P.O.R.T.A.L.L.E.R. - Reworked
7 Portais de Espinhos
A maca carregando o Minotaur estava sendo levada até a enfermaria. E junto com Ox, Raiko sofria. A derrota do amigo tão cedo no torneio fora demais. Ainda não era possível acreditar. Raiko olha a maca desaparecendo por entre a passagem que levava ao interior da Arena, quando seus olhos param na figura do adversário de seu amigo. E Raiko só sabia de uma coisa naquele momento. Ox seria vingado. E Simon Starcry pagaria um alto preço.
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Maggie, Julie e Lana ainda estavam chocadas com aquela derrota. Na primeira luta do torneio, uma derrota. Um começo humilhante e inesperado. Mas com certeza, o pior era como ainda tinham de encarar a torcida frenética da Dark Kuroki naquele ritmo irritante de um agudo seguido por quatro graves, numa cadência infernal guiada pelos urros alucinados recitando como que numa seita o nome de seu time.
Mas, mesmo com a fatalidade da derrota do primeiro integrante da Chronicle, o show teria de continuar. Mal se passam cinco minutos e Hecs pega o microfone e segue em frente com o evento, anunciando os próximos lutadores:
— Depois de uma batalha de abertura espetacular por parte de ambas as equipes, temos o placar de um a zero para a Dark Kuroki! — A torcida urra e bate nos ombros um dos outros, gerando um barulho ensandecido. — E os próximos competidores que atuarão na segunda luta do dia de hoje serão, primeiramente da Chronicle... — Ele gira a roleta da Chronicle. — A veterana, nossa ruivinha querida, Maggie Bittencourt!
Maggie levanta da arquibancada e vai para a sua posição, demorando um pouco mais de um minuto para tal. Antes mesmo de Margareth chegar á arena, Hecs continua a introdução.
— E o participante da Dark Kuroki é... — Ele gira a roleta digital com os nomes dos integrantes da Dark Kuroki. — Loas Meiner!
Em meio aos gritos da torcida, Loas se dirige a sua posição, também lentamente, talvez um pouco mais rápido que Maggie. Meiner é um rapaz negro, baixo e devido a sua estatura franzina, aparenta ser bem novo, numa faixa de 15 anos ou um pouco mais, mas podendo ser uma primeira impressão errônea. Usa uma camiseta sem mangas, cinza escura lisa com uma calça cinza clara, ambas de uma marca extremamente conceituada, demonstrando que o garoto possivelmente tem algum poder financeiro. Tem olhos castanho-escuros e cabeça raspada, com um princípio de barba na face. Usa uma boina cinza com tom igual á da camisa, com o símbolo da DK estampado em preto.
Quando ambos os participantes se põem em suas posições na arena, Hecs, agora mais uma vez atuando como juiz da batalha, se aproxima dos dois.
— Já sabem que quero uma luta digna, pessoal. Vamos levar essa galera a loucura. – Ela dá uma risada amistosa. – Se afastem um pouco e... Já sabem as regras. né?
Ambos se afastam um pouco e concordam com a cabeça. Hecs abaixa a bandeira branca, simbolizando que a luta estava para começar.
— Portal Gate... — Dizem Maggie e Loas ao mesmo tempo.
— ...Open! — Hecs levanta a bandeira, dando início a batalha.
— The Flower! — Diz Maggie, enquanto uma aura violeta surge ao redor dela.
— The Nightmare. — Diz Loas, tranquilo, enquanto uma aura negra com traços alaranjados surge ao seu redor.
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Na sala da enfermaria, Raiko se mantinha sentado ao lado de Ox, que estava deitado em uma das várias camas do aposento. A sala era branca e bege, com luminárias eletrônicas inseridas nas paredes e iluminação de tons leves para aliviar o clima pesado em torno de quem estava lá. Havia mais precisamente seis camas, três de um lado e três no lado oposto, com um vão no meio para a fácil locomoção por dentro do recinto. Duas estantes brancas e uma mesa de mesma cor cheia de aparelhos médicos como seringas, estetoscópios e outros, além de um grande espelho na parede de encontro ao trio de camas oposto ao de Ox. Acima das estantes, prateleiras eram aderidas às paredes, guardando frascos de vidro com líquidos de diferentes colorações em seu interior, provavelmente sendo reservas nutritivas para nano robôs, estes com certeza mais baratos e acessíveis do que Capulettos.
Ox recebia injeções ligadas a tubos em sua cama, que injetavam no mesmo doses controladas de nano robôs. Na prescrição médica, Raiko havia lido que o nome dos que estavam sendo inseridos no sangue de seu amigo era 9-LO, uma versão bem comum no mercado para restauração energética dos portais, além de reconstrução e renovação celular.
Raiko aguardava Ox acordar enquanto olhava pela janela entreaberta, localizada no canto direito da sala. E via uma coisa estranha pela pequena abertura da janela. Não. Estranha? Não só estranha. Era impossível. Simplesmente impossível. Afinal, não é todo dia que se vê uma pessoa que já morreu brincando no jardim a uma janela de distância de você.
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— Lian Thorn! – Quem começara a luta fora Maggie, onde ela toca as palmas de suas mãos uma na outra e cria uma vinha enorme de espinhos de grande espessura saindo diretamente do solo. A vinha se estende na direção de Loas, o acertando no braço e fazendo-o cambalear para trás, segurando o braço. Maggie então raciocina com base nessa informação:
"Interessante. Pelo visto, ele não tem um bom físico, reagindo negativamente a alguns golpes. Deve ser um Portaller Range, como eu", pensa a ruiva.
Loas se agacha e toca a palma de sua mão esquerda no chão, ao tempo que sua aura negra e alaranjada aumenta, enquanto uma sombra vai tomando o corpo do Meiner, subindo pela mão, se estendendo pelo torso e depois pelo resto do corpo, deixando sua pele completamente negra, como feita de pura sombra.
— Nightmare Armor! – Finalizada sua habilidade, ele parte para cima da adversária e lhe alveja o rosto com um chute de esquerda. Maggie defende com ambos os braços e cai para trás, mas quando vê, descobre que caiu numa sequência.
Levava diversos socos e chutes e recebia cada um deles, defendendo alguns e tomando outros diretamente. Ela optou por ser uma Portaller Range devido ao seu físico frágil, não usando muito os punhos, mas suas técnicas, desprezando combates físicos.
“Então talvez ele seja um Aggro-Control focado em sequências... tenho que quebrar esse combo dele antes que seja tarde demais”, pensa Maggie, que habilmente escapa da sequência com um pulo. Ainda no ar, ela encosta as palmas das mãos uma na outra, liberando uma vez mais sua habilidade:
— Lian Thorn! — Ela reutiliza o ataque das vinhas, mas desta vez, menores e mais rápidas, sendo liberadas diretamente de suas mãos, usando-as para prender ambos os punhos de Meiner. Ela cai no chão, de pé. — Não adianta tentar torar a vinha. Ela é muito resistente e... — Loas rasga a vinha com os dentes. — ...bem, não tão resistentes, aparentemente.
Ela pula em direção a Meiner, almejando um chute nele, tentando usar a surpresa como fator de ataque, mas logo percebe que não foi uma boa ideia. Loas segura o pé de Maggie e a gira em alta velocidade, jogando-a para o alto em seguida. Antes mesmo dela cair no solo, ele usa mais um golpe.
— Bad Dream! – Um raio energético da mesma cor de sua aura em Bittencourt é lançado das mãos do rapaz, fazendo a garota voar mais alguns metros para trás até se chocar com impacto no chão.
Loas segue andando em direção a fumaça do impacto. Estranhamente, sente um tremor na terra, mas continua andando, mesmo que com desconfiança. Avança mais um pouco e uma luz violeta surge da fumaça, vinda de baixo.
— Tremor! — O chão começa a se rachar abaixo dos pés do The Nightmare numa luz violeta, logo abrindo-se com velocidade formando uma fenda abaixo de Loas, que cai na mesma.
O rapaz tenta se prender com os pés nas paredes da fenda, mas percebe que caiu numa armadilha de Maggie.
— Maldita... – Ele tenta escalar a armadilha rochosa enquanto vê diversas vinhas gigantes em sua direção, saídas diretamente da fumaça que ainda não havia se dissipado, enquanto Maggie, com ambas as mãos tocando o chão, recita o nome de sua habilidade:
— Sprout Vie! — As vinhas se enroscam em Loas, puxando-o para o subterrâneo e enterrando-o vivo.
E o público pela terceira vez no dia abre contagem.
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Raiko olhava a garota com curiosidade e espanto. Nunca havia se deparado com algo tão puro no planeta. A menina era loira, com cabelos lisos e perfeitos até a altura da cintura. Um vestidinho verde era sua vestimenta, com um laço amarelo ao redor de sua cintura. Seus olhos eram de uma pureza inigualável, negros como uma noite sem estrelas, era quase impossível ver suas pupilas devido à semelhança de tons. Tinha bochechas rosadas, pele alva como neve e aparentava ter 8 anos. Ele conhecia aquela garota. Só havia uma coisa que Raiko não entendia.
Aquela garota se chama Lyra Vega. Lyra Vega havia morrido à anos 3 atrás.
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Não demorou muito. Na arena, quando a contagem ainda estava no sete, uma aura negra com detalhes alaranjados aparece por entre as vinhas, tentando escapar, primeiro lentamente, mas depois adquirindo uma consistência explosiva. As vinhas se implodem, jogando pedaços de plantas para todos os lados. Uma delas atingiria Maggie de frente, mas ela se defende com uma barreira vertical e alongada feita de diversas vinhas espinhosas:
— Thorn Bouclier! — Ela não é atingida por pouco, mas atrás dela, com grande velocidade, surge Loas carregando a energia de seu ataque:
— Bad Dream!! — O raio de aura iria novamente atingir Maggie, mas ela brilhantemente chuta a barreira de vinha que havia acabado de criar, procurando impulso para trás, e num esplendido mortal, passa por cima de Loas, que não poderia parar a execução do seu ataque devido à energia. E Maggie resolve que as vezes é preciso improvisar.
Maggie ainda com o impulso dá um grande chute na lateral da cabeça de Meiner que voa para o lado, mas não cai. Apenas se desequilibra, voltando à estabilidade em seguida.
— Acho que já esperei demais, Bittencourt. Está na hora de usar minha carta na manga.
— Se eu deixar não é, Meiner? — Ela se põe em posição de combate, preparada para utilizar sua habilidade Tremor para cancelar a canalização de qualquer golpe do oponente.
— Ah, você vai deixar, não se preocupe. – A ruiva é segurada por trás por uma sombra de formato humanoide. Ela se impressiona, pois a sombra era extremamente material e forte. Maggie não conseguia se desvencilhar. Ela olha pra baixo e vê que se trata de sua própria sombra a segurando.
— Você vai perder, Margareth! — Ele salta e levanta as mãos em direção ao céu. Sua aura começa a aumentar gradativamente, aumentar e aumentar até explodir em milhares de espíritos negros que saem de sua aura e ficam rodeando seu corpo.
Maggie fica desesperada sabendo que algo péssimo estaria por vir. Tenta se livrar da sombra, mas era virtualmente impossível. Quanto mais ela tentava, mais se cansava e consequentemente, ficava mais fraca para continuar tentando. Ela não poderia perder. Tudo aquilo, aquele torneio, tudo que está acontecendo fora por causa dela; ela perderia em sua primeira batalha? Na batalha do torneio que ela escolheu? Ela não podia aceitar.
Os espíritos que circundavam Loas começam a entrar em sua boca. A medida que os fantasmas entram, a torcida da Dark Kuroki começa a bater novamente uns nos ombros dos outros, como num rito satânico e hediondo que combinava completamente com o cenário diabólico que se forma na arena. E era tarde demais para Maggie, assim como fora para Ox.
— Krueger Decree!!! — Ele libera de uma única vez todos os espíritos acumulados num projétil de aura infernal gigantesco e potente saído de sua cavidade bucal, enquanto o som de todos os espíritos gritando ecoavam em uníssono gemidos guturais.
Maggie fecha os olhos esperando a derrota. E assim acaba mais uma batalha no Night Fight.
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— Lyra? É-é mesmo você? — Raiko abre a janela e prontamente a pula, já ficando a frente da garotinha.
— Raikooo! Você por aqui! — Ela acena para ele com um sorriso fofo e angelical, indo depois olhar para uma pequena borboleta amarela que passava pelo jardim.
— O-oi... você...
— Nossa! Você ficou grande em Raiko! E eu tô tão pequenininha... — Ela dá impressão de que iria começar a chorar.
— N-não! Que é isso? Você também está bem grande Lyra! – Ele tanta rir, mas estava completamente desnorteado.
— Ah bom. Mas por que você tá com essa cara de bobo, Raiko? – Questiona inocentemente a garota.
— Bem, eu... – Raiko não sabia o que pensar.
— É brincadeira, seu besta! Vem cá! — Ela puxa a mão de Raiko.
— Mas, Lyra... — Do nada, a pequena garotinha começa a se esvaecer enquanto puxa a mão do jovem Tamashiro. – L-lyra? Lyra? LYRA!!! – Ele grita, em desespero. Ele se curva no chão, num misto de sofrimento e angustia. Uma presença é sentida logo atrás do rapaz, que a ignora devido à dor emocional.
— É uma linda lembrança, Raiko... – Esse alguém diz, revelando sua presença ao jovem, que se vira sem olhar muito bem pro homem à sua frente.
— Como? Como você... – Ele estava confuso.
— Não interessa como. Mas por que. Lyra Vega. Morta por Kaito Leviathan, por acidente. Seu mestre. Mesmo mestre que cuidava de Ox, Maggie, Tenma e todos os outros. — Raiko não conseguia parar de chorar, visivelmente abalado pela visão que teve.
— Tenma... — O Tamashiro cai de joelhos, sem forças.
— A vida é um ciclo de ódio, The Mask. Não importa o quanto fuja disso, enquanto estamos no agora, estamos simultaneamente cercados pelo nosso passado e, por que não, pelo nosso futuro. Isso desde que o ódio esteja presente. Por falar no Temma, tenho uma notícia pra você, Raiko. Tanto Lyra, quanto Tenma e mestre Kaito...
"Eles estão vivos..."
Raiko desaba em choro. É como já foi dito.
"Há coisas que nem ele poderia esquecer"
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