Palpitation
11 Capítulo 11 - You're not the only one
Notas iniciais
Eram quase 4 horas da manhã quando retornaram do hospital. Takao insistiu e disse que não queria ir, mas Midorima não tinha muito o que fazer pelo moreno. Insistiu, da forma mais calma e carinhosa que pôde, até que o menor cedeu. Durante todo o caminho até o hospital, Takao não soltou o braço do lançador nem por um segundo e mesmo que já tivesse se passado algum tempo desde o ocorrido, o menor ainda tremia. Quando desceram do táxi e entraram no hospital, ele nem ao menos levantou os olhos, apenas se encolheu e agarrou o braço de Midorima com mais força, como se qualquer pessoa dali pudesse lhe fazer mal. Rapidamente foram atendidos e o doutor receitou alguns remédios para os hematomas, além de ter passado por alguns exames rápidos, só para ter a certeza de que nada havia sido fraturado. As lágrimas já tinham cessado, mas a dor era visível nos olhos acinzentados a todo momento, causando dor também ao maior, que se sentia extremamente culpado.
Felizmente, aquele dia era domingo, então poderiam dormir até mais tarde. Entretanto, Takao foi o único que dormiu e o canceriano sabia que ele só tinha dormido por causa dos remédios. Os pensamentos não abandonavam a mente de Midorima e ele não conseguia relaxar. Ele deveria ter ido com o moreno. Ele deveria estar ao lado dele quando contou ao seu pai e deveria tê-lo defendido para que nada daquilo acontecesse. Porém, agora já era tarde. Seu Takao irritante e amável estava machucado e ele não poderia fazer nada para mudar isso. Pensou em denunciar o pai do moreno, mas o conhecendo como o conhecia, sabia que ele jamais permitiria. Tentar fazer o mesmo com ele também estava fora de questão, pois novamente o outro não permitiria. Tinha como opção apenas cuidar do outro e protegê-lo dali em diante.
Já eram quase 10 horas da manhã, mas não se levantaria até que o outro acordasse. Não queria interromper o único momento em que provavelmente o moreno estaria realmente tranquilo, então apenas continuou o acariciando delicadamente, como fizera durante a noite. Midorima teria continuado ali por quanto tempo fosse preciso, mas foi obrigado a se levantar quando a campainha tocou. Ainda de pijama, olhou pelo olho mágico, mas não reconheceu a face da mulher, mesmo que notasse algo familiar. Abriu a porta, um pouco cauteloso, e a morena lhe analisou por alguns instantes.
— Onde o Kazunari está? — Perguntou; o nervosismo audível em sua voz.
— Quem é você? — O maior se pôs a frente da mulher, impedindo que ela entrasse caso tentasse.
— Eu sou a mãe do Kazunari. Por favor, me deixe ver o meu filho! — A mulher pediu, enquanto lágrimas brotavam em seus olhos. Sua feição era tão dolorosa quanto a do moreno.
Sem mais hesitação, permitiu que a morena entrasse e a levou até o quarto. Takao estava sentado sobre a cama, com os olhos tão arregalados quanto o da mulher, que não demorou a cair em prantos e correr para abraçar o filho.
— Eu não acredito que ele fez isso com você. Como ele ousou levantar a mão para você? Como ele ousou bater no meu menino? — Lamentou; as lágrimas correndo sem controle por seu rosto, enquanto tentava sem sucesso encarar o filho, que também chorava.
— A senhora não estava em casa quando aconteceu? — O maior indagou, enquanto sentava ao lado de Takao.
— Não... Eu estava em casa quando Kazu chegou, mas houve um problema na delegacia, então tive que sair correndo. Eu...Ele até me contou sobre você, Midorima-kun, e ele estava tão feliz. Eu tentei ajeitar as coisas o mais rápido que pude e quando cheguei, o pai dele estava descontrolado e disse que tinha o expulsado de casa. Achei que ficaria tudo bem desde que esperássemos ele se acalmar, mas não há perdão. Apenas um monstro machucaria o próprio filho dessa forma. — A voz calma e que parecia tão gentil, tornou-se cheia de raiva, enquanto ela acariciava os cabelos negros do filho, que continuava em silêncio. — Volte comigo para casa, Kazunari — A morena pediu, ainda acariciando os cabelos do filho.
— M-Mas...E se ele...— Takao murmurou, sem conseguir completar a frase.
— Por favor, o deixe ficar aqui. — As palavras de Midorima escaparam por seus lábios, antes mesmo que pensasse. De qualquer forma, aquele era realmente seu desejo.
— Venha conosco também, Midorima-kun. Quero apenas dar um fim nessa situação. — As orbes tão acinzentadas quanto as de seu amado o encararam, mostrando o quão séria estava. O casal não tinha motivos para duvidar de suas palavras.
Meia hora depois, o trio entrava pela porta da frente. Não foi difícil encontrar quem procuravam, afinal, o homem era tão preguiçoso que passava o final de semana inteiro na frente da televisão. Entretanto, levantou-se no mesmo instante que viu o casal de mãos dadas.
— Como você teve a coragem de voltar aqui? E além disso, acompanhado por seu namoradinho? O quanto mais você pretende me envergonhar, pirralho? — Disse o homem; o nojo estampado em sua face.
— Cale a boca, seu animal. Deseja realmente falar de vergonha? VOCÊ é uma vergonha para a sociedade. Como teve coragem de bater no seu próprio filho? — Esbravejou a mulher, que se pôs a frente do casal.
— Meu filho? Eu não trabalhei tanto para que ele virasse um gay de merda. — Retrucou, enquanto se aproximava da morena.
— VOCÊ NUNCA FEZ NADA PELOS NOSSOS FILHOS! VOCÊ É APENAS UM VAGABUNDO QUE SE ACOMODOU E QUE NÃO FAZ NADA PARA TENTAR MELHORAR. ACHA MESMO QUE SER O MEU SECRETÁRIO É GRANDE COISA? EXISTEM MIL PESSOAS NA FILA PARA OCUPAR ESSE CARGO. VOCÊ É APENAS UM APROVEITADOR! EU SEMPRE TRABALHEI MUITO PARA QUE PUDESSE SUSTENTAR OS NOSSOS FILHOS E SE CHEGUEI ONDE ESTOU AGORA, É DEVIDO A ELES! ENTÃO CALE A BOCA, IMBECIL! — Gritou, extremamente nervosa.
— Sua... — O homem rosnou, enquanto levantava a mão para a mulher. Na mesma hora, os olhos de Takao se arregalaram. Não, ele não permitiria aquilo. Não permitiria que além de tê-lo machucado, machucasse também sua mãe. Ele se jogaria na frente e apanharia por ela, porque ela valia a pena. Ela o defendeu e o apoiou. Ela estava lá para protegê-lo e ele faria o mesmo por ela. Quando estava pronto para se jogar na frente, Midorima segurou o seu braço, fazendo-o voltar a assistir a cena, o que o surpreendeu.
— Não haverá uma segunda chance para você, Masao. — disse, enquanto destrava o revólver, que estava apontada diretamente para o peito do homem. — Eu juro que nem o meu profissionalismo funcionará se você não sair dessa casa agora mesmo.
— Mas...Naomi... E o nosso casamento? — O homem falou, enquanto suavizava a expressão e colocava as mãos para o alto. — Eu te amo tanto!
— Amor? Você não sabe o que é isso. Saia daqui agora. Suas malas já estão na garagem, junto com seu passaporte e uma boa quantidade de dinheiro. Vá para bem longe daqui ou então eu juro que estourarei o seus miolos, maldito. — O olhar tão frio quanto a voz mostrava que estava falando realmente sério, então não demorou muito para que ele pegasse as coisas e saísse da casa, sem nem olhar para trás.
O casal continuava atônito, enquanto a morena guardava a arma no suporte em sua calça. Não havia por que se arrepender. Ela preparou tudo, para que ele fosse preso assim que chegasse ao aeroporto e que fosse encaminhado para a prisão mais distante. Dessa forma, Kazunari não saberia sobre a prisão do pai, pelo menos não até que estivesse pronto.
— Mãe...E-Está tudo bem? — Takao perguntou, enquanto se aproximava da mulher.
— Está sim, meu filho. Preciso que escutem uma coisa. — Naomi segurou a mão do moreno e fez sinal para que Midorima se aproximasse, para então também lhe segurar a mão. — Não há nada de errado com o amor de vocês. Entretanto, vocês sabem o quão insensível a sociedade pode ser. Eu desejo toda a felicidade do mundo a vocês, mas talvez seja um pouquinho complicado, enquanto o mundo for dessa forma. De qualquer forma, vocês precisam ser fortes. Não tenham medo e continuem em frente, sempre. — Os lábios da morena se curvaram em um sorriso gentil. — Quanto ao que aconteceu, você não precisa ter medo, Kazu. Há pessoas ruins sim, mas também há aquelas que irão de apoiar e te proteger, então você precisa ser forte. Afinal, você tem esse homem grandão aqui para te defender também. — Naomi bateu levemente no ombro de Midorima, que abriu um pequeno sorriso.
Pela primeira vez depois de tantas lágrimas, Takao sorriu e seu sorriso não foi menos belo do que das outras vezes, apesar do rosto inchado. Todas aquelas palavras acalmaram seu coração, apesar de não conseguirem curar suas feridas. Nem todos aceitariam o seu relacionamento, mas aqueles que gostassem verdadeiramente de si, permaneceriam ao seu lado. Além disso, ele não estava sozinho. Midorima teria que superar tantos problemas quanto ele, então eles avançariam juntos, pois era isso que ele queria.
Logicamente, nada foi o mesmo depois daquilo. Naomi permitiu que o filho escolhesse onde queria ficar e não se importou quando este escolheu Midorima, pedindo apenas para que passasse alguns finais de semana com ela. Afinal, mesmo que não estivesse tão próxima, o protegeria de onde estava, punindo aqueles que ousassem ferir os outros; essa foi sua escolha quando se tornou delegada.
Um mês já havia se passado desde então. Há um mês estavam morando juntos e tudo estava indo completamente bem. As marcas já haviam sumido e aos poucos – e com a ajuda de uma psicóloga — Takao retornou ao seu estado ‘’normal’’: irritante, mimado e... amável. Na verdade, ele estava mais mimado do que nunca, mas Midorima não reclamava nenhum pouco disso.
Após várias conversas, o casal decidiu contar sobre o seu relacionamento pelo menos ao time, já que eram as pessoas mais próximas. Tinha o pequeno probleminha com Miyaji também, mas tudo estaria resolvido quando contassem. Entretanto, havia algo mais importante no momento. Em três dias seria o aniversário de dois meses do casal e como o primeiro não pôde ser comemorado, precisava ser algo especial. Porém, Midorima não tinha nem ideia do que fazer. Felizmente, tinha uma pessoa que poderia lhe ajudar, já que esta – de alguma forma que até agora ele não sabia – se tornou um grande amigo de Takao e, além disso, poderia dizer que eles eram consideravelmente próximos. Esta pessoa era Kuroko Tetsuya.
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