Pactos do destino

1 A descoberta


Notas iniciais
Oi, pessoal, tudo bem?

Decidi finalmente colocar no papel a história da Elisa. Espero que gostem deste romance cheio de mistério e magia. Desejo que vocês se apaixonem por ela, assim como eu me apaixonei.

Um abraço e boa leitura!

Elisa estava sonhando com um grande baile de máscaras em um salão majestoso. O teto alto, adornado com afrescos delicadamente pintados, mostrava cenas de deuses e deusas dançando entre as nuvens. Lustres de cristal pendiam do teto, lançando reflexos cintilantes por todo o salão. Paredes decoradas com tapeçarias ricas e douradas contavam histórias de batalhas e vitórias antigas. O chão de mármore branco e preto formava um padrão de tabuleiro de xadrez, onde casais elegantemente vestidos dançavam ao som de uma orquestra ao vivo.

No centro do salão, Elisa estava com um vestido de seda azul, com bordados prateados que refletiam a luz ao se mover. Seu rosto estava coberto por uma máscara intrincadamente trabalhada, que deixava apenas seus olhos verdes à mostra. Ela girava graciosamente, conduzida por um homem misterioso de quem se apaixonara. Ele usava um traje negro com detalhes dourados, e sua máscara ocultava sua identidade, mas seus olhos, profundos e cativantes, diziam tudo o que Elisa precisava saber. Eles dançavam em perfeita harmonia, como se tivessem feito isso mil vezes antes.

Então, no auge do sonho, quando tudo parecia perfeito e mágico, Elisa ouviu o som suave e persistente da voz de sua tia Paula. A realidade começou a se infiltrar no sonho, e o salão majestoso começou a desvanecer. O som da orquestra foi substituído pelo canto dos pássaros e a luz dos lustres deu lugar aos raios de sol que entravam pelas frestas das cortinas do seu quarto.

Ao abrir os olhos, viu a figura familiar ao lado de sua cama, com uma expressão mais séria do que nunca. O sol da manhã entrava pelas frestas das cortinas, iluminando o quarto de forma quase celestial.

O quarto de Elisa, com suas paredes em tons de azul claro e móveis de madeira escura, refletia a arquitetura colonial da casa onde vivia. Localizada em uma pequena cidade de Minas Gerais, a casa tinha um charme rústico, com janelas grandes de madeira, pisos de tábuas largas e móveis antigos que contavam histórias de gerações passadas. Fotos emolduradas de paisagens e momentos familiares adornavam as paredes, dando um toque acolhedor ao ambiente.

— Elisa, precisamos conversar — disse tia Paula, a voz tremendo levemente. Elisa nunca a tinha visto assim, tão perturbada.

Sentando-se na cama, Elisa esfregou os olhos e tentou afastar o torpor do sono. — O que houve, tia Paula? Você está bem?

Tia Paula respirou fundo, como se estivesse se preparando para uma tarefa monumental. — Elisa, tem algo que você precisa saber. Algo que eu deveria ter contado há muito tempo.

O coração de Elisa começou a bater mais rápido. A seriedade no tom de tia Paula a deixou inquieta. — O que é?

— Elisa, você não foi enviada para o Brasil apenas para estudar e viver uma vida normal. Você foi mandada para cá para ser protegida. Protegida da loucura que envolve a realeza do seu país de origem.

Elisa franziu a testa, tentando compreender as palavras. — Realeza? Do que você está falando?

Tia Paula fechou os olhos por um momento antes de continuar. — Elisa, eu não sou sua tia de verdade. Meu verdadeiro nome é Paula de Castela e eu fui designada para cuidar de você. Sua verdadeira família é da realeza europeia. Houve uma conspiração, uma luta pelo poder que colocou sua vida em risco. Seus pais decidiram que a melhor maneira de mantê-la segura era mandá-la para longe, para o Brasil, sob a minha proteção.

A mente de Elisa girava com a revelação. Ela olhou fixamente para tia Paula, ou Paula de Castela, tentando processar o que estava ouvindo. — Então... toda a minha vida, tudo o que eu conheço, é uma mentira?

Por um momento, o quarto pareceu girar ao redor de Elisa. Sua visão ficou turva, e ela sentiu as pernas fraquejarem. Ela quase desmaiou com o peso da revelação, uma verdade esmagadora que a atingiu como uma onda incontrolável. Ela teve que se segurar na beirada da cama para não cair. Sua respiração ficou ofegante, e ela sentiu o mundo desmoronar ao seu redor. O choque e a incredulidade eram avassaladores.

— Não é uma mentira, Elisa — disse Paula suavemente, tentando acalmá-la. — Era uma proteção. Seus pais te amavam muito e fizeram o que acharam melhor para te manter segura. Mas agora, você tem o direito de saber a verdade e decidir o que fazer com ela.

Elisa sentiu uma onda de emoções inundá-la: confusão, raiva, tristeza, mas também uma estranha sensação de alívio. Finalmente, algumas das peças que nunca fizeram sentido em sua vida estavam se encaixando. Paula nunca tinha sido emocionalmente disponível, sempre mantendo uma distância fria e profissional. Agora, entendia o porquê.

— E os meus pais? — perguntou Elisa, a voz tremendo.

Paula desviou o olhar, sua expressão se tornando ainda mais grave. — Eles morreram, Elisa. Foi durante o conflito, tentando proteger você e a si mesmos. Eles amavam você mais do que tudo e fizeram o sacrifício final para garantir sua segurança.

Elisa sentiu uma onda de dor e tristeza avassaladoras. Suas pernas fraquejaram e ela teve que se sentar novamente na cama. As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.

— Então, eles se foram? Para sempre? — sussurrou ela, quase inaudível.

— Sim, Elisa. Eu sinto muito. Eu deveria ter contado isso antes, mas achei que era melhor mantê-la longe de toda essa dor.

Paula se levantou e foi até a mesa ao lado da janela, pegando uma pasta grossa e um celular. — Aqui estão todos os seus documentos. Passaporte, certidão de nascimento, informações das contas bancárias e um cartão de crédito. — Ela colocou a pasta nas mãos de Elisa, junto com o celular. — Este celular deve permanecer ligado. Em algum momento, alguém vai ligar para você e dar instruções sobre quando você deve voltar para Avalon, seu país de origem.

Elisa segurou os itens, sentindo o peso da responsabilidade e da solidão. Paula não parecia disposta a oferecer mais apoio do que o necessário, mantendo a mesma distância emocional de sempre.

— E agora? — perguntou ela, a voz embargada.

— Agora, você decide, Elisa. Você é livre para escolher o seu caminho. Mas saiba que a verdade sempre esteve ao seu lado, mesmo que velada.

Elisa sabia que não tinha pais. Nesses 24 anos de vida, sempre esteve com a solidão de ser uma criança sem pais. Mas sempre achou que eles tinham morrido em um acidente de carro quando ela tinha 3 anos. Elisa sonhava com grandes casas, vestidos de festa e muito ouro, mas nunca imaginou que esses sonhos poderiam ser, na verdade, lembranças. Lidar com a esperança de que seus pais poderiam estar vivos e isso ser tirado dela em segundos doeu novamente.

Ela não sentia nenhuma motivação ou força. Apenas uma tristeza profunda e uma sensação esmagadora de perda e incerteza. Sua vida havia mudado para sempre, e ela se sentia mais sozinha do que nunca, mesmo sabendo a verdade. Sentindo-se vazia e esmagada pela revelação, Elisa abraçou a pasta contra o peito. As memórias de sua infância passaram a fazer mais sentido. As festas de aniversário solitárias, as noites em que se perguntava por que sua tia nunca a abraçava com carinho ou demonstrava afeto, e os sonhos recorrentes de lugares grandiosos e pessoas vestidas em trajes luxuosos — tudo agora se encaixava em um quebra-cabeça de uma vida que ela nunca soubera que tinha vivido.

Paula permaneceu em pé ao lado da janela, olhando para fora com uma expressão que Elisa não conseguia decifrar. Talvez fosse arrependimento, ou talvez apenas alívio por finalmente ter contado a verdade.

— Você... você nunca vai voltar para Avalon? — perguntou Elisa, tentando buscar algum conforto na presença da mulher que, apesar de tudo, havia sido a única figura familiar em sua vida.

Paula balançou a cabeça lentamente. — Minha missão aqui está concluída, Elisa. Você é adulta agora e deve tomar suas próprias decisões. Eu... eu nunca fui destinada a ser mais do que uma guardiã.

Elisa sentiu uma nova onda de tristeza. A solidão parecia ainda mais pesada agora que ela sabia que Paula não era realmente sua tia e que sua ligação com ela era apenas uma obrigação.

— Quando essa pessoa vai ligar? — perguntou ela, olhando para o celular em sua mão.

— Não sei exatamente. Pode ser amanhã, pode ser daqui a algumas semanas. Mas você deve estar pronta. E lembre-se, Elisa, você é mais forte do que pensa. — As palavras soaram quase mecânicas, sem a profundidade de uma verdadeira preocupação.

Elisa não sabia o que fazer. Ela permaneceu sentada na beira da cama, segurando a pasta contra o peito, tentando processar tudo o que acabara de ouvir. Seu mundo, que já era cheio de incertezas, havia sido completamente virado de cabeça para baixo.

Tia Paula olhou para ela com um misto de compaixão e firmeza. — Elisa, eu sei que é muita coisa para absorver de uma vez. Se você precisar de algo, estarei na sala.

Com essas palavras, Paula saiu do quarto, deixando Elisa sozinha com seus pensamentos. Elisa ouviu o som dos passos da tia ecoando pela casa até desaparecerem completamente. Ela ficou imóvel por alguns minutos, o quarto ao seu redor parecendo estranho e desconhecido.

"Como isso é possível?", ela pensou. A vida inteira, ela acreditara que tia Paula era irmã de sua mãe e que seus pais eram arquitetos que haviam morrido em um acidente de carro quando ela tinha apenas três anos. Essas eram as histórias que ela carregava consigo, a base de suas memórias e identidade. E agora, descobrir que seus pais eram, na verdade, da realeza europeia e que tinham morrido em um golpe de estado... era devastador.

Elisa se levantou lentamente e começou a andar pelo quarto, sentindo o chão frio de madeira sob seus pés descalços. Ela foi até a janela e olhou para fora, para o jardim que ela conhecia tão bem, mas que agora parecia diferente, quase irreal. As flores, o balanço na árvore, a pequena fonte – tudo parecia pertencer a um mundo que já não existia mais.

Ela voltou para a cama e abriu a pasta que tia Paula havia lhe dado. Dentro, encontrou um passaporte com seu verdadeiro nome, uma certidão de nascimento que confirmava sua linhagem real, informações bancárias e um cartão de crédito. Cada documento era uma prova tangível da verdade que ela ainda estava lutando para aceitar.

As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto enquanto ela folheava os documentos. A dor da perda de seus pais, que ela achava que havia superado, voltou com força total. Ela pensou nos sonhos recorrentes que sempre teve – grandes casas, festas luxuosas, rostos sorridentes – e percebeu que eles eram mais do que apenas fantasias de uma criança solitária. Eram memórias.

Sentindo-se completamente esmagada pelo peso das revelações, Elisa deitou-se na cama, abraçando um travesseiro como se fosse um escudo contra a realidade. Cada pedaço de sua vida parecia ter sido uma mentira, e ela se sentia como uma marionete cujos fios haviam sido cortados de repente.

— Por que isso está acontecendo? — murmurou ela para si mesma, a voz abafada pelo travesseiro. — Por que tudo isso foi escondido de mim?

Ela fechou os olhos, tentando acalmar a tempestade de pensamentos em sua mente. Mas as perguntas continuavam a surgir. Como eram seus pais de verdade? Como seria Avalon, seu país de origem? E o que ela deveria fazer agora? A ideia de retornar a um lugar que ela nunca conheceu a aterrorizava, mas também havia um pequeno lampejo de curiosidade e desejo de descobrir mais sobre suas raízes.

Depois de algum tempo, Elisa sentiu-se um pouco mais calma. Ela sabia que precisaria enfrentar essa nova realidade, mesmo que parecesse insuportável no momento. Respirando fundo, decidiu que a primeira coisa a fazer seria conversar mais com tia Paula – ou Paula de Castela – para obter todas as respostas que pudesse.

Elisa levantou-se lentamente e caminhou até a porta do quarto. Ela hesitou por um momento, a mão pairando sobre a maçaneta, antes de abrir a porta e descer as escadas. Ao chegar à sala, encontrou Paula sentada em uma poltrona, olhando para um livro que parecia ter sido esquecido em seu colo.

— Tia Paula... ou melhor, Paula — começou Elisa, a voz ainda trêmula. — Eu... preciso saber mais. Você pode me contar tudo?

Paula levantou os olhos, um pouco surpresa, mas assentiu. — Claro, Elisa. Vou te contar tudo o que sei. Você merece a verdade completa.

Elisa se sentou em frente a Paula, pronta para ouvir e aprender mais sobre a verdadeira história de sua vida. Enquanto a conversa se desenrolava, ela percebeu que, apesar de tudo, havia uma força dentro dela e muita curiosidade que nunca conhecera antes. E isso a ajudaria a enfrentar qualquer desafio que viesse a seguir.

Elisa se sentou em frente a Paula, pronta para ouvir e aprender mais sobre a verdadeira história de sua vida. Paula respirou fundo e começou a falar.

— Você é de Avalon, um pequeno reino, mas muito rico na Europa. Por anos, os outros lugares tentaram roubar o território de Avalon. Quando você nasceu, seus pais acharam que a paz estivesse selada. Eles se casaram para unir dois reinos – Mayfar e Avalon. Sua mãe era de Mayfar e foi lá que eu a conheci. Eu era sua dama de companhia e sua amiga, uma espécie de secretária que cuidava da agenda dela.

Elisa olhou fixamente para Paula, absorvendo cada palavra. Ela nunca havia imaginado que sua vida pudesse ser tão intrincadamente ligada a reinos e políticas.

— Seus pais se amavam e te amavam. Mas um golpe de estado veio de Mayfar. O seu tio era o próximo na linha de sucessão e ele fez de tudo para derrubar seus pais e conseguiu. — Paula fez uma pausa, a dor e o arrependimento visíveis em seus olhos. — Ele morreu pouco tempo depois de causas naturais, e você foi mandada para cá comigo para ser protegida.

Elisa sentiu um aperto no coração ao ouvir a história. Seus pais, que ela sempre acreditou serem arquitetos comuns, eram na verdade membros da realeza que haviam sido assassinados por intrigas políticas. E ela, a filha deles, tinha sido escondida para protegê-la do mesmo destino.

— Então, minha vida inteira foi uma mentira para me proteger? — perguntou ela, a voz embargada.

— Não foi uma mentira, Elisa. Foi uma proteção — repetiu Paula, com firmeza. — Seus pais te amavam mais do que tudo e fizeram o que acharam necessário para garantir sua segurança.

Elisa permaneceu em silêncio por um momento, processando tudo. A dor e a tristeza ainda estavam lá, mas agora havia também um entendimento, uma clareza sobre por que as coisas aconteceram da forma que aconteceram.

Elisa ficou dias pensando sobre tudo o que Paula havia revelado. Cada peça do quebra-cabeça de sua vida parecia se encaixar de repente, transformando sua compreensão do passado e suas expectativas para o futuro.

"Agora eu entendo todas as aulas de inglês, espanhol, piano, economia e toda aquela rigidez", murmurou Elisa para si mesma enquanto olhava pela janela do quarto. "Você estava me treinando para governar um reino."

Aquelas palavras ressoaram em sua mente, trazendo à tona memórias de horas dedicadas aos estudos e à disciplina, sempre sob a orientação atenta de Paula. O que antes parecia um fardo agora ganhava um novo significado: preparação para um destino que ela nunca imaginou.

Apesar de toda a informação nova, o telefone que Paula mencionara nunca tocou. Elisa começou a sentir uma inquietação crescente. Ela sabia que precisava aprender mais sobre seu passado e talvez até mesmo visitar Avalon e Mayfar, os lugares que moldaram sua história.

Decidida a começar a explorar o mundo além de Minas Gerais, Elisa decidiu usar parte do dinheiro que encontrara na pasta para embarcar nessa jornada. Ela nunca tinha deixado sua cidade natal antes, e a ideia de explorar novos lugares e possivelmente reivindicar suas raízes a fascinava e a assustava ao mesmo tempo.

"Eu não sou de Minas Gerais", disse Elisa para si mesma em voz alta, deixando a verdade ecoar pela primeira vez. "Eu sou de Avalon. E talvez, de Mayfar também, assim como minha mãe era. Eu sou uma princesa."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.