Paleta

4 Vermelho


Notas iniciais
Perdão, perdão por demorar tanto. Esse capítulo é mais curto que os outros, mas é porquê eu ainda não consigo escrever sobre essa cor tão facilmente quanto as outras. Espero que gostem. Recomendo a leitura com a música "Red - Taylor Swift" que apesar de não ter o mesmo tom melancólico, já traz o nome do capítulo.

Tem gente que diz que o vermelho representa o amor. Outros dizem que representa a raiva. A verdade é que o vermelho sempre tem mais de um significado. ‘Pra mim, significa amor, mas não o amor entre dois indivíduos, e sim o amor entre você e você mesmo. Um único indivíduo. O amor próprio.

Eu não gostava muito de vermelho, o primeiro contato positivo que eu tive com o vermelho foi com um disco, “RED”, em que a cantora retrata todos os sentimentos que a cor passa.

Foi com esse disco que eu entendi os sentimentos que o vermelho passava.

O que este capítulo tem a ver com o disco? Nada, então seguiremos em frente.

A mistura de azul e vermelho é roxo, eu estou vivendo essa cor agora, a mistura de vermelho e amarelo é laranja, cor essa que veremos mais para frente.

Saindo da minha fase azul, eu pensava que estava em uma fase sem cores, onde tudo era cinza e branco, frio e sem vida. Engano meu.

Eu já estava cansada de esconder o que sentia, de fingir, de ser algo que eu realmente não era. Onde estavam as cores? Eu as queria de volta.

Quando tudo o que eu mais queria era ver algo que não fosse branco e cinza, ela me apareceu, brilhante e prateada, chamando atenção. Aquilo era baixo, ela sabia do quanto eu precisava de cor, eu quebrei meu apontador por ela. Uma lâmina.

Quando minhas lágrimas ameaçavam cair de novo -coisa que eu já estava cansada de acontecer- foi quando eu tomei coragem. Estava sozinha em casa, fui até meu banheiro com ela e a passei devagar pelo meu braço.

Doeu, não vou mentir -é o que se espera de um corte-, mas foi com a dor externa que eu deixei de me preocupar com o interior. Tudo mudou quando eu vi o líquido que escorria. Vermelho. Sangue. Era a primeira cor que eu via em muito tempo. Foi por isso que eu fiquei deslumbrada, eu queria colorir meu mundo novamente e aquela era a primeira cor que eu tinha.

A lâmina foi de encontro ao meu braço novamente, outra vez e mais outra. O contato do metal frio com a pele não era agradável, mas logo a lâmina foi aquecida, combinando com a cor que eu via naquele instante.

Assim que outro corte foi feito, junto com a gota vermelha de sangue, dos meus olhos escorreram algumas lágrimas, gotas azuis. Quando o vermelho e o azul se misturaram, formaram o roxo. Eu entrei em desespero.

Liguei a torneira e tentei lavar, mas quanto mais a água levava embora o vermelho, mais aquilo doía e meu mundo se coloria mais. Ele logo se tornou completamente vermelho. Vermelho sangue.

Lembra quando eu disse que foi o azul que criou todos os meus monstros? Foi o azul que criou o vermelho, mas também foi o azul que me salvou, que criou o roxo.

A água da pia se acumulava, mas a tampa do ralo não estava ali. Eu sabia exatamente o que era.

Afundei minha mão na água e tirei de lá o objeto causador de tudo isso. A lâmina. O objeto cortava meus dedos levemente, fazendo algumas gotas de sangue caírem na pia e a tingir de vermelho.

A lâmina em si também estava vermelha, provavelmente pelo tanto de sangue que ela me tirou.

O que aquilo queria dizer? Por que essa atitude tão terrível seria um ato de amor próprio? Simples, a atitude era uma das mais cruéis possíveis, a dor que eu senti, a dor que eu ainda sinto, as cicatrizes que ficaram na minha alma… Todas elas serviram para que eu não fizesse isso novamente.

Não importava o quanto ela aliviasse a dor interna, era apenas momentâneo, mais tarde ela traz ainda mais dor. Não valia a pena, não valia gastar tanto nisso.

Respirei fundo e senti um gosto metálico na boca, nesse momento, o vermelho sumiu.

Todas as coisas ruins que eu senti, elas se foram, juntamente com os cortes. Talvez estar segurando o objeto que me tirou e me trouxe mais dores fosse o motivo daquilo.

Minha paleta precisava do vermelho, ou não estaria completa, mas, mesmo sabendo disso, eu joguei a lâmina vermelha fora. Essa era a parte da minha vida que eu queria esquecer.

Não, eu não queria esquecer o que aprendi, apenas o que eu fiz, aquela crueldade que fiz comigo mesma.

Todo o sangue que derramei, ele me ensinou a amar a mim mesma, me ensinou que existe mais de um caminho, que eu não preciso de mais dores para ajudar a esquecer as dores interiores. Eu posso esquecê-las sozinha.

No lugar da lâmina vermelha e cortante eu deixei uma gota de sangue.

Pois foi com o MEU sangue que eu aprendi a me amar, e eu daria o meu sangue para salvar aqueles que precisam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.