Em frente a escrivaninha de tio Joca, eu admirava o céu estrelado como sempre fiz. Embora, isso fosse um habito para mim o fato de eu ter vivido uma experiência que vislumbrava um acontecimento do futuro tornou tal ocasião diferente. A imagem, em meio a borrões, do planeta terra completamente destruído surgiu em minha mente, porém, não foi isso que me distraiu e sequer chamou sua atenção. Apesar do caos e da violência eu tinha a sensação que não foi por esse motivo que estava ali. Sentia onde deveria procurar e quem deveria encontrar. A avistei rapidamente, era uma jovem alta e ruiva, que aparentemente parecia ser bem frágil e que poderia ser confundida com uma modelo facilmente, seus olhos cor de jade mais pareciam duas bolas de gude e suas bochechas apresentavam leves pontilhados alaranjados (sardas).

A ultima coisa que me lembro desse episódio foi o par de olhos esverdeado que me encarava.

Hoje eu acordei com a sensação de que deveria estar em outro lugar. Faz nove meses que eu a vi quando estava em uma espécie transe e depois disso a presença dela em meus sonhos tornou-se tão comum que eu acabei me apegando , faz alguns dias, nove para ser exato, que aquela jovem não aparece mais em meu sonhos e isso tem sido extremamente angustiante. Eu queria encontrá-la mas não sei que é ela e era apenas em meios aos sonhos que uma ponte se erguia para nos aproximar. Sonhos. Eram eles a ponte que nos aproximava. Vê-la tornou-se um vicio meu, porém, agora não tenho mais a quem recorrer para encontrá-la.

Torturante. Enquanto, olho o meu reflexo no espelho a única coisa que consigo enxergar é a imagem da ruiva. Depois da terceira semana que a conhecia resolvi dar a ela esse apelido. Ruiva. Um gesto singelo de carinho e afeição.

Já são quase nove horas e estou novamente atrasado para chegar até o colégio. Arrumado e despreparado para o que o mundo tem a oferecer eu saio de casa e faço de skate o percurso que me leva habitualmente para o colégio.

— Alec, meu amor. Onde você estava?! Estou te procurando faz uma hora. – Diz Luíza impaciente.

Luíza é minha namorada. Pelo menos é isso que ela acha e vive espalhando por toda escola. Estudamos juntos desde o primário e ela sempre teve uma quedinha por mim mas só no ano passado, quando estávamos cursando o 2º ano do ensino médio, que começamos a namorar. Eu não a amo mas gosto dela, apesar do jeito escandaloso ela é uma excelente pessoa. Luíza é alta, magra, tem cabelos dourados e olhos violetas. Me apaixonei por seus olhos. Lembro que a primeira coisa que disse pra ela foi que lhe daria um beijo em troca de seus olhos. Assustada ela começou a chorar mas por fim se calou e resolveu roubar um beijo meu e acabou que desde daquele dia nunca mais nos separamos. Antes de sermos namorados somos amigos e me sinto muito mal por não ter falado nada sobre a garota que tem aparecido em meus sonhos. Tem vezes que parece que a estou traindo por não contar nada mas a conhecendo profundamente como a conheço, sei que não lidaria bem com uma informação desse tipo sendo ela uma das pessoas mais ciumentas que eu já conheci.

— Oi, querida. Você já deveria saber que eu estava correndo para não chegar mais uma vez atrasado. – Entrecortado por beijos e tapas lhe respondo carinhosamente enquanto afago seus cabelos.

— Pensei que tivesse acontecido algo muito sério. Você nem imagina a sensação horrível que tive quando entrei aqui no colégio. Foi como se alguma coisa terrível fosse acontecer e você estivesse envolvido. Fiquei completamente desesperada. – Conta Luíza com os olhos arregalados e cheios de lágrimas.

— Benzinho. Não se preocupe comigo, foi apenas mais um atraso. Se eu chegasse na hora certa aí sim era pra você ficar preocupado porque pra eu chegar cedo somente algo grave me faria chegar cedo. Relaxa...

-Alec, para de brincadeira. Será que você não vê que estou realmente preocupada ?! Se você acha que me acalmou dizendo essas coisas pode ficando ciente que nada disso adiantou. Pra falar a verdade só piorou. – Disse Luiza em tom repreensivo. – Estou com a sensação de que vou te perder. Não quero e não aceito isso. Alec, meu amor, você sabe que eu te amo, né ?!

-Amor, já disse pra parar de falar besteira. Está tudo bem e tudo vai permanecer assim... É claro que eu sei que você me ama. Eu também te amo. Luiza, eu te amo. Agora que estamos juntos nada vai nos separar.

— Me beija agora?

A puxo para mais próximo de mim e lhe dou um longo e intenso beijo. É preciso que alguém venha nos separar antes que as coisas fiquem mais calorosas e esse papel pertence ao querido diretor Nascimento, que nos manda mais uma vez para detenção. Sem fôlego me separo de Luíza obrigado e lhe dou um beijo na testa. Caminho em direção ao prédio de esporte do colégio quando de repente escuto atrás de mim um estrondo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.