Pais por acaso

41 Renesmee- Vida de casal


Acordei mais cedo do que Jacob, o que era raro. Ele dormia profundamente, respirando de forma ritmada, e eu aproveitei o momento para admirar sua tranquilidade antes de sair silenciosamente da cama.

Na cozinha, comecei a preparar café, tentando me acostumar à sensação de estar no apartamento dele — ou melhor, no nosso apartamento agora. Tudo parecia tão novo e emocionante, mas ao mesmo tempo um pouco intimidante.

Enquanto esperava a cafeteira, meu celular tocou sobre a bancada. Olhei para o visor e vi o nome do doutor Carter, meu novo chefe. Atendi rapidamente.

— Doutor Carter? Bom dia!

— Bom dia, doutora Culle . Espero não estar ligando muito cedo.

— De jeito nenhum, já estou de pé.

— Ótimo. — Ele fez uma pausa antes de continuar. — Hoje, teremos um grupo de alunos do último ano da Garfield High School visitando o hospital. Eles querem conhecer a rotina de um médico, observar procedimentos e entender mais sobre a carreira.

— Entendido.

— Pensei que você seria perfeita para acompanhá-los. É uma boa oportunidade para eles aprenderem com alguém que está tão próxima da realidade deles, mas já tem uma experiência relevante.

Senti um frio na barriga.

— Claro, doutor. Fico honrada pela confiança.

— Excelente. Eles devem chegar por volta das nove. Você pode encontrá-los no saguão principal e guiá-los pelo hospital.

— Estarei lá.

— Obrigado, doutora. Tenho certeza de que fará um excelente trabalho.

Desliguei a ligação e me peguei sorrindo. Era uma missão desafiadora, mas eu estava animada.

Meu sorriso se ampliou quando senti os braços de Jacob me envolverem por trás. Ele estava quente, ainda com aquele ar sonolento, e descansou o queixo no meu ombro.

— Bom dia, meu amor. — Sua voz rouca me fez estremecer.

— Bom dia. — Respondi, inclinando a cabeça para que nossos rostos quase se tocassem.

— Quem era no telefone? — Ele perguntou, beijando minha bochecha antes de olhar para a cafeteira.

— Meu novo chefe, doutor Carter. Ele me pediu para acompanhar um grupo de estudantes do ensino médio hoje.

Jacob arqueou uma sobrancelha e sorriu.

— Parece que já estão colocando você no comando.

— Talvez só porque sou a mais nova aqui.

Ele riu, apertando-me um pouco mais.

— Tenho certeza de que vão adorar você. Quem não adoraria?

Virei-me em seus braços para encará-lo.

— Você sempre sabe como me tranquilizar.

— Porque é verdade. — Ele me deu um beijo suave e depois se afastou, cheirando o café. — Agora, me diga: o café está pronto ou vou ter que fazer eu mesmo?

Eu ri, balançando a cabeça.

— Já está quase.

Enquanto o café terminava, fiquei ali com Jacob, sentindo que, apesar dos desafios que estavam por vir, tudo parecia no lugar certo.

Quando cheguei ao hospital, o movimento na recepção era mais animado do que o normal. Um grupo de adolescentes, claramente estudantes do ensino médio, estava reunido ali, conversando e rindo, alguns com mochilas nas costas, outros com uniformes da escola. O ambiente estava agitado e, ao mesmo tempo, parecia que o hospital estava sendo invadido por uma energia jovem.


Ainda estava me adaptando ao meu novo papel e, assim que entrei, vi o doutor Carter. Ao me ver, ele sorriu calorosamente e se aproximou.

— Dra. Cullen, bom ver você! — Ele cumprimentou, estendendo a mão. — Estamos prontos para começar.

— Bom dia, doutor Carter — respondi, sorrindo. — Estou pronta para acompanhar os alunos.

Ele me deu uma olhada rápida, como se estivesse avaliando minha prontidão, e então assentiu com um sorriso.

— Ótimo. Vamos apresentar você aos alunos.

Ele fez um sinal para a recepcionista que estava organizando o grupo. Uma mulher mais velha, com aparência autoritária, se aproximou, e Carter a cumprimentou rapidamente, antes de se virar novamente para os estudantes, que estavam curiosos, aguardando instruções.

— Pessoal, gostaria de apresentar a Dra. Renesmee Cullen, nossa médica residente aqui do hospital. Ela vai ser quem irá guiá-los durante a visita.

Os estudantes aplaudiram levemente e alguns acenaram para mim com sorrisos amigáveis. A inspetora da escola fez um sinal para que os alunos se organizassem em uma fila. Foi quando meu olhar se fixou automaticamente em um dos garotos, um adolescente com cabelo castanho escuro e um sorriso descontraído. Ele estava um pouco afastado do grupo, mas sua postura e a maneira como ele olhava me lembraram de Jacob de uma forma inquietante.

Ele tinha os mesmos olhos castanhos profundos, e até o sorriso parecia um reflexo do de Jacob. A sensação de déjà vu foi tão forte que, por um momento, quase perdi o foco no que estava acontecendo ao meu redor.

A inspetora, percebendo minha distração, retomou o comando, falando com o grupo de forma assertiva.

— Ok, pessoal, vamos nos organizar. Dra. Cullen, por favor, comece a tour.

Eu dei um passo à frente, tentando disfarçar o desconforto e a surpresa. Fui até o garoto, que me olhava com uma expressão confusa, mas também curiosa.

— Olá, você é...? — perguntei, tentando soar profissional, mas sem conseguir evitar a sensação de déjà vu.

Ele sorriu e, de maneira descontraída, respondeu.

— Joseph. E você deve ser a Dra. Cullen, certo?

Eu assenti, ainda com a sensação de estar olhando para alguém que eu conhecia, alguém com uma semelhança que eu não conseguia ignorar. O jeito dele, a expressão no rosto… era quase como ver Jacob em um jovem diferente, e isso me deixou intrigada e um pouco inquieta.

A inspetora, percebendo que a atenção dos alunos estava se dispersando, voltou a falar, desta vez com mais firmeza.

— Vamos, pessoal, sigam a Dra. Cullen. Ela vai nos guiar pelo hospital e mostrar a rotina dos médicos.

Enquanto começávamos a caminhar pelos corredores, minha mente não conseguia deixar de se perguntar: Quem era Joseph? Como ele poderia ter uma semelhança tão grande com Jacob? Eu tentava afastar as ideias da cabeça, mas a sensação de que havia algo mais naquela coincidência era forte demais para ignorar.

A visita aos alunos seguiu sem grandes incidentes, mas minha mente estava longe. Eu mostrava aos estudantes as várias áreas do hospital, explicando a rotina, como funcionavam os procedimentos, e respondendo às perguntas com um sorriso educado, mas minha atenção estava, na verdade, focada em Joseph. Ele parecia genuinamente interessado no que eu falava, e sua atenção era voltada para cada detalhe que eu mencionava. Durante todo o tempo, ele se aproximava de mim, perguntando sobre os procedimentos médicos, a rotina dos médicos, como seria a vida como cirurgião. Ele parecia, de fato, apaixonado pela medicina.

Depois de uma de minhas explicações, ele se aproximou mais, com os olhos brilhando de empolgação.

— Então, Dra. Cullen, você realmente acha que a cirurgia é a área mais emocionante da medicina? — ele perguntou, o entusiasmo evidente em sua voz.

— Para mim, sem dúvida. A adrenalina de uma sala de cirurgia, a precisão necessária, o impacto que você pode ter na vida de uma pessoa… é algo indescritível — respondi com um sorriso, sentindo-me à vontade ao conversar com ele sobre algo que eu amava.

Ele acenou com a cabeça, absorvendo cada palavra que eu dizia.

— Isso é o que eu quero fazer. Ser cirurgião. Eu sei que parece um sonho distante, mas sinto que é isso que eu nasci para fazer — ele disse, a voz cheia de determinação.

O comentário dele me fez sorrir. Ele parecia tão jovem, tão cheio de energia e sonhos, e de alguma forma isso me tocou.

— Se você tem essa paixão, não há razão para não tentar. A jornada pode ser longa, mas vale a pena — respondi, tentando ser o mais encorajadora possível.

Ele sorriu de volta, mas seu olhar estava fixo em mim, e por um momento, parecia que ele queria perguntar mais, talvez até compartilhar algo mais pessoal. No entanto, ele apenas ficou quieto, absorvendo as informações.

A turma seguiu para outra área do hospital, mas Joseph ficou para trás por um momento, como se quisesse continuar a conversa. Eu o observei de canto de olho enquanto organizava alguns papéis, até que ele finalmente se aproximou novamente, desta vez com uma expressão um pouco mais séria.

— Dra. Cullen, posso te perguntar uma coisa? — ele disse, com uma leve hesitação.

— Claro, Joseph — respondi, meu tom amigável.

Ele olhou para os lados, como se quisesse ter certeza de que ninguém estava ouvindo.

— Qual é o seu sobrenome? Eu sei que você se chama Renesmee, mas… é o sobrenome Cullen mesmo? — perguntou ele, a curiosidade em sua voz evidente.


Eu olhei para ele por um momento, surpresa pela pergunta. Mas eu sabia que ele apenas queria saber, sem intenções de ser invasivo.

— Sim, meu sobrenome é Cullen — respondi, dando de ombros, tentando soar descontraída.

Ele pareceu pensativo por um momento, e então, sem mais rodeios, ele disse:

— Eu sou Joseph Reeds.

O nome fez minha mente dar um salto. Reeds. Embora fosse um sobrenome comum, algo dentro de mim disparou. Eu não podia ignorar a sensação crescente de que havia mais nisso do que simples coincidência. A semelhança entre Joseph e Jacob era impressionante demais para ser apenas uma casualidade.

Eu tentei esconder a surpresa em meu rosto, mas era impossível. Tudo o que eu sabia, tudo o que eu sentia até aquele momento, indicava uma única explicação. Ou Joseph era incrivelmente parecido com Jacob, ou… ele era algo mais. Ele poderia ser… um filho perdido.

Enquanto ele falava com outros alunos, minha mente começou a trabalhar, e eu sabia que isso não era algo que eu poderia deixar passar. Eu precisava descobrir mais sobre Joseph Reeds. Precisava entender o que estava acontecendo, porque, de alguma forma, ele parecia ter algo a ver com a minha vida, com Jacob, de uma forma que eu ainda não entendia completamente.

Era uma sensação desconfortável, mas ao mesmo tempo, algo me dizia que essa era uma questão que eu precisaria resolver.