Paixão Sem Limites - Brittana
7 Garçonete.
Notas iniciais
CAPITULO VI
Seus olhos azuis então se encontraram com os olhos negros da garçonete.
Meu Deus, Santana!
Ela estava com um avental branco e dois cardápios nas mãos.
Santana também a olhava, impassível, ela não demonstrava surpresa nenhuma em seus olhos, como se ela já a tivesse visto antes de vir para a sua mesa, como se tivesse sido premeditado.
Os olhos dela então se voltaram para o seu acompanhante, seu rosto se fechou e ela voltou seu olhar para ela. Brittany saiu daquele bloqueio mental, provocado pelo susto e a surpresa, e com o coração batendo forte e as pernas moles, disse a ela com voz fraca.
— Santana, que surpresa te ver aqui. Fico contente de saber que você conseguiu um emprego e já está trabalhando — Brittany então fitou Finn que observava tudo, com interesse. — Santana, esse é um amigo meu, Finn Hudson.
Santana, porém, permanecia quieta. Por fim, para quebrar o embaraço do silêncio, Brittany viu-se obrigada a falar.
— Finn, Santana é prima de uma grande amiga minha.
Finn assentiu para ela. Santana então a ignorou, e disse para os dois, como se ela lhe fosse uma estranha, estendendo o cardápio.
— Fiquem á vontade para a escolha, daqui á pouco eu voltarei e anotarei o pedido.
Ela se virou e saiu com passadas largas. Brittany trêmula a viu sair, pálida encostou-se na cadeira e fechou os olhos. Sentiu a mão de Finn cobrir a sua. Brittany abriu os olhos e deu com os olhos indagadores de Finn.
— Ela parece mais do que a prima de sua amiga para você. Por que ela te abalou tanto? Você gosta dessa garota?
Brittany ficou a olhá-lo por um momento e por fim respondeu.
— Gosto muito. Mas meu pai não a aceitaria. Por favor, faça o pedido para mim quando ela chegar. Eu vou usar o toalete. O que você escolher para você pode escolher para mim.
Finn a fitou com pesar.
— Tudo bem, eu farei o pedido. Brittany se levantou e passou por algumas mesas, e do outro lado do restaurante achou o banheiro feminino.
Entrou nele, e se sentiu segura lá. Sentou-se numa cadeira que estava num canto e colocou a cabeça entre os joelhos, respirando fundo várias vezes.
Lágrimas brotavam de seus olhos, não gostou nada de ser ignorada por Santana. Precisava parar de chorar, não podia se desabar em lágrimas. Lavou o rosto e encontrou na um batom, passou de leve nos lábios e passou um pó no rosto para disfarçar o vestígio de choro do rosto.
Respirou fundo e saiu do banheiro, então no corredor surgiu Santana. O coração de Brittany quase saiu pela boca, ficou nervosa. O olhar dela desceu insolentemente pelo corpo dela que estremeceu. Era como se um rastro de fogo passasse pela pele aveludada de seu pescoço, descendo pelos seios macios, cintura e pernas, ela continuou com sua lenta inspeção até chegar aos pés, Brittany ficou ali, parada, sentindo-se impotente. Ela se aproximou como uma gata brava espreitando o rato. Então ela ficou bem próxima.
Brittany podia sentir sua respiração.
— Sinto muito, Brittany, mas desta vez você não vai fugir.
— Do que está falando?
— Eu te esperei, no dia que combinamos para conversarmos e não entendi porque você não apareceu... Então agora da janela eu a vi chegar numa Ferrari. Não vemos isso por aqui, ninguém freqüenta essa lanchonete dirigindo uma Ferrari. Isso me chamou a atenção, não só de mim, mas de todos, que ficaram olhando também. Então eu vejo quem? — Você descer do carro. Aquilo foi um golpe certeiro, pois entendi o abismo que você se referia. Que embora nos sentíssemos atraídas uma pela outra que jamais você iria se ligar a uma pessoa como eu, que tem dificuldade em escrever e ler.
— Santana, por favor...
— Você sente atração por mim — ela afirmou. — Isso não se esconde Brittany.
— Santana, por favor... — ela falou em um murmúrio, após um momento de hesitação.
— Por favor, o quê?
— O abismo que lhe falei não é isso que você está pensando...
—Não importa o que seja, vai continuar sendo um abismo — ela constatou, caminhando resoluto em direção a Brittany, se aproximando mais.
Os olhos negros eram intensos e demonstravam conflito interior.
— O que te faz não enfrentá-lo, jogando fora a oportunidade de nos amarmos?
Santana estava parada bem em frente a ela.
— Prove que estar longe de mim é melhor, negando minha existência. E que é a opção acertada você resistir à atração que emana de nossos corpos quando estamos pertos um do outro. E que o que você sente comigo, não é tão forte como pareceu ser. — Ela a enlaçou pela cintura e aproximou os lábios na boca dela. — Tudo o que tem a fazer é não corresponder.
Os lábios de Santana tomaram a boca de Brittany, antes que ela pudesse reagir. Houve um segundo de resistência de Brittany, mesmo diante do beijo apaixonado de Santana. Ela moveu os lábios de maneira segura e decidida sobre os de Brittany, ignorando a resistência dela. Com um ritmo sensual procurava seduzi-la de um jeito sexy.
Brittany tentava a todo custo resistir, continha-se com dificuldade, evitando qualquer reação. Dizia a si própria que precisava resistir, era pelo bem de Santana. No entanto, ela se sentia fraca, a colônia dela invadia suas narinas embriagando-a, minando suas forças, e isso a impedia de tomar a atitude definitiva. Ela aproximou-se ainda mais, até seus seios se apertarem contra os de Santana. Com um gemido, Brittany se rendeu. Santana segurou-a pelos ombros e apertou-a contra si, comprimindo seu corpo num abraço apertado. Em um desespero de desejo, estreitou-a mais nos braços, ela abriu os lábios até que ela lhe envolvesse toda a boca, assumindo todo o controle dela. A língua dela tocou a de Brittany e explorou a maciez da boca morna.
Desceu as mãos pelos quadris dela, fazendo-a gemer. Ela sentia a cabeça rodando e o corpo pronto para recebê-la. Nunca estivera tão maravilhosamente fora de controle! O beijo tornara-se intenso e selvagem.
Por fim, relutante, Santana se afastou dela. Arfando, com a intensidade das emoções, encarando-a por um momento sem dizer nada. Então ela disse num tom de deboche.
— Agora, negue minha existência, negue tudo que sentimos aqui, e volte para o seu namorado, e viva sua vida fútil e sem graça.
Ela levou os dedos trêmulos aos lábios ainda inchados do beijo. Tentou falar, mas não conseguiu. Viu a mulher que amava deixá-la. Julgando-a interesseira e preconceituosa. Só quando esteve sozinha, Brittany se desmoronou.
Como podia ter deixado que Santana voltasse a beijá-la, e que a tocasse daquela maneira?
Oh, Santana! Pensou com os olhos cheios de lágrimas.
Se você soubesse o que estou passando por você...!
Brittany encostou se a parede e fechou os olhos. Sentiu um toque no ombro e viu Finn do lado dela. Ela o abraçou e chorou. Finn esperou ela se acalmar e a fitou nos olhos.
— O que houve? Eu a vi passar por mim agora como um furacão. Ela te ofendeu?
Brittany enxugou as lágrimas e negou com a cabeça.
— Ela apenas está magoada, pois neguei a ela um envolvimento maior e ela não entende meus motivos.
— Vem, vamos até a mesa, coma o seu sanduíche, com tudo que você tem direito e a ignore. Mostre-se forte. —Ele então brincou com ela. — Embora nossos lanches devem estar frios agora.
Brittany sorriu para Finn e assentiu. Finn a agarrou pela cintura e a conduziu a mesa.
Brittany então saboreou o sanduíche, pedacinho por pedacinho. Tinha medo de engasgar, tamanho o aperto em seu estômago, o comia bebendo coca cola. Ignorou o ambiente e se concentrou no homem a sua frente, que agora lhe contava algo engraçado.
Quando terminaram a refeição, Finn a ajudou se levantar afastando a cadeira, a enlaçou pela cintura e a conduziu até a Ferrari. Brittany lembrou-se do que Santana havia lhe dito: Eles chamaram a atenção quando chegaram, por causa do carro.
Ela então, dentro do carro observou a lanchonete e realmente reparou em muitas pessoas com o olhar neles. Pouco tempo depois Finn estacionou em frente à mansão, Brittany tinha permanecido o percurso inteiro calada, envolta em pensamentos tristes, com um sentimento horrível de perda, como se alguém muito querido tivesse morrido.
Finn acendeu as luzes interna do carro e virou-se para ela.
— Você está melhor?
— Não.
— Se você a ama, o que a impede de lutar por esse amor?Eu fiz exatamente isso uma vez, gostei de uma baba de um amigo meu, mas por ela ser de classe diferente da minha, abafei meus sentimentos, me arrependi amargamente. Soube que ela está bem casada e que tem um filho, eu poderia ter sido o marido dela e o filho dela ser meu filho. Hoje ela é uma empresária de sucesso, o marido investiu nela comprando uma loja de antiguidade. Um dia fui comprar uma peça para a minha casa e levei um baque ao vê-la, percebi que nunca a esqueci.
Brittany o fitou surpresa.
— Eu não me importo dela ser uma simples empregada, de ser pobre. Mas tenho medo de meu pai. Ele sabe como abater seus adversários. Eu não tenho profissão, meu pai me impediu de cursar uma universidade com a promessa de me ensinar administrar o estaleiro, mas isso nunca aconteceu e nunca irá acontecer. Ele é extremamente dominador, chega a ser maquiavélico.
— Brittany, você deve expor isso para a garota. É ela que deve decidir se quer lutar por você. Você está errada em querer decidir isso por ela. Você não deu a ela o direito da escolha.
Brittany se emocionou e colocou as mãos no rosto e chorou. Finn a puxou para si, afagando-lhe ternamente as costas dela, com muito carinho. Quando ela se acalmou ele a fitou.
— Obrigada Finn. Eu contarei para ela os meus medos e receios. E a deixarei escolher, se ela quer ou não lutar por mim.
Finn sorriu limpando as lágrimas dela. Brittany falou-lhe.
— Eu tentei conversar com minha mãe, mas a pressão de meu pai em cima dela é muito grande. Meu pai quer que eu me case, e meu marido assuma o estaleiro. Ele então tem pressionado mamãe para eu me casar com alguém do meu nível. — Ela sorriu. —Você foi cotado como um forte candidato.
— É uma pena Brittany, que você ame tanto essa garota. Se ela não lutar por você, gostaria muito de me candidatar à vaga de seu coração, mas ela precisa ficar desocupada, quando isso acontecer, para que eu possa entrar.
Brittany o abraçou com gratidão. Finn a estreitou nos braços e ergueu o rosto dela, beijando-lhe ternamente os lábios.
— Obrigada por tudo. Arrependo-me por não ter aberto meu coração para você antes. Julguei-te precipitadamente, na verdade te julguei um playboy, como tantos que eu conheço.
Finn sorriu fraco. Brittany saiu do carro se sentindo leve, com a resolução de dar um tempo e esperar um pouco a poeira baixar, ligar para a Rachel e se informar do horário de Santana e procurá-la.
Ou poderia ser no Domingo. Ela não deveria trabalhar aos domingos? Seu pai ia chegar mesmo só semana que vem.
Entrou na mansão se sentindo mais tranquila. Sua mãe a vendo foi até ela com expectativa nos olhos.
— E então filha? Como foi?
— Foi ótimo, ele é um homem maravilhoso.
Susan não se continha de felicidade.
— Seu pai e eu sabíamos que você iria gostar dele.
— Com certeza mamãe, ele se tornou para mim um grande amigo.
O sorriso de Susan se foi.
— Como assim um grande amigo? Vocês não vão namorar?
— Não mamãe, sair com ele, só me deixou claro em uma coisa: Ele sempre será para mim um amigo.
Brittany beijou sua mãe e subiu a escada feliz, deixando sua mãe frustrada.
Senti-se emocionalmente esgotada pelas emoções do dia. Tomou um banho, colocou sua camisola e deitou-se na cama. Deixou sua mente agora livremente, pensar em Santana, sem recriminações.
Eu a amo!Oh quanto eu a amo!
Lembrou-se dos cabelos negros, dos olhos negros intensos e ardentes, do cheiro da pele dela, misturada a colônia que ela usava. Sua boca experiente, que a enlouquecia, com seus beijos intensos. E a ternura que havia presenciado nos olhos dela.
Ligaria amanhã para Rachel? Ou esperaria domingo?
No dia seguinte, Brittany estava no terraço, quando seu pai telefonou.
— Brittany, saiu com Finn ontem? Como é que foi?
— Foi bom.
Houve um silêncio do outro lado da linha.
— Foi bom, como?
— Ele me tirou aquela má impressão que tive dele, e se tornou um grande amigo.
— Amigo?
— Sim papai.
— Vocês marcaram de sair mais vezes.
Brittany fechou os olhos e contou até cinco, antes de responder.
— Talvez nós saiamos, mas não marcamos nada ainda.
— Bem, já é alguma coisa. Até semana que vem. E se comporte. Não saia de casa na minha ausência. Se for sair chame Finn.
— Adeus papai. Até breve.
Brittany pensativa ficou a olhar para o telefone. Resolveu ligar para Rachel e perguntar de Santana.
O telefone tocou seis vezes, ela ia quase desligar quando ouviu a voz de Rachel.
— Rachel? É Brittany.
— Oi Brittany.
— Rachel, fale baixo. Não quero que Santana saiba que estou te ligando.
— Ela não está em casa. Ela está trabalhando agora.
— Você a tem visto?Tem conversado com ela?
— Brittany, o que você viu em minha prima hein? Ela é a pessoa mais desinteressante que eu conheci na vida.
— Responda minha pergunta Rachel.
— Não, eu não a tenho visto. Ela saiu sete e meia da manhã para trabalhar, faz um curso e só chega onze horas da noite.
Brittany ficou triste de ver como a carga horária dela era puxada.
— Ela perguntou por mim?
— No começo, logo que você foi embora. Mas eu não abri nada para ela.
— Eu a amo, Rachel.
— Você o que?
— Não importa. Domingo eu irei aí. Quero falar com ela. Tudo bem?
— Você me decepciona, Brittany.
— Posso ou não?
— Claro. Do jeito que ela tem trabalhado. Domingo deve ser a folga dela. Quer que eu dê uma perguntada?
— Não. Eu irei de qualquer jeito. Qualquer coisa eu o espero até ela chegar do trabalho.
— Tudo bem então.
— Obrigada e até Domingo.
Quando Brittany desligou, ficou apreensiva.
Meu Deus. Tinha que esperar três longos dias para falar com ela.
Apostava que Domingo seria a folga dela. Seria injusto pegá-la depois de um dia de trabalho. Mas se Domingo ela trabalhasse, falaria com ela de qualquer jeito.
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