[Orfanato]

Estava brincando na escadaria com Sol e Wendy, minha boneca tinha cabelos loiros e um vestidinho azul, enquanto as de Sol e Wendy eram gêmeas, as duas tinham cabelos pretos e vestidos vermelhos com bolinhas brancas, os garotos brincavam com bolinhas de gude e empinavam pipa, o sol batia em nossos rostos, um carro preto se aproximou e estacionou ali em frente do orfanato, aquilo era normal, uma família vir conhecer as crianças do orfanato, ma mulher loira e um rapaz de cara séria saíram do carro, ao lado deles uma garotinho que segurava um carrinho de brinquedo, ele olhava para as outras crianças e talvez quisesse brincar, mas o pai lhe dirigia um olha tão frio que fez o garoto se encolher, logo as irmãs nos mandaram entrar, fomos para o nosso quartinho, e elas nos davam vestidos bonitos e delicados, irmã Maria deslizava a escova em meu cabelos, elas saíram e mandaram nós ficarmos sentadas na cama enquanto iam receber a família.

Minutos se passaram, eu batia os pés no chão impaciente, as outras crianças pareciam calmas conversando, então eu levantei e fui até a porta.

–Alasca!Onde você vai?

–Ver oque está acontecendo, venham.

–Irmã Maria mandou nós ficarmos aqui.-dei de ombros e empurrei a porta, andava devagar pelo corredor me escondendo atrás das pilastras quando via alguém passando, a família estava na sala da irmã Rose, empurrei devagar a porta olhando pela fresta, eles estavam sentados, enquanto a irmã falava de cada criança que vivia naquele orfanato, apenas o garoto não estava ali, oque ache estanho então fui procura-lo, andei pelo orfanato todo, e nada dele, enquanto passava pelas janelas, percebi um garotinho solitário sentando na escadaria e sorri descendo as escadas correndo.

–Oi-eu disse me sentando ao lado dele, que tomou um susto me olhando surpreso.

–Oi.

–Sou Alasca-eu estendi a mão sorridente, ele me olhou por um tempo, talvez pensando se devia ou não pegar na minha mão,

–Luke-apertamos as mãos ele voltou a olhar para o nada.

–Sabe brincar de pega-pega?-ele fez que sim com a cabeça, eu dei um sorriso.

–Ta com você-eu peguei nele, e sai correndo, pelos primeiros segundos ele ficou ali sentado, mas depois riu também e saiu correndo atrás de mim, nós riamos e um corria do outro até cansar, ficamos sentados na grama olhando para as formigas, meu vestido ja estava todo amarrotado e o cabelo de Luke todo bagunçado, mas nenhum de nós ligava para isso.

–Luke!-a mulher loira desceu a escadaria reclamando, o puxou do chão arrumando seu cabelo e limpando a terra de sua blusa, o pai dele conversava com irmã Rose, que me chamou, eu parei olhando para aquele homem de terno e barba feita.

–Olá Alasca.-sua voz era grossa, ele endireitou o seu óculos no rosto para me analisar melhor.

–Olá-tentei causar uma boa impressão com um sorriso meio banguela, irmã Rose se abaixou um pouco e me deu um abraço.

–Quem são eles irmã?

–Sua nova família, pequenina.-eu os olhei, A mulher loira ja estava dentro do carro e Luke estava no banco de trás olhando para a janela.

–Eu não quero ir.-meus olhos lacrimejavam.

–Porque não?

–Eu quero ficar com a Sol e a Wendy, quero ficar com você e as outras irmãs, quero ficar com meus amigos, eu não quero que eles me levem, não deixem eles me levarem irmã Rose.

–Calma, olha, você vai gostar da sua nova família, e juro, okey? Wendy, Sol e todos os outros vão visitar você em sua nova casa

–Jura?-ela fez que sim com a cabeça, eu dei um último abraço nela, o homem me guiou até o carro e eu me sentei no banco de trás ao lado de Luke.

–Ela vai com a gente?-Luke perguntou com seu carrinho vermelho na mão.-o homem de óculos disse que sim.

–Por que?

–Ela é sua nova irmã agora Luke.

O resto do caminho foi calmo, eles se apresentaram, o homem se chamava Sebastião, e a mulher loira com toda sua postura, Marta, eles me faziam diversas perguntas pelo caminho, e eu respondia todas olhando para a janela, foram minutos de silêncio depois, até Sebastião estacionar o carro em frente a um prédio, os portões se abriram, Marta passou reta pelo porteiro, Sebastião deu um aperto de mão amigável e ficou talvez uns cinco minutos falando sobre algum jogo de futebol com ele, entramos no elevador e finalmente fomos para o quarto andar quando as portas se abriram, Marta saiu na frente com Sebastião, e eu e Luke ficamos atrás, a porta foi aberta e mostrou um apartamento bem amplo, tinham quadros na parede, e a mobília era super sofisticada, o carpete estava limpo, e tinham quatro sofás com uma poltrona no meio, a janela estava aberta com as cortinas brancas, deixando o sol entrar.

–Alasca, ja conheceu seu quarto?-neguei, e Sebastião me levou até o quarto, passando por um corredor com portas de vidro, Marta chamou Luke para cozinha, queria falara sós com ele, quando Sebastião abriu a porta.

–Irmã Rose disse que você não gostava muito de Rosa, mas se quiser podemos mudar para um verde limão, ou...

–Rosa ta ótimo-sorri, tinha uma cama enorme e bem forrada, um abajur de cada lado, as prateleiras a cima tinham alguns ursinhos de pelúcia, e as estantes cheias de livros, tinha um aquário com um peixinho dourado, as janelas estavam abertas, e dava para uma sacada que mostrava todo o bairro.

–Você gostou? Se quiser podemos fazer algumas mudanças

–Não, esta perfeito, obrigada-eu o abracei, ele ficou imóvel por um tempo, mas depois retribuiu o abraço e depositou um beijo no topo de minha cabeça.

Ele saiu do quarto, e eu fui para o banheiro, entrei no box e com muito esforço consegui alcançar a torneira do chuveiro, a água era quente, e gostosa, e eu cantarolava no chuveiro.

(...)

Bati na porta devagar, Luke abriu, ele estava com uma bermuda e uma blusa listrada, o quarto dele era pintado em um azul claro, e ele tinha uma cama igual a minha, a Tv estava ligada e procurando nemo passava na Disney

–Oque foi?

–Você quer brincar?-eu sorri e tirei a mecha de cabelo do meu rosto.

–Mamãe disse que eu não posso me sujar, e que correr por ai não é ter bons modos.

–Ela não vai saber, voltamos e você troca de roupa antes dela dizer "Luke".-ele parecia indeciso, mas eu o puxei pelo braço, Marta não estava na sala, nem na cozinha, mas ouvia o som do chuveiro ligado, estava girando a chave na maçaneta então percebi uma sombra maior que a minha.

–Onde vocês pensam que vão? -Sebastião estava de braços cruzados.

–A gente só ia brincar-ele se agachou para fiar do meu tamanho, e olhou para mim sério.

–Então você estava chamando Luke para brincar?

–S-s-im, mas ele não queria, desculpa eu...

–Próxima vez que chamar ele para brincar-eu engoli em seco e senti meu coração bater mais forte-Não se esqueça de me chamar também.

Sebastião deu um sorriso, e eu me acalmei, quase tive um ataque cardíaco mas ri.

–Mas e mamãe?-Luke perguntou olhando para o corredor caso Marta aparecesse

–Bom...uma brincadeirinha não machuca ninguém, vamos, temos que voltar antes do almoço-Sebastião abriu a porta e nós saímos indo para o elevador, as portas se abriram e eu e Luke corremos para a rua, Sebastião nos levou para um parque ali perto, tinha outras crianças e eu e Luke logo nos misturamos, Sebastião sentou no banco da praça e tomava um sorvete enquanto lia um jornal. Luke se divertia com algumas outras meninas e meninos, subia e descia, pulava, rolava e corria, eu escalava e Sebastião, bom ele não parecia incomodado com aquilo.

Passaram-se minutos, que viraram horas, o céu estava escurecendo e as crianças largavam os brinquedos pegando as mãos das mãe e indo embora.

–Acho melhor nós irmos, Marta irá cortar a minha cabeça.-Sebastião olhava para o relógio surpreso, e andava rápido de volta ao apartamento, passou pelos portões quase correndo e esperava impaciente o elevador abrir, ele apertava os botões do elevador nervosos até que em fim as portas se abriram e fomos para o nosso apartamento, ao abrir a porta Marta ja estava parada com os braços cruzados olhando brava para Sebastião e em seguida para mim!

–Se divertiram?-Ela perguntou irônica

–Marta meu amor....

–Não me venha com meu amor Sebastião! E vocês-ela olhou para mim e para Luke-Já pro quarto, agora!

Me assustei com o tom de sua voz, Luke foi para o quarto sem dizer uma palavra assim como eu, me joguei na cama e liguei na Tv aumentando o volume, tentando não ouvir as reclamações de Marta com Sebastião.

...

Passaram-se vários minutos, horas, e ela ainda continuava a reclamar, não tão alto, mas ainda era possível ouvir sua voz, o relógio marcava meia noite, eu sai da cama com os pés descalços no chão frio, abri a porta devagar e fui até a sala, Marta estava em pé na frente de Sebastião, que passava as mãos pelos cabelos.

–Pelo amor de Deus Marta, eles são apenas crianças!

–Eu não quero meu filho correndo e se jogando no chão como essa garota Sebastião! Não se tem nada de sofisticado, educado ou alguma postura nisso!

–Eles são crianças! Têm seis anos Marta! Seis anos! Eles tem que se jogar no chão, tem que se jogar na lama, e rolar na grama, tem que subir em árvores e suarem quando estiverem brincando de pega-pega, eles não são como você, postura, postura, será que só pensa nisso mulher? Luke não sai com outros colegas ou brinca la fora, por que você é obcecada por essa coisa de postura e sofisticação, eles não vão se comportar como adultos, mas você Marta-dessa vez ele se levantou-Está se comportando como uma criança, e olhe que eles parecem bem mais maduros que você-sai correndo para o quarto e me deitei na cama quando percebi que Sebastião estava vindo.

Me cobri até o pescoço quando ele abriu a porta.-Boa noite.-Sebastião deu um beijo e minha testa e fechou a porta, pelos primeiros minutos fingia que estava dormindo, mas depois o sono começou a vir, e eu finalmente consegui sonhar, com galinhas e patos amarelos.