Paily: Winter and Pool
5 Reconcilição
Paige ainda a admirava se afastar quando foi surpreendida por Lucy, que tomou todo seu campo de visão animadamente. Sua amiga estava mais animada do que o de costume.
Ela estalava os dedos em sua frente, mas Paige estava tão compenetrada em admirar Emily que a ignorou como que involuntariamente.
Nem pode perceber que suas bochechas se mantinham coradas devido ao contato físico que havia estabelecido minutos atrás com a garota, muito menos pode perceber que, para alguém que era para se manter indiferente, estava afetada demais.
– Paige, você está me escutando? – Perguntou Lucy empurrando-a pelo ombro esquerdo.
– O que foi Lucy? – esbravejou Paige descontente. Sem desviar os olhos da garota que ainda ia de encontro à mãe.
– Eu é que pergunto o que foi? Está tudo bem? – questionou Lucy admirada com a maneira grosseira que a amiga se dirigiu a ela.
Lucy então olhou para a direção que a amiga estava tão compenetrada e pode perceber os cabelos castanhos úmidos se afastando.
– Sim... Sim estou. – Resumiu Paige, por fim olhando para Lucy, logo após Emily ter saído de seu campo de visão.
Emily... Aquele nome era perfeito para ela. Na verdade ela toda a era perfeita. Pensou Paige consigo.
– Pois não me parece. – Questionou Lucy sem ainda entender o que se passava. Como que por um segundo quase tudo fez sentido, mas logo deixou de fazer, porque ainda tentava entender a fascinação de Paige pela tal garota nova.
– Já disse que estou bem. O que você quer? – Perguntou ela bufando irritada.
– O seu humor hoje está detestável! Por acaso é por causa da garota nova... – proferiu Lucy tentando puxar assunto
– Me faça um favor Lucy, não me fale dessa garota! Eu preciso sair dessa escola, nem sei o que estou fazendo aqui ainda. – se corrigiu Paige caminhando para a saída lateral, com Lucy em seu encalço.
Como boa amiga, Lucy sabia que quando Paige evitava falar sobre algo. Era melhor não falar sobre esse algo, pois Lucy sabia a amiga que tinha.
Paige não era uma pessoa fácil de lidar, e talvez por isso ela fosse sua única amiga em Rosewood e no universo.
Paige McCullers sabia ser cruel quando queria. E até mesmo quando ela não o queria ela o era. Anos de convivência haviam lhe mostrado aquilo, devia ser herança de família, porque a família McCullers era exatamente parecida naquele quesito. Pelo menos no pouco que notara.
– Você tinha me prometido que iria ao karaokê hoje! Lembra?? David convidou Sean! – disse Lucy como que se esquecendo do que havia ocorrido há segundos atrás, voltando a sua animação normal.
Ela tentava acompanhar Paige meio que correndo até seu carro.
Sean! Um encontro com Sean Ackard. Isso era tudo o que precisava naquele momento. Pensou Paige consigo.
Nem somando todos os seus planos mirabolantes juntos surgiria uma oportunidade tão perfeita para um encontro com o garoto mais popular e gato da escola.
Aquilo seria mais do que perfeito. Não que quisesse provar algo para alguém, mas Sean era Sean. Seria muito, pedir que ele a fizesse sentir borboletas no estômago?
Já estavam no estacionamento, e enquanto Paige desativava o alarme de seu Volvo, fitou a amiga como que estabelecendo um plano mental para a noite. Sean Ackard!
– Oito horas, estarei lá! – confirmou Paige sem pensar muito, porque se ficasse mais dois segundos pensando optaria por morangos e um filme de terror qualquer.
E então entrou no carro.
– Quer uma carona? – perguntou Paige, antes de colocar a chave na ignição.
– Não precisa, vou esperar David! – Lucy então colocou a mão sobre o vidro do motorista para que Paige o abaixasse. Após seu comando ser obedecido. A garota abaixou a silhueta e olhou desconfiada com seus pequenos olhos azuis para a amiga.
– Não nos dê o bolo, vamos te esperar! – interrompeu Lucy sem ainda acreditar que conseguira fazer Paige McCullers mudar de planos.
– Já disse que vou, não disse? Então, me deixa! Estou indo pra casa. Qualquer coisa me ligue. – argumentou tentando não parecer irritada por Lucy achar que ela daria o bolo neles.
Paige sabia que fora um pouco grossa com Lucy, e sua intenção não fora essa, mas estava irritada e tudo por culpa daquela garota. Depois pediria desculpas, no momento só queria ir para casa e espairecer um pouco a cabeça.
Paige deu marcha ré no veículo e saiu da escola. Precisava ir para casa.
Seus planos para a noite era descansar, mas não conseguiria descansar se continuasse a focar seus pensamentos em Emily, e na maneira que ela abalara sua mente tão equilibrada.
Que diabos aquela garota fizera com ela?
Porque Emily Fields tinha que ser tão, tão... bonita, meiga e sedutora. Tudo seria tão mais fácil se ela não fosse tão provida de beleza e usasse uns óculos garrafais. Pensando melhor, nem com óculos garrafais ela conseguiria parecer menos atraente. Com certeza isso seria um charme a mais.
Tinha que parar de pensar naquela garota, seus pensamentos estavam se direcionando a ela, a todo o instante. E aquilo nem de longe parecia certo.
Emily acabara de chegar em casa. No caminho não trocara uma palavra com sua mãe.
Poderia parecer estranho para quem via aquela situação de fora, mas há dias ela se estendia, e Emily tinha a consciência tranquila, pois não fizera nada de errado.
Enquanto Pam não mudasse sua mentalidade as coisas ficariam daquela maneira. Emily prometera a si mesma.
Não era nenhuma criança para a mãe tê-la que busca-la na escola.
Aquilo era ridículo, ainda mais porque ela já tinha habilitação e um carro. Um carro que estava parado na garagem a semanas por conta de reprimenda que sofrera. Fazia parte do castigo.
Ao chegar em casa a primeira coisa que fizera fora tomar uma banho quente e para logo depois se agasalhar bem. Estava uma noite fria.
Emily havia acabado de se jogar embaixo das cobertas e acompanhava a maratona de “Faking It” * que passava na tv. Ainda não sabia se aquilo havia sido uma boa ideia.
Não se tinha muitas opções para uma sexta a noite naquela cidade e quando não se tinha amigos, elas diminuíam pela metade.
– Em, precisamos conversar – Emily escutou sua mãe batendo a porta, para logo em seguida abri-la.
Emily desviou a atenção da televisão e olhou em direção a porta.
Tudo o que menos queria naquele momento era conversar. Já se passava das sete horas da noite, e não queria se indispor com a mãe.
Emily olhou para Pam e percebeu que seu semblante era sereno.
– Venho em missão de paz! – completou ela com uma pequena caixa nas mãos.
Talvez não custasse nada ser um pouco amigável. Também já estava cansada de brigar.
Aquela situação não fazia bem a ninguém, mas não iria ceder. Não se esquecera do que sua mãe fizera.
A afastara da pessoa que amava. Maya.
– Não quero que as coisas continuem assim, elas nunca foram e para mim isso já está insustentável.
– Você fez suas escolhas mãe e eu fiz as minhas, não há complicações nisso. Na verdade tudo é muito simples.
– Filha, eu realmente quero ser compreensiva, mas entenda que para mim é complicado. – Emily pode perceber que a mãe estava se esforçando, Pam procurava as palavras certas para se expressar. — Não é fácil para mim, por exemplo, aceitar a maneira como aquela garota te olhava hoje.
– Que garota mãe? – Emily a questionou surpresa.
– Você sabe Emily! A garota da equipe de natação.
Porque justo sua mãe tinha que recordar daquela garota.
Em estava se esforçando para tentar esquece-la. O que menos precisava naquele momento era outra garota em sua vida, outra garota complicada.
Por mais que não quisesse sentir-se atraída, por aquela garota de cabelos curtos e olhos verdes, Emily não conseguia disfarçar a maneira como seu corpo respondera a ela.
Tudo era ainda muito recente. Seus sentimentos por Maya ainda eram conflitantes, e realmente não esperava que outra pessoa fosse atraí-la tão cedo.
Não outra garota. Muito menos uma garota como Paige.
Paige era totalmente o oposto de Maya, e mesmo assim ela conseguira chamar sua atenção e abalá-la. Paige possuía uma beleza singular, não fazia o tipo de Emily. Primeiro porque o tipo de Emily era Maya, e segundo porque nenhuma outra garota além de Maya a fizera ter aquela sensação no estômago.
– Paige. O nome dela é Paige mãe. – proferiu Em, em resposta a reação de seu corpo a simples menção da garota.
A mãe lhe olhava como que se tentasse entender que se passava em seu interior.
Era bom que ela não soubesse.
– Cidade nova, vida nova. Vou tentar me esforçar. E por isso vou confiar em você.
Aqui está meu pacto de paz. – disse Pam lhe estendendo a pequena caixa. Ao abri-la Em pode ver a chave do Toyota com o seu chaveiro de golfinho, prateado que seu pai lhe dera de presente de aniversário de dezesseis anos, junto com o carro.
Emily olhou para a mãe e viu que os olhos dela lacrimejavam.
Ela realmente estava se esforçando.
– Ouvi dizer que no Grill da rua principal tem um ótimo karaokê, sei que sente falta do Texas, e não quero ser a pior mãe do mundo – Pam se aproximou e deu um leve beijo na bochecha da filha. — Não vá muito longe, e por favor, tome cuidado com essas garotas por ai, algumas realmente não sabem o quão especial você é.
Então Pam saiu do quarto, antes mesmo que Em pudesse mentalizar qualquer coisa para dizer. Aquilo era real mesmo? Em se perguntou.
Não sabia o que havia acontecido com sua mãe, e nem em seus sonhos a reconciliação poderia ter sido tão tranquila.
Ainda estava em dúvida se sairia de casa.
Como era sexta feira e acabara de tecnicamente quebrar uma barreira entre sua mãe e o preconceito. Uma comemoração era mais do que merecida. Só por isso resolveu trocar de roupa e sair.
Era do tipo de garota que se arrumava para sair, mas já havia algumas semanas que aquilo não lhe importava muito.
Emily vestiu o primeiro jeans que viu no guarda roupa e o primeiro casaco também. Calçou seu Converse e desceu as escadas.
Nada estragaria sua noite.
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