PRESO Á SE7E CHAVES

7 Hotel/Terceira Chave


Entrei no elevador e apertei o botão que indicava “3”, mas ele não funcionava. Sai do elevador, procurando uma escada, mas não a encontrei – estranho. Voltei então ao elevador, tinha que chegar ao terceiro andar de alguma forma. Então apertei o botão que indicava “4”, o elevador começou a subir.
Então ouvi a sirene tocar novamente, e o elevador começou a encher de ferrugem e sangue, o mau cheiro invadiu o lugar. Cobri o nariz para não vomitar de nojo. “Estava acontecendo de novo, eu veria os monstros malditos quando saísse do elevador – pensei”. Então a porta se abriu e eu estava de frente para um único corredor.
Coloquei o machado no canto de fora do elevador e levei comigo somente as chaves, a lanterna – que estava ligada – e a arma – já a segurava, preparando para atirar.
Andei um pouco e vi o que eu queria, um grande buraco no chão, pouco adiante do elevador, levava para um quarto no terceiro andar. Pulei-o, caindo em cima do colchão duro e sujo de algo que eu não pude identificar.
Levantei do colchão e fui em direção a porta. Vi então um bilhete em cima de uma cômoda que havia do lado da porta. “Multiplique e encontre o que quer”.
Sai do quarto e vi uma seta indicando que devia ir para a esquerda, obedeci ao sinal e senti uma forte dor de cabeça, cai no chão, sendo envolvido pela densa nevoa.

Eu estava em um hotel na minha cidade natal – eu o conhecia muito bem, passei um mês dormindo lá, pois minha mãe me expulsou de casa. A garota das outras visões estava lá, mas era bem mais jovem, devia ter agora uns quinze anos, o olhar ainda com a inocência de uma garotinha, o corpo começando a se transformar para o de uma mulher.
Ela estava em um quarto, uma senhora de idade, branca, os cabelos longos até metade das costas e grisalhos, usava um vestido florido – eu a conhecia, era a dona Anna, a dona do hotel.
Elas conversavam, a velha parecia assustada. Mas a garota sorria, inocente, mas esse sorriso assustava a senhora.
— Eu sei de tudo o que você fez garota! – dona Anna falou, tentando mostrar-se segura – E você não ficará impune.
— Você não estava nos meus planos... – a garota disse – Mas mesmo assim, você será útil para o sacrifício.
— O quê? – Anna não entendeu, mas eu entendi muito bem.
Antes que a velha pudesse reagir, a garota correu em direção a ela e estourou uma bolinha embaixo do nariz da senhora. De dentro da bolinha estourada, saiu um gás, que fez a velha desmaiar.

A névoa me cobriu e apareci dentro do hotel em Silent Hill. Estávamos no hall, e a garota fazia vários cortes em dona Anna, já morta. Então a nevoa me cobriu mais uma vez e voltei ao corredor do hotel.
Andei um pouco pelos corredores vazios e sujos de sangue, então ouvi um grito feminino. Corri em direção ao grito e vi algo que me fez pular de susto.
No corredor um monte de mulheres, vestidas de camareiras, carecas, a pele num tom queimado, um marrom estranho, grotesco. No rosto não havia olhos, somente cortes por todos os lados e uma boca sem dentes. Então eu vi algo assustador, os olhos estavam nas mãos. Elas andavam em minha direção desequilibradamente, batendo uma nas outras e na parede.
Mirei na que estava mais perto e puxei o gatilho. Atirei nela duas vezes, o primeiro tiro no peito, o segundo na cabeça. Ela caiu no chão, mas se levantou, sem colocar as mãos no chão – para proteger os olhos, pensei.
— Mas que porra! – falei – Eles não morrem?
Elas estavam mais perto de mim, então atirei em uma delas. O tiro acertou no olho na mão – acidentalmente – e ela gritou de dor, as outras pararam e ficaram imóveis. Ela gritava, enquanto corria em minha direção, o outro olho fitando-me, sem mudar o foco.
Atirei então no outro olho e ela se desfez em pó de repente. Eu acabara de achar uma forma de matá-las. Tentei atirar, mas as balas acabaram.
— Merda! – exclamei – Eu me fudi agora!
Peguei as balas que tinha colocado no bolso dianteiro da calça e recarreguei a arma rapidamente, vendo-as se aproximarem rapidamente.
Mirei nos olhos das camareiras e atirei, acabando com cada olho de uma vez. Então todas morreram, todas haviam se resumido a simplesmente cinzas. Segui adiante, olhando bem para não me assustar com mais algum daqueles monstros. Então algo me chamou a atenção. Entre duas portas haviam números diversos, sem ordem – “3”,”2”,”7” –, a porta direita tinha um numero indicando o quarto, a da esquerda, o numero foi raspado, não dando para ver.
Então lembrei: – “Multiplique” – e foi o que eu fiz. “220 vezes 7 era igual a 1540. 221 vezes 5 era igual a 1105. 222 vezes 3 era 666.
“666, o numero da besta! — lembrei”. Então fui em direção a porta sem numero, tentei colocar uma chave na fechadura, mas não abriu. “Merda!”. Tentei então a segunda chave. Consegui.
Entrei no quarto, ele estava escuro. Usei a lanterna para iluminar o lugar. O lugar estava sujo, não tinha nada a não ser uma mesa e um espelho grande. Em cima da mesa uma tesoura, um bilhete e uma caixinha de musica. Fui em direção a mesa, para examinar os objetos. A caixa de musica tinha somente as pernas de uma bailarina, o resto do corpo talvez tivesse sido arrancado à força.
Tentei abri-lo, mas não consegui. Então peguei o bilhete e li somente uma palavra: “dance!”. Assim que terminei de ler e perguntar a mim mesmo o que aquilo queria dizer, a porta do quarto se fechou, trancando-me ali.

Do espelho então começou a sair fios de cabelo, brancos como a neve. O cabelo que saia cada vez mais do espelho foram se espalhando pelo quarto, grudando na parede. Então, uma cabeça finalmente saiu – quando o cabelo já ocupava todo o quarto – e era uma mulher velha – dona Anna.
A velha estava completamente cortada, os peitos já caídos e cheios de rugas a mostra, o vestido florido, sujo e rasgado cobria as outras partes do corpo – do umbigo para baixo, por sorte.
— Cada vez eu me ferro mais ainda! – falei, mirando para ela – Onde eu devo atirar?
Descarreguei minha arma atirando na cabeça e no tronco da velha, mas não fazia nenhum efeito. Dei uns passos para trás e tropecei em alguns fios de cabelo, então cai.
— Merda! – eu repetia a mesma palavra várias vezes, assustado.
Ela então parou, a dois metros de distancia de mim e abriu a boca. Da sua boca saíram mais mechas de cabelo, em viam em minha direção, como um chicote. Gritei de dor quando o cabelo me acertou no ombro, rasgando minha camisa e minha pele junto.
O cabelo da velha maldita veio novamente em minha direção, iria me acertar, mas desviei rapidamente graças ao meu reflexo. Levantei do chão e olhei para o único móvel do quarto – a mesa.
Então pensei – “o que se faz com uma tesoura?” –, e rapidamente veio uma resposta – “cortamos!”. Então tive uma idéia, cortar o cabelo da velha, afinal, nada que estivesse ali estaria sem um motivo.
Corri em direção a tesoura, tinha que tentar me salvar e sair daqui. Peguei a tesoura e olhei para trás, o cabelo que saia da boca da velha vinha em minha direção, para me golpear.

Em um rápido reflexo, tentei segurar o cabelo, mas ela foi mais rápida. Golpeou-me no tórax. Ajoelhei-me, gemendo de dor. Então ela tentou me aplicar mais outro golpe.
Segurei o cabelo que iria me acertar. Ela fez uma rápida expressão de surpresa. Então peguei a tesoura e cortei o cabelo. Ela gritou de dor e no centro do seu peito abriu-se um buraco, deixando o coração a mostra.
Peguei a arma na minha cintura e atirei no coração da velha. Matando-a. Então ela morreu, deixando para trás somente pó e uma boneca bailarina – somente a metade das coxas para cima.
Eu percebi o que tinha que fazer. Peguei a parte da boneca que ela deixou e coloquei junto com a perna da boneca que estava grudada na caixinha de musica. A caixinha então se abriu, e dentro havia uma chave com uma pedra verde na ponta.
Peguei a chave e a quebrei, pegando a pedra enquanto a porta se abria. Enquanto saia do quarto do hotel, guardava a pedra junto com a outra, no meu bolso, e vi o sangue e ferrugem na parede desaparecer aos poucos.