Notas iniciais
** O começo e o fim são partes extremamente chatas de se fazer, a gente nunca sabe como começar e nem como terminar.. Porém sempre gosto de deixar um mistério no ar que com o tempo vocês, minhas crianças, vão descobrindo aos poucos.. Espero que gostem.. Chega de enrolação.. aqui vai o Capítulo Alpha - Parte 1 - Boa leitura!!

o século XVIII, no período de bruxos e da Santa Inquisição, Luz e Trevas entraram numa grande guerra quase devastando o mundo e tudo que nele habitava. Foram longos anos de lutas e derramamento de sangue. As Trevas possuía um exército forte, poderoso e bem treinado aos olhos de Destrus — o rei do Reino da Luz — que não teria vantagem alguma e não saberia quanto tempo a mais poderia resistir a esta luta. Ele foi pessoalmente ao Submundo em busca de um acordo de paz. Um dote: o casamento do filho mais velho de Copérnicus — o rei do lado das Trevas — com sua filha mais nova. Assim o acordo foi aceito, e por todos esses séculos houve paz na Terra.

Até que a pequena Sophia tivesse idade para se casar, ficava sobre vigia constante dos guardas reais e dos olhos de sua mãe Minerva. Todas as noites ela pedia á Zeus piedade pela filha. Seu choro era baixo, mas o desespero era grande e se culpava pela condenação de Sophia. Neste momento, Christina — a filha mais velha – uma das louras mais lindas da Luz, e de um olhar penetrante de cor verde-esmeralda, brincava com sua segunda irmã, Lyara, uma jovem sorridente e alegre. Ambas felizes pareciam confiantes da segurança que ali estava.

Aos olhos de muitos, a tensão entre o bem e o mal havia acabado, mas não era bem assim. Enquanto na superfície a Luz estava se reconstituindo, no Submundo, Eva – esposa de Copérnicus – preparava um banquete em minha homenagem, sendo eu o mais velho dos seis filhos, porém o favorito Ryan. O domador de serpentes e o comandante dos exércitos de Copérnicus.

Todos se assentavam para o jantar. Meus irmãos tão inferiores brigavam, talvez pelo lugar em que estavam sentados. Eu não tinha uma boa comunicação com eles, principalmente na hora do jantar.

Eros e Eron – os gêmeos mais velhos depois de mim – se encontravam em silêncio e sentados comportadamente ao lado de Morgana, a bela morena de silhueta invejada por várias mulheres e cortejada por vários homens; tinha o poder se sedução e adorava brincar com seu corpo sensual. Ela se maquiava frente a um espelho de ouro que logo lhe fora tirado por Baltazar e Nicolau – meus irmãos mais novos. Uma grande briga se formou entre eles e Copérnicus gritou, ordenando a se calarem, mas a briga permanecia incontrolável. Nessa hora adentro o salão de jantar e por alguns minutos eles se aquietaram. Eva, com um sorriso enorme no rosto, veio em minha direção abraçando-me e vendo seu filho, um guerreiro de verdade, comparecer ao jantar após vencer uma batalha.

Eva sempre vestida com muito ouro e pedras preciosas, digna de uma verdadeira rainha, beija minha testa – não ligando muito para o suor. Depois de seu sentimentalismo, sento-me entre Morgana e Baltazar que me encaravam com temor, mas ainda sentia a tensão entre os dois.

Os escravos me serviram um leitão gordo, estava faminto. Sem perder tempo o devoro em poucos minutos.

-Bom, meu filho, como anda as batalhas? Vejo que esta última lhe deu um pouco de trabalho – dizia Copérnicus me olhando comer o resto do leitão.

Não respondi, apesar do dia estressante de muitos treinos ainda teria que suportar o olhar desafiador de Baltazar sobre meus caninos. Eva notara que eu estava ficando irritado com aquilo e lançou um olhar de alerta ao filho. Morgana me olhava pelo canto dos olhos. Conhecia aquele olhar, era a inveja. Pobre garota. Sorri em meus pensamentos. Ela sempre quis ser a favorita, é uma pena que eu tenha nascido antes para lhe tomar o seu... Lugar.

-Meu filho, os deuses lhe abençoaram com mais um novo exército, e será entregue amanhã de manhã – informava Eva contente.

Novamente permaneci calado, pegando uma taça de prata dando longos goles no vinho. Enojei e o joguei no chão fazendo cara de reprovação.

-Que lixo! – disse por fim.

Eva sorriu e Copérnicus ria tão alto que todo o palácio poderia ouvir. Um tanto exagerado para algo tão banal.

-Esse é um puro dos bons –dizia ele rindo – Tragam uma taça de cristal e deem ao seu futuro rei o melhor sangue puro.

Morgana, indignada, se levanta e numa ação de fúria discute com os reis por me mimarem demais enquanto um escravo trazia uma taça bem trabalhada no cristal, contendo o precioso sangue puro e fresco – alimento direto dos vampiros.

-Porque ele recebe toda a honra? Porque eu não posso ser a favorita? Vocês dão tudo o que ele quer, eu também quero isso.

Ela pegou a taça das mãos do escravo e bebeu metade do sangue, jogando o resto sobre meu rosto, enojando o gosto. Meus pais me encaram surpresos e temerosos. Iria me pagar caro por isso. Apenas me levanto tranquilamente fechando os olhos chamando mentalmente minhas servas, serpentes muito venenosas que rapidamente apareceram ao lado de meus pés, entretanto, antes que pudesse perceber que iria atacá-la, desfiro um soco forte o bastante para quebrar seus molares fazendo-a cair no chão, logo as serpentes se enrolam nela e começa o abraço-mortal, esmagando-a quebrando seus ossos. Ela gritava alto. Deveria estar sentindo uma dor horrível, pois ouvi duas de suas costelas serem quebradas.

-Deveria matá-la com minhas próprias mãos por desperdiçar algo que está em falta, mas prefiro que sofra um pouco antes de morrer por elas – disse a olhando sem misericórdia.

-Cale a boca seu mimado, porque não me mata logo? Está com medo?

-Um deus não suja as mãos com um ser impuro como você, sua insignificante – olhava em volta. Meus irmãos procuravam proteção atrás de Copérnicus, assustados, enquanto Eva pedia calma, quase chorando.

As serpentes esmagavam ainda mais seus ossos fraturando mais costelas, seus braços e suas pernas. Seus gritos de dor ecoavam por todo o reino. Eu a encarava sem arrependimento algum me divertia ao ouvir seus ossos estalarem apesar de não demonstrar qualquer emoção. Eva se levantou, porém podia sentir o temor em suas ações. Fitei Morgana pelo canto dos olhos.

-Só terei piedade, por sua mãe.

Ao soltá-la dos abraços esmagadores das serpentes, ouvi sua respiração rápida, ofegante e dolorosa. Sai do salão.

Em meus aposentos, alguns escravos preparavam meu banho com água quente e escravas para a massagem. Entrei nas águas e limpei meu rosto ensanguentado. Luna – minha escrava linda e de confiança – trazia uma taça de cristal e seu líquido vermelho tinha um cheiro reconhecível. Era saboroso.

-O sangue virgem e puro ao digno do trono – dizia ela se aproximando evitando olhar em meus olhos e parou a minha frente oferecendo a taça. Olhei-a, vendo que estava usando um vestido branco com um pequeno decote, um pouco sujo pela poeira, mas que definia uma silhueta perfeita e atraente. Seus longos cabelos negros escondiam seus olhos castanhos e seu sorriso inocente.

-Nenhuma faz massagem tão relaxante quanto você, Luna.

Aproximei-me dela pegando a taça de suas mãos e tomando aquele líquido delicioso, sangue virgem, um maravilhoso sabor sendo degustado por um deus. Luna, tímida, caminhava atrás de mim jogando óleos aromatizados em minhas costas e em seguida massageando meus ombros. Eu era mimado demais e isso é tão relaxante ainda mais naquela banheira térmica o qual era rodeado de espelhos por onde eu olhava vendo um guerreiro forte de músculos bem definidos, de cabelos negros que destacavam o intenso violeta dos olhos. Um homem digno ao trono, a muitas mulheres e futuramente, conquistador do Reino da Luz. Este sou eu. Um guerreiro. Um deus. Eu sou Ryan Sanchez e sou um domador de serpentes. O trato feito para manter a paz na Terra. O comandante dos exércitos das Trevas, conhecido pelo meu egoísmo, preconceito, crueldade e impiedade. Eu sou um assassino e este era o homem refletido no espelho.

Luna percebeu um profundo ferimento em meu peitoral e ficou preocupada, logo veio a minha frente para que pudesse pegar um frasco contendo uma pasta verde e despejou em meu peitoral deslizando suavemente suas mãos sobre ele. Virei a taça de ponta-cabeça bebendo o resto daquela saborosa bebida. Deixando-a ao meu lado, olho detalhadamente as curvas de Luna, percebendo que ela estava ficando corada. Aquilo me deixava louco. Era notável a sua insegurança ao passar as mãos pelo meu corpo e a falta de contato com nossos olhos. Acaricio seu rosto com uma de minhas mãos colocando seus cabelos sedosos atrás de sua orelha vendo melhor sua feição jovem e de beleza rara. Que mulher interessante.

-Tão bela... – pego-a pela cintura e a aproximo do meu corpo sentindo a fragrância de sua pele – Tão sensual... – toco seus lábios rosados com meus dedos vendo-a tímida, mas percebendo um tom de desejo em seu rosto – Deite-se comigo, Luna.

-Perdoe-me senhor, mas é comprometido, não posso...

Ela virou o rosto antes que eu a beijasse se livrando de meus braços, fez uma reverência e saiu de meus aposentos.

No Reino da Luz a lua cheia brilhava sobre o céu estrelado, o vento soprava como uma brisa gelada sobre meu rosto jogando meus longos cabelos negros para trás. Era uma sensação indescritível. Uma noite perfeita para descansar ou dar um passeio no Templo da Luz. Como um gato nas alamedas caçando suas presas sob o brilho daquela lua, lá estava eu, como um ladrão pronto para atacar os guardas das torres de vigia do muro leste. Escondi-me atrás de alguns arbustos e para atacar os guardas do portão usei duas najas egípcias para silenciá-los. Após uma das najas terem picado a canela de um dos guardas fazendo-o cair sem conseguir gritar, vejo que o outro se abaixa para ajudá-lo sem entender o que aconteceu ali. Seu momento de distração foi o suficiente para que eu pudesse atirar quatro facas envenenadas nos sentinelas das torres, perfurando seus pescoços sem nenhum erro de calculo, e antes que pudessem gritar de dor ou soar o alarme, seus corpos estavam dormentes e sem vida no chão. Deparo-me com o outro guarda caído em frente ao portão, morto pela naja que voltava para a floresta. O caminho estava livre para minha passagem.

A cidade dormia e apenas os criminosos saíam a noite, dominando as ruas. Sim. Até a Luz tem seus problemas com a violência. Um velho se aproximava com um olhar baixo andando devagar e encurvado, porém seu olhar ia de encontro a minha espada de diamante — decorada com pura prata – escondida sob meu capuz. Era uma peça de valor sentimental. Eu já tinha sua posse desde que estava no ventre de minha mãe, mas aquele sujeito insignificante não parecia se importar com a minha presença, pois se aproximou de mim pousando levemente a mão sobre minha espada. Ele iria roubá-la de mim. Rapidamente peguei sua mão e a esmaguei quebrando seus ossos, e antes que desse seu escândalo, tapei sua boca com um frasco de ácido para que consumisse sua garganta, assim não teria testemunhas deste passeio tão interessante. Ele se debatia sentindo uma imensa dor, e quanto mais ele tentava escapar, mais o ácido corroía seu rosto manchando minhas mãos de sangue e ativando meus instintos sedentários. Sua luta para fugir dali era grande, mas minha força o venceu e em instantes ele havia caído como um corpo morto sobre o duro chão de pedra. Seu rosto estava completamente deformado, tanto que poderia ver seus ossos. O ácido é um brinquedo muito divertido em minhas mãos. Não demonstrei qualquer expressão, nenhum sorriso e muito menos o sentimento de culpa. Arrependimento? Eu nem sei o que é isto. Deixei o corpo ensanguentado para trás e segui pelas ruas escuras até avistar os muros do palácio que, como sempre, bem iluminado com grandes tochas de fogo azul, revelando o portão principal. Vários guardas mantinham a segurança do local, eram muitos e tinha pouco tempo antes do nascer do sol.

Fui para um canal onde alguns barcos estavam parados, amarrados no cais onde dois homens soltavam um, apressados carregando alguns sacos. Eram ladrões. Ignorei-os. Cada um resolva seus problemas.

Desci por um túnel tão escuro que, para um humano qualquer, não conseguiria ver um palmo a sua frente. Caminhei durante alguns longos minutos enxergando bem o caminho, logo senti o ar gélido da noite soprar, via a saída para um campo de margaridas, mas três delas me chamaram a atenção. Eram tulipas. Deve ser ali que há muito tempo, prisioneiros cavaram uma passagem secreta para fugir do calabouço do palácio da Luz. Abri a pequena e pesada porta de pedra e andei pelo corredor cheirando a esgoto e vendo ratos correndo por ali. Encontrei outra porta igual a da entrada desta passagem a abri passando por ela, vejo que estava dentro de uma cela vazia e escura. O corredor daquele calabouço estava pouco iluminado e podia ouvir os gemidos e murmúrios que ecoavam fantasmagoricamente por ele dando uma sensação de impiedade e morte, mas era apenas uma sensação, nada muito assustador comparado ao calabouço do palácio das Trevas. Não foi difícil encontrar as escadarias, mas ao andar entre as celas uma mão segurou meu sobretudo arrancando meu capuz. Ao me virar apara atacar, vejo uma mulher de olhar atormentado. Seu cheiro era de alguém que acabara de ganhar um filho. Ela me olhou com lágrimas em seus olhos claros, seu rosto estava todo ensanguentado e suas mãos trêmulas.

-Por favor, me ajude. Os guardas sombrios levaram meu filho, eles irão matá-lo para dar seu sangue ao filho das Trevas, por favor, salve-o.

Ela chorava e se humilhava diante de mim. Pude perceber que ela não havia me reconhecido, no entanto, não estava dando importância alguma para seu showzinho dramático, simplesmente peguei meu sobretudo de modo grosseiro e o vesti deixando-a para trás chorando desesperada.

Passei pela pesada porta de pedra entrando em um imenso corredor branco com grandes janelas dando vista ao jardim. Aqui os prisioneiros viam pela ultima vez a luz do sol. O lugar era iluminado com o mesmo fogo dos portões, suas tochas eram de ouro decorando e se destacando sobre o branco. Os guardas dormiam em um sono pesado, deitados no chão. Caminho tranquilamente até a porta que dava para um grande salão de julgamento com paredes de granito bruto de cor clara, uma grande mesa oval de madeira escura se localizava ao meio daquele salão, seus lugares principais – provavelmente dos reis – eram tronos de ouro decorados com muito rubi. O salão era sustentado por grandes colunas gregas próximas as janelas de arquitetura italiana com pesadas cortinas de veludo vermelho que se dobravam ao chão. Outras portas de pedra iguais se localizavam ali. Eram outros calabouços.

Ouvi a única porta diferente se abrir, e adentraram mais ou menos vinte guardas para a troca de turnos. Ao me verem fizeram formação de ataque.

-INTRUSO! – gritava um deles apontando sua espada á mim.

-ELE É FRACOTE, DEIXE-O COMIGO SENHOR – gritava outro correndo em minha direção atirando um cravado mace. Permaneci imóvel, com o capuz cobrindo meu rosto. Quando ela se aproximou de mim, fiz com que a desintegrasse sem tocá-la. Vi o espanto nos olhos daquele soldado e segui em sua direção calmamente. Podia sentir seu medo e sua alma clamava por misericórdia. Seu corpo estava paralisado, logo um feixe de luz rápido e incompreendido derruba sua cabeça, agora separada do seu corpo pela minha espada que se encontrava suja pelo sangue imundo de um soldado qualquer que se glorificou diante de um deus. Tirei o capuz deixando a mostra os olhos em fúria de um domador de serpentes. Olhos como os de um réptil, de tonalidade violeta intensos. Segurei firmemente a espada de diamante e o medo tomou o controle dos guardas que tentaram escapar, mas as portas haviam se trancado, então como defesa, resolveram me atacar. Péssima ideia. Minha espada dançou pelos ares cortando a cabeça de um dos guardas facilmente, entretanto, outro guarda que tentou pular em minhas costas e acabou levando um chute na barriga e foi lançado contra a mesa oval. Um dos guardas tenta me dividir ao meio levantando sua espada na altura de sua cabeça e sua guarda baixa me faz encravar a espada em seu coração. Seus gritos eram inevitáveis, após alguns minutos o silêncio tomou conta de sua alma. Girei mais uma vez a lâmina rasgando os olhos dos que estavam a minha volta e cortando mais alguns pescoços por causa da diferença de altura entre os guardas.

Havia sobreviventes e isso era um serviço inacabado. Despejei o frasco de veneno em suas bocas e logo seus corpos incharam e empalideceram, seus olhos sangravam e suas bocas escorriam pus. Novamente paz e tranquilidade.

Dirijo-me a porta de onde eles vieram. Passando por ela, outro salão amplo dava origem a uma porta de vidro com vista á cidade. Largas cortinas douradas se estendiam por toda a vidraça. Ignorei o nascer do sol e subi um dos lances de escadas. Estava vazio. Sem guardas, sem reis, sem Christina e Liara.

Abri com cuidado a porta de ouro toda esculpida localizada no fim do imenso corredor. Era o quarto de minha noiva, iluminado pelas tochas de fogo incandescentes com paredes pintadas de branco com detalhes dourados, o que destacava ali era o comprido carpete vermelho vivo que se estendia até a porta de vidro que dava saída para o jardim de margaridas, fechada por finas cortinas de seda que deslizavam com leveza por causa da brisa que entrava, e sobre a cama digna de uma princesa estava ela num sono leve com seus cabelos louros cobrindo seu rosto delicado e frágil. Ela parecia uma boneca, tão sensível, tão jovem, tão bela... E condenada a eternidade ao lado de um monstro como eu.

O sol já raiava e antes que Sophia acordasse me atiro da porta de vidro num salto de fé, caindo em pé e no mesmo instante arrumando o capuz sobre a cabeça.

A notícia de que um assassino havia invadido o palácio da Luz e massacrado seus guardas pela madrugada estava percorrendo a cidade causando pânico total, mas Copérnicus não ligava para isso, estava sorridente com o novo exército que compareceu ao salão de treinos após minha chegada ao palácio das Trevas. Eva me vestiu com roupas de um líder, um general, usando uma capa vermelha e uma armadura de metal. Direcionei-me ao salão acompanhado por Eva que trajava um vestido sensual de cor vinho com um decote profundamente exagerado e muitos diamantes cobriam seu colar. Os guardas abriram a porta para minha passagem e vi aqueles insignificantes de raça imprestável. Podia sentir o cheiro humano vindo deles. Aquilo era uma piada. Um desacato diante de um deus. Dei meia volta ignorando as reverências deles, mas fui impedido pela mão de Copérnicus sobre meu ombro.

-Qual o problema, meu filho?

-Isso é o que você chama de exército? Me nego a comandá-los, esta raça é podre. Os deuses zombaram de mim e pagarão caro por isso.

Furioso, sai do salão batendo a pesada porta com força e todo o lugar estremeceu. Um escravo se apressava trazendo uma taça de cristal, seu cheiro era atraente. O escravo se ajoelhou entregando a taça de cabeça baixa. Uma reverência.

-Digam-me escravo – dizia pegando a taça de suas mãos – E sem mentiras, onde está a criança?

-Criança?

Tirei a espada da bainha e a coloquei sob seu queixo erguendo sua cabeça obrigando a olhar em meus olhos.

-Está a salvo com Luna, meu senhor.

Guardei a espada e pedi para que a chamassem em meus aposentos com a criança. Na sacada, olhava a cidade do Submundo, trajado com roupas leves e com meu inseparável sobretudo negro se arrastando até meus pés. Ouço a porta se abrir. Viro-me á ela vendo a criança dormindo tranquilamente em seu colo enrolada por mantos aquecendo-a.

-Não é justo uma criança ser assassinada para lhe servir seu sangue – dizia ela defendendo o recém-nascido – Eu lhe dei meu sangue, meu senhor.

-Me entregue esta criança – estendi a mão em direção a ela.

-O que fará com ela? – perguntou ela se afastando um pouco, temendo minhas ações violentas.

-Não é de sua conta.

Tomei a criança de seus braços antes que percebesse; ela se desesperou e tentou recuperá-la se jogando sobre minhas costas. Aquilo me irritou tanto que a peguei pelos cabelos e a lancei contra a porta de vidro da sacada, sem piedade, vendo os estilhaços caírem sobre ela perfurando seu corpo imóvel, estava desacordada e seu sangue escorria no chão provocando minha sede. Com todo esse barulho, a criança acordou chorando muito. Tento acalmá-la e logo percebendo que era um menino com cheiro de um semideus. Quem era este garoto? E porque eu estava salvando-o?

Eva abriu a porta e se surpreendeu com o que viu.

-O que houve aqui? Quem é esta criança? O que houve com Luna?

Ignorei-a saindo do quarto deixando-a para trás. Ela estava mais preocupada com a escrava desmaiada no chão do que com seu próprio filho carregando um recém-nascido nos braços que por falar, estava se aquietando.

Cavalgo para fora do reino rumo ao portal que leva ao Reino da Luz.

Intencionalmente iria devolver a criança para a mãe, mas era tarde demais. A mulher já não estava mais ali, e o cheiro de morte reinava sobre o local.

-Ela foi condenada a morte – dizia um prisioneiro – Por se-

-Não preciso de explicações, humano idiota – interrompi-o.

- Ryan... Não sou um humano normal. Chamo-me Otávio e sou um ofidioglota, isto é, me comunico com serpentes, porém mais evoluído que você.

Segui em direção a sua voz dando um soco nas grades da cela amassando-as um pouco. Aquele sujeito permanecia no escuro e minha raiva aumentava cada vez mais.

-Dobre sua língua, inseto, eu sou um deus e não lhe dou permissão para usar meu nome em sua boca imunda.

-Você anda tão estressado que não consegue se comunicar com elas, e ainda se chama de domador de serpentes? Que ironia. Mas se me tirar daqui posso lhe ajudar com este problema.

-Não preciso de sua ajuda, pois meu único problema aqui é ter que continuar um assunto ridículo com um imbecil como você.

-Somos parecidos Ryan-

-Uma das diferenças que nos afastam é que eu estou do lado de fora da cela e você está morto. Onde estão suas serpentes agora? E ainda se diz um ofidioglota? Que ironia.

Dei-lhe as costas e caminhei em direção á porta vestindo o capuz sobre os olhos. Vejo um dos guardas fazendo a segurança no local.

-Quem é você?

-Acalme-se soldado, sou apenas o faxineiro do calabouço – menti rebaixando-me a um miserável faxineiro — Ouvi esta criança chorar. Pode levá-la em segurança á rainha Minerva?

O guarda ficou impressionado com aquilo, pegou a criança com cuidado nos braços e agradeceu a minha compaixão.

Desci pelo calabouço ouvindo o guarda brincar com o garoto enquanto se dirigia ao salão real.

Passei pela cela daquele humano que ainda se encontrava no escuro, desta vez quieto, mas os roncos eram altos. Estava dormindo. Que idiota.

Cavalgando de volta ao palácio das Trevas, desci do corcel e entrei no salão real. Copérnicus se encontrava furioso. Quando me viu desembainhou a espada. Percebi que todos estavam com lágrimas nos olhos. Eva chorava muito com o pequeno Nicolau imóvel nos braços e meus irmãos — exceto Morgana que se encontrava de cama por causa das fraturas que havia lhe causado, mal podia se mover- confortavam Eva.

Copérnicus colocou a espada sobre meu pescoço, não entendi sua ação.

-Deveria te matar aqui e agora, maldito.

Peguei a espada de meu pescoço e a joguei de lado caindo em baixo da porta.

-Não sei o que quer dizer – disse sem desviar meu olhar do dele.

-Não é digno de receber a coroa do trono, arruinou sua divindade. Olhe para o que fez desgraçado – ele ergueu a mão em punho dando-me um soco no rosto e meu sangue foi esguichado para fora da boca – Você matou seu irmão com seu veneno maldito. O que ele fez para merecer isso? Tornou-se um impuro.

Enquanto perdia o controle e caía sobre o chão, sentia minha raiva fluir. Ele insistia em me acusar, mesmo sabendo que nunca faria mal a ninguém de minha família. Era assim antes, mas agora eu teria que usar força bruta para me defender. Levantei-me limpando o sangue da boca; meus olhos se tornaram como de serpentes. Sua mão segurou meu ombro forçando-me e virar para ele que logo desferiu um segundo soco forte para quebrar meus caninos, mas se reconstituíram em seguida. Afasto-me com o impulso do golpe. Antes que percebesse, ele já se encontrava no chão e desfiro golpes em seu rosto violentamente sentindo seu sangue escorrer em meus punhos. Em defesa, ele desferiu uma joelhada na altura de minhas costelas e me jogou para o lado em meu momento de dor. Com seu peso sobre meu corpo, ele tentou me dar vários golpes no rosto, alguns deles eu desviava outros era inevitáveis, pois estava lutando com um velho soldado de guerra.

Eva estava muito traumatizada para se mover, mas recuperou a coragem e gritou desesperadamente, porém sem nenhum sucesso. Tanto eu quanto Copérnicus buscávamos esta briga, mas em seguida Eros e Eron tentam nos separar com muita dificuldade. Ignorava meus irmãos, e vi a distração de Copérnicus procurando não feri-los. Era uma vantagem. Encravei meus caninos venenosos em sua mão a mesma sangrando e se misturando com o veneno e o sangue negro de minha boca. Ele gritou de dor, mas logo iria passar. O velho tinha antídotos para caso eu mordesse acidentalmente alguém da família, infelizmente Nicolau não resistiu. Dei um soco em seu queixo o derrubando para trás. Passo por cima de seu corpo soltando meu peso sobre ele imobilizando-o, aperto seu pescoço com as mãos o enforcando sentindo suas forças irem embora e vendo seu rosto mudar de cor. Eu o encarava sem expressão alguma e ele retribuía o olhar sobre meus olhos ferozes. Logo sinto a espada de Copérnicus sob meu queixo novamente. Levanto minha cabeça e vejo quem a empunhava. Luana. Sem mais reações, os gêmeos me retiram de cima dele. Baltazar ajuda o velho a se levantar, seu rosto estava completamente desfigurado pela brutalidade de meus golpes, ele me fitava com ódio e desprezo observando que minha feição estava perfeita, sem nenhum arranhão.

-MALDITO! – gritou ele – Que os deuses te condenem, pois eu o amaldiçoarei pelo resto da eternidade, você será banido do Reino das Trevas e irá viver para sempre com os humanos e nunca mais será bem-vindo aqui.

-Eu sou um deus, Copérnicus. Irá se arrepender por me humilhar.

-HUMILHAR? VOCÊ MATOU SEU IRMÃO, ISSO NÃO CONTA PARA VOCÊ?

-Você desconhece meu verdadeiro eu.

Dei as costas para aquele lugar e segui para meus aposentos recolhendo minhas vestes e objetos de valor, e nesse momento em que arrumava minhas bagagens, sinto a presença da escrava repugnante se aproximando, fazendo uma reverência e se ajoelhando no chão de cabeça baixa. Seus movimentos eram cautelosos, podia sentir sua tensão.

-Vá embora, escrava, pouco me importo com suas lágrimas falsas, se volta contra seu mestre e depois se arrasta feito um cão arrependido? Você é ridícula. Vá servir ao seu novo mestre, você me traiu, traiu a minha confiança.

-Meu senhor, eu-

-Cale a boca, vadia – interrompi-a.

Vir-me-ei á ela segurando em seu pescoço erguendo-a do chão e a empurrando contra a parede de pedra com força sentindo alguns estilhaços caírem sobre nós.

-Dê-me um motivo para não matá-la – disse olhando em seus olhos.

-Por que... Por que eu... Eu...

-Você não tem mais utilidade.

Soltei-a pegando minhas bagagens e caminhei rumo ao campo de treinamento. Iria me despedir de um amigo de batalhas e conseguir um cavalo para a partida.

Passando por aquele grande corredor que ficava antes do salão de treinos, reparo os quadros da família... Pude notar somente agora que Copérnicus ficava sempre distante de mim, dando um pressentimento de que ele me temia desde então.

Chegando lá, observo meus soldados – meus antigos soldados – me encarando com olhares tristes. Já deveriam saber da notícia. Sinto a mão de Kronos sobre meu ombro esquerdo, meu amigo e major de batalhas, ele também parecia triste.

-Soube do que houve, preparei o corcel mais veloz para o senhor.

-Cuide das tropas, meu amigo.

-Tem minha palavra, senhor comandante.

Enquanto me preparava para a partida, fiquei refletindo sobre o invencível exército das Trevas que agora estaria em outras mãos. Teria de deixar aquele mundo de grandes batalhas e de muito luxo para trás, agora era a hora de partir e deixar as coisas acontecerem naturalmente, pois quando chegar a hora de voltar eu saberei, mesmo sabendo que um sangue real banido jamais poderá voltar por pena de morte e condenação de sua alma como um criminoso, mas estou disposto a recuperar minha honra e me tornar rei. Minhas batalhas podem apenas terem sido por curtas distâncias e posso desconhecer o mundo lá fora e as criaturas que o Inferno criou, no entanto, enfrentarei tudo para provar minha inocência. Esta – talvez – seria a mais terrível e cruel batalha já vivida por mim, ou por qualquer outro, principalmente pelos momentos difíceis que estão por vir. Isto eu posso sentir.

Cavalguei até os lados escuros do Reino das Trevas, onde assassinos, estupradores e ladrões costumavam frequentar, seguindo em direção a uma casa noturna que ao entrar me deparo com mulheres belas e seminuas, deixando a mostra seus corpos esculturais, mas nenhuma digna de receber uma noite bastante prazerosa com um deus. Este era meu pensamento até encontrar uma jovem de pele branca e cabelos negros e cacheados dançando sensualmente com seu corpo de belas curvas descendo até o chão em um mastro de prata. Ela me olhou sedutoramente com seus olhos esverdeados, passando a língua em volta de seus lábios vermelhos. Tirei o capuz deixando meus cabelos soltos, olhando-a nos olhos enquanto me aproximava calmamente até ela que continuava a dançar sensualmente me provocando. Podia sentir seu desejo por mim, apesar daquele lugar estar cheio de clientes locos por uma transa.

Ela me deu um sorriso me olhando de cima para baixo, aprovando minha feição.

-Quer uma noite de prazer, jovem guerreiro?

-É a mais bela de todas, como se chama princesa?

-Kattarine, mas para um guerreiro forte e atraente como você, apenas Katt.

Pousei minhas mãos em sua cintura e a puxei para meu corpo sentindo sua doce fragrância enquanto suas mãos deslizavam sobre meu peitoral. Muitos clientes me encaravam com inveja, podia sentir o ódio em suas almas. Aquilo me divertia.

-Siga-me, vamos para um lugar mais reservado, garanto que não irá se arrepender – diz ela sorrindo de modo malicioso pegando minha mão e me conduzindo á um quarto com velas iluminando a grande cama coberta com mantos vermelhos bordô e dourados. Um lugar simples, mas aconchegante. Ouço a porta se trancar logo atrás de mim enquanto Kattarine passava ao meu lado arrancando meu capuz deixando a mostra minha espada de diamante. Ela a encarou, no mesmo instante me reconhecendo, fazendo uma expressão de surpresa.

-V-você... – gaguejou ela.

Puxei-a para mais perto do meu corpo dando-lhe um beijo em seu pescoço, retirando a espada e a jogando no chão.

-Não vamos estragar o momento, não é?

Livrei-me das vestes deitando sobre a cama junto com ela, segurando sua coxa encaixando-a em meu quadril, segurava seus cachos para beijar melhor seu pescoço onde podia sentir o arrepio em sua pele, logo descia uma de minhas mãos pelo seu sutiã e ali apertava com um pouco de força seus seios fartos. Sentia suas unhas arranharem minhas costas nuas, era uma pequena dor prazerosa, ainda mais quando suas mãos deslizaram sobre minha cueca massageando o local, aquilo estava me deixando louco.

Ela deu um sorriso malicioso passando a língua por volta dos lábios.

-Que delícia! É bem dotado, não é?

Sorri com sua expressão, foi quando retiramos nossas roupas intimas e o fogo tomou conta de nossos corpos numa transa gostosa que durou a noite toda.

Notas finais
Gostaram?
Aprovaram?
Continuem acompanhando meus pequenos...
Até o próximo capitulo!!