Notas iniciais
Espero que goste.

PAPEL DE PAREDE

É claro que antes era rosa. O meu quarto na infância era rosa. Havia de ser rosa, seria inadmissível se não fosse rosa. Rosa como a propaganda de sapatos. Rosa, rosa, rosa. Com a Pampilliiiiiiii o meu mundo é assimmmm. E, por um instante, metade rosa e metade amarelo, mas isso não importa.

Depois, foi violeta. Minto, não era inteiro violeta, nem era o mesmo quarto. Mas na adolescência houve uma parede pintada de violeta. Linda cor, lindo quarto. Pena que não morava ninguém nesse quarto, pena que não havia nada nesse quarto. Minto, havia sempre a roupa dobrada para o dia seguinte. O uniforme, é claro, zombando de mim.

Agora, azul e branco, pintado já há algum tempo. O meu quarto é azul e branco (REPITO). Não sei por quê dizer isso. Mas quem pintou fui eu (com a ajuda da minha mãe), quem rabiscou também e seria impróprio se não fosse. Escrevi: “Aqui, neste meu último quarto, suspirei pela minha paixão, contemplei minha burrice, e agoniei em minha solidão”.

(Não te julgo se não gostar, eu achei bem ruinzinho.

A Giorgia, que dorme na cama de cima, de um quarto que não é nosso, disse que é coisa da idade, que temos que aceitar as nossas fases. A minha fase, essa aqui que escreve, tá com vontade de tacar tinta nas palavras, de cagar o conto inteiro.

Não faço ideia do por quê da tara com as paredes, eu tô bem e elas tão na mesma).

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!