Palavras
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Certo, aquilo era ridículo. Quer dizer, ele era alto, forte e assustador não é? Então por que raios estava tremendo feito pamonha?
Pamonhas tremem?
Kagami chacoalhou a cabeça com um grito de frustração, tinha coisas mais importantes que se preocupar com comida naquele momento. Respirou mais umas cinco vezes e, tomando coragem, tocou a campainha.
Agora ou nunca.
A porta foi aberta calmamente, revelando... ele. As bochechas de Kagami adquiriam uma forte coloração avermelhada ao notar que Kuroko acabara de acordar e vestia nada além de uma bermuda e uma regata larga naquela noite de verão.
– Kagami-kun? São cinco horas da manhã. – Kuroko comentou, bocejando.
Tu-tum. Tu-tum.
– KUROKO, EU-
– Kagami-kun, pare de gritar, vai incomodar os vizinhos.
Certo, Kagami pensou fechando a cara, envergonhado, Kuroko o irritava ao mesmo tempo que conseguia o fazer não saber como agir. Céus, como odiava aquilo!
Coragem, Kagami!
– Foi mal. Hm, posso...
Kuroko não precisou esperar o resto da pergunta, abrindo espaço para Kagami entrar. O grandalhão largou os sapatos de qualquer jeito, notando ter colocado um tênis diferente do outro na pressa de chegar à casa do homem fantasma. Passou a noite toda se revirando, pensando que sua relação com Kuroko poderia... aflorar.
Sentou-se no sofá da sala e esfregou as mãos suadas nas coxas, ansioso. Kuroko sentou ao seu lado e ficou encarando-o com aqueles olhos grandes, brilhantes... e inexpressivos, como se pudessem ler a alma de Kagami, fazer aquilo de forma proposital, sabendo o que estava fazendo lá e provocando para ficar ainda mais sem graça.
– Kagami-kun, eu não posso fazer nada.
O ruivo deu um pulo com um sonoro “what?!”. Ele por acaso podia ler pensamentos?!
– Suas insônias devem ser cuidadas por um profissional, não sei como ajudar.
Silêncio. Kagami o encarou num misto de decepção, alívio e raiva. Como havia se apaixonado por aquele rapaz ele não sabia, mas com certeza Kuroko conseguia lhe causar diversas sensações.
Medo era uma delas.
– Ah, não... na verdade, eu não consegui dormir por outra coisa. – Ele respirou fundo ao notar que o jogador apenas o observava, esperando que continuasse. – Eu... estava pensando.
– No que? – Ele pendeu a cabeça para o lado. Kagami apertou o pano da calça, aquela ação sempre o fazia querer agarrar o pequeno.
Tão fofo.
– Em nós.
Finalmente. Kagami ficou encarando Kuroko com o rosto dormente tamanha a vermelhidão lhe apossara, e com uma clara incerteza pairando sobre si, mas pelo menos, sentia um peso enorme sair de suas costas.
– Nós?
– Hai. – Os olhos de Kuroko continuavam inexpressivos. Ele não poderia sorrir ou expressar qualquer reação que fosse?! – Eu... bem, sabe...
– Vou saber se você me contar.
– Não me interrompa então! – Kagami ralhou, irritado, para logo bufar.
– Kagami-kun?
– O que é?
– Uma declaração é composta por “eu te amo” e uma sequência de seus momentos juntos.
Mais uma vez silêncio.
– O Q-Q-Q-QUE?! C-C-C-COMO VOC-
– Kagami-kun, os vizinhos.
– QUE SE DANE OS VIZINHOS! – Esqueça o rosto dormente, Kagami senti que iria explodir a qualquer momento. – COMO VOCÊ SABIA?!
– Eu prometi ser sua sombra. Você aceitou ser minha luz. Achei que já estivesse claro nesse momento.
O maior precisou piscar diversas vezes, tentando entender as palavras de Kuroko.
Carregando informações em 5%
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23%
...
78%
...
– V-Você...
– Kagami-kun, você precisa treinar mais seu raciocínio. Vamos comprar algumas revistas de sudoku para você.
Kagami encarou aquela pequena e estranha figura a sua frente e sentiu a raiva fervilhar, para logo em seguida transformar-se em um riso alto, uma gargalhada gostosa de se ouvir.
– Cale a boca, seu bastardo!
Num impulso, Kagami puxou Kuroko para seus braços, apertando-o num abraço gostoso enquanto tentava fazer a risada cessar.
– Não respiro, Kagami-kun.
– Precisa de um boca a boca então, Kuroko.
Sem esperar resposta, Kagami selou seus lábios aos do baixinho, sendo prontamente correspondido.
Os lábios de Kuroko eram quentes, macios e levemente adocicados, mais saborosos que os burgers de sua lanchonete preferida.
E tão bom quanto os lábios de Kuroko, era vê-lo corresponder o beijo com o rosto tão vermelho quanto o seu, e um pequeno sorriso naquela boca viciante.
O peso de Kagami se foi completamente ao separar-se de Kuroko e ver que o mesmo encurvava os lábios num sorriso sereno e feliz.
Os dois se encararam e deram as mãos, aumentando os sorrisos. Kagami não era bom com palavras e Kuroko sabia disso, mas ele não precisava de grandes declarações de amor. Bastava o ruivo estar ali, correspondendo o que sentia, demonstrando nos gestos pequenos e com alto significado para si que Kuroko já sabia que tudo estava bem.
Eles se amavam.
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