P.S. Eu Te Amo

4 #4 - Cartas para Kurt


Notas iniciais
Boa noite, gente! Mais um capítulo para vocês. Espero que gostem ♥ Ps: A fic se resume a um drama e não, ela não é totalmente igual ao livro/filme, ela é apenas inspirada no mesmo!

#4

Cartas para Kurt

Três meses se passaram e o dia que costumava ser o mais especial para Kurt finalmente chegou: o seu aniversário.

O seu aniversário de trinta anos finalmente havia chegado, mas ele não estava nem um pouco animado.

Desde que Sebastian partiu, Kurt não sentia vontade de fazer mais nada. Mas como poderia se aquele que esteve sempre ao seu lado simplesmente se ausentou?

Uma dúvida estava rondando Kurt há muitos dias. Será que Sebastian sabia que estava prestes a morrer? E talvez fosse esse o motivo de o castanho não querer filhos?

Era tudo tão estranho para Kurt. Tudo tão triste.

O castanho agora lembrava o quão incrível seu aniversário costumava ser. Como no seu aniversário de dezoito anos, onde Blaine foi o primeiro a parabenizá-lo.

*FLASHBACK ON*

Kurt dormia serenamente, com as cobertas o cobrindo até a cabeça, e sonhava algo divertido. Ele só não esperava ser acordado por um barulho estrondoso dentro do seu quarto.

O castanho acordou assustado e virou-se para o lado contrário, avistando a silhueta do que aparentava ser um homem. Ele acendeu o abajur e o susto simplesmente passou.

– Você quer me matar, Blaine? – Perguntou se recuperando ainda.

– Desculpa. – Blaine disse olhando para baixo. – Eu só queria vir aqui DAR OS PARABÉNS PARA O ANIVERSARIANTE DO DIA! – Kurt puxou Blaine e colocou o dedo sobre sua boca. – Esqueci que é meia-noite agora. Desculpa de novo.

– Tudo bem. – Kurt disse rindo. – Obrigado!

– Não precisa me agradecer. Ver você sorrindo é o suficiente para mim. – Kurt corou com a frase do amigo e sorriu envergonhado. – Ah, você fica um amorzinho quando cora, Kurt.

– Idiota! Você faz de propósito. – Ele disse e olhou para o outro lado.

– Sempre! – Disse Blaine. – Eu te trouxe isso.

Blaine entregou um embrulho para Kurt e o castanho abriu o mesmo com o maior sorriso do mundo.

O presente era uma camiseta branca com uma foto de Kurt, Sebastian e Blaine. Os três faziam careta para a foto e, pelo brilho no olhar deles, podia se ver o quão felizes eles estavam.

– Você gostou? – Kurt simplesmente abraçou o amigo, sem nada dizer. – Acho que isso significa que sim.

– Claro que significa. Obrigado, B. – Agradeceu Kurt.

– Já está tarde. Eu acho que vou indo. – Blaine disse depois de um tempo e viu Kurt negar.

– Tira esse casaco e esse calçado e deita aqui comigo, vem. – Ordenou o castanho e, vendo que o moreno não o obedeceu, ele se levantou e tirou o casaco do Anderson. – Vai tirar seus calçados ou eu mesmo vou ter que fazer isso?

Blaine apenas riu e tirou seu calçado, logo deitando na cama com Kurt. O moreno o puxou mais para si e os dois dormiram abraçados.

*FLASHBACK OFF*

– Eu ganhei essa porcaria doze anos atrás e ela ainda me deixa feliz. Como isso é possível? – Kurt falava consigo mesmo olhando para a camiseta que vestia. – Por que promessas existem e por que as pessoas sempre as quebram? Eu só quero morrer...

Kurt ligou a televisão em um canal de músicas e se levantou do sofá. O castanho estava em um estado deplorável, como se estivesse apenas aguardando por sua morte. Era a cena mais triste que alguém poderia ver.

Ele ouviu a música começar a tocar e deixou a melodia calma invadir a sua mente. Aquela maldita música. A música que uma vez ele, Blaine e Sebastian foram obrigados a cantarem juntos em uma competição no ensino médio.

Por que até aquilo o fazia sofrer se eram boas memórias? Por que o passado sempre te persegue não importa onde você vá ou o que você faça? Você pode lutar contra, mas essa é uma batalha que você nunca irá vencer e, o pior de tudo, você sabe que o destino sempre vencerá. Então por que insiste em tentar?

When you're gone
When you're gone, it's like I'm in one second in time
I'm frozen
When you're gone
When you're gone, it's like I lost one half of my mind
Stolen

Aquela música era tão calma e deveria passar uma tranquilidade. Mas a letra dela era o que incomodava Kurt. Aquela letra que o fazia pensar justamente em quem não deveria.

Por quais motivos ele se apaixonou por Blaine na época de escola e por que parece que ele ainda sente o mesmo?

Seu marido acabou de falecer e parece o fim do mundo para ele, mas, por que ele quer Blaine ao seu lado agora?

Ah, sim... porque antes de tudo eles costumavam ser melhores amigos.

Mas onde está aquela amizade agora? Onde está todo o amor que eles juravam sentir?

Cause nobody feels you like I do
Nobody kills me like you do
Nothing I take can ever cut through
I'm in trouble
I look at myself and I don't know
How I'm stuck to you like Velcro
Can't rip you off and go solo
I'm in trouble

“- Se você me abandonar eu juro que, no dia que eu te reencontrar, eu vou bater tanto na sua cara que você vai ficar irreconhecível. – Kurt disse para Blaine em um tom ameaçador.

– Eu recém acordei e já estou sendo ameaçado? – Perguntou o moreno.

– Você passou uma ótima noite abraçado em mim. Sinta-se feliz pelo resto de sua vida por isso. – Kurt disse em um ar superior, o que fez Blaine rir. – Agora prometa.

– Eu prometo que nunca vou te abandonar, K. Não se preocupe. Você vai me ter ao seu lado para o resto de sua vida. – Ele disse sorrindo para Kurt.”

As lágrimas rolavam sem parar pelo rosto de Kurt ao lembrar daquilo.

Por que promessas existiam? E por que existiam tantos “porquês” na cabeça de Kurt hoje?

I'm hooked on how you made
Me hooked, I'm gonna say it straight
I want you, I need you
I want you to take me underground
I'm hooked; I can't cut you off
In my blood; I'm gonna say it now
I want you, I need you
I want you to take me underground

Ele estava se sentindo tão acabado. Como se, cada palavra daquela música, fosse um novo tiro sendo acertado com tudo em seu peito.

Seu coração já estava em pedaços, mas agora ele estava se desmoronando por completo.

Como tudo aquilo conseguia doer tanto e parecia apenas piorar? Kurt não conseguia entender.

Ele só queria um abraço agora. Mas não podia ser o abraço de qualquer um... precisava ser o abraço de Blaine.

When you go
When you go, it's like I put my life on the line
It's over
When you go
When you go, I'm tripping but I'm pretending I'm fine
So dumb

Por que nós sempre queremos aquela pessoa que não podemos ter? É como se o destino gostasse de brincar conosco e nos pregar peças. Porque não é possível que a vida seja tão sacana assim a ponto de fazer com que nós nos apaixonemos justamente por quem não está nem aí para nós.

Kurt se apaixonou duas vezes. E perdeu os dois que foi capaz de amar.

Talvez agora ele prefira passar o resto de sua vida sozinho.

Talvez a solidão seja sua nova melhor amiga e, pelo menos ela, nunca irá abandonar o castanho.

Cause nobody feels you like I do
Nobody kills me like you do
Nothing I take can ever cut through
I'
m in trouble
I look at myself and I don't know
How I'm stuck to you like Velcro
Can't rip you off and go solo
I'm in trouble

A música continuava a tocar na televisão e Kurt só conseguia chorar e lembrar do que queria esquecer. Ele se irritava por tudo ter que ser tão difícil e por ele precisar sofrer tanto. E, agora, uma frase ecoava em sua cabeça. Uma frase de Blaine.

“- Eu sinto que nunca vou ser feliz. – Kurt disse sentado ao lado de Blaine.

– Você está assim por causa de um slushie? Você não pode se deixar cair por isso. – Blaine disse, secando em seguida as lágrimas do amigo.

– Essas porcarias são um espelho da minha vida. – Se queixou ele. – Eu sinto que só tem desgraça no meu caminho.

– Não existe não. Sabe por quê? – Kurt negou. – Porque eu estarei ao seu lado por todo esse caminho. Você pode até sofrer, mas você ainda vai ser feliz e eu serei um dos responsáveis pelos seus mais belos sorrisos.”

Agora Blaine também era o motivo das lágrimas de Kurt... O castanho nem se lembrava mais como era a sensação de sorrir.

I'm hooked on how you made
Me hooked, I'm gonna say it straight
I want you, I need you
I want you to take me underground
I'm hooked; I can't cut you off
In my blood; I'm gonna say it now
I want you, I need you
I want you to take me underground

Kurt e a música foram interrompidos pelo barulho da campainha.

– Ótimo! Tudo que eu queria. – Ele disse para si mesmo e andou até a porta para atender quem quer que fosse.

– FELIZ ANIVERSÁRIO! – Burt, Quinn e Rachel gritaram da porta de entrada, fazendo Kurt revirar os olhos.

– Vejo que alguém não está de bom humor. – Disse Burt.

– Como se eu tivesse algum motivo para estar feliz. – Ele falou novamente revirando os olhos.

– Você está vivo. – Rachel disse irônica.

– É, mas, nem meu marido, nem minha mãe estão vivos. E, aquele que tanto dizia ser meu melhor amigo, não está aqui para ajudar. Então eu acho que estar vivo não é motivo para eu estar alegre. – Kurt disse sem vontade e se atirou no sofá.

– Kurt, tem um bom motivo para eu ser sua amiga e esse motivo é que eu sou bem sincera. – Disse Quinn se aproximando mais do amigo. – Levanta agora essa bunda do sofá, pega uma roupa e vai tomar um banho enquanto nós arrumamos essa bagunça que você chama de casa. Só volte aqui quando estiver usando sua melhor roupa e seu melhor perfume e, de preferência, vista um sorriso também. – Kurt continuou parado no mesmo lugar. – KURT, EU ESTOU MANDANDO. VAI!

Kurt revirou os olhos e foi para o banho totalmente emburrado.

[...]

Três horas haviam se passado e Kurt já não aguentava mais o ânimo de suas amigas e de seu pai. Como eles podiam estar tão alegres perante a tristeza que reinava em Kurt?

Quando ele pensou que fosse explodir a campainha novamente tocou.

Mais visitas não, por favor. – Pensou ele e andou até a porta.

– Senhor Hummel? – Perguntou um entregador.

– Eu mesmo. – O entregador sorriu e entregou uma grande caixa para Kurt, que não entendeu nada. – Obrigado.

O rapaz assentiu e foi embora. Kurt botou a caixa em cima da mesa de centro e retirou a tampa da mesma.

Era um bolo com a frase:

Feliz Aniversário, meu amor. – Seb.”

Kurt entrou em um desespero enorme ao ler aquilo. Agora ele tinha certeza de que Sebastian sabia o que aconteceria, pois, se não soubesse como iria programar aquilo? Até porque já se passavam mais de três meses.

– Olha, K. Tem uma fita e uma carta. – Kurt pegou o toca fitas e apertou para ouvir o que tinha ali, não importando o que fosse.

“Oi, amor. Sinto muito por não estar presente em uma data que é tão importante para você, mas, espero que eu ainda esteja presente em seu coração. Espero que tudo que você mais sonha possa se realizar e que você seja muito feliz. Espero que você encontre alguém para seguir sua vida e espero que consiga finalmente terminar o seu livro, o qual você tanto queria escrever. Eu comprei um apartamento para nós e o deixei em seu nome, você só precisa ir até ele. As chaves devem estar chegando em breve. Todos os dias, a partir de agora, você receberá uma carta. Não queira saber de onde elas vêm, só aceite cada uma delas e aproveite tudo que reservei para você. Eu te amo.”

Kurt não aguentava mais chorar ao ouvir aquilo. Ele estava praticamente deformado de tão inchado e não tinha nem forças para pegar a carta.

– Eu não consigo. – Ele disse com a carta na mão. – Isso é demais para mim.

– Você consegue sim, K. – Quinn disse, encorajando seu amigo, que apenas assentiu e abriu a carta.

“Oi de novo! No envelope dessa carta você vai encontrar três entradas para uma das melhores festas que estarão acontecendo hoje na cidade. Leve Rachel e Quinn com você e divirta-se muito. Quero ser seu anjo da guarda e ver você sorrindo, por mim.

PS.: Eu te amo.”

É, Kurt precisava mesmo sair para se divertir, mas... com que ânimo ele faria isso?

[...]

– Eu não acredito que vocês me obrigaram a sair de casa. – Kurt falou irritado para suas amigas.

– Não vai fazer nada mal você se divertir um pouco. – Disse Rachel.

– Opa, aquele carinha é bonito. – Quinn disse logo indo atrás do tal rapaz, deixando Rachel e Kurt ali sozinhos.

– Vem, K. Vamos dançar. – Rachel falou e já foi puxando seu amigo para a pista de dança.

Dança vai, dança vem e Kurt ainda estava triste. Sem nem um pouco de ânimo. Até que seu celular tocou e ele deu graças a Deus por sair de dentro daquela boate por pelo menos cinco minutos.

Ele saiu do local chegando na rua e logo atendendo seu telefone.

“Alô?! Quem fala?” – Perguntou Kurt, já que no visor mostrava “número desconhecido”.

“Oi, Kurt. Aqui é o Blaine.”

Notas finais
A música mostrada é Underground do Adam Lambert ♥ Sim, eu terminei desse jeito, eu sempre faço isso ♥ Espero de verdade que estejam gostando e, se quiserem fazer algum pedido especial para a fic, é só fazer. Beijo ♥