Palpitation
9 Capítulo 9 - Ciúmes
Notas iniciais
A Winter Cup estava se aproximando e, por mais que estivesse ansioso, odiava a pressão dos treinos, que ficavam mais pesados e duradouros. Devido a isso, o tempo que passara com Midorima nos últimos dias fora muito pouco, o suficiente para que pudesse arrancar um ou dois beijos do canceriano, mas para ele não era o bastante e percebeu que o outro concordava consigo. Ambos ficavam exaustos depois de treino, então normalmente caminhavam juntos até o cruzamento que ligava seus caminhos, despediam-se e seguiam cada um para sua casa, desejando quase que desesperadamente por suas camas.
Entretanto, hoje era sexta-feira e os pais do moreno não estariam em casa, pois estavam viajando a trabalho. Como se adivinhasse, a irmã de Takao também planejou dormir fora, então nada o impedia de dormir na casa do namorado. Um discreto sorriso surgiu em seus lábios quando percebeu que finalmente poderia passar um tempinho com seu Shin-chan, que naquele momento treinava duramente. Bom, ele não estava em uma situação diferente, mas se permitiu devanear um pouco.
Quando o treino acabou, todos estavam completamente exaustos e praticamente se arrastaram para o vestiário, não sobrando nem mesmo a dupla que costumava ficar até mais tarde. A quantidade de chuveiros era pequena, então o casal – juntamente a Miyaji – resolveram ficar por último. Enquanto o resto do time se trocava e se preparava para ir embora, Miyaji e Takao entraram no banho, já que o capitão queria conversar com Midorima. Quando terminaram, o canceriano ainda não havia voltado.
— Ei, Takao. — O loiro chamou, fazendo o outro – que estava terminando de colocar a calça – se virar. — Você está saindo com alguém?
— Por quer saber sobre isso tão de repente, Miyaji-senpai? — O moreno arqueou uma das sobrancelhas.
— Estavam comentando sobre você na sala do terceiro ano. Eu diria que você é relativamente popular entre as veteranas. — O loiro disse, enquanto terminava de colocar sua camisa.
— Sério? — Takao riu — Então elas tem um gosto estranho, não?
— Você acha? — O maior se aproximou e colocou a mão sobre a cabeça do moreno, bagunçando-lhe os cabelos. — Acho que você é o que elas chamam de ‘’fofo’’. E também, você é bem simpático e engraçado .
— O que você está falando, Miyaji-senpai? — O moreno riu novamente.
— É o que elas dizem, mas acho que elas têm razão. — Um sorriso sugestivo surgiu nos lábios do loiro. — O que você acha de sair comigo, Takao?
— Hã? — Foi a única coisa que o lançador conseguiu pronunciar. Aquilo era uma brincadeira?
— Não se faça de bobo. Você sabe o que eu quero dizer... — Miyaji se aproximou, ainda com o sorriso nos lábios.
— Miyaji-senpai, pare de brincar. — O outro disse, gargalhando e batendo levemente no ombro do maior.
— Não estou brincando, Takao. Estou falando sério. — O loiro se aproximou mais um pouco, até que o moreno – que tentava se afastar – batesse com as costas na parede.
— Miyaji-senp— O outro lhe interrompeu.
— Eu devo lhe provar que eu estou falando sério? — O maior colocou uma das mãos ao lado da cabeça do escorpiano e direcionou a outra até sua cintura.
— Não, não precisa! — O armador agitou as mãos na frente do rosto. Por que Midorima estava demorando tanto? — E-Eu tenho namorada, então...
— Eu não sou ciumento. — O loiro murmurou, enquanto prendia os braços de Takao acima de sua cabeça e aproximava os lábios dos dele.
Os olhos do escorpiano se arregalaram. Ele virou o rosto, mas a mão que estava em sua cintura o fez encarar o loiro novamente. Naquele momento, tudo em que conseguia pensar era em Midorima, que ao sair do banho veria a cena e pensaria que ele tinha concordado com aquilo. Tentava virar o rosto e soltar suas mãos, mas o outro tinha muito mais força do que o menor. Os lábios do mais velho já estavam muito próximos dos seus. Não havia jeito...
— Eu nunca pensei que você fosse o tipo de pessoa que obriga os outros, Miyaji. — O lançador se aproximou do casal, enquanto arrumava os óculos.
— Tsc... — O loiro xingou baixinho e soltou o moreno, virando-se para Midorima. — E eu não sabia que você poderia ser tão inconveniente. Por que não vai fazer algumas cestas? Você não é ótimo nisso, Midorima? — Debochou; um sorriso cínico lhe tomou os lábios.
— Obrigado pela sugestão, mas tenho outras coisas para fazer. — O lançador devolveu o sorriso e se virou, caminhando até seu armário e pegando sua bolsa. Logo, começou a se encaminhar para a saída. — Vamos, Takao. — Parou por alguns instantes e chamou o moreno, que ainda permanecia atônito.
— Espere, Shin-chan! — Kazunari se apressou e pegou sua bolsa, correndo para alcançar Midorima.
— Hm... Então ele é a sua ‘’namorada’’ não é, Takao? — O loiro perguntou antes que saíssem, fazendo-os parar próximos a porta.
— I-Isso é — O canceriano não permitiu que ele completasse a frase.
— Sim, é isso mesmo. — O maior virou o rosto e encarou Mayaji, que ainda tinha o sorriso cínico nos lábios. — Então não permitirei que você o toque novamente, senpai. — Disse; a voz grave e o tom usado na última palavra denunciando que aquilo era uma ameaça.
Sem esperar pela resposta, o lançador segurou a mão do menor e o puxou para a saída, deixando o loiro ali, o sorriso sumindo aos poucos.
A casa de Midorima era um pouco longe da Shutoku, mas parecia ainda mais longe naquela noite. Devido ao que acontecera meia hora atrás, Takao não tinha coragem para tentar puxar conversa, pois tinha medo da resposta do outro; mesmo que Midorima ainda segurasse sua mão, ele sentia como se Shintarou estivesse distante. Pelo que o maior falara naquela hora, o moreno percebeu que ele entendia o que havia acontecido e que Miyaji o tinha forçado. Por sorte o loiro não havia lhe beijado, mas só a proximidade já o deixava desconfortável, pois não queria mais ninguém perto além de seu Shin-chan e era isso que ele repetia mentalmente em sua cabeça, como se esperasse que Midorima pudesse ler sua mente.
Após alguns minutos, o casal adentrou a casa do lançador e – depois de deixarem os sapatos na entrada – dirigiram-se para o sofá, onde deixaram as bolsas. Logo, Midorima se encaminhou para a cozinha para preparar o jantar e o moreno se encaminhou para o banheiro. Era sempre assim quando passava o final de semana na casa de Shintarou; ele cozinhava, enquanto Takao tomava banho ou assistia televisão. Nesse aspecto, era como se Midorima fosse a esposa e Takao, o marido. Aquele pensamento lhe causou risos, o que quase lhe fez engolir água com shampoo. Era bem provável que se o outro soubesse disso ele o mataria, mas não podia deixar de pensar que não poderia ter uma ‘’esposa’’ melhor.
Depois do jantar, o casal se uniu no sofá para assistir a algum filme, mas nada tão interessante a ponto de chamar a atenção do menor, que estava completamente inquieto, pois Midorima não pronunciara nenhuma palavra desde o momento do vestiário.
— Acalme-se, idiota. Eu não estou irritado, nanodayo~ — O lançador tentou tranquilizá-lo.
— Não está mesmo, Shin-chan? — O moreno perguntou, enquanto encarava o outro.
— Não. Eu sei que ele o forçou, ou do contrário você não pareceria tão assustado. — O lançador levou a mão destra aos óculos, arrumando-os.
— Eu nunca pensei que ele tentaria algo assim... Ei, Shin-chan. Não tem problema ter dito a ele que estamos namorando? — O moreno dobrou e abraçou os joelhos, olhando para o canceriano.
— Eu não sei. As palavras saíram antes mesmo que eu percebesse... — Um discreto suspirou deixou os lábios de Midorima.
— Eu gostaria que todo mundo fosse igual a Nanami-chan... — Takao disse, enquanto repousava a cabeça sobre o ombro do maior.
— Infelizmente, não é o que acontece. Entretanto, acho que já está na hora de algumas pessoas saberem, como o nosso time e os nossos pais.
— Bom, já estamos namorando há quase um mês. O que você acha que os seus pais dirão, Shin-chan? — O moreno perguntou, curioso.
— Eu não sei, mas acho que não farão caso. E os seus? — O maior virou o rosto para olhá-lo.
— Minha mãe e minha irmã ficarão felizes, mas meu pai... Eu não sei qual será a reação dele. — Takao suspirou e segurou uma das mãos de Midorima.
— Então eu irei quando você for contar a ele. — O canceriano apertou levemente a mão do outro, demonstrando que estaria ali se ele precisasse.
— Não precisa, Shin-chan. Eu conversarei com ele sozinho. — Os lábios do moreno se afastaram em um sorriso, tranquilizando o outro. — Oh, isso me lembrou de uma coisa... Shin-chan, você fica tão fofo quando está com ciúmes!
— Do que está falando, idiota? — O maior tentou disfarçar e levou uma das mãos aos óculos, ajeitando-os.
— Quando você disse ao Miyaji para ficar longe de mim, você estava tão assustador, Shin-chan! Mas sabe, depois que eu pensei melhor, você ficou daquele jeito porque estava morrendo de ciúmes, né? — O sorriso nos lábios do moreno se tornou ainda maior, deixando o outro um pouco constrangido.
— Cale a boca. Você ficaria do mesmo jeito se outra pessoa estivesse tentando beijar o seu namorado. — Quando percebeu o que falou, não pôde evitar que suas bochechas ruborizassem. Havia caído direitinho na armadilha do outro.
— Então você ficou mesmo! — O escorpiano riu, vitorioso. — E é claro que eu ficaria do mesmo jeito, afinal Shin-chan é minha esposa!
— Sua esposa? Que merda é essa, Takao? — Perguntou; o tom de voz já se alterando.
— Isso é porque você sempre faz as tarefas de casa e me deixa relaxando. Eu pareço aqueles homens de escritório que chegam exaustos em casa e são mimados pela esposa. — O moreno falou, tentando se segurar para não rir. — Além disso, eu já lhe disse que você fica uma gracinha de avental?
— Morra. — O lançador – que já tinha uma veia saltando em sua testa — se levantou e deu as costas para o menor, encaminhando-se para o quarto.
— E-Espera, Shin-chan! — O moreno se levantou e o seguiu, já não conseguindo mais conter as risadas.
— Morra, idiota! — Falou, sem ao menos se virar. Não podia permitir que o outro visse o rubor no seu rosto naquele momento.
— Eu não posso morrer sem receber meu beijo de boa noite, Shin-chan! Afinal, eu não ganhei beijo quando cheguei em casa exausto do trabalho. — Brincou, as risadas o tomando logo depois.
Midorima já estava tão irritado e envergonhado, que nem se deu ao trabalho de responder. Quando chegou ao quarto, sentou-se na cama sem ao menos ligar a luz, facilitando a aproximação discreta do menor. Massageava lentamente o cenho, quando sentiu os braços do moreno lhe rodearem o pescoço e o peso do outro sobre seu colo.
— Eu te amo, Shin-chan. — O armador murmurou, enquanto encostava a testa na do outro.
— Você é irritante, sabia? — Midorima suspirou e curvou os lábios em um singelo sorriso, que foi percebido pelo outro.
— Sim, eu sei. — O moreno riu baixinho, enquanto o outro enlaçava sua cintura e aproximava os lábios dos seus.
Um beijo cálido e calmo marcava o início de uma fase que traria transtorno aos dois.
Fale com o autor