Paladin

18 CAPÍTULO 18: O Toque da Fé


Notas iniciais
Espero que gostem. (:

Raziel se despediu de Vanessa com um leve aceno de mão, agradecendo silenciosamente por ter indicado o livro que ele agora segurava com cuidado. A Crença e Fé de um Paladin parecia pesar mais do que qualquer outro volume que já tivesse carregado. Não pelo peso físico, mas pela responsabilidade e potencial que ele sentia dentro das páginas.

Com o livro firmemente preso em sua mão, deixou a biblioteca da academia. A brisa noturna o acolheu enquanto caminhava pelas ruas iluminadas pela luz suave dos postes, com o som abafado dos passos ecoando nas pedras podia sentir uma determinação renovada, uma fome por conhecimento e, talvez mais importante, por uma conexão que havia ignorado por tempo demais.

Quando chegou em casa, a primeira coisa que Sophie notou foi o livro. Seu olhar caiu sobre o título, e não pôde evitar um sorriso de satisfação.

— A Crença e Fé de um Paladin — murmurou, como se saboreasse as palavras. — Estou orgulhosa de você, maninho.

Ele retribuiu o sorriso, sentindo uma leveza em seu coração ao ver a aprovação da irmã. Sem mais palavras, eles seguiram para a cozinha, onde compartilharam um jantar simples, mas reconfortante. Enquanto comiam, Sophie percebeu que a mente de Raziel estava em outro lugar.

— Parece que você tem algo importante para estudar — comentou casualmente, enquanto levava uma garfada de comida à boca.

— Sim — respondeu ele, quase distraído. — Acho que preciso entender melhor essa questão da fé.

Sophie assentiu em silêncio, respeitando a busca de seu irmão. Depois do jantar, Raziel subiu para o seu quarto, onde o aguardava uma noite de descobertas. Assim que entrou, trocou suas roupas por algo mais confortável e se sentou à mesa de estudos. O livro estava ali, como se o esperasse. Passou a mão pela capa, sentindo a textura do couro envelhecido, e então o abriu. As páginas antigas soltaram um leve aroma de papel e tinta, uma fragrância que parecia carregar séculos de sabedoria.

O texto era envolvente, profundo e meticulosamente detalhado. À medida que lia, foi absorvido pela complexidade e beleza do que significava ser um paladin com fé. “A fé é a fundação sobre a qual o poder de um paladin é erguido”, lia-se na introdução. “Ela não é apenas uma crença abstrata, mas um canal vivo através do qual a energia divina flui. Essa energia, ou mana, é amplificada pela pureza e intensidade da fé. Quanto maior a fé, maior o poder concedido por Deus ou por uma divindade.”

Sentiu o impacto dessas palavras. A conexão entre a fé e a mana era descrita como uma simbiose. A fé de um paladin não só fortalecia suas habilidades individuais, mas também influenciava tudo e todos ao seu redor. Em um campo de batalha, a presença de um paladin verdadeiramente devoto poderia mudar o rumo da luta, virando o equilíbrio de poder e oferecendo uma chance de vitória mesmo nas situações mais desesperadoras.

“Um paladin com fé forte pode estender sua influência, concedendo buffs aos aliados, fortalecendo seus corpos, mentes e espíritos. Nas batalhas mais difíceis, é a fé que pode transformar uma derrota iminente em uma vitória gloriosa. Essa fé não é apenas um conceito; é uma força tangível, capaz de moldar o destino.”

Continuou lendo, absorvendo cada detalhe sobre como a crença impactava diretamente a eficácia de um paladin, até que chegou a uma seção dedicada à oração. O livro destacava uma oração em particular: o Pai Nosso.

“O Pai Nosso é a oração mais poderosa e direta que um paladin pode recitar. Ela é a expressão máxima de devoção, uma ponte inquebrável que conecta o paladin diretamente ao poder divino de Deus. Recitar esta oração é como abrir as portas do céu e permitir que a luz divina banhe o mundo.”

Movido pela curiosidade e pela profunda necessidade de experimentar essa conexão, Raziel decidiu recitar o Pai Nosso. Fechou o livro, ficou de pé e, com uma sensação de reverência, começou a entoar as palavras sagradas:

— Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu...

À medida que as palavras saiam, algo extraordinário começou a acontecer. Uma leve energia dourada começou a envolver seu corpo, subindo das pontas dos dedos até o topo de sua cabeça. A luz era suave, mas poderosa, e com ela veio uma sensação de justiça e propósito, como se estivesse em sintonia com algo infinitamente maior que ele mesmo.

— O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...

A luz dourada intensificou-se por um breve momento, e Raziel sentiu um toque de poder fluir através dele, como se Deus, em Sua infinita bondade, estivesse reconhecendo e respondendo ao chamado. Era uma sensação ao mesmo tempo fortalecedora e humilde, com se tivesse recebido um vislumbre do que poderia alcançar se continuasse nesse caminho.

— E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Quando terminou, a energia ao redor dele diminuiu até desaparecer, mas a sensação de paz e força interior permaneceu. Abriu os olhos lentamente, percebendo que havia sido tocado por algo diferente, uma força que mal começava a entender. Ainda absorvido pela experiência, olhou para o relógio e viu que já era tarde. A emoção ainda pulsava em seu peito, mas sabia que precisava descansar. Amanhã seria um novo dia, e tinha aulas a frequentar. Fechou o livro com cuidado, colocou-o na mesa de cabeceira e apagou as luzes.

Deitado na cama, refletiu sobre o que havia experimentado. Sentia-se mais preparado para a jornada que estava por vir, sabendo que não estava sozinho. Enquanto o sono o envolvia, tinha uma certeza tranquila: havia dado o primeiro passo para se tornar o paladin que sempre sonhou ser.