Paixão Sem Limites - Brittana
5 Desistindo
Notas iniciais
Capitulo dedicado a Stephanie, sou sua fã.
CAPITULO V
Brittany entrou na mansão, que estava silenciosa. Sua mãe deveria estar na piscina. Subiu para o quarto e se jogou na cama. Fechou os olhos, recordando-se do beijo de Santana. Suspirou. Meu Deus! Não poderia ir lá amanhã, ia acabar se traindo. Não iria resistir estar ao lado dela.
Mais tarde Brittany desceu as escadas e encontrou sua mãe, saindo da varanda e entrando na sala. Brittany havia trocado o vestido por um maio e por cima colocou uma saída de banho.
— Já voltou? Pensei que você almoçaria lá.
— Eu resolvi voltar cedo.
— Fez bem, seu pai ligou. Disse que vai voltar somente semana que vem. Perguntou de você. Eu disse que você estava na piscina, nem lhe contei da festa para não deixá-lo preocupado.
Brittany fechou os olhos ao ouvir as palavras de sua mãe. Como lhe feriam a alma, de saber que seu pai se preocupasse ao ponto dela não poder participar de uma simples festa na casa de uma amiga, que ele mesmo tinha aprovado.
— Não vou almoçar. Vou ficar na piscina.
Passou o resto da manhã sentada em uma espreguiçadeira no terraço, no fundo da casa. Na hora do almoço, sua a mãe a fez comer algo; ela sentou-se a mesa em frente à piscina e sua mãe a acompanhou.
Não conseguiam ter uma refeição íntima. Os empregados ficavam sempre o tempo todo as servindo. Diferente da casa de Rachel.
Queria tanto se abrir com sua mãe, ouvir a história de sua vida, de quando ela namorava o seu pai, mas a conversa que geralmente tinha com ela, envolvia assuntos banais ou sua ultima aquisição de vestido, joia e sapato. Era óbvio que ela adorava aquelas coisas. Brittany não conseguia descobrir se ela apreciava mesmo o fato de estar sempre bonita ao lado de seu pai ou apenas sentia o amor pelas posses materiais e ou era a necessidade de gastar, para sair do tédio.
Mais tarde Brittany subiu para o quarto, resolveu deitar-se cedo, pegou um bom livro policial, que não tivesse nada de romance. Pois o tempo todo precisava vigiar sua mente e não pensar em Santana.
Antes de abrir o livro, sua mente criou asas e a levou a um dia antes da partida de seu pai.
Lembrava-se que ela fora se despedir dele. Seu pai estava arrumando uma maleta de viagem, quando a viu entrar na biblioteca.
Brittany indagou.
— Você já vai?
Arnold Pierce a fitou sério.
— Vou. Se comporte. Não saia de casa quando eu estiver fora. O mundo está muito violento.
— Papai, amanhã eu irei à festa de Rachel.
Arnold levantou os olhos, irritado.
— Você liga para ela desmarcando. Eu não viajarei sossegado com você fora.
Brittany fechou os olhos e suspirou, tentando manter a calma.
— Papai, o motorista me levará e me buscará. Eu entrarei na casa dela e não ficarei perambulando por aí. A festa tem um ambiente bom. São apenas rapazes e moças que estão se formando e jovens médicos e médicas.
Arnold fechou a pasta com violência.
— Brittany, por que você dificulta as coisas?
— Eu dificulto? Talvez papai, por ter uma vida ociosa, me dê vontade de sair um pouco de casa.
— Eu já falei sobre isso. Logo, logo eu verei algo para você fazer no estaleiro. — Seu pai disse arrumando agora o paletó.
— Você me fala isso há um ano.
— Se você se interessasse por Finn, talvez você não se sentisse assim. Eu confio nele. E não me importaria de maneira nenhuma de você sair com ele.
— Eu não gosto dele papai. Quantas vezes eu precisarei te dizer isso?
Arnold começou a massagear o coração.
— Você ainda não saiu com ele para dizer se gosta ou não gosta dele.
— Eu não preciso sair com ele, para constatar que não gosto dele. Ele é muito pegajoso.
— Pegajoso como? — Arnold indagou impaciente.
— Fica toda hora pegando minha mão, ele fica com seus olhos o tempo todo sobre mim. Eu não gosto disso.
— Ele é assim, por que gosta de você.
Brittany riu...
Os pensamentos de Brittany foram interrompidos, pela batida na porta. Então Susan entrou com a expressão preocupada. Ela ainda estava elegantemente vestida, com um vestido azul claro, e os cabelos negros, pintados erguidos em um coque.
— Filha, você não está sem fome de novo?Você está doente?
Susan se sentou na beirada da cama, e fitou Brittany, observando-a.
— Não mamãe. Não se preocupe.
— Eu deveria ter ouvido seu pai, e não ter deixado você ir a essa festa. Lembre-se que ele não sabe.
— Mamãe. O que tem haver o fato de eu não ter fome com a festa?
Nessa hora o telefone tocou. Brittany atendeu. Então ouviu a voz de seu pai.
— Brittany?Eu tentei falar com você hoje. Sua mãe disse que você estava na piscina.
— É verdade papai.
— Fiquei pensando na conversa que tivemos. Você realmente não tem saído muito. Como eu não estarei aí e ficarei preocupado se você sair. Então eu tive a idéia de pedir a Finn para passar aí e te levar para sair um pouco. Combinei com ele de na Sexta-Feira á tardezinha ele pegar você.
— Papai, nós já conversamos sobre isso.
— Filha, ele sairá com você apenas como amigo. Eu conversei com ele. Pode ficar despreocupada.
— Papai...
— Passe o telefone para a sua mãe. Brittany passou para Susan e frustrada deitou-se na cama olhando fixamente para o teto.
Brittany nem ouvia o que Susan falava. Sua mente agora estava voltada para Santana. Lágrimas embaçaram seus olhos, ela irritada limpou as lágrimas. Sua mãe desligou o telefone e percebeu as lágrimas de Brittany.
— O que foi agora Brittany? O que teu pai falou que te abalou?
Brittany se sentou na cama. Fitou sua mãe e disse séria.
— Ele telefonou para Finn, e insinuou que eu precisava sair, e ele virá aqui Sexta-Feira, para sairmos juntos, sendo que eu não quero nada com ele. Mas papai não desiste.
— Por isso você está chorando?
Brittany olhou a mãe impaciente
— Você acha pouco?Eu tenho vinte anos e ele me trata como se eu tivesse dezesseis. Ele dita toda a minha vida, não tenho autonomia para ir e vir. Você lembra a briga que ele fez quando eu quis fazer faculdade? Você se lembra de como ele prejudicou um rapaz que ia me dar emprego, ele usou a influência dele e no dia seguinte o rapaz estava no olho da rua.
— Como você pode acusar seu pai desse jeito?
— Mamãe, você é muito ingênua. Susan ficou uma fera.
— Você é uma menina mimada.
— Eu mamãe?
— Sim. Você!
Susan então passou a andar de um lado para o outro do quarto, confirmando o que ela já suspeitava.
— Por que você acha que seu pai quer tanto te ver casada? Ele precisa de um genro para dirigir o estaleiro. Teu pai não vai durar a vida inteira. E eu não pude lhe dar um filho homem.
Brittany ficou a olhar a cena, sua mãe andando de um lado para o outro, se culpando por não ter gerado um homem.
O coração dela se apertou no peito, mesmo diante do absurdo que era ver sua mãe se condenar por isso, ignorando que as mulheres tinham a mesma capacidade dos homens em dirigir os negócios, Brittany se levantou e a abraçou e acabou cedendo.
— Pare mamãe. Tudo bem, eu saio com Finn se isso a deixa feliz, mas será só como um amigo.
Susan enxugou as lágrimas e falou emocionada.
— Obrigada filha, não aguento mais seu pai me atormentando para te convencer a sair com esse rapaz. Você vai tirar um peso de meus ombros.
Brittany triste viu sua mãe sair do quarto.
Novamente teve aquela sensação: Tinha vontade de jogar tudo para o alto.
Um lado dela lutava pela família, pela união, o outro lado dela lutava pela sua liberdade, sua autonomia.
Seus pensamentos se voltaram para Santana. Uma sensação de perda lhe apertava o peito, queria tanto vê-la, conhecê-la melhor, se permitir amá-la, mas tinha tanto medo. Eram tantos medos, medo da vida, medo de se machucar, medo de ferir seus pais e principalmente medo de seu pai prejudicá-la de alguma forma, caso ela resolvesse assumi-la.
Na manhã seguinte, Brittany acordou cedo e na cama ficou a pensar que Santana hoje a esperava depois do almoço para ela lhe dar uma explicação.
Como esquecer-se do desejo que sentiu pela primeira vez na vida quando Santana a segurou de uma maneira tão íntima e sugestiva?
Fechou os olhos por um momento, deixando turbilhões de sensações povoarem seus pensamentos e seu corpo. Por fim, constatando que não lhe faria nenhum bem deixar a situação evoluir daquela maneira, sacudiu a cabeça e procurou o pouco de razão que ainda lhe restava.
O certo era abrir mão dela, não podia se envolver...
Brittany passou o dia inquieta, depois do almoço, se sentia angustiada. Foi até o jardim e passou a andar de um lado para outro, quase pegou o seu carro e foi até a casa de Rachel. Mas não duvidava nada que seu pai tivesse dado alguma ordem aos seguranças para barrarem a sua saída. Lembrou-se que numa viagem dele, ele já fizera isso antes. No dia da festa, só conseguiu ir, pois sua mãe a liberou com os seguranças. Pensou então em pedir para a sua mãe fazer o chofer levá-la a casa de Rachel, mas então seu coração se apertava indeciso...
Quando o relógio de seu pulso marcou seis horas da noite, Santana entendeu que ela não viria. Nervosa se levantou, foi até o bar e tomou um gole de uísque.
Entendeu que precisava esquecê-la. Nunca acontecera isso com ela. Por que se deixou envolver tanto?Estava indo tão bem com a perspectiva de vida nova na cidade, reformando seu apartamento. Sua mente há alertava o tempo todo de algo que ela não sabia explicar, mas seu coração e seu corpo a desejou. Lembrou-se dela, conversando na sacada com o rapaz na festa. Ela era tão feminina, reservada, seu rosto era muito expressivo, seu perfume, seus cabelos negros eram lindos, o jeito que ela sorria quando estava distraída.
Estava difícil apagar a imagem dela, por mais que se esforçasse. Lembrou-se de como dançaram coladas, sonhara a noite inteira com aquilo. Desafiando a razão e a força de vontade, ela desde o momento em que a viu, ela a quis para ela.
Fechou os olhos e se viu naquele momento dançando com ela, os seus dedos deslizaram de leve ao longo da pele macia, o perfume dela, e o corpo feminino que se apoiou no seu, pois ela forçara a aproximação na dança, sorriu ao se lembrar do beijo que ela lhe deu e de como ela sentiu seu coração batendo, tão rápido como o dela. Depois como seus olhos ficavam ligados como imãs. Então se lembrou das palavras dela, que foram como uma ducha de água fria. “O problema não é você, sou eu. Existe um abismo entre nós”...
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