Pais por acaso

80 Jacob - Fora de controle


Assim que entrei na sala de Carlisle, percebi que algo estava errado. Ele estava de pé, de costas para mim, com o celular ainda na mão e um semblante carregado demais para o clima de comemoração que tínhamos há poucos minutos.

— Carlisle? Aconteceu alguma coisa?

Ele se virou devagar, os olhos preocupados.

— Jacob… Acabaram de ligar da clínica. Elizabeth… fugiu.

Por um segundo, tudo parou. A imagem da Renesmee sozinha em casa, com Serena nos braços, explodiu na minha cabeça como uma bomba. Um aperto sufocante no peito me atingiu em cheio.

— Droga — murmurei, já saindo pela porta. — Renesmee ficou sozinha com a nossa filha.

— Jacob, espera — Carlisle tentou me conter. — A clínica acionou as autoridades, e…

— Eu não vou esperar! — Falei alto, sentindo o sangue pulsar nas têmporas. — Ela ficou sozinha. E a gente não sabe do que a Elizabeth é capaz.

Atravesso o corredor a passos largos. — Josh!— gritei.

Ele apareceu na porta do quarto onde Ethan ainda estava sendo babado por todo mundo.

— O que foi, pai?

— Vem comigo. Agora.

Seth apareceu logo em seguida, confuso.

— Que foi? O que aconteceu?

— Nada com o bebê, Seth. Mas preciso que você fique aqui, com sua família. Seu filho acabou de nascer. Foca nisso.


Ele assentiu, visivelmente preocupado, mas entendeu o recado no meu olhar. Não era hora de mais perguntas.

Josh veio atrás de mim, apressado. Entramos no carro e, assim que girei a chave, acelerei como se minha vida dependesse disso. E, de certa forma… dependia mesmo.

— Pai — Josh segurou o painel com força enquanto eu ultrapassava dois carros e cortava o sinal amarelo. — A gente vai chegar. Mas calma. Ela não vai conseguir passar pelos seguranças. O prédio é blindado. A gente tem câmeras, portaria, tudo.

— Elizabeth é imprevisível — murmurei, com os dentes cerrados. — E quando alguém desesperado quer fazer alguma coisa errada, ele não pensa em obstáculos.

Josh assentiu, mas eu vi a tensão se acumulando nele também.

Minutos depois, estacionei bruscamente em frente ao nosso prédio. Desci do carro e entrei no hall quase correndo, Josh atrás de mim.

O porteiro se levantou assim que me viu.

—A senhora Black… saiu há pouco tempo.

Meu coração parou.

— Saiu? — repeti, a voz falha.

— Sim. Ela saiu…com a bebê, pediu para avisa-lo que foi a praça próxima pois o senhor não atendia suas ligações.

Tirei o aparelho celular do bolso— Esta Descarregado.

— A proposito, uma mulher apareceu e disse ser Elizabeth Cullen, tia da senhora Black


Minha garganta secou. Virei para Josh, e o olhar dele espelhava o mesmo medo que explodia dentro de mim.


— Ela está atrás da Nessie.

Sem perder mais tempo, corri para fora com o coração disparado. Minhas mãos tremiam. Tudo o que eu conseguia pensar era chega a tempo, Jake. Pelo amor de Deus… chega a tempo.

Claro, meu amor, vamos continuar com o coração acelerado e a tensão tomando conta… Ainda sob a perspectiva do nosso Jacob:


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Correr pelas ruas de Seattle nunca tinha sido tão angustiante.


Josh e eu atravessávamos o centro, desviando das pessoas, dos carros, dos barulhos do mundo, como se nada mais importasse — porque não importava. Só havia uma coisa na minha cabeça: Renesmee e Serena.

— Ela deve ter ido para praça! — Gritei por cima do ombro. — É para onde ela sempre vai quando quer passear com Serena.

As ruas estavam cheias, o fim da tarde tingia tudo com um dourado confuso e quente. O som dos carros, das buzinas, das conversas... tudo se embaralhava, mas nada me impedia de correr.

Quando dobrei a última esquina, meu coração quase saiu pela boca. Do outro lado da avenida, vi Renesmee. E vi ela.

Elizabeth estava ali. E Nessie… Nessie a empurrava, como quem tenta afastar um fantasma.

— Nessie — gritei, com a alma na garganta, atravessando a avenida sem pensar, sem olhar pros carros que frearam e buzinavam. Só tinha uma coisa no mundo naquele instante: proteger.


Ela se virou ao ouvir minha voz, e Elizabeth também. Seus olhos estavam cheios de raiva. Um tipo de ódio que não era mais humano. Era dor. Era delírio.

Corri e me coloquei na frente da minha mulher, com os braços abertos.

— Chega. Não dá mais — falei firme, os olhos nos dela.

Josh apareceu logo atrás, ofegante, e segurou firme o carrinho da irmãzinha, olhando para Elizabeth com um misto de mágoa e incredulidade.

— A polícia está vindo — ele avisou.

Elizabeth deu um passo para trás, os olhos brilhando de fúria. Depois, seus lábios se curvaram num sorriso gélido, quase insano.

— Isso não acaba aqui.

E então fugiu. Sumiu entre as árvores do parque.

Ouvi o baque surdo do corpo da Renesmee caindo de joelhos na grama.

— Nessie! — me abaixei rapidamente, puxando ela contra mim. — Shh… você está bem, meu amor. Está tudo bem agora. Eu tô aqui.

Ela tremia, o corpo inteiro sacudido pelo susto, pelos nervos.

— Jake… — sua voz saiu fraca, quase um sussurro, enquanto ela agarrava minha camisa. — O que tá acontecendo? Por que ela fez isso? Por que ela disse que a culpa é minha?

Apertei ela contra o peito, envolvendo com todo o amor que cabia em mim.

— A gente vai resolver isso. Eu prometo. Mas agora… você e a Serena são a minha prioridade. Sempre foram. Sempre vão ser.


Josh se aproximou com o carrinho.

— Ela tá bem, pai. A Serena tá dormindo — disse baixinho, com um carinho enorme na voz.

Renesmee ergueu os olhos pra mim, ainda com lágrimas escorrendo pelas bochechas.

— Nossa filha… — sussurrou, e eu vi todo o medo que ela carregava. Medo de perder. Medo de não entender.

— Tá tudo bem agora, meu amor. Eu juro.

Um segurança do parque se aproximou, correndo. Uma mulher, provavelmente uma testemunha, falava ao lado dele:

— A moça ali quase teve o bebê roubado! Eu vi! Aquela mulher tentou agarrar a criança!

O segurança olhou pra mim, sério.

— Senhor… vocês querem denunciar isso às autoridades?

Segurei a mão da Nessie, ainda tremendo.

— Vamos sim. Mas minha esposa está muito abalada no momento. Só preciso acalmá-la primeiro.

Ele assentiu, compreensivo, enquanto Josh ficava ao nosso lado, firme como um verdadeiro protetor.

Eu olhei pra Serena, tão pequena e inocente, ainda adormecida… e depois pra Nessie, frágil no meu colo, e soube que nada mais no mundo importava. Elas eram tudo. E eu faria o que fosse preciso para mantê-las seguras.


Entrei no apartamento com Renesmee nos braços, o coração ainda em disparada. Josh vinha logo atrás com o carrinho da Serena. A porta se fechou atrás de nós, abafando o barulho da cidade lá fora, mas dentro de mim, tudo ainda era ruído. Preocupação. Raiva. Medo.


O celular vibrou no bolso.

Bella.

Atendi enquanto caminhava até a cozinha para pegar minha maleta de primeiros socorros.

— Bella?

— Jacob! — a voz dela estava aflita. — Fiquei sabendo… foi ela? Foi a Elizabeth?

Suspirei, olhando para Renesmee sentada no sofá, o olhar perdido, abraçando os próprios braços.

— Foi. Ela veio atrás da Renesmee no parque. Chegou a se aproximar da Serena. A gente chegou a tempo… mas por pouco.

Do outro lado da linha, o silêncio foi pesado.

— Nós estamos indo pra aí agora. O Edward já pegou as chaves do carro.

— Tá bom. Venham com calma. Ela já tá segura aqui. Só preciso dar uma olhada nela.

Desliguei e deixei o telefone na bancada. Peguei o kit de exames e fui até o sofá, me ajoelhando de frente pra Nessie, que agora me olhava com aqueles olhos assustados que partiam meu coração.

— Eu tô bem, Jake… — ela disse baixinho. — Só… confusa. Ainda tentando entender o que aconteceu.

Antes que eu respondesse, Joseph apareceu com Serena nos braços.

— Eu cuido dela, pai. Vai cuidar da Nessie. Ela precisa de você agora.

Olhei para o meu filho com o coração apertado de orgulho. Assenti e murmurei:

— Obrigado, filho.

Ele empurrou o carrinho devagar na direção do quarto, e eu voltei meu foco para a mulher da minha vida.

Segurei suas mãos, ainda geladas.

— Amor… eu só quis proteger vocês. Só isso.

Ela me olhava em silêncio, os olhos marejados.

— A Elizabeth… foi internada numa clínica de reabilitação há dois meses. Ela… ela perdeu o controle, Nessie. Já vinha dando sinais, mas... piorou muito. Só que fugiu. E agora isso.

Ela arregalou os olhos.

— Por isso ela estava tão diferente… tão… agressiva.

— Sim. E eu juro, Ness… — apertei sua mão com mais firmeza — ela não vai chegar mais perto de você. Nem da nossa filha. Nunca mais.

Ela não respondeu de imediato. Só me olhou como se buscasse um abrigo — e então se jogou nos meus braços. A abracei forte, sentindo o corpo dela tremer contra o meu.

— Eu fiquei com tanto medo, Jake… — ela sussurrou, com a voz embargada. — De algo ruim acontecer… de não conseguir proteger a Serena.

— Shhh… — acariciei seus cabelos, apertando-a mais forte. — Você nunca vai estar sozinha. Eu tô aqui. Sempre.

E naquele instante, mesmo com a tormenta ainda rondando lá fora, dentro de casa… só existia amor. E a promessa de que, aconteça o que acontecer, nós enfrentaríamos tudo juntos.