PRESO Á SE7E CHAVES
15 Pecados a Pagar
Então eu vi entrando dentro da igreja mais um daqueles seres horrendos. Ele era alto – devia ter mais de dois metros –, muito musculoso, a pele num tom amarronzado. No lugar de uma cabeça uma marcara em formato de uma grande pirâmide, que o deixava com um ar mais assustador. Usava uma espécie de saia e botas de ferro. Na mão uma grande espada, maior que seu próprio corpo.
— O que é ele? – perguntei a minha irmã.
— É Pyramidhead. – ela disse – Nós teremos que pagar os pecados de nossa família. Um pagará, o outro terá o perdão.
— O que significa isso? – continuei questionando, enquanto aquele maldito monstro andava em nossa direção.
— É simples. – ela disse – Essa porra não vai descansar até matar um de nós dois.
— Fudeu! – foi a única coisa que eu consegui dizer.
Ele já estava perto demais de mim e então tentou golpear-me com aquela espada, mas num rápido reflexo pulei para trás, impedindo a minha morte. Então ele virou-se para Rosalie e tentou acertá-la, mas ela também foi mais rápida que o golpe mortal e desviou, pulando para a esquerda.
Ele se virou para mim rapidamente e tentou me acertar com um golpe, mas eu fui rápido e desviei novamente, indo parar entre um monte de arame farpado. Fiquei cercado, se saísse me cortaria mais, se ficasse morreria.
Então ele tentou me acertar mais um golpe, eu me adentrei mais nos arames farpados. Ele cortou os arames como se cortasse papel. Ele continuou a tentar me acertar e eu continuei a me adentrar cada vez mais nos arames farpados – tomando cuidado com a lamina da espada daquele monstro e também do próprio arame.
Então me vi cercado. Enfim cheguei na parede, estava perdido. Ele então apontou a espada para mim e tentou me golpear. E como se eu fosse um ninja, pulei para o alto e me apoiei na lamina da espada, depois chutei a mascara em formato de pirâmide dele e pulei por cima dele, caindo no chão e me levantando o mais rápido possível e correndo na direção contraria a ele.
— Porra! – exclamava sem parar.
Então ele correu na minha direção e tentou me golpear mais uma vez, desviei dele. Ele passou direto, ignorando-me por um momento e foi na direção da minha pequena – e maldita – irmãzinha.
Ele tentou matá-la, mas ela era tão rápida e hábil quanto eu e desviava de todos os golpes. Olhei para Dan morto no chão, e na sua mão uma arma. Ele estava do outro lado da igreja, então era melhor eu me apressar e chegar logo.
Eu corria em direção a arma, mas de repente senti algo trombar em mim. Era o corpo de Rosalie. Caímos no chão, empurrando uns aos outros e ao mesmo tempo desviando do golpe mortal que Pyramidhead iria nos aplicar.
Ela me olhou rapidamente e me xingou, depois voltou a olhar para o monstro, desviando do golpe que ele acabara de tentar aplicar-lhe.
Depois de fracassar no golpe que tentou contra minha irmã ele se virou para mim, tentando me acertar, mas pulei para a direita e aproveitei a deixa para tentar socá-lo, mas ele foi mais forte – e rápido – que eu, me deu um soco de direita, me arremessando longe.
Cai no chão, sentindo todas as minhas feridas arderem – e não eram poucas. Levantei rapidamente, olhando para aquele ser correr em minha direção. Vi que Dan estava perto, então corri até ele, para pegar a arma.
Enfim cheguei perto de Dan, peguei então a pistola em sua mão e mirei no Pyramidhead. Atirei, os três primeiros tiros acertaram sua mascara em forma de piramide, dois acertaram nos braços e três no peitoral, mas nenhum fez efeito, ele continuou vindo em minha direção e logo me mataria.
Então vi atrás dele um vulto pequeno e rápido, era Rosalie. Ela segurava o punhal e pretendia atacar Pyramidhead pelas costas. Mas ele foi mais rápido que ela – muito mais rápido.
Ele virou para ela e fez um movimento rápido com a espada, golpeando e matando-a. Ela caiu no chão, partida ao meio, completamente suja do próprio sangue. Ele então se virou para mim e apontou a espada para mim, mas não me desferiu nenhum golpe.
— Somente a escuridão abre e fecha as portas de Silent Hill. – ele disse, com a voz ecoando por causa da mascara.
Então minha vista ficou escura, meu corpo não me obedecia mais. Então desmaiei, ouvindo barulhos estranhos ao meu redor.
Então tive um sonho, um sonho que clareou todas as informações dessa noite. O porquê de tudo o que aconteceu comigo aqui, nessa maldita cidade.
Vi-me mais novo – eu deveria ter uns treze anos. Brigava com meus pais, eu não queria ir naquele festival chato de musica clássica. Então eles me deixaram em casa e foram somente meus pais e Rosalie – ela tinha uns oito anos de idade.
Então, a imagem mudou e os vi voltando para casa, o carro passava rápido pelas ruas desertas. Minha mãe, disfarçadamente soltou o cinto de segurança de Rosalie – minha irmã dormia como um anjo.
Depois de um tempo minha mãe começou a discutir com meu pari por algum motivo, então virou o volante bruscamente, fazendo o carro bater. Antes de a imagem mudar, vi minha irmã ser arremessada para fora do carro, pelo pára-brisa.
A imagem mudou mais uma vez, eu estava na sala de um hospital, e vi minha mãe conversar com um médico do hospital. Eles negociavam algo, me aproximei para ouvir.
— Pago o quanto for necessário para você me dar o atestado de óbito de Rosalie. – ela dizia.
— E o que eu faço com a garota? – o doutor perguntou – Ela está somente em coma, recuperará rápido.
— Mande-a para um orfanato. – ela dizia – Isso já será problema seu.
— Sim senhora, vamos negociar o preço... – o doutor respondeu.
A imagem mudou e vi Rosalie no quarto de um orfanato, conversando sozinha e sorrindo. Parecia planejar algo terrível – e eu tinha a impressão de saber o que era.
Então acordei em um quarto de hospital. Minha mãe olhava-me preocupada. Junto com ela Kevin e Jenna – meus melhores amigos e sócios desde que sai da casa da minha mãe. Ao lado deles, dois policiais me olhavam, segurando uma xícara de café.
— Você está bem filho? – minha mãe me perguntou assim que me viu acordar.
— Hei, — um dos policias falou chamou minha mãe – Temos que fazer umas perguntas para ele, saiam do quarto.
— Seremos breves – o outro policial completou.
Reparei mais nos policiais, era um homem alto e forte, o outro um senhor meio gordo – os mesmos que interrogaram Rosalie em uma de minhas visões.
— Alex Nashville, é o seu nome não é? – o gordo perguntou.
— Sim, — respondi – O que mais querem saber?
— O que aconteceu com você na cidade? – ele foi direto ao assunto – Várias pessoas desapareceram ali, você foi o primeiro a ser achado.
Fiquei um tempo calado, pensando. Se eu contasse para eles, eles me considerariam como louco e me prenderiam num manicômio. Eu não podia deixar.
— Não sei – menti – Não me lembro de nada.
— Tem certeza? – o policial alto perguntou.
— Sim. – falei.
Então eles começaram a fazer varias outras perguntas, eu estava tonto e cansado. Respondi-as automaticamente, sem ao menos prestar atenção no que eles diziam.
— Por enquanto é só! – o gordo disse, retirando-se do quarto. O outro policial o seguiu.
Mal eles saíram e minha mãe entrou no quarto desesperada, vindo me abraçar. Olhei-a com cara de desprezo e ela parou, olhando-me com cara de quem não entendia nada.
— Mãe, eu sei de tudo... – eu disse, tentando não ser rude com ela, pois apesar de não concordar com muito do que ela fez comigo e com Rosalie, ela ainda era minha mãe.
- O que? – ela fez de desentendida.
— Rosalie não morreu. – eu disse – O que você fez foi errado.
— Do que você está falando? – ela se mostrou nervosa, eu a atingira de alguma forma.
— Você comprou um... – eu não sabia que palavras usar – Atestado de óbito para minha irmã. Forjou a morte dela.
— Alex, — ela estava nervosa – Não fale isso.
— Eu sei... – eu falei – Não adiante mentir.
— Como você sabe disso? – ela perguntou, entregando-se.
— Esse não é o maior problema... – eu falei – O caso é que se você não mudar e for atrás da minha irmã o mais rápido possível coisas muito ruins vão acontecer.
— Filho... – ela disse, já chorando. Então saiu do quarto correndo.
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