Pais por acaso

37 Jacob- Decisões


Entrando na sala dos residentes, percebi de imediato a tensão no ar. Seth estava de pé, o rosto vermelho, enquanto falava com Renesmee de maneira exaltada. Ela, embora claramente desconfortável, mantinha-se firme, os braços cruzados como uma barreira invisível entre eles.

— Estou interrompendo alguma coisa? — perguntei, minha voz firme enquanto cruzava os braços e olhava diretamente para Seth.

Seth virou-se para mim com um sorriso amargo.

— Não, claro que não. Só estou esclarecendo algumas coisas com minha ex-namorada. — Ele enfatizou as palavras de propósito, claramente querendo provocar.

— Já esclareceu o suficiente. — Respondi, mantendo minha postura. — Pode se retirar, Seth.

Ele bufou, balançando a cabeça em incredulidade.

— Ah, então é assim agora? — Ele deu um passo em minha direção, apontando o dedo. — Você acha que pode mandar em tudo, não é, Jacob? Inclusive na vida da Nessie?

— Seth, chega. — Minha voz saiu mais grave, e meu olhar não deixou dúvidas de que eu não estava disposto a discutir. — Essa conversa acabou.

Por um momento, achei que ele fosse se recusar a sair, mas então ele soltou um riso curto, amargo, e passou por mim, batendo a porta ao sair.

Jessica, que estava encostada na bancada ao lado, suspirou profundamente e virou-se para Renesmee.

— Você está bem? — perguntou ela, a voz cheia de preocupação.

— Estou. — Nessie respondeu, mas o olhar dela estava no chão, claramente abalada.

— Ele está passando dos limites, Nessie. — Jessica continuou, lançando um olhar na direção da porta por onde Seth havia saído. — Isso não é justo com você, nem com ninguém.

Antes que pudesse dizer algo, a porta abriu novamente, revelando minha secretária.

— Doutor Black, o doutor Cullen pediu para que o senhor vá até a sala dele.

Assenti, suspirando internamente.

— Obrigado. Diga a ele que já estou indo.

Virei-me para os residentes, que estavam claramente desconcertados após a cena.

— Todos para os seus postos. — Minha voz era firme, mas sem severidade. — Temos um hospital para manter funcionando.

Enquanto todos começavam a sair, Renesmee estava prestes a passar por mim.

— Nessie. — Chamei, suavizando o tom. — Está tudo bem?

Ela parou, olhando para mim com um misto de cansaço e irritação.

— Sim, Jacob. — Respondeu rapidamente, com um suspiro curto, antes de sair da sala sem me dar tempo de dizer mais nada.

Fiquei ali, por alguns segundos, sentindo o peso da situação. Entre Elizabeth, Seth e agora essa conversa com Carlisle, parecia que os problemas não davam trégua. Respirei fundo antes de seguir para a sala do doutor Cullen, tentando me preparar para o que quer que viesse a seguir.

Ao entrar na sala de Carlisle, percebi a tensão no ar. Edward estava lá, sentado ao lado da mesa, com uma expressão neutra, mas os olhos me analisavam cuidadosamente. Carlisle, por outro lado, mantinha o semblante calmo e gesticulou para que eu me sentasse.

— Jacob, sente-se, por favor. — Carlisle pediu, em seu tom usual de autoridade tranquila.

— Carlisle. — Cumprimentei com um aceno antes de virar-me para Edward. — Edward.

— Jacob. — Edward respondeu educadamente, embora sua voz fosse tão controlada quanto sua expressão.

Sentei-me, ajustando a postura, e esperei Carlisle começar.

— Jacob, vou direto ao ponto. — Ele começou, cruzando as mãos sobre a mesa. — Considerando todos os comentários recentes e a situação como um todo, acredito que seja melhor você se dedicar exclusivamente ao novo hospital na Pike Street, em Seattle.

Não era exatamente uma surpresa. Eu já tinha considerado essa possibilidade nos últimos dias.

— Eu já esperava por isso. — Respondi com calma. — Imagino que já tenham alguém para assumir os residentes.

— Sim. — Edward interveio, os braços cruzados enquanto me observava. — Carter será o responsável por assumir os residentes daqui para frente.

Assenti, um sorriso de aprovação surgindo em meu rosto.

— Carter é uma excelente escolha. Tenho certeza de que ele fará um ótimo trabalho.

Carlisle deu um leve sorriso, aliviado pela minha reação tranquila.

— Fico feliz que concorde, Jacob. Você fez um trabalho excepcional até aqui, e sua dedicação ao novo hospital será essencial para o sucesso de tudo que planejamos.

Levantei-me, estendendo a mão para Carlisle.

— Obrigado pela confiança. Vou organizar tudo para que a transição seja tranquila e eu possa me dedicar totalmente ao novo hospital.

Carlisle apertou minha mão, uma expressão genuína em seu rosto.

— Tenho certeza de que fará um ótimo trabalho, Jacob.

Ao virar-me para sair, Edward falou.

— Jacob, será que podemos ter um momento? Quero conversar com você.

Hesitei por um instante, mas assenti.

— Claro, Edward.

Carlisle levantou-se.

— Vou deixá-los à vontade. — Disse ele, antes de sair da sala e fechar a porta atrás de si.

Olhei para Edward, que se levantou e colocou as mãos nos bolsos, parecendo escolher cuidadosamente as palavras.

— Pode falar, Edward. Estou ouvindo. — Quebrei o silêncio, mantendo o tom neutro, mas direto.

Edward permaneceu em silêncio por um momento, seu olhar fixo no chão antes de finalmente levantar os olhos para mim.

— Jacob, preciso ser honesto com você. — Ele começou, sua voz carregada de emoção contida. — Ainda estou tentando processar tudo isso.

Eu mantive minha postura firme, mas respeitosa, deixando que ele continuasse.

— Você precisa entender que, para mim, Nessie ainda é minha menininha. — Ele balançou a cabeça, soltando um suspiro. — De repente, descobri que ela está em um relacionamento sério... e grávida. Com você.

Edward fez uma pausa, esfregando a nuca enquanto organizava seus pensamentos.

— Mas, quando vi como Bella aceitou tudo isso tão bem, percebi algo. — Ele olhou diretamente para mim. — Tudo o que importa agora é a felicidade de Nessie.

Engoli em seco, sentindo o peso de sua sinceridade.

— Edward... eu amo sua filha. — Falei com toda a honestidade que conseguia reunir. — Amo Nessie mais do que qualquer coisa neste mundo. E prometo que vou fazer de tudo para que ela seja feliz.

Edward respirou fundo, assentindo lentamente.

— Acho que eu já sabia disso, mas precisava ouvir você dizer.

Ele deu um passo à frente, estendendo a mão.

— Bem-vindo à família, Jacob.

Apertei sua mão firmemente, uma sensação de alívio tomando conta de mim.


— Obrigado, Edward. E pode ter certeza: tudo o que eu quero é a felicidade da Nessie.

Edward soltou minha mão e, pela primeira vez naquela conversa, sorriu de verdade.

— Então estamos de acordo.

Assenti, sentindo um novo respeito entre nós.

Eu estava organizando alguns papéis na minha mesa, tentando manter a mente focada no trabalho, quando ouvi um leve bater na porta. Levantei os olhos e lá estava Nessie, com um olhar hesitante.

— Posso entrar? — Ela perguntou, sua voz suave, mas carregada de preocupação.

— Claro, sempre. — Respondi, indicando a cadeira à frente da minha mesa.

Ela fechou a porta atrás de si e deu alguns passos à frente antes de finalmente se sentar.

— É verdade? — Ela começou, seus olhos buscando os meus. — Que você vai deixar o hospital?

Respirei fundo, me preparando para a conversa.

— Sim, é verdade. — Confirmei. — Carlisle e eu achamos que seria melhor assim, considerando os comentários e tudo o que está acontecendo.


Ela abaixou o olhar, mordendo o lábio.

— Mas você está bem com isso? — Ela perguntou, genuinamente preocupada.

— Estou. — Inclinei-me para a frente, segurando suas mãos nas minhas. — Nessie, tudo isso é para o nosso bem. Quero que você fique tranquila, que se concentre no seu trabalho sem nenhuma pressão.

— Mas eu sinto que é injusto. — Ela respondeu, sua voz quase um sussurro.

— Nessie. — Falei, apertando levemente suas mãos. — Eu faria qualquer coisa para te proteger, para proteger o nosso bebê. Isso não é um sacrifício para mim, é o que eu preciso fazer.

Ela olhou para mim, seus olhos marejados, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, inclinei-me e a beijei com carinho, tentando transmitir tudo o que sentia por ela naquele momento. Quando nos separamos, eu me levantei, indo até a gaveta da minha mesa.

— O que você está fazendo? — Ela perguntou, curiosa e um pouco confusa.

Abri a gaveta e tirei uma pequena caixinha de veludo azul. Quando me virei para ela, seus olhos se arregalaram.

— Jake...

Eu sorri, abaixando-me em um joelho diante dela.

— Nessie, eu sei que as coisas têm sido uma loucura ultimamente. — Comecei, abrindo a caixinha para revelar um anel delicado, com um pequeno diamante no centro. — Mas o que eu sei, com toda a certeza, é que eu te amo. Amo você e o bebê que estamos esperando. E eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas, e seu sorriso hesitante me fez sentir um aperto no peito.

— Então, Renesmee Carlie Cullen, você aceita se casar comigo?

Ela ficou em silêncio por um momento, olhando para o anel e depois para mim. Finalmente, respirou fundo e falou:

— Jake, isso significa muito para mim. E eu te amo, de verdade. Mas... eu preciso pensar.

Fiquei um pouco surpreso, mas rapidamente escondi minha frustração. Levantei-me devagar, segurando sua mão.

— Eu entendo, Nessie. — Respondi, com um sorriso sincero. — Isso é um passo enorme, e eu quero que você tenha certeza.

Ela se levantou, jogando os braços ao redor do meu pescoço.

— Obrigada por entender. — Disse ela, com a voz abafada contra meu peito.

Eu a abracei de volta, sussurrando contra seu cabelo:

— Sempre vou esperar por você, Nessie.

Ela sorriu contra meu ombro, e naquele momento, apesar da incerteza, tudo parecia estar no lugar certo.