POV Cebola

— Que amanhã eu vou ficar no refeitório...

— Eba! Não vou ficar sozinha amanhã- Magali gritou, batendo palmas.

— Silêncio no recinto- A bibliotecária brigou, e nos expulsou do lugar.

— Viu sua doida, a gente foi expulso por sua culpa- Eu briguei com minha amiga.

— Dicupa Cebolinha...é que eu fiquei muito feliz- Ela disse, com uma voz fofa. Que dessa vez não pude resistir.

— Ok maga- Eu disse- as vezes é chato quando você usa essa voz de bebê.

— É um dom- Ela se gabou.

— To sabendo- Foi tudo que eu disse.

Depois da mini discussão fui embora junto de Magali.

...Em casa...

— Voltei!- Eu gritei, mas percebi que estava sozinho em casa.

Procurei em todos os cantos da casa mas não achei ninguém, mas quando entrei na cozinha vi em bilhete na geladeira.

“Cebola, seu pai e eu tivemos saímos e vamos ficar uns dias fora. Seu pai por que a irmã esta doente e eu por que tive de fazer umas entregas de última hora. Por isso fechei a padaria mais cedo. A maria está na casa de uma amiga.

OBS: A sua comida esta no microondas”

Ah, um fato que eu esqueci de comentar, minha mãe é uma ótima cozinheira por isso abriu sua própria confeitaria. Todos do bairro conhecem a “Sonho Meu” a melhor confeitaria de todas. Tem bolos, salgados, doce, ou seja, tem de tudo.

Subo para meu quarto, vou pro banheiro, faço minhas higienes e quando saio vou pro armário e coloco um pijama.

— Já que não tem nada pra fazer, vou tocar um pouquinho- Eu digo pra mim mesmo, sim eu tenho esse hábito quando estou em casa. Sou um louco mesmo...

E se vocês estiverem se perguntar o que qual instrumento eu toco, é o violão. Meu pai me ensinou um quando eu fiz 11 anos, mas o meu violão é velho mas ainda presta.

Fico tocando até tarde e quando me canso pego meu computador e fico assistindo “Game of Thrones” no netiflix e depois vou dormir.

...Dia seguinte...

Acordo com o som do despertador, dou um soco para desligar depois me levanto da cama, visto minha roupa e desço as escadas. Vou pra cozinha, chegando lá vejo minha mãe.

— Ué, a senhora não tinha entregas de última hora pra fazer?- Perguntei, enquanto me sentava e colocava o leite no cereal.

— Tinha, mas eram poucas que nem precisei ficar fora- Minha mãe explicou.- e fiquei preocupada com meu pimpolho.

— Mãe, eu tenho dezesseis anos, posso me virar sozinho- Eu disse. As vezes minha mãe pode ser muito protetora comigo.

— Tudo bem- Ela concordou.- ah, e como eu voltei vou abrir a confeitaria, quer me ajudar?.

— Vou adorar, nunca mais ajudei lá- Falei animado. Quando era criança eu ajudava na confeitaria da minha mãe, antes era pra ganhar mais um pouco de dinheiro, mas com o passar dos tempos eu ajudo por que gosto.

— Ok, você acordou mais disposto hoje?- Minha mãe perguntou.

— Eu sempre estou disposto mamãe- Eu disse.

— Não, você está mais agitado do que o habitual- Ela disse.

— Acho que devo ter dormido bem, só isso- Eu falei.

— É, deve ser isso- Minha mãe disse.

— Bom, tenho que ir mãe, a escola me aguarda- Eu disse, e me levantei da cadeira, indo pra porta.

— Espera filho!- Minha mãe me chamou e eu me viro.- tome essa caixa de cupcakes, pra você e a Magali aproveitarem.

— Ah, valeu mãe, os seus doces são demais- Agradeci, pego a caixa e vou pra sala.

Chego na sala, pego minha mochila e saio de casa.

....Escola...

Entro no colégio e vejo uma silhueta feminina e vou até ela, achando ser Magali.

— E ai maga, tudo bem?- Pergunto.

— Tá tudo bem, mas não sou a Magali- A garota disse se virando, e vejo que era na verdade Denise.

— Opa, foi mal o engano, vi de longe- Me desculpei.

— Sem problemas, mas a Magali esta no banheiro- Denise disse.

— Ok, mas o que você esta fazendo?- Pergunto.

— Esperando certo alguém, cujo não quer me contar qual vai ser a nova invenção- Ela disse, tirando a câmera da bolsa.

— Você sabe que o franja não vai abrir o bico, né- Eu disse.

— Sei, mas eu sou uma jornalista e nunca desisto, vou conseguir descobrir e colocar no jornal do colégio.- Ela disse, e depois tira um cartão e me da.- aqui o cartão, temos um site também, vê e depois da a sua opinião.

— Pode deixar- Eu disse, colocando o cartão no bolso da calça.

— Bom, sem querer ser chata mas já vou indo, avistei meu alvo- Denise disse, limpando a lente da câmera.- tchauzinho!

Denise sai correndo e antes de a perder de vista grito.

— Vai faltar a aula!!

— Sim!!- Ela respondeu, de longe.

— A Denise é uma doida-???

— Com certeza, mas uma doida legal, oi maga- Concordei e cumprimentei ela.

— Vamos pra sala?- Magali perguntou.

— Sim, senhorita Fernandes- Eu brinquei e ela riu.

Vamos juntos para a sala, entramos e nos sentamos nas nossas carteiras.

— Bom dia, seus esquisitos- Pedro, nosso professor de geografia, nos cumprimentou enquanto se sentava em sua cadeira.

Um fato engraçado, o Pedro sempre nos chamou assim, ele é o professor mais legal da nossa sala. Ele as vezes da um tempo entre as aulas pra conversar sobre várias coisas ou fazer piadas sobre assuntos políticos. E teve uma vez que ele entrou ao som da marcha imperial, todo mundo gosta dele.

— Bom dia Pedro!- Todos o cumprimentam.

O professor começa a passar a matéria do quadro e começo a anotar tudo. Quando a aula acaba guardo meus materiais mas antes Pedro nos chama.

— Esperem- Ele falou.- antes de irem pro intervalo eu irei passar um trabalho.

Ouço algumas pessoas da sala reclamarem.

— Fiquem calmos, vai ser em dupla- Ele disse, e todos se animaram. E eu me viro e dou uma piscada para Magali, pois eu sempre faço com ela.- mas eu que irei escolher os pares.

Ouço todos da sala suspirarem chateados.

— Bom as duplas serão: Titi e Jeremias, Amanda e Penha, Carmem e Marina, e Cascão e Magali, Toni e Denise...

— Que maus pra você, vai ficar com um dos populares que nos irritam- Sussurrei pra Magali.

— É, mas eu não vou fazer esse trabalho sozinha, ele vai ter que cooperar- Magali falou e eu ri- vai rindo, logo vai ser sua vez.

— E por último mas não muito menos importante...Mônica e Cebola...

O que! Ele falou isso mesmo ou eu que ouvi errado.

— O que!- Eu gritei, e todos me olharam, que vergonha.- não pode trocar professor?

— Desculpa Cebola, mas não, sem trocas- O professor disse.

— Droga...- Eu disse pra mim mesmo.

— E a justiça foi feita- Magali sussurrou para mim, e depois me da um sorriso sarcástico.

— Ok, desculpa ter te zoado- Eu falei.

— Tudo bem- Ela disse.- o que temos que fazer nesse trabalho?.

— Vocês devem escolher um país da Europa e falar sobre ele: história, economia, habitação, tudo- Pedro disse.- Sim Cascão.

— É impresso ou manu-escrito?- O cara perguntou.

— Qualquer um dos dois, só façam bonito, não aceito de qualquer jeito- Ele disse.- agora podem ir pro intervalo, seus esquisitos.

Pego a caixa e saio da sala com Magali.

— Tá pronto?- Magali perguntou.

— Não, to nervoso maga- Eu disse, escondido atrás da porta.

— Vamos Cebola, você consegue- Ela me incentivou.- é só respirar fundo

— Tem razão...

Respiro o mais fundo que posso e tomo um pouco de confiança.- vamos entrar....

Saio de trás da porta e entro no refeitório. Nossa...é bem grande e cheio de gente...não Cebola, nada de pânico.

Me sento numa mesa vazia com Magali.

— O que achou?- Ela perguntou.

— É grande- Eu disse.- mas to me sentindo incomodado.

— É porque é a sua primeira vez aqui, você vai se acostumar- Ela disse.- o que tem nessa caixa que você esta carregando?.

— Bom...

Quando ia responder ouço uma voz.

— Nos reencontramos outra vez Cebola-???

— É, oi Franja- Concordei e o cumprimentei.- fugindo da Denise?

— Não, inventei que eu perdi o projeto pra fazer minha invenção- Ele disse.

— E ela acreditou- Perguntei

— Sim, mas logo ela vai perceber que foi mentira e vai voltar a me atazanar- Ele respondeu.

— To atrapalhando a conversa?- Magali perguntou.

— Opa, foi mal, Franja essa é a Magali, minha melhor amiga- Eu apresentei.

— Prazer

— E Maga, esse é o Franja- O apresentei.

— Prazer, posso me sentar?- Ele perguntou.

— Claro- Magali e eu falamos juntos, e Franja se senta.

— Bom, continuando o que eu ia falar antes de ser interrompida...o que tem ai nessa caixa?- Magali disse.

Abro a caixa e mostro os doces para ela.- Cupcakes.

— Da sua mãe?- Ela perguntou, com um sorriso.

— Sim- Confirmei e Magali bate palmas.

— Qual a da animação dela?- Franja perguntou.

— Nunca ouviu falar da confeitaria “Sonho Meu”- Perguntei.

— Já, por que?- Ele perguntou.

— A confeitaria é da minha mãe e ela cozinha muito bem- Eu expliquei.- aqui, pega um cupcake e prova.

Nós três pegamos um cupcake, então aproveito os minutos de silêncio e fico procurando a pessoa que escreveu a mensagem.

— Ai...meu deus...- Franja disse, mas é óbvio que eu o ignorei.- que coisa deliciosa.

— E é por isso que a confeitaria da mãe dele é conhecida- Magali disse.

Continuo a ignorar o que os dois falavam e tento achar a pessoa.

— Cebola...cebola...cebola!!!

Volto a realidade com cutucão.

— Que foi?- Perguntei irritado.

— Qual a dele maga?- Franja perguntou.

— Ele as vezes fica distraído- Magali disse, e me da uma piscada de olho.

— É- Eu concordei

— Ok, mas agora esse doce me deixou com cede- Franja disse.

— Também- Ela concordou.- quero suco.

— Deixa que eu pego lá na máquina- Eu disse, me levantando.

— Como sabe que aqui tem máquina?- Ela perguntou.- é sua primeira vez.

— Sou muito observador, você já devia saber disso maguinha- Eu brinquei, e vou até a máquina.

Pego as bebidas pra mim e para os outros dois depois vou até a mesa mas acabo me esbarrando em alguém e fazendo derrubar toda comida encima.

— Caralho! Olha o que você fez!- A pessoa gritou. Ah não, conheço essa voz...

— F...foi mal Toni...- Me desculpei e dei um passo pra trás.

— Olha o que temos aqui, o nerd decidiu saber da toca?- Ele zombou.- e teve a ousadia de me sujar!

— Eu...eu...eu já pedi desculpas- Falei baixo e ele riu.

— Suas desculpas não vão fazer minha camisa ficar limpa!- Ele gritou e depois pega na gola de minha camisa.- agora vamos acertar as contas, faz tempo que não batemos um papo.

— Não faça is...- Ia implorar mas foi tarde demais, ele já tinha me dado um soco bem forte em minha cara. Depois foi na barriga, pernas e outra vez na cara. E pra fechar com chave de ouro ele derramou o suco que eu tava levando minha cabeça.

— E isso foi pra você aprender- Ele disse e depois se abaixa- aqui não é lugar para um invisível, volta pra biblioteca que é seu lugar.

Toni sai de perto de mim, tento levantar mas não consigo. Então vejo um garoto vir até mim e me dar sua mão, a pego e ele me ajuda a levantar.

— Cascão!!- Toni gritou

— To indo!- O garoto falou e foi embora.

Depois de ter me levantado algumas pessoas que estavam na cantina começaram a rir, então saio de lá o mais rápido possível e vou pra biblioteca.

...Biblioteca...

Adentro a biblioteca, me sento na minha mesa e finalmente deixo as lágrimas caírem. Geralmente quando o Toni me bate eu não choro mas agora quero deixar sair tudo que sinto nos últimos anos.

Dor...tristeza...fracasso por ser um ser humano desprezível...as vezes penso que a vida seria melhor sem minha existência...

De repente sinto o meu celular vibrar, o pego do bolso e vejo uma mensagem de Magali.

—Onde você está? Eu e o franja vimos o que aconteceu, quando íamos atrás de você te perdemos_ Magali

—Voltei pra biblioteca, o lugar de onde nunca deveria ter saído..._ Cebola

—Não diga isso, você estava indo bem, a culpa é do babaca que te agrediu_ Magali

—Mas ele ta certo...não devia ter ficado no refeitório..._ Cebola

—O refeitório é de todos. Ah, a Denise filmou tudo e perguntou se ela podia mostrar pro diretor_ Magali

—Não! Deixa quieto, já foi..._ Cebola

—Você precisa falar..._ Magali

—Deixa pra lá maga..._ Cebola

—Quer que eu fique na biblioteca contigo?_ Magali

—Não, quero ficar sozinho..._ Cebola

—Ok, se cuida..._ Magali

Desligo meu celular e fico com a cabeça baixa na mesa, mas ai resolvo escrever pra pessoa. Pego minha caneta preta e escrevo...

“Não te achei no refeitório”

Deixo minha caneta na mesa e vou até a sala da coordenadora.

— Carol, posso entrar?- Pergunto

— Claro Cebola- Ela permitiu e eu entrei, de cabeça baixa.- não vai levantar a cabeça.

Eu neguei.

— O que quer?- Ela perguntou.

— Pode me dispensar hoje...- Eu disse

— Por que?

— Eu to com dor de cabeça...- Menti, não quero falar o verdadeiro motivo.

— Tudo bem- Ela disse, e me deu um papel.- entregue pro zelador que ele vai abrir o portão. Melhoras.

— Obrigado...- Agradeci e sai de sua sala.

Quando ia pra saída de repente me lembro de uma coisa. Eu havia esquecido minha caneta na biblioteca. Mudo de rumo e vou pegar minha caneta.

...Biblioteca...

Entro outra vez naquele lugar cheio de livros, vou até a mesa, pego a caneta mas vejo que a pessoa escreveu mais cedo pra mim...

“Eu também não, mas podemos marcar de nos encontrar em outro lugar se quiser...”

Com minha caneta escrevo de novo...

“Não precisa, quero deixar o mistério e descobrir na hora certa. Pode ser?”

Guardo minha caneta, saio da biblioteca e vou pra confeitaria de minha mãe.

...Confeitaria...

— Oi mãe, vim pra te ajudar- Eu disse, de cabeça baixa.

— Chego cedo- Ela falou.

— Uns professores faltaram e nos liberam mais cedo- Eu disse, não gosto de mentir mas ela não precisa saber.

— Tudo bem...- Ela duvidou um pouco.- pega o avental e me ajuda com uns biscoitos.

— Ok...- Foi tudo que eu disse.

Visto o avental e a ajudo fazer uns biscoitos.

— Filho, pega mais farinha, acho que deixei lá na frente da confeitaria- Minha mãe pediu.

— Pode deixar

Vou até a frente da confeitaria, pego a farinha mas sem querer a deixo cair, sorte que esta fechada.

Ouço o sino da confeitaria tocar e depois uma voz.- pode deixar Cas, eu vou pegar o bolo pro aniversário do seu tio, fica tranquilo.

— Atende pra mim filho!- Minha mãe gritou. Valeu mãe...agora vou ter que atender.

Pera...não posso atender assim todo machucado...

— Tem alguém ai?- A garota perguntou.- eu vim buscar um pedido do meu amigo...

Então sem pensar duas vezes abro o pacote de farinha e jogo uma bela quantidade no meu rosto. Espero que isso esconda...

— Em que posso ajudar?- Eu disse, e sem querer tossi um pouco de farinha.- desculpa...

— Parece que interrompi um trabalho sujo- A garota brincou, pera, agora to reconhecendo ela...

— Mônica Sousa...