Palavras, apenas Palavras
1 One Shoot.
Notas iniciais
\'\'Eu simplesmente não sei como estou conseguindo escrever em uma hora dessas. A cada dia eu deixo um recado e fico esperando por uma resposta, mesmo sabendo que não iria receber uma. Eu imaginava ele se esquecendo de mim, e eu lembrando dele todos os dias.
Eu só não sabia mais o que fazer, me perdia nos pensamentos e acabava como sempre com aquela cara de morto vivo. Todos pareciam ocupados demais para se importar comigo, então eu apenas continuei a sonhar, como uma criança boba imaginando o presente de Natal.
Eu acho que realmente sou um idiota. Eu queria poder controlar meus sentimentos e acabar com eles quando eu bem entendesse, assim eu não sofreria e nem deixaria meu colega de quarto preocupado.
Eu não poderia ter deixado isso acontecer.\'\'
Deitei-me sobre a mesa e deixei o lápis cair de minha mão, como se algo tivesse tirado minha alma naquele instante. Era uma dor tão profunda, tão forte...Fechei o diário que mais parecia um album de fotos e de memórias, e o tranquei como sempre.
Empurrei a cadeira para longe e me joguei na cama, agarrando o porta retrato que estava sobre a bancada, como se fosse minha única recordação. Nesse momento, eu só gostaria de voltar no tempo para dizer tudo o que eu queria. Eu lentamente fechei meus olhos e comecei a imaginar os momentos que havia passado com Kanon, porém acabei pegando no sono.
No dia seguinte, o despertador tocou antes do horário planejado, eu que me encontrava no chão e não mais na cama, o joguei pela janela. Sim, minha raiva me afetou e eu acabei fazendo isso mesmo. Tomei um copo d\'água e saí de casa, tranquei a porta e desci as escadas.
Ao sair comecei a andar pelas ruas sem motivação, procurando algum rosto conhecido ou algum lugar para que eu pudesse ficar sem ser interrompido por ninguém. Passei por um Lolita Cafe que costumava ir com Kanon, resolvi entrar e ficar por lá um tempo. Yume-sama, a dona do Cafe veio me atender, e me levou à mesa que eu sempre fiquei.
Sentei na cadeira de sempre, e comecei a imaginar ele sentado em minha frente como sempre. Eu não entendo meus sentimentos, não entendo por que o amo tanto assim. Espera, eu o amo? Não, não, eu não entendo mais nada. É normal você amar o seu melhor amigo? Isso é muito estranho.
Comecei a olhar fixamente um ponto qualquer da mesa, porém eu não conseguia pensar em nada. Era como se algo deixasse meus pensamentos nulos, como se me deixasse sem vontade de viver mais. Nesse momento, eu me senti morto, somente morto.
Fiquei imóvel por um bom tempo, até que notei que alguém havia sentado no lugar de Kanon, em minha frente. Observei com dúvidas, com minha cara de desanimo.
-Que aconteceu com você Miku? — Teruki me indagou com um tom de dó.
-Nada demais... Apenas desanimo. — respondi — Umas coisas estranhas andam me atormentando essa semana, sabe. Não consigo mais escrever letras de música, nem pensar em nada.
-Tem algo estranho aí... — Teruki sorriu, me encarando.
-Tanto faz. Teruki, sabe por onde o Kanon está? — Olhei desanimado para a vitrine, e vi pessoas caminhando rápidamente enquanto a neve começava a cair.
-Ele se mudou. — Teruki me respondeu com um tom de voz baixo.
-Se mudou? Pra onde ele foi, eim Teruki?!
Levantei-me e segurei a gola da camiseta de Teruki, novamente minha raiva tomou conta de mim. Antes que ele pudesse me responder soltei sua camisa e joguei na cadeira, como um mero perdedor.
-Ele não me disse, e não se despediu de mim. A ultima coisa que ele me disse foi: \'\'Logo iremos nos ver de novo Teruki, e caso eu não volte , não se preocupe. Eu vou ficar bem.\'\'
-Acha que ele está tentando se suícidar, Teruki? — Arregalei os olhos e empurrei a cadeira para trás.
-O Kanon? — Teruki sorriu, e deu um tapinha em minha cabeça — Ele deve ter ido é pra casa dos pais dele.
-Ele não me responde, Teruki. Mando recados há mais de uma semana, e não recebo resposta alguma, ligo para o celular dele, e nada. — suspirei e olhei novamente para a a vitrine.
Continuei encarando a neve que lentamente tocava o chão da calçada, e mais uma vez eu não conseguia pensar em mais nada. Por um momento, achei que eu havia desligado totalmente de mim mesmo. Olhei para minha frente, mas não havia mais ninguém.
Sozinho, e já sem esperanças, eu me levantei e saí do Cafe, não conseguia controlar meus pensamentos e nem meus sentidos, eu apenas comecei a caminhar em direção ao meu apartamento enquanto a neve passava por mim.
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