Na sala da casa, enquanto saímos, lemos algo escrito no chão por giz de cera: “Ilumine”. Ficamos parados olhando para aquilo, tentando entender o que queria dizer. Então saímos da casa, coçando a cabeça.
— O que será que aquilo significa? – eu perguntei.
— Eu achei que foi você que fez aquilo! – eu disse para ele.
— Por quê?
— Você desenhou um negócio estranho no chão da sala na escola, lembra? – eu falei – Achei que tinha feito isso também.
— Não fui eu não. – ele disse.
— Aproveitando por eu ter me lembrado... – eu disse – O que era aquilo? O... Desenho no chão da sala na escola.
— Pesquisei na net há um tempo. – ele disse sorrindo – Fiz aquilo só pra testar e surpreendentemente funcionou, mas o giz vermelho acabou.
— Sério? – falei.
— Claro! – ele disse dando uma gargalhada – A internet ajuda muito os jovens hoje em dia...
— Ok! – eu disse, conferindo minhas munições.
— Eu acho que tem um farol aqui na cidade. – ele disse. — “Ilumine”?
— Isso... – falei – Você sabe o caminho?
— Não, mas vamos descobri... – ele disse, abrindo o mapa que Natalie nos deu pouco antes de morrer.

— Estamos um pouco longe. – eu disse.
— Então temos que nos apressar. – ele disse, sorrindo e começando uma longa caminhada.
— Estou logo atrás de você. – eu disse – Espere, estou ferido.
— Eu também. – ele disse – Mas não estou como uma marica.
— Vai se ferrar! – respondi, rindo.
— Estou indo me matar... – ele disse – Indo para um farol. O ultimo lugar que iria se estivesse num lugar maldito como esse.
— Somos dois, meu irmão! – falei.
— Vamos nos ferrar juntos! – ele soltou uma gargalhada — Preciso mijar. – ele disse – Perai.
— Ta bom... – eu disse, me sentando na calçada e vendo-o ir para um canto fazer as necessidades.

Depois de um tempo tentando fazer ligação direta num carro velho finalmente paramos em frente ao farol da cidade.
Ele conferiu o rifle mais uma vez – estava me cansando vê-lo fazer isso a cada dois minutos –, sorriu para mim e cuspiu no chão.
— Vamos entrar ou ficar aqui que nem paisagem? – ele falou.
— Você não sente medo hora nenhuma não? – perguntei a ele.
— Se eu já to ferrado mesmo... – ele disse – Pra que ter medo?
— Então vamos entrar... – eu disse. Então a sirene tocou e a escuridão tomou conta da cidade mais uma vez.
— AH! – ele exclamou, destravando a arma.
— Vamos entrar para acabar com isso logo. – eu disse.
— Corre filhote! – ele disse.
Mas uma surpresa nos impediu de irmos tão rápido. Uma sombra apareceu pelo céu, vindo em nossa direção. E o grito de uma espécie de pássaro estranho ecoou. Ouvi somente a voz de Dan antes de tomar qualquer reação.
— Abaixa porra! – ele gritou e eu obedeci.
Os pássaros eram anormais, as asas negras, a carne do tronco a mostra, no lugar de um bico duas presas saiam pra fora. Os olhos avermelhados traziam luz para aquele lugar coberto pela escuridão.
— Merda! – Dan gritava – Eles machucam.
— Não diga! – fui irônico, enquanto socava as aves demoníacas que nos cercavam.
Com muito custo, percebi que o farol apontava para onde estávamos. Tinha um jeito de me salvar. Peguei o rifle que Dan deixara cair no chão e atirei para o alto, acertando e apagando a luz do farol.
As aves então pousaram no chão, pareciam não ver nada. Olhei para Dan e ele entendeu o que eu queria fazer.
Então levantamos rapidamente, vendo as aves começarem a voar em nossa direção. Então ele abriu a porta do farol e esperou-me entrar. Fechamos a porta rapidamente, mesmo com a velocidade que fechamos, algumas das aves malditas entraram.
— Atire! – ele gritou para mim, então percebi que somente eu estava armado.

Atirei na meia dúzia de pássaros que entraram no farol e sentamos no chão, respirando fundo e olhando para os buracos que eles fizeram em nosso corpo.
— Merda! — ele disse – Ta ardendo pra caramba .
— Eu sei... – eu falei – Também to sentindo isso.
— Pelo menos eles não pegaram o mais importante! – ele disse rindo e apontando para o pênis.
Ri com ele, me levantando do chão e olhando em volta. Estávamos em uma sala estranha. Não tinha nada, somente as paredes sujas de sangue e uma cadeira no centro da sala.
— Que merda é essa? – nós nos perguntamos ao mesmo tempo.
— Estranho. – eu disse.
— O quê? – ele perguntou.
— Essa era a cadeira que meu pai se sentava no quarto de Rosalie para contar histórias.
— Rosalie? – ele perguntou.
— Sim, minha irmã que morreu quando tinha oito anos. – falei.
— Seu sobrenome é Nashville? – ele perguntou.
— Sim, por quê? – eu estranhei a pergunta.
Mas não deu para ele responder. Um vulto passou rapidamente pela sala e nos arremessou na parede.