Pais por acaso
45 Renesmee- Os Reed
Enquanto finalizava o relatório da visita escolar, minha mente estava uma bagunça. Não conseguia parar de pensar no garoto chamado Joseph. Havia algo nele que me perturbava profundamente. Não eram apenas os modos educados ou o interesse sincero que demonstrava durante a visita; era o fato de ele ser idêntico a Jacob.
Não podia ser uma coincidência. Algo naquela semelhança mexia comigo de um jeito que não sabia explicar. Respirei fundo, tentando afastar as perguntas que martelavam na minha cabeça, quando ouvi passos apressados. Jessica apareceu na porta do meu consultório, segurando um celular em mãos.
– Nessie, a equipe de limpeza encontrou o celular de um dos alunos da visita. O Dr. Carter pediu para eu te entregar.
Peguei o aparelho, olhando para ele.
– Obrigada, Jess. Vou descobrir de quem é.
Jessica me lançou um sorriso aliviado.
– Ainda bem. Eu não sei lidar com esses dramas de adolescente sem celular.
Ri fraco, tentando disfarçar minha inquietação. Assim que ela saiu, coloquei o celular sobre a mesa e voltei ao relatório. Mas minha concentração já era inexistente.
Minutos depois, o celular começou a tocar. A tela mostrou um número desconhecido. Atendi, ainda intrigada.
– Alô?
– Oi... É... Meu nome é Joseph. Eu estive no hospital hoje e acho que esqueci meu celular. Quem encontrou pode me devolver?
Meu coração deu um salto ao ouvir a voz dele. Era o garoto.
– Sim, encontramos o celular. Eu sou a Dra. Renesmee Cullen, estava responsável pela visita.
Houve um silêncio breve do outro lado, como se ele tivesse ficado surpreso ao ouvir meu nome.
– Ah... Obrigado, doutora. Posso buscá-lo?
Olhei para o relógio, considerando minha agenda.
– Estou prestes a sair do hospital. Posso entregá-lo, se você me passar o endereço.
Houve outra pausa antes de ele responder, a voz um pouco hesitante:
– Claro... Moro na 3943 Wallingford Avenue North, em Seattle.
Anotei o endereço e confirmei.
– Certo, Joseph. Estarei aí em breve.
– Obrigado, doutora – respondeu, antes de desligar.
Fiquei olhando para o aparelho por um momento, as mãos trêmulas. A ideia de que aquele garoto poderia ter alguma conexão com Jacob não saía da minha cabeça. Aquela semelhança não era normal, e eu precisava entender o que estava acontecendo.
Uma coisa era certa: a entrega do celular seria mais do que uma simples gentileza. Talvez fosse o início de uma verdade que estava prestes a vir à tona.
Aproveitei minha pausa para o almoço para entregar o celular de Joseph. Enquanto dirigia pelas ruas de Seattle, minha mente estava em um verdadeiro caos. O que eu faria se descobrisse que Joseph era filho de Jacob? E, mais importante, como ele poderia ser? Jacob nunca mencionou nada sobre um filho, e conheço a sua integridade.
Suspirei profundamente, tentando organizar meus pensamentos. O garoto era idêntico a ele, isso não era uma coincidência. Havia algo mais acontecendo, algo que eu precisava entender. Quando estacionei em frente à casa, um pequeno sobrado com uma cerca branca, meu coração estava disparado.
Desci do carro e caminhei devagar até a porta. Parei por um momento, respirei fundo e toquei a campainha.
A porta foi aberta por uma mulher de cabelos castanhos claros presos em um coque e olhos castanhos gentis, embora parecessem ligeiramente apreensivos ao me ver.
– Posso ajudar? – ela perguntou, tentando soar casual.
– Boa tarde. Sou a Dra. Renesmee Cullen, do Cullen Medical. Joseph esteve no hospital hoje e esqueceu o celular. Eu vim trazer para ele.
Assim que mencionei meu nome, percebi uma mudança sutil na expressão dela. O nervosismo ficou mais evidente, e suas mãos se uniram como se tentassem disfarçar algo.
– Ah... Claro. Sou Helen Reed, mãe de Joseph. Por favor, entre – disse ela, dando um passo para trás e abrindo a porta.
Hesitei por um momento, mas entrei. A sala era aconchegante, com móveis simples e fotos de família espalhadas pelas paredes.
Enquanto observava o ambiente, um homem de aparência robusta, com cabelos grisalhos e um sorriso acolhedor, apareceu pela porta da cozinha.
– Temos visita? – ele perguntou, olhando para mim.
– Mike, essa é a Dra. Renesmee Cullen, ela trouxe o celular de Joseph – disse Helen, lançando-lhe um olhar rápido. – Esse é meu marido, Mike Reed.
Mike estendeu a mão para mim, e eu a apertei educadamente.
– É um prazer conhecê-la, doutora. Por favor, sente-se.
– Obrigada, mas não quero incomodar. Só vim trazer o celular – disse, ainda me sentindo um pouco deslocada.
– Não é incômodo nenhum. Joseph! – chamou Mike, virando-se em direção à escada.
Passos rápidos ecoaram, e, em segundos, Joseph apareceu no topo da escada. Quando me viu, um sorriso se abriu em seu rosto, e ele desceu correndo.
– Doutora Renesmee! – disse, parecendo genuinamente feliz.
Estendi o celular para ele.
– Acho que você esqueceu isso no hospital.
– Ah, obrigado! Nem percebi que tinha deixado lá – ele disse, pegando o celular e parecendo um pouco envergonhado.
Enquanto ele agradecia, meus olhos se encontraram novamente com os de Helen. Algo na expressão dela me dizia que havia mais nessa história do que parecia. E, embora eu não soubesse ainda o que era, tinha certeza de que essa visita seria um marco para todos nós.
Joseph ainda sorria quando seus pais, Helen e Mike, trocaram olhares tensos. Um silêncio estranho pairou no ar antes de Helen falar:
– Joseph, querido, por que não nos deixa a sós com a doutora por um momento?
Joseph franziu o cenho, claramente desconfortável com o pedido.
– Não, mãe. Eu quero participar dessa conversa – ele disse, cruzando os braços, o tom firme para um garoto de sua idade.
A tensão na sala aumentou. Olhei de Helen para Mike, sem entender o que estava acontecendo.
– O que está acontecendo? – perguntei, tentando manter a calma, mas a confusão era evidente na minha voz.
Joseph me encarou diretamente, seus olhos brilhando com algo entre determinação e vulnerabilidade.
– Doutora Cullen, eu... Eu sou um Cullen.
Por um momento, pensei que tinha ouvido errado. Um silêncio pesado tomou conta da sala enquanto eu tentava processar aquelas palavras.
– O quê? – perguntei, a incredulidade transparecendo.
– Eu fui adotado – continuou ele, como se precisasse confirmar algo. – E descobri recentemente que minha mãe biológica é Elizabeth Cullen.
Minha mente ficou em branco. Senti meu corpo vacilar, e me sentei no sofá sem nem perceber o movimento.
– Isso... Isso é impossível – murmurei, olhando para ele, incapaz de esconder meu choque.
Helen respirou fundo, como se preparasse para algo difícil.
– Dra. Cullen... O que Elizabeth Cullen é para você?
O nome de Elizabeth soou como um eco na minha cabeça. Virei-me lentamente para Helen, minha boca seca e o coração acelerado.
– Elizabeth é minha tia – respondi, a voz saindo quase como um sussurro.
A sala pareceu girar por um instante. Meus olhos pousaram em Joseph, que estava parado, observando cada reação minha. Algo nele – os traços do rosto, o jeito como me olhava – era tão familiar que agora fazia sentido.
– Elizabeth Cullen é minha mãe biológica – repetiu Joseph, dessa vez com mais convicção, como se quisesse deixar claro que aquilo era um fato.
Minha mente começou a juntar as peças. Elizabeth. Jacob. A semelhança impressionante de Joseph com Jacob.
– Não... Não pode ser... – comecei a dizer, mas as palavras ficaram presas na garganta.
Mas podia. E, de repente, tudo parecia fazer sentido. Se Joseph era mesmo filho de Elizabeth, e se ele era tão parecido com Jacob... Então Jacob, meu Jacob, tinha um filho que ele nem sabia que existia.
Olhei para Joseph, ainda em silêncio, enquanto ele esperava por uma reação minha. Por fim, fechei os olhos e respirei fundo.
– Joseph... – comecei, minha voz trêmula. – Você tem certeza de que Elizabeth Cullen é sua mãe?
– Absoluta – ele respondeu.
Senti uma onda de emoções me invadir. Meu coração se partia por Jacob e por Joseph ao mesmo tempo.
– Eu acho... Eu acho que sei quem é seu pai – murmurei, as palavras saindo baixas, mas carregadas de peso.
Os olhos de Joseph se arregalaram, e Helen levou a mão à boca, chocada. O que eu acabara de deduzir mudaria tudo.
Narrado por Renesmee
O silêncio na sala parecia sufocar enquanto eu tentava processar tudo o que acabara de descobrir. Helen e Mike trocaram olhares, e Helen foi a primeira a falar.
– Nós adotamos Joseph quando ele ainda era um recém-nascido – disse ela, a voz tremendo levemente. – Nunca soubemos muito sobre a mãe biológica dele, a pouco tempo descobrimos que o nome dela era Elizabeth Cullen e que ela parecia determinada a entregar o bebê para adoção.
Joseph me olhava fixamente, seus olhos carregados de uma dor que me cortava o coração.
– Por que ela me abandonou? – ele perguntou, sua voz embargada.
Senti um nó se formar na minha garganta. Ele tinha o direito de saber, mas eu não tinha as respostas que ele buscava.
– Joseph... – comecei, tentando manter a calma. – Eu não sei. Mas vou descobrir.
Ele desviou o olhar, mas não antes de eu ver a mágoa profunda refletida em seus olhos.
– Ela não contou para ninguém sobre você – continuei, tentando ser o mais honesta possível. – Nem para a nossa família, nem para... Nem para o seu pai.
Helen franziu o cenho, claramente perplexa.
– Isso tudo é muito confuso – disse ela, balançando a cabeça. – Por que uma mulher esconderia do pai que teve uma criança? E por que ela daria o bebê para adoção sem contar nada?
Eu queria responder, mas as perguntas dela ecoavam os mesmos pensamentos que giravam na minha cabeça. Por que Elizabeth faria algo assim?
– Eu não sei – admiti, suspirando. – Mas vou tentar entender.
Peguei um cartão do bolso e entreguei a Joseph.
– Este é o meu número – disse. – Me ligue se precisar de qualquer coisa. Eu vou entrar em contato assim que souber mais, mas agora... Eu preciso ir. Preciso de um tempo para assimilar tudo isso.
Joseph assentiu lentamente, segurando o cartão como se fosse a coisa mais preciosa que ele já tivesse recebido.
Helen e Mike agradeceram enquanto eu me levantava. Ainda atordoada, caminhei até a porta e saí da casa dos Reed.
...
Entrei no carro com a mente girando. Meu coração estava acelerado, e eu sabia que precisava me recompor antes de encontrar Jacob. Peguei o celular para ligar para ele, mas, antes que pudesse fazer isso, ele me ligou primeiro.
– Ness? Onde você está? – ele perguntou, a preocupação evidente na voz.
– Oi, Jake – respondi, tentando soar mais tranquila do que me sentia. – Desculpe, tive um contratempo, mas já estou a caminho.
– Está tudo bem? – ele insistiu. – Estou esperando no restaurante.
– Está tudo bem – menti, respirando fundo. – Só precisei resolver algo de última hora.
Ele hesitou, mas sua voz ficou mais relaxada.
– Certo. Só não demora, tá? Pedi nossa mesa, e já tô morrendo de fome.
– Estou indo – respondi, tentando sorrir pelo tom descontraído dele. – Nos vemos daqui a pouco.
– Tá bom. Te vejo já.
Desliguei e coloquei o celular no banco ao meu lado, sentindo um misto de alívio e apreensão. Eu não podia falar sobre Joseph com Jacob agora. Não antes de entender o que realmente estava acontecendo e descobrir como lidar com isso.
Liguei o carro e dirigi em direção ao restaurante, ainda tentando digerir tudo o que tinha acabado de descobrir.
Fale com o autor