou um olhar de pena. — Se você vier depois do trabalho, nós podemos consertar o carro juntos. Aí, quem sabe, nós terminamos até o sábado.
E ele me lançou um olhar animado.
— Realmente não tem como negar isso, pai. — Brinquei e ele riu, dando de ombros.
— Acho que você vai ter que aceitar.
— Acho que sim. — E ele riu mais uma vez.
—_
Passar esse tempo com o meu pai foi revigorante pra mim. O resto da minha manhã foi maravilhosa. Depois que cheguei no McKinley e troquei de roupa, o resto foi simplesmente maravilhoso. Nada poderia derrubar o meu humor. Ao menos foi o que eu achava.
Ver Rachel no final do corredor no horário de almoço, ao lado do seu ex-namorado, não foi tão maravilhoso. Meu peito afundou e eu senti um medo estranho tomar conta de mim. Algo que eu não sentia desde que namorei com Holly. Nem mesmo quando casei com Greg senti isso. E olha que ele andava bastante com as ex-namoradas, e mesmo assim, nunca nem me senti incomodada – provavelmente porque estava transando com a irmã dele enquanto estava noiva dele.
Rachel conversava com Finn Hudson no finla do corredor. O Hudson estava encostado na parede, falando casualmente com ela, enquanto ela tinha os braços cruzados e conversava com ele como se fosse algo super normal.
Eu não achava que era tão normal bater um papo com o ex-namorado.
Lambi os lábios e continuei andando, mas não consegui não pigarrear quando passei por eles. E percebi que Rachel ficou um pouco tensa quando percebeu que eu me aproximava. Quando passei, percebi que ela virou a cabeça ligeiramente na minha direção. Mas não me virei, continuei andando e virando no corredor, indo na direção da minha sala. Se ela virou pra me ver andando, eu não sei, mas eu realmente queria que isso tivesse acontecido.
Entrei na minha sala e joguei minha bolsa na mesa. Ter passado a manhã na sala dos professores corrigindo prova não foi muito legal. Will achou super interessante que eu não estava na minha sala e resolveu sentar comigo pra falar sobre as Seletivas. E eu, claro, não queria baixar a bola dele, resolvi sorrir e acenar. Fingindo que escutava. Meu humor estava maravilhoso, mas Will realmente falava demais pra , eo meu gosto.
Assim que bateu o sinal do almoço, saí correndo da sala pra minha. Só não esperava tombar com Rachel batendo um papo animado com o ex-namorado.
Sentei na minha cadeira e apanhei meu livro. A sala pareceu esquentar em algum momento, fazendo com que eu dobrasse as mangas do suéter cinza e empurrasse o cabelo pra trás, rosnando com o calor repentino. Levantei os olhos vendo que o ar condicionado estava funcionando normalmente.
Voltei meus olhos pro livro e apanhei um trecho interessante.
Júpiter fez a primeira mulher e a enviou a Prometeu e a seu irmão, para puni-los pela ousadia de furtar o fogo do céu, e ao homem, por tê-lo aceito.
Pandora.
A linda, magnifica, Pandora. Curiosa e apaixonada. Pandora foi feita por Júpiter como uma punição pra Prometeu e seu irmão. A primeira mulher criada foi feita como uma punição.
Me impressiona como sempre fui fascinada por Pandora. Desde que li o primeiro conto sobre ela.
Vênus deu-lhe a beleza, Mercúrio, a persuasão, Apolo, a música.
Quanto mais eu lia, mais conseguia associar Pandora à Rachel. E era assustador a semelhança. Pandora foi criada pra ser uma tentação, e tal tentação essa é a que Rachel é pra mim.
Uma batida soou longe, mas entendi que foi na porta da minha sala. Levantei a cabeça e vi a porta abrindo, o cabelo castanho me surpreendeu. Rachel surgiu na porta, entrando e fechando trás dela. Larguei o livro na mesa e me aprumei na cadeira.
— Está tudo bem? — Pergunto genuinamente preocupada. Rachel tinha aquele olhar curioso e preocupado que não deixava de ser fascinante.
Mais semelhanças à Pandora.
— Sim... — Ela pigarreou e se aproximou da mesa, tocando a madeira antes de levantar os olhos pra mim. Eles estavam um pouco perdidos. — Eu queria...queria adiantar a nossa conversa.
Isso me deixou inquieta. Como assim 'adiantar'?
— Aconteceu alguma coisa?
Ela deu de ombros e passou os dedos pela madeira, desviando os olhos do meu.
— Eu vou estar ocupada na ultima aula. — Ela responde baixo e eu só consigo pensar na conversa que Finn e ela estavam tendo. Suspirei e pensei em algo pra falar, mas não precisei, porque ela continuou: — Tenho um ensaio pra uma atribuição do clube do coral.
Eu acenei lentamente e levantei da cadeira, indo até a porta da sala e fechando a persiana, apenas no caso de alguém estar passando e nos ver conversando. Fui até as janelas e fechando as persianas.
— Tudo bem, vamos conversar. — Fechei a ultima persiana e me encostei em uma mesa no fundo da sala.
— Antes eu queria... — Ela respirou fundo e me olhou inquieta. — Você vai terminar comigo? — Ela me encarou e eu ergui as sobrancelhas, assustada com a pergunta. Antes mesmo que pudesse comentar alguma coisa, ela continua: — Desculpa, eu sei que nós não somos...
— Não vou terminar com você, Rachel.
E ela levantou a cabeça pra mim com os olhos arregalados.
— Mas eu achei que...
— Achou muito errado. — Me aproximei dela, cruzando os braços e dando de ombros. — Eu te disse que ia pensar no assunto e você...
— Agi como uma criança mimada. Eu sei.
— Eu ia dizer que você se exaltou, mas já que...
Ela ergueu a mão e balançou a cabeça, me pedindo pra parar. Eu sorri e balancei a cabeça.
— Eu já entendi.
— Sim. — Assenti e lambi os lábios antes de continuar. — Depois que conversei com Santana, ela me tranquilizou um pouco sobre o assunto.
Rachel me lançou um olhar perdido com os lábios comprimidos.
— Eu te deixei nervosa. — Ela supôs e eu não consegui negar. — Me desculpa, Quinn...
— Eu quero que você venha pra minha casa. Na sexta-feira.
Ela me olhou com os olhos arregalados.
— Você quer?
— Sim. — Acenei mais uma vez. — Se você quiser...
— Eu quero! — Ela responde rápido e eu solto uma risada.
— Sério?
Ela acenou com uma risada e se aproximou de mim. Ergueu os ombros em um movimento tímido.
— Seria louca se não quisesse.
Puta merda, eu queria tanto beijá-la.
— Nós precisamos conversar. — Comentei e o sorriso sumiu do seu rosto dando lugar a uma expressão preocupada. — Sobre muita coisa.
Ela acenou lentamente, desviando o olhar e imitando minha posição de braços cruzados.
— Sim, nós precisamos. — Rachel deu mais alguns passos, me encontrando no meio da sala. Ela tocou meu braço com a ponta dos dedos. Eu tinha esquecido que tinha subido minhas mangas com o calor. — Você fica tão sexy com as mangas levantadas.
A risada que escapou foi totalmente fora de controle. Minha cabeça lançou-se pra trás com a risada que saiu. Rachel flertando em momentos sérios não era algo que eu estava acostumada.
— Por essa eu não esperava. — Brinquei e ela riu comigo, apertando as mãos nos meus braços, ainda cruzados.
— Apenas falando a verdade. — Ela me puxou pra perto dela, seu nariz roçando no meu. — Eu quero muito ficar sozinha com você em um lugar onde podemos ser nós mesmas.
Eu sorri carinhosamente, finalmente descruzando meus braços e envolvendo-os em sua cintura, puxando-a pra mim e encostando nossas testas.
— Senti falta de segurar você assim. — Sussurrei e ela apertou meus ombros com um gemido. — Mas tem tanta coisa que a gente precisa conversar.
— Me beija. — Ela praticamente ordena, inclinando pra colar os lábios nos meus, mas me afasto com uma risada. — Quinn...
Ela esticou os lábios, fazendo bico e tentando encostar nos meus enquanto eu ia inclinando pra trás.
— Primeiro, você vai ter que me falar o que a fez ficar tão emburrada pro meu lado por tanto tempo? — Ela abriu os olhos com um beicinho e eu sorri carinhosamente. Essa garota era minha tentação. Minha perdição Minha Pandora.
Rachel se separou um pouco de mim, mas não saiu dos meus braços. O que foi fantástico, porque eu não queria que ela saísse dos meus braços.
Ela me olhou por baixo da franja, piscando antes de suspirar.
— Eu vi você saindo com a professora Holliday e...
— Você sabe que a gente não...
— Eu sei que não! — Ela se exaltou um pouco, mas não saiu dos meus braços, apenas colocou as mãos no meu cabelo, enterrando os dedos e me fazendo fechar os olhos quando suas unhas rasparam meu couro cabeludo. Um gemido foi quase inevitável. Quase. — Mas vocês tiveram algo e eu achei que... que em algum momento vocês fossem voltar. Estavam tão sorridentes, saindo juntas, tomando cappuccino...
— Ela se ofereceu pra me levar pra tomar um cappuccino porque eu não queria café. Nada demais ocorreu depois disso. — Esclareci e Rachel acenou com um beicinho. — Antes de termos algo, nós fomos amigas, Rach. O que eu tinha com ela acabou há muito tempo. Muito tempo.
Rachel acenou mais uma vez, o beicinho diminuindo.
— É, acho que só fui idiota mesmo.
— É.
Ela revirou os olhos e estapeou meu ombro.
— Cala a boca. — Ela ficou séria e eu levei uma mão até seu rosto, acariciando sua bochecha. Ela olha nos meus olhos e eu sorrio. — Não é tão seguro quando vejo que vocês fariam um casal lindo.
Franzi o rosto.
— O que...
E ela se soltou de mim, cruzando os braços e virando de costas.
— Quando eu vi vocês rindo juntas na sala dos professores...- Ela virou pra mim, seus olhos baixos. Ela balançou a cabeça e eu franzi o rosto. — Foi como se eu estivesse interrompendo algo particular. Como se eu estivesse ali atrapalhando. Pareceu... inadequado. Não foi a melhor sensação que já tive.
A ultima frase saiu em um tom levemente irônico.
Passei por ela e me encostei na minha mesa, quase sentando em cima. Apoiei minhas mãos na madeira e vi que ela tinha os olhos em mim, mas não em meus olhos.
— Rachel. — Chamei e ela levantou a cabeça pra mim, finalmente encontrando meus olhos. Não consegui identificar o que tinha neles. — Eu quero conversar sobre isso em um lugar aonde teremos todo o tempo do mundo. Aqui nós só temos... — Peguei o celular, olhando a hora. — Menos de dez minutos. O que eu quero que você saiba, é que: se a Holly fosse pra mim, só nós fossêmos 'destinadas' a ficar juntas, eu nunca teria deixado você me beijar naquele dia.
Ela franziu o rosto, não tirando os olhos de mim.
Percebi sua expressão suavizando aos poucos, tanto que seus lábios se curvaram levemente em um sorriso. Ela se aproximou de mim e colocou as mãos na minha cintura, antes de deslizar e me abraçar. Seu rosto bem próximo ao meu me fez sorrir mais ainda.
— O que tem planejado pra sexta? — Ela mudou o assunto completamente.
Procurei algum sinal de sorriso falso em seu rosto, mas ela não tinha. Era como se ela tivesse feito exatamente o que eu pedi. Pra que esperasse que nós conversaríamos sobre isso quando estivéssemos sozinhas e tivéssemos tempo.
— Bem, eu vou cozinhar pra você. — Comecei e ela sorriu com todos os dentes, e ainda soltou uma risada.
— Sério?
— Sim, e vamos ver filmes.
— É? Quais?
Sorri e mordi o lábio inferior, dando de ombros.
— Não sei. Talvez eu deixe você escolher.
— Sério? E vai ser um encontro?
Claro que eu não perdi como sua voz tremeu no final da pergunta. Ela temia que eu quisesse ter um encontro com ela. Afinal, foi ela que me pediu pra ter um encontro em primeiro lugar. E agora eu queria ter um encontro.
— Acho que sim. — Dou de ombros fingindo estar indiferente.
Rachel ficou séria.
— Quinn.
Balancei a cabeça com uma risada.
— Sim, Rachel. Vamos ter um encontro. Esse será o nosso primeiro encontro.
E ela sorriu mais uma vez, finalmente se inclinado e beijando meus lábios. Meu corpo inteiro estremeceu com a pressão do seus lábios nos meus. Sentia falta disso. Foi muito tempo sem sentir seus lábios contra os meus. Tempo demais. No começo, o beijo não tinha pressa, foi algo lento e calmo. Sem língua, apenas os lábios se movendo em sincronia.
Senti suas mãos subindo pelos meus braços e parando em meus ombros. Gemi e apertei meus braços na sua cintura, puxando-a mais pra mim, quase tirando-a do chão. O beijo, consequentemente, ficou mais aquecido. Me desencostei da mesa e virei ela com dificuldade pra apertá-la contra o móvel. Enterrei minha língua na sua boca, sentindo-a choramingar quando passei de leve a ponta dela no céu da sua boca. Senti suas mãos se formarem punhos na minha camisa.
O gemido que Rachel soltou contra meus lábios foi um incentivo para descer uma mão pra sua coxa nua e puxá-la pra cima da mesa, ela apertou meus ombros e gemeu quando sentou na mesa. Corri meus dedos por suas coxas nuas, sentindo o gemido que ela soltou em meus lábios.
Larguei seus lábios, chupando-os suavemente antes de descer os beijos para o pescoço moreno. Rachel curvou-se pra trás, dando todo o seu pescoço pra que meus lábios o acariciassem.
Puta merda, meus lábios contra sua pele era algo inimaginável. Ela choramingava enquanto apertava meu rosto contra seu pescoço, derretendo-se em meus braços. Com um braço envolvi sua cintura, puxando-a mais pra mim e beijando seu pescoço, tentando não deixar marcas.
A sensação da sua pele nua contra algo tão sensível quanto meus lábios fazia com que ideias percorressem minha mente. Uma corrente elétrica passava da sua pele para meus lábios e descia para o sul, me deixando mais quente e mais excitada pra tocar o corpo da garota em meus braços.
— Quinn...
— Hmmm.
Mas ela não disse mais nada, apenas gemeu e tentou me puxar para seus lábios, tomando os meus para si como se lhes pertencesse. E, convenhamos, se ela quisesse, meu corpo inteiro era dela. Em tão pouco tempo, Rachel conseguiu me fazer ficar completamente a sua mercê.
Meu corpo queimava. Rachel arranhou minha nuca, gemendo propositalmente contra meus lábios quando gemi. Ofeguei quando ela fincou as unhas em meus ombros, sua língua em minha boca fazendo maravilhas que resultavam em minhas pernas fracas.
Senti suas pernas se fecharem em minha cintura e me apertarem mais nela. Os sons que ela fazia contra minha boca. Suas mãos se esfregando em meu cabelo e por dentro da minha camisa, deixavam rastros que queimavam minha pele.
Ah, cara, como eu queria continuar isso. Seus gemidos contra mim era algo que eu queria pra sempre. Suas mãos em mim, seu corpo colado contra o meu. Tudo isso. Tudo isso eu queria pra sempre.
Mas agora, nesse lugar, não era a melhor opção.
O sinal bateu e demorou um minuto pra que eu me recompor e abrir as persianas e as janelas o mais rápido que podia e Rachel ainda teve que sentar na sua cadeira e arrumar seu cabelo, pois os alunos do terceiro ano iam entrando e conversavam alto. Foi quando percebi que eles não tiveram dificuldade pra entrar na sala.
Quer dizer que, nesse tempo todo, a porta estava destrancada.
— Professora, aquela trabalho sobre a Guerra de Tróia é pra entregar próxima semana? — Artie Abrams me perguntou e demorou alguns segundos pra que eu lembrasse a resposta.
— Sim, senhor Abrams. — Respondi pigarreando e desviei o olhar da direção de Rachel e sorri pra turma. — Próxima semana quero o resumo da Guerra de Troia e apresentado aqui na frente. Podem fazer slides se quiserem, contanto que façam bonito.
Respirei fundo e passei uma mão pelo cabelo.
— Agora nós vamos falar sobre a queda de Troia e, quem sabe, isso possa ser acrescentado no trabalho de vocês? — Brinquei, tentando me distrair do olhar aquecido que Rachel me lançava do canto da sala.
Essa menina ia ser a minha perdição.
Minha linda Pandora.
Fale com o autor