Pais por acaso
19 Jacob- Relações
Benjamin havia marcado uma reunião que estava fluindo tranquilamente até Benjamin soltar a notícia.
— Bom, acho que está na hora de revelar o verdadeiro motivo dessa reunião — ele disse, com um sorriso enigmático. — Jacob, agora é oficialmente o novo acionista. Acabei de vender para ele 30% das ações do hospital.
O silêncio durou um instante antes de Carlisle e Edward se entreolharem, surpresos e, logo em seguida, sorrindo de satisfação.
— Jacob, isso é fantástico! — Carlisle exclamou, genuinamente feliz. — A parceria com você só fortalecerá o hospital.
Edward também assentiu, parecendo impressionado. — É uma boa escolha, Jacob. Acho que ninguém mais qualificado poderia ocupar esse espaço.
Eu agradeci com um aceno, mas antes que pudesse responder, a porta se abriu, e uma voz familiar ecoou na sala.
— Desculpem a interrupção. — Renesmee entrou, um tanto sem jeito. — A secretária não estava lá, então resolvi vir eu mesma.
Ao vê-la, meu coração deu um salto inesperado, mas disfarcei com um sorriso leve. Benjamin, observando tudo, abriu um sorriso ao notar Nessie.
— Renesmee! Quanto tempo, hein? — Ele a encarou, admirado. — Você cresceu e se tornou uma mulher linda.
— E muito dedicada — completou Carlisle, com carinho no olhar.
Edward sorriu para a filha e se levantou, dando-lhe um abraço breve. — Filha, sempre uma boa surpresa te ver por aqui.
Ela sorriu para o pai, mas então seus olhos recaíram sobre mim, e meu coração acelerou novamente. Tentei manter a postura enquanto ela continuava.
— Pai, na verdade eu vim aqui para dar um recado da mamãe. — Ela lançou um olhar divertido para Edward. — Ela disse que já tentou te ligar várias vezes, mas parece que o “Rei do Hospital” está ocupado demais para atender.
Carlisle e Benjamin riram, e Edward balançou a cabeça, rindo também.
— Bom, eu sempre soube que minha esposa tem um talento para os apelidos — Edward disse, com um toque de ironia.
— Mais alguma mensagem que a “Rainha do Lar” deixou? — brinquei, arrancando mais risadas dos outros.
Renesmee sorriu, balançando a cabeça. — Nada além disso. A propósito gostaria de lembrad que temos uma reunião em uma hora, Dr. Black.
Assenti, tentando parecer calmo. — Obrigado, Nessie. Nos vemos na reunião.
Ela se despediu com um sorriso e saiu da sala, e assim que a porta se fechou, Benjamin me lançou um olhar provocador.
— Você estava babando pela Cullen, Jacob! Admita.
Fiz uma careta, tentando parecer impassível. — Nada disso. Só estava agradecendo pelo recado.
Carlisle deu um sorriso de lado, me analisando com um olhar divertido. — Jacob, para ser honesto, não seria uma má escolha. Você é um homem maduro, com uma boa cabeça nos ombros. E minha neta, bom... precisa de alguém assim ao lado.
Edward olhou para o pai, cruzando os braços com um sorriso cético. — Carlisle, por que você não diz isso pra Bella? Se tiver coragem, claro.
Todos rimos, e até eu me deixei levar, aliviado por ver que, ao menos por ora, tudo ainda estava no plano da brincadeira. Mas, lá no fundo, aquela conversa plantou uma pequena semente de algo que eu não poderia ignorar tão facilmente.
Depois de encerrar a reunião, caminhei até a sala dos Residentes, onde encontrei Nessie esperando por mim com alguns prontuários em mãos. Ela olhou para mim com aquele sorriso aberto que sempre me desarmava.
— Aqui estão os prontuários que você pediu, Dr. Black — disse ela, entregando-me as fichas. — Alguns casos são bem complicados, e acho que vou precisar da sua ajuda para entender alguns detalhes.
Peguei os prontuários, e começamos a analisá-los juntos.
— Qual caso está te dando mais trabalho? — perguntei, inclinando-me para examinar um dos prontuários que ela destacava.
Ela mordeu o lábio enquanto folheava as páginas. — Esse paciente aqui... o quadro clínico é instável, e a medicação atual parece não estar fazendo efeito. Pensei em ajustar a dosagem, mas...
Fiz um sinal para que ela continuasse, incentivando-a a explicar sua ideia.
— Bem, considerando os resultados dos exames mais recentes, acho que deveríamos tentar um tratamento mais intensivo, mas não tenho certeza se ele está fisicamente preparado para isso — ela concluiu, lançando-me um olhar que mostrava a insegurança de quem ainda está ganhando experiência.
— Você está no caminho certo, Nessie — eu disse, e a encorajei a confiar mais no próprio julgamento. — O que você sugeriu faz sentido. Só precisa ajustar a dose de acordo com o peso do paciente e monitorar os sinais vitais de perto.
Ela assentiu, aparentemente mais confiante, enquanto anotava alguns pontos. Quando levantou o rosto, percebi que havia algo diferente nela. Seus cabelos, antes presos, agora estavam soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros.
— Mudou o cabelo? — perguntei, um sorriso escapando. — Ficou ótimo assim.
Nessie corou levemente, mas tentou disfarçar com um sorriso de agradecimento. — Ah, obrigada... achei que precisava de uma mudança.
O silêncio que se seguiu foi breve, mas carregado de uma tensão que, ultimamente, parecia sempre presente entre nós. A verdade é que, nesses últimos dois meses trabalhando lado a lado com ela, estava sendo difícil não sentir algo a mais.
Terminamos a conversa e organizamos os prontuários, até que finalmente saímos juntos da sala.
— Bom, acho que agora vou ver os outros pacientes — disse ela, parada ao meu lado no corredor.
— Claro, nos vemos depois — respondi, tentando manter a voz neutra, apesar do sorriso que insistia em aparecer.
Ela acenou e seguiu pelo corredor, desaparecendo na esquina. Eu me virei para o lado oposto, mas não sem sentir o peso de tudo o que ela despertava em mim.
Nessie mexia comigo de uma forma que eu não conseguia mais evitar, e isso estava se tornando uma distração que, ao mesmo tempo, parecia inevitável.
O celular vibrou em minha mão com uma mensagem de Bree, exigindo explicações por eu ter saído do apartamento dela antes que ela acordasse. Suspirei e ignorei o aviso; sinceramente, aquele era o menor dos meus problemas agora.
Quando levantei o rosto, me deparei com Elizabeth parada bem no meio do corredor. Ela cruzou os braços e me observou com uma expressão fria, quase ameaçadora, que eu conhecia bem.
— Jacob, você realmente acha que ninguém notou? — disse ela, em um tom levemente envenenado. — Está se divertindo bastante com a minha sobrinha, não é?
O comentário me pegou de surpresa, mas mantive minha expressão impassível. Sabia que ela era uma pessoa difícil, mas ver sua sobrinha envolvida com alguém como eu claramente despertava um lado ainda mais hostil.
— Elizabeth, não sei onde você quer chegar com isso — respondi, firme. — Minha relação com Renesmee é estritamente profissional.
Ela soltou uma risada cínica, dando um passo à frente. — Não banque o inocente comigo, Jacob. Sei muito bem o que está acontecendo. Talvez você ache que pode manipular e usar quem quiser, mas não se engane: a Nessie não é uma das suas conquistas de ocasião. E se você cruzar essa linha, vamos ter problemas. Entendeu?
A ameaça era clara, mas não me intimidei. Inclinei-me ligeiramente, sustentando seu olhar com a mesma intensidade.
— Não preciso que você me diga o que eu posso ou não fazer, Elizabeth. E se eu tivesse algum interesse pessoal em Renesmee — o que não tenho —, não seria a sua opinião que mudaria isso.
Ela arqueou uma sobrancelha, mantendo o olhar afiado. — Ótimo, Jacob. Mas considere isso um aviso. Nessie é jovem e inocente... e minha família. Não vou ficar de braços cruzados vendo você brincar com ela como brinca com as outras.
Apertei o botão do elevador, segurando meu temperamento ao máximo. — Acho que já ouvi o suficiente, Elizabeth. Se tem algum problema real comigo, trate no escritório do diretor ou no conselho do hospital. Até lá, sugiro que respeite o meu espaço.
As portas do elevador se abriram, e entrei sem olhar para trás. Enquanto as portas se fechavam, senti a tensão do confronto no ar, mas, ao mesmo tempo, estava cansado de ceder a provocações.
Elizabeth podia ser uma pedra no caminho, mas não deixaria suas ameaças me afetarem.
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