Pais por acaso

12 Renesmee- Questões familiares


Observar Alex Turner no leito me trouxe uma mistura de responsabilidade e orgulho pelo trabalho bem executado. Após o acidente de moto, ele passou por uma cirurgia de emergência para estabilizar duas fraturas no braço e conter uma hemorragia interna no abdômen. Participei ativamente do processo, assegurando que suas funções vitais estivessem sob controle e monitorando sua recuperação com atenção.

Depois de conferir os sinais vitais e o curativo, fiz algumas anotações no prontuário e me preparei para conversar com os pais do jovem, que aguardavam na sala de espera.

— Doutora Cullen, como está o Alex? — A mãe de Alex, uma mulher de olhar tenso, me perguntou assim que me viu.

— Ele está se recuperando bem, mas ainda em observação para garantir que tudo permaneça estável. A cirurgia foi bem-sucedida e, com repouso, ele terá uma boa chance de recuperação completa — expliquei, mantendo um tom profissional, mas acolhedor.

Ela assentiu, embora um leve franzido entre suas sobrancelhas mostrasse que ainda tinha dúvidas.

— E o doutor Black? Ele vai dar uma olhada também, certo? — O pai de Alex questionou, um pouco desconfiado ao perceber minha juventude.

— Sim, claro — respondi com um sorriso. — O doutor Black está atendendo outros pacientes agora, mas assim que possível, ele virá falar com vocês. Até lá, vocês podem aguardá-lo no quarto do Alex.

Eles concordaram com um aceno breve e foram em direção ao quarto do filho. Assim que se afastaram, soltei um suspiro aliviado e segui pelo corredor, perdida em pensamentos. Mas uma presença familiar chamou minha atenção: minha tia Alice.

— Tia Alice! — sorri ao vê-la, minha animação deixando qualquer preocupação para trás. — Quando voltou de viagem?

Ela abriu um sorriso iluminado, envolvendo-me em um abraço breve.

— Voltei na madrugada, querida. Por isso perdi a festa — explicou, fazendo uma careta brincalhona. — Mas me conte, como estão as coisas por aqui?

— Bem, dentro do possível. Mas você sabe, sempre tem algo novo para lidar — respondi, suspirando com um toque de cansaço. — E a viagem? Correu tudo bem?

— Foi maravilhosa! Pena que o tempo passou tão rápido. Mas agora estou de volta e pronta para colocar a conversa em dia — respondeu ela, os olhos brilhando com entusiasmo.

— Ótimo! Podemos sair depois do meu turno — sugeri animada, enquanto ela assentia, concordando com um sorriso.

Alice me lançou um olhar animado, o brilho de quem tinha uma proposta tentadora.

— Agora, hora de voltar ao trabalho. Quer me acompanhar em uma cesariana? Claro, só se isso não for te atrapalhar.

Sorri, adorando a ideia de participar de uma cirurgia com minha tia.

— É claro que eu quero — respondi, pronta para aprender mais com ela.

Seguimos juntas até a sala de cirurgia, onde a equipe já estava preparada para o procedimento. O ambiente era silencioso e concentrado, mas ao mesmo tempo carregado de expectativa e emoção. Alice me posicionou ao seu lado, e logo começamos o processo. Minhas mãos, firmes e cuidadosas, ajudaram a manter a área limpa e pronta, enquanto minha tia fazia a incisão com precisão e calma, transmitindo toda a experiência que ela carregava.

Quando finalmente o bebê nasceu, seu choro encheu a sala, rompendo o silêncio. Senti uma onda de emoção inesperada ao ver aquele ser tão pequeno e indefeso, envolvido pelos primeiros minutos de vida. Os pais, do outro lado, se emocionaram, os olhos brilhando de felicidade e lágrimas, completamente absortos pelo milagre que tinham diante de si. Por um breve momento, imaginei o que seria ter alguém me olhando com tanto amor incondicional — algo que eu nunca havia considerado, afinal, filhos estavam longe dos meus planos. Mas ali, naquela sala, senti um calor inexplicável no peito.

Quando tudo terminou e o bebê estava nos braços da mãe, Alice se virou para mim com um sorriso.

— Excelente trabalho, Nessie. Você realmente leva jeito para isso — disse, dando um tapinha leve no meu ombro. — Obrigada por estar aqui comigo.

Agradeci, ainda meio encantada com o momento, e nos despedimos, cada uma seguindo seu caminho pelo hospital.

Eu estava a caminho da lanchonete, ainda absorvendo o que acabara de presenciar, quando encontrei Seth. Ele parecia perturbado, o olhar perdido e a expressão abatida, o que despertou minha preocupação.

— Seth? — chamei, me aproximando dele. — Você está bem?

Ele olhou para mim, e o desespero em seus olhos me pegou de surpresa.

— Preciso conversar com alguém, Nessie... não sei mais o que fazer — disse, a voz embargada.

Sentei-me à frente de Seth, ainda sentindo o desconforto residual da noite anterior, mas ao ver seu estado abatido, deixei isso de lado. Ele olhava para o chão, as mãos apertando nervosamente o copo de café à sua frente.

— Seth, o que aconteceu? — perguntei, com empatia, tentando incentivá-lo a falar.

Ele respirou fundo e, depois de um momento, me olhou diretamente.

— Eu... ouvi meus pais conversando. Nessie, eu descobri que... Jacob não é meu pai.

Por um instante, fiquei completamente sem palavras. A revelação me pegou de surpresa, deixando-me em silêncio, enquanto eu tentava processar o que aquilo significava para ele — e para Jacob. Ainda assim, me forcei a manter a calma para passar alguma força a ele.

— Seth, eu... sinto muito que você tenha descoberto assim — murmurei. — Mas, olha, isso não muda o que Jacob significa pra você. Ele criou você, ele é... seu pai de coração, se não de sangue.

Ele me encarou, uma mistura de vulnerabilidade e dor nos olhos, e o silêncio entre nós ficou mais denso. Eu o observei, sentindo a angústia dele, e toquei sua mão, tentando transmitir alguma calma.

De repente, ele aproximou-se um pouco mais, os olhos cravados nos meus.

— Nessie... você sempre foi a única a me entender. Talvez seja por isso que... eu sinto que...

Antes que eu pudesse entender, ele inclinou-se na minha direção, a intenção clara no gesto. Eu congelei, sem saber como reagir, mas nesse exato momento ouvi uma voz familiar.

— Está acontecendo alguma coisa aqui?

Levantei os olhos, surpresa, e vi Jacob parado à nossa frente, o olhar avaliando a situação com uma expressão indecifrável.

Seth fechou a expressão ao ver Jacob, e sua voz saiu tensa e agressiva.

— Nada está acontecendo, doutor Black — Ele cruzou os braços, o rosto endurecido.

Jacob ergueu as sobrancelhas, mas manteve a calma.

— Seth, nós precisamos conversar. Isso tudo... não foi assim que eu queria que você descobrisse.

Seth deu uma risada amarga.

— Ah, sério? Não foi? — Ele balançou a cabeça, dando um passo para trás. — Não faz diferença, doutor. A verdade é que você nunca foi meu pai. Isso só confirmou o que eu sempre senti.

Tentei intervir, sentindo o clima pesado entre os dois.

— Talvez eu devesse deixá-los a sós... — sugeri, um pouco hesitante.

Seth balançou a cabeça rapidamente.

— Não, Nessie. Eu já vou embora. — Ele se virou, ignorando completamente Jacob, que tentou chamá-lo mais uma vez.

— Seth, espere... não precisa sair assim. Vamos conversar — Jacob insistiu, a voz carregada de uma preocupação quase paternal.

Seth, no entanto, não parou. Apenas continuou a caminhar, até que a porta da lanchonete se abriu e Leah entrou, observando a cena com uma expressão de preocupação.

— Seth! — Leah chamou, mas ele nem sequer parou, saindo sem olhar para trás. Ela olhou para Jacob, com um misto de compreensão e preocupação.

— Vou atrás dele. Talvez seja melhor você dar um tempo, Jake. Ele precisa de espaço agora.

Jacob assentiu, parecendo cansado e frustrado. Leah saiu apressada atrás de Seth, deixando-nos a sós. Eu me senti desconfortável, observando o impacto que tudo isso causava em Jacob.

Ele se virou para mim, os olhos mostrando a fadiga de uma situação que, claramente, o machucava.