Paciente número 3
10 Capítulo 10
Notas iniciais
O som de algum aparelho apitando faz Gale acordar e ser surpreendido por uma dor forte em sua nuca.
—Delegado, está se sentindo bem?
Uma voz rouca vindo dos pés de sua cama faz sua cabeça doer um pouco mais.
—Gale? — Sou eu, Dr. Petterson amigo de infância de seu pai, jogavamos bilhar em sua casa nos feriados.
O nome lhe fazia lembrar de alguém, mas nenhuma imagem parecia surgir em sua mente, a dor estava lhe deixando confuso e seu estomago dava voltas.
—Onde estou? Sua voz saia fraca e desajeitada.
—Você está no hospital, passou três dias desacordado. -Como está se sentindo?
—Três dias? Droga! Havia o deixado escapar de novo! Gale seu estúpido!
—Eu deixei aquele maldito escapar de novo... Não deixei Dr. Petersson?
Seus olhos se abrem totalmente e ele consegue ver o homem perfeitamente, a lembrança dos jogos de bilhar do seu pai surgem em sua mente. O médico estava mais velho, os cabelos agora estavam bem grisalhos, algumas partes já estavam brancas como algodão. O bigode também estava grisalho, perfeitamente cortados na medida dos labios finos e enrrugados. Mas o olhar firme e ao mesmo tempo carregado de ternura ainda era o mesmo, verdes como esmeralda.
—Agora não é o momento para se preocupar com isso! — Você tomou uma pancada e tanto! Precisa descansar e se recuperar para ficar forte como um touro!
Um sorriso tímido brota nos lábios do Dr. Petterson, ele ainda via Gale como o menino de oito anos que gostava de ver jogos de beisebol com o pai.
Suas memórias de infância somem bruscamente quando a imagem de Katniss surge em sua mente!
—Minha namorada senhor Petterson, Katniss, Dra. Everdeen... — ela estava dentro de Arkham. Preciso saber se ela está bem!
—Posso checar pra você quais funcionários de Arkham deram entrada aqui no hospital, mas preciso que me prometa que não tentara sair desse quarto?
—Pode ficar tranquilo doutor, não irei a lugar algum.
O médico agora abre um sorriso largo e carinhoso, que é retribuido por Gale com um movimento pequeno dos lábios que pareciam meio dormentes naquele momento.
Após checar alguns aparelhos o homem vestido em seu jaleco branco como a neve deixa o quarto, ms os pensamentos em sua cabeça pareciam voar de um para o outro rápido demais! E uma raiva intensa brotava sem seu peito ao saber que tinha falhado de novo
* * *
Os olhos ardiam, pareciam estar coberto por grãos de areia, a cabeça doía e a garganta implorava por um copo de agua. Desde a tragédia em Arkham Katniss havia chegado em sua casa e estava jogada em um canto do seu quarto. O corpo envolvido em uma coberta em um tom marrom café, os cabelos desengranhados e sebosos mostravam uma figura penosa da doutora Everdeen. Os curativos em sua mão esquerda continuavam do mesmo jeito. Suas energias pareciam esgotadas, não tinha coragem de sair daquele quarto. Tudo estava perdido! Ela sabia disso, todas suas conquistas, sua tão sonhada faculdade, o único homem a quem tinha amado e sua sanidade mental... Peeta havia lhe prometido o mundo e agora nada restava, nem mesmo seu amor ela tinha conquistado. "Você é patética Katniss" sua mente estava uma bagunça! Sabia que precisava fugir, havia matado sua melhor amiga, foi cúmplice do maior criminoso de Gotham! "Muito bem Katniss, você perdeu tudo por um homem que não te quis..."
As palavras fazem seu estomago vazio doer de uma forma que a faz levar as mãos ao abdômen.
—Peeta, porque você me abandonou... Eu te amo tanto.
Sua voz sai embargada entre seus dentes serrados, lágrimas escorriam pelo seu rosto e novamente ela se via mergulhada em toda aquela confusão.
Ao mesmo tempo que ela queria voltar ao tempo e fazer tudo diferente, ela sabia que daria tudo para sentir o gosto daqueles lábios novamente, o toque de suas mãos em seu corpo, o cheiro de sua pele.
Um sentimento incontrolável havia brotado dentro de seu peito, algo que ela nunca havia sentido antes e que simplesmente não conseguia controlar. Nem todos os anos cursando psiquiatria lhe fazia entender tudo aquilo que se passava, Katniss tinha perdido sua sanidade mental desde que toda essa história começou.
* * *
O corpo encostado na parede branca, os cabelos jogados no rosto e os olhos semi cerrados olhavam vago pelo quarto. Até que uma voz conhecida a faz sair do seu transe,
—Dra. Everdeen!
Seus olhos se abrem, as pupilas dilatam... "Não podia ser verdade..."
—Peeta? — E você meu amor...
Ela se levanta e caminha cambaleando até a sala.
Não havia ninguém ali, tudo estava como antes, a tv ligada em um canal de vendas, o sofa cor de creme estava perfeitamente organizado com suas almofadas coloridas.
—Peeta? -Você está aqui?
Nenhuma resposta, suas pernas bambas caminham até a cozinha, novamente tudo estava perfeitamente organizado como antes.
—Venha me encontrar bonitinha...
Seu corpo cai no chão com um estrondo!
—PEETA! Katniss grita e vai cambaleando até a sala novamente. Tudo continuava como antes...
Droga! Não podia ser uma alucinação! A voz era dele, não poderia me confundir.
Lágrimas escorrem pelo seu rosto, suas mãos apertavam sua cabeça em um ato inútil de tentar voltar seus pensamentos ao lugar. Ela precisava fazer alguma coisa! Não podia mais ficar parada.
A morena corre até o quarto, suas mãos tateiam o closet em busca de um casaco, seu sobretudo cinza escuro se encaixa perfeitamente em seu corpo. Uma bota preta de cano curto foi a primeira coisa que passou diante de seus olhos, ela agarra o par de botas e as calça de qualquer jeito.
Seus passos seguem rápido e ela vai até a cozinha, pega um dos seus sucos de laranja na geladeira e toma um copo grande de uma vez só! Fazendo sua garganta dilatar e seu estomago doer.
As chaves do carro são agarradas por sua mão ainda trêmula pela a fraqueza dos dias sem se alimentar direito. Katniss sai do apartamento rapidamente e entra no elevador que estava ocupado por uma senhora que torceu o nariz ao ver a aparência da doutora.
Ela aperta os dedos com força no botão, chamando a atenção da senhora que parecia um pouco amendrontada. Mas nada passava por sua mente a não ser encontrar Peeta, sua consciência lhe avisava que deveria voltar, não iria demorar para os polícias irem até a sua casa, provavelmente em algumas horas iriam começar a interrogar os médicos para tentar entender o que havia acontecido em Arkham... E ela sabia que tudo era sua culpa! Então precisava agir rápido.
Seus passos seguem rápido até a garagem e a morena se joga no banco do motorista, no passageiro a pasta do paciente numero três, o arquivo que a fez. colocou diante do homem que tanto ama! Meses lendo e relendo todos seus depoimentos, ela sabia que conhecia um pouco sobre Peeta. Sabia onde poderia o encontrar... Na maldita Boate Roxa!
* * *
— Preciso de um telefone!
A voz de Gale sai firme, mas a enfermeira rebugenta parecia não escutar nem uma unica sibala que saia da sua boca.
Os cabelos avermelhados estavam presos em um coque bem apertado, o uniforme verde claro parecia bem folgado no corpo magro da mulher que aparentava ser jovem.
—Enfermeira! — Preciso do meu celular!
—Não posso encontrar seu celular Sr. Gale, mas você pode usar o telefone da enfermaria.
Seus dedos magros e longos apontaram para porta.
Gale faz um esforço enorme para jogar suas pernas para fora da cama, seu corpo parecia pesar toneladas! Provavelmente seriam os efeitos dos sedativos, quando enfim consegue se sentar a sala parecia rodar, rodar até uma figura masculina aparecer no quarto, enfim sua cabeça consegue focar e um sorriso conhecido lhe faz melhorar de humor na hora.
—Parece que alguém teve que tirar umas folgas forçadas!
Mike Steer seu fiel parceiro na Polícia, Gale não o via a meses! Desde que tinha conseguido suas tão esperadas férias, a viagem a Miami com sua mulher e sua filha havia lhe feito bem! A pele estava mais bronzeada que o comum, os cabelos loiros bem penteados para trás continuavam impecáveis e seus olhos azuis ainda o deixava com a aparencia de um verdadeiro Don Juan.
— Achei que você estava de férias! Uma leve gargalhada escapa de sua boca sem que ele pudesse conter!
—Estava na hora de voltar a ativa não é msm?! Você não sobriviveria muito tempo sem mim! Ele pisca e abre aquele riso largo mostrando todos seus dentes impecavelmente brancos.
Gale gargalha alto! Fazendo a enfermeira rabugenta balbuciar algumas palavras que ele simplesmente ignorou.
—Cara você está acabado! Quem fez isso com você?
—Boa pergunta!
Seus dedos tocam o soro em seu braço, fazendo o sentir um leve ardor no local.
— Eu estava de frente para o maldito Peeta Mellark, minha arma estava apontada pra ele quando derrepente, "bum"! — Me acertaram bem na cabeça e eu não me lembro de mais nada...
Mike conseguio sentir na voz do amigo o quanto estava frustado com todo acontecimento.
—Vamos conseguir pegar aquele escroto de novo! — Ele foi longe demais dessa vez Gale, não irá conseguir se esconder por muito tempo.
—Eu sei... -Preciso me recuperar logo! Tenho que começar as investigações
—Pensando nisso que já dei uma adiantada em algumas coisas... — Descanse mais um pouco, eu voltarei mais tarde trazendo algumas informações.
Suas mãos tocam os ombros de Gale que também estavam doloridos.
—Antes de você ir, preciso de um favor Mike
O loiro acena com a cabeça fazendo um mecha fina escorregar até sua testa.
—Preciso que encontre Katniss, ela estava trabalhando em Arkham naquela noite e até agora não tenho notícias dela.
—Vou encontra-la e te trago notícias! — Mas não se preocupe, tenho certeza que ela está bem!
Os amigos se despedem e Gale volta a se deitar na cama.
O charme de seu parceiro parecia ter feito o humor da enfermeira rabugenta que agora exibia um enorme sorriso, a cena o faz rir alto enquanto ambos deixam o quarto.
Suas preocupações pareciam ter desaparecido por alguns minutos, sabia o quanto Mike era dedicado ao trabalho, provavelmente já estava atrás dos funcionários para investigar o que havia acontecido. E sabia que iria encontrar Katniss para mante-la segura até que Peeta estivesse atrás das grades novamente.
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