Palavras que machucam

4 ♥Se você quer a verdade, então toma ♥


Notas iniciais
Pessoas desculpem por demorar tanto a atualizar :´( Vou tentar agilizar a partir de agora kkkk. Espero que gostem :3

A rua estava lotada como se estivéssemos em plena queima de estoque e todos os produtos estivessem com cem por cento de desconto.

Ainda era nove horas da manhã e eu ainda estava tentando entender como todas aquelas pessoas estavam conseguindo quebrar as leis de Newton ocupando todas os mesmo espaço.

—Aquilo são árvores?-Mamãe indaga com os olhos brilhando mais do que estrelas cadentes.

—Mãe, nem pense nisso. -Murmuro ameaçadoramente.

—Mas, querida, aquela nossa árvore está tão feia e caída. Um dos galhos se rompeu ontem, eu tenho certeza. -Ela comenta já se encaminhando em direção a loja brilhante, atravessando a cotoveladas a faixa de pedestre abarrotada de gente.

—Mas, que droga mãe, não precisamos de outra árvore!

Passamos mais de dua horas olhando as malditas árvores, para, no final, mamãe achar que todas estavam aparentemente caidinhas demais para ocupar um espaço na nossa sala.

Os meus pés latejavam de uma forma incômodo quando o toque do celular da mamãe ressoa.

Continuo com o olhar fixo no outro lado da rua, olhando para a loja de música. Linda.

—Vocês estão aqui?!

Mamãe gira confusa sobre os calcanhares varrendo toda a rua lotada de gente com o olhar. E um calafrio desce pela minha espinha.

—Mas, você odeia acordar cedo Riley.

De repente, do outro lado da rua, um olhar fixo em mim me faz dar um passo atrás, instintivamente.

Merda! Mil vezes merda!

—Mãe, eu vou tomar um café naquela lojinha, lembra?!-Sussurro urgente, já dando passos para trás.

Mamãe da um aceno com a cabeça, fazendo um sinal com o celular para que eu a atenda quando ligar. Assinalo com a cabeça, já batendo em retirada como um soldado ferido.

A lojinha de café no final da rua ficava praticamente escondida, entre duas grandes lojas, uma de eletrônicos e a outra de ursinhos de pelúcias, bem fofos.

Deixo meus ombros relaxarem e dou um suspiro de alívio. Connor não iria me achar ali, nem mesmo com um GPS.

Já fazia praticamente um dia todo que eu havia conseguido a proeza de evitá-lo. Eu já havia conseguido um arranhão no joelho, dois nos cotovelos e um na parte de dentro do pulso, mas todos eles valerem a pena. Afinal, valia tudo para ficar longe daqueles olhos diabólicos.

—Chá com uma dose extra de hortelã e caprichado no açúcar. -Falo quando uma sombra se projeta sobre mim.

Uma sombra enorme, devo dizer.

—Essa sua obsessão com chás está realmente começando a me assustar.

Inspira, bate, expira…

—O que está fazendo aqui?-Indago sem erguer o olhar.

—Vim atrás de uma garota de cabelos castanhos, baixinha, de olhos verdes. Talvez, você a tenha visto. Ela tem uma pequena inclinação a fugir quando eu pareço. Ainda bem que tenho pernas longas. — Ele diz sarcástico. -Será que dá pra largar a porcaria desse cardápio e olhar pra mim?

Fecho os olhos e sugo uma respiração.

Haja paciência.

—Talvez, essa garota não goste da sua presença, já pensou nisso?

—Oh, não. Ela gosta sim, apenas finge que não. -Diz convencido e aquilo me enerva.

Largo o cardápio e direciono o meu olhar fulminante para ele.

—Diz logo o que você quer e caí fora.

—Não estou com pressa.

E com toda a cara de pau do mundo, Connor puxa a cadeira a minha frente e se senta. Ele se inclina na minha direção para olhar o cardápio que ainda estava na minha frente e seu cabelo raspa o meu nariz.

O meu estômago embrulha e eu recuou bruscamente.

—Mas, que droga de loja é essa, Hailey?! Só tem chá nesse negócio. -Ele reclama, se inclinando ainda mais na minha direção.

Entrego o cardápio para ele, com medo de que sua cabeça venha parar no meu colo caso ele continuasse se inclinando daquela forma.

—Exatamente, por isso você deveria pegar essa sua arrogância e cair fora. -Digo com os olhos fixos na porta.

—O que pediu?-Ele analisa o cardápio por mais alguns segundos, ignorando completamente o meu comentário, e depois ergue o olhar para mim. A sobrancelha erguida em um questionamento mudo.

—Por que está fazendo isso?

—Fazendo o que?

Ele gira o pequeno jarrinho de flores entre os dedos, os olhos fixos nos meus.

—Isso. -Cruzo os braços e desvio o olhar.

—Precisa ser mais clara.

—Tudo bem, você quer clareza?-Me inclino sobre a mesa e estreito o olhar. -Vamos lá, então. Eu quero você longe de mim, e não estou falando de centímetros, estou falando de metros, muitos metros longe, se possível nem mesmo esteja no mesmo ambiente que eu. Eu não gosto de você e nem de sua presença sufocante, então nem mesmo me dirija a palavra. Fui clara o bastante?

Termino com uma respiração só. Sugo o ar para dentro dos meus pulmões e afasto a minha franja que cai irritantemente sobre os meus olhos.

Pego o cardápio de volta e chamo o garçom, esperando que Connor entenda a deixa e vá embora. Porém, como o universo sempre conspira contra mim, Connor nem ao menos pisca sobre o meu ataque, na verdade, um sorrisinho curva um canto de sua boca e ele permanece sentado como se fosse o dono do lugar.

—Eu quero um sanduíche natural e um copo de suco, por favor.

Acabo por deixar o chá para outra hora, não queria que Connor pensasse que eu era uma daquelas loucas para emagrecer. Talvez, eu fosse. Mas, ele não precisava saber.

E, por que infernos eu ainda estava pensando nele?!

Resolvo ignorá-lo. Ele não podia me afetar se eu não desse bola.

—O mesmo.

—Ele não vai querer nada, na verdade. Já está indo embora, não é Connor?-Me intrometo no pedido dele. O ameaçando com o olhar.

—Mudei de ideia. Estou faminto.

—Eu também mudei de ideia. -Giro a cabeça para o garçom e percebo a nítida confusão em sua expressão. -Cancele o meu pedido, por favor.

Apanho a minha bolsa carteiro e pulo da cadeira alta, praticamente arrastando o pobre do garçom comigo quando caminho em direção a saída.

Ouço Connor xingar atrás de mim.

A calçada está mais vazia, o que me dá um alívio. Confiro o celular para ter certeza de que mamãe não ligou e apresso o passo.

Contudo, a minha fuga é impedida por uma mão que agarra o meu cotovelo. Eu estava indo tão rápido que o meu pés freiam bruscamente e o meu corpo gira. Outra mão me segura me mantendo em pé quando um corpo alto colide com o meu.

Estabanada é o meu nome do meio.

Olho para cima e o meu sangue ferve. Me desvencilho abruptamente de Connor, o fuzilando com o olhar.

—Qual é a porcaria do seu problema?! Eu disse metros, Connor!-Dou um passo atrás para voltar a manter uma boa distância entre eu e ele, no entanto uma flor violeta entre no meu campo de visão.

Abro e fecha a boca tantas vezes que eu facilmente poderia ser comparada a um peixinho.

Acabo bufando furiosa e dando outro passo atrás, como se aquela flor fosse tóxica.

—Eu peguei pra você. -Ele estende a flor e dar um passo na minha direção.

Aquilo era golpe baixo. Eu amava flores de qualquer tipo. Era uma paixão que eu tinha desde pequena. Elas eram como a minha kriptonita. Simplesmente a minha fraqueza.

—Você não pode fazer isso. -Murmuro com o cenho franzido.

—Ela vai murchar se você não cuidar dela. -Ele diz mansamente se aproximando outro passo.

Sim, ela com certeza iria murcha se aquele ser diabólico continuasse a segurando daquela forma.

O olho desconfiada, mas ele continuava parado com os dedos estendidos segurando o caule da flor.

—Eu só vou pegá-la porque não é justo ela ser tratada por um babaca como você. -Rapidamente pego a florzinha e a acaricio com os dedos. Tão suave e cheirosa. -Onde você a achou?

—Peguei daquele jarro em cima da mesa.

Olho abismada para ele.

—Você roubou a flor da loja?!-Meus pés já começavam a me levar de volta para loja para devolver a flor quando Connor se pôs rapidamente na minha frente.

—Claro que não. Eu paguei por ela. -Connor fala a contragosto. Desviando o olhar como se estivesse constrangido.

—Você me comprou uma flor?

—Sim.

Ele responde simplesmente. Minhas sobrancelhas se erguem surpresas, praticamente desaparecendo pelo meu couro cabeludo.

—Obrigado. -Sussurro, girando a flor entre meus dedos, pensando no que fazer. Na verdade, pensando em como traçar um plano de fuga. -Mas, isso não muda nada. Eu ainda quero distância de você. Apesar, de obviamente, ter esquecido o que fez comigo anos atrás, eu não esqueci. Não me siga.

Giro sobre os meus calcanhares e pressiono a florizinha contra o meu peito, enquanto tento esquecer a sombra que desceu sobre suas feições quando eu o deixei.

☆☆☆

—Hailey?

Jogo a minha cabeça para trás e exalo um suspiro irritado, parando na base da escada.

—Oi, mãe.

—Querida, pode pegar aquelas caixas de natal que estão no porão? Eu queria começar a decorar a casa hoje, já que estou de folga. -Mamãe fala da cozinha.

—Riley não pode fazer isso?-Subo um degrau.

—Ele saiu com os amigos.

De repente, um chama de alívio brota em meu peito quando penso que Connor deve ter ido também.

Eu estava livre. Ao menos por algumas horas.

—Faça isso por mim, por favor. -Mamãe coloca a cabeça na porta e me dá um sorriso enorme.

O que eu não faço por ela?

—Tá bom.

—Quanta poeira. -Resmungo, chutando algumas caixas para longe.

O porão estava abarrotado de caixas. Empilhadas, jogadas, amassadas. De todos os tipos.

Achar as de natal entre elas era um enorme desafio.

Já estava na quinta caixa, que descobri ser de roupas velhas, quando ouvi passos na escada.

—Mãe isso aqui está uma bagunça. Eu não vou conseguir achar na…-Paraliso quando vejo botas familiares entrarem no meu campo de visão.

Aquilo já era perseguição. Ou muito azar.

Mas, eu preferia pensar que era perseguição.

—Sua mãe pediu para que a ajudasse com as caixas. -Connor falar formalmente do último degrau, as mãos enfiadas nos bolsos.

—Não preciso de ajuda.

Falo já me voltando para outras caixas.

Por favor, vá embora. Só precisa dar meia volta e subir. Por favor.

—Mais alguns minutos aqui e eu acho que você vai ser engolida por essas caixas. Não seja teimosa.

Ele desce o último degrau e começa a abrir algumas caixas.

Meu coração desce até os meus pés e volta em uma só batida.

—Não estou sendo teimosa.

—Se você acha. -Ele fala com a voz sarcástica.

Não perco tempo para respondê-lo. Volto a verificar as caixas e luto por esquecer a sua presença. Mas, era simplesmente impossível, pois eu quase podia sentir o olhar de Connor sobre mim a cada segundo.

—Você está socando a caixa. -A observação dele me faz ferver ainda mais.

—Agora, virou protetor das caixas alheias?

—Só estou tentando dizer que pode acabar quebrando algo se continuar assim. -Ele pega uma caixa e a leva em direção as escadas, deixando em cima de outros que já havia empilhado.

—Claro que não vou. Todas essas caixas são de coisas velhas da última mudança, se tivesse algo quebrável em uma delas, eu saberia.

Quando ele se vira de costas para mim, eu rapidamente me abaixo e abro a caixa. Havia dezenas de conjuntos de louças de porcelanas.

Uma gota de suor frio desce pela minha coluna.

Se eu tivesse quebrado aquilo, mamãe iria servir a minha cabeça no Natal em vez do peru que havia comprado há poucos dias.

Depois de vários minutos em um silêncio tenso, nós conseguimos reunir várias caixas que continham inúmeros enfeites de natal.

—Acho que já está bom. -Falo querendo dar o fora o quanto antes daquele lugar.

—Ainda há muitas caixas para se olhar. -Connor réplica olhando ao redor do porão.

—Olha você, então. Eu vou levar essas aqui e o resto é seu.

Pego as três primeiras caixas e começo a subir as escadas, mas sua voz me para.

—Quando vai parar com essa birra infantil?

Olho para baixo e o vejo inclinado sobre o corrimão das escadas, me observado. Pela pouca iluminação que vem do andar de cima, eu vejo a sua camisa grudada em seu tórax por conta do suor e fico admirada em como em alguns anos Connor realmente havia crescido.

Os ombros largos e os braços fortes eram algo que eu facilmente perderia o olhar. Se fosse qualquer outro garoto.

Obviamente, que somente o seu físico havia crescido, já que o mental devia continuar a mesma merda.

—Não sei do que está falando. -Dou o assunto por encerrado e volto a subir os degraus.

—Hailey.

Solto um grunhido e paro novamente, mas não me viro. Eu não estava gostando das palpitações do meu coração.

—Tudo bem, eu concordo com você que fui um verdadeiro babaca anos atrás. Mas, vamos lá, eu não posso tê-la magoado tanto assim. Deixe de ser criança.

Minha boca se abre em choque e eu me controlo para não arremessar aquelas caixas na cabeça troglodita daquele idiota.

Ele só podia estar brincando comigo.

—Você não sabe de nada. -Rosno me voltando para ele. Connor parece surpreso com a minha reação e recua minimamente. -Eu passei anos indo para malditos psicólogos, nutricionistas e não sei quantos mais médicos porque você, e seus amigos babacas, ferraram com a minha cabeça. Então, sinto muito se a minha birra infantil está te incomodando. Mas, essa é a minha forma de dizer que eu odeio você, e tudo o que fez para mim.

Os seus olhos se arregalam em choque e sua boca se abre minimamente, mas nenhum som sai dela.

Ótimo.

Giro sobre os meus calcanhares e subo o restante dos degraus.

Mamãe me chama, mas eu a ignoro. Por que lágrimas saltam dos meus olhos e o meu coração parece fazer um sonoro Crack a medida que subo as escadas em direção ao meu quarto.

Notas finais
Comentemmm!! Me digam do que gostaram, do que odiaram rsrs. Se tiver algum erro também me digam, as vezes eu não percebo enquanto escrevo. Bjss e até o próximo capítulo!!