Notas iniciais
Mais um! O/ desculpem a demora, mas essas duas semanas foram um tanto corridas para nós duas... Mas está aí... E o 25 já está a caminho. :)

Pássaros

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Escrito por Amanur e Noel Blue

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Capítulo 24


A chuva batia forte contra a janela, e, lenta e pesadamente, ela abriu suas pálpebras. O sono ainda dominava seu corpo anestesiado pelo cansaço, mas apesar do tempo cinzento que pintava o céu lá fora, Sakura já se sentia mais viva e colorida do que nunca.


Sasuke ainda dormia ao seu lado, mergulhado num sono profundo. Com os olhos ainda embriagados pelo sono, ela analisou melhor seus traços, e percebeu a pequena pinta que ele tinha embaixo do olho direito e esboçou um leve sorriso, pois ele também tinha algumas marcas de expressões na testa, algo que lhe dava um charme a mais. Então, sem conseguir resistir aquele rosto maravilhoso, ela se aproximou dele para inalar aquele seu perfume gostoso, agora misturado ao seu. Mas ao tocar o nariz em seu ombro nu de pele quente e macia, ele virou o rosto, embora não despertasse. Não se conteve, e passou a língua no ombro do seu amante para sentir seu gosto, sua textura. Ela queria pular em cima dele a agarrá-lo novamente... Mas conteve-se. Ela se deu conta de que havia ali, em algum lugar, uma sensação incômoda, que coçava como uma pulguinha atrás da orelha, que parecia disposta a lhe importunar pelo resto do dia, talvez.


Ao invés se deixar perturbar por isso, nas pontas dos pés, ela se levantou. Vestiu a camisa dele, só por que queria sentir por mais tempo aquele perfume, e quem sabe, ficasse com ele em sua pele por algum tempo. Ele tinha um cheiro tão viciante, que ela não conseguia parar de cheirar a camisa.


Em seguida, desceu as escadas para preparar o café da manhã.

Seus pés saltitavam e dançavam pelo chão, tão alegre e de bom humor estava.


— Nada como uma boa transa, hum? — sussurrou para si mesma, divertida com a idéia, embora soubesse que sua felicidade fosse por outro motivo.


Ela cantarolava e rodopiava pela cozinha, em meio aos estrondos das trovoadas que retumbavam lá fora, enquanto pegava tudo o que era necessário. O cheiro de cafeína que logo abraçou o cômodo a despertou mais. Duas xícaras, dois pires, duas colheres, duas facas, quatro fatias de pães... Aos pares, tudo parecia mais delicioso. No entanto, enquanto fazia sanduíches, ouviu um forte estrondo vindo do andar de cima, fazendo com que todo aquele feitiço que a movia naquela manhã se dissolvesse com o frio que entrou pela fresta da janela de sua cozinha.


Sem pensar duas vezes, saiu correndo escada acima para encontrar o motivo de sua felicidade tragicamente caído no chão.


— O que aconteceu? — perguntou cheia de aflição, correndo para socorrê-lo.


Mas com um sinal com a mão, ele a impediu de dar mais um passo em sua direção.


— Nada... — ele resmungou, meio mal humorado.

— Não parece ser nada para mim... — ela respondeu, se aproximando para ajudá-lo, assim mesmo. Mas ele deu um tapa na mão dela, aborrecido por não poder se levantar ainda.

— Eu consigo fazer isso! — esbravejou.


O orgulho dele estava falando mais alto naquela manhã, e embora não quisesse brigar, ele precisava fazer alguma coisa logo. Por que, de repente, lhe veio essa urgência arrebatadora de se recuperar a todo custo, o quanto antes. Ele não queria que ela passasse por alguma dificuldade com ele, não queria que ela se visse presa a ele por sua situação. E o que era pior, ainda tinha medo de que ela se sentisse na obrigação de estar com ele para ajudá-lo só porque era sua médica.


Então, fazendo muito esforço, se apoiando na cama e em qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, ele se levantou. Sentiu-se orgulhoso de si mesmo, embora já estivesse ofegante, e se sentisse patético por seus movimentos toscos.


Mas Sakura apenas o observava, com as mãos meio estendidas no ar para o caso de precisá-las, mesmo que a contragosto. Ela mordia a ponta da língua para não perguntar se ele precisava de ajuda, por que realmente viu que o idiota era mais orgulhoso do que pensava.


— Não pode fazer isso assim e sozinho, Sasuke. E se distender algum músculo? O tratamento vai demorar mais, porque teremos que esperar você se recuperar... Deixe de ser teimoso.


Ele não respondeu, e sentou-se na cama, recuperando o fôlego ao mesmo tempo em que dava um olhar azedo na direção dela. Sakura revirou os olhos e abaixou a cabeça, olhando para suas mãos.

— Eu só não quero que você se machuque... — ela sussurrou por fim, mas ele continuou em silencio.

Como não houve resposta, ela suspirou, pegou algumas roupas no armário e se trancou no banheiro. Ela não chorou, só trocou de roupa e ficou pensando que essa não era o tipo de manhã-pós-sexo que ela tinha imaginado. Olhou-se no espelho, dando tapas no rosto para despertar daquela sensação estranha que ainda a seguia. Depois, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo meio frouxo, lavou o rosto e escovou os dentes. Agora se sentia meio estranha por sair do banheiro e voltar ao quarto, para aquela pessoa que a aguardava. Mas não ficou mais tempo ali. Logo voltou, e viu que ele já vestia a boxer e ainda estava sentado na cama. Ela se aproximou e deu-lhe sua camisa, que ele pegou e vestiu sem fechar os botões. E continuou a olhar para o chão.

— Você está com fome? — ela perguntou.

— Um pouco. — ele resmungou.


Ela assentiu e saiu do quarto em direção a cozinha, onde colocou o café da manhã que havia preparado em uma bandeja e levou ao quarto. Pela primeira vez, ela se sentia faminta, capaz de devorar um boi inteiro, mas mastigava seu sanduíche lentamente, observando os movimentos dele com orgulho de vê-lo conseguir levar a própria comida à boca.


— Pare de me olhar desse jeito, ou vou ficar com vergonha... — ele resmungou, sem olhar para ela, enquanto tentava cortar uma fatia de pão.

Ela sorriu.

— Me desculpe... Mas você parece uma criança aprendendo a usar talheres.

— Hunf... Ah é? Olha só o que eu posso fazer também! — ele lambuzou um dedo na geléia de uva que ela trouxera, e com seus movimentos meio trêmulos, o levou até a ponta do nariz dela, para lambuzá-la. Melecou o nariz e mais uma parte da bochecha porque sua mão tremia, mas de qualquer forma se sentiu satisfeito com o resultado — Há! Estou brincando com a comida!


Ela ficou seria, olhando para ele, mas no fundo se segurava para não rir.


— Sua mãe não lhe ensinou bons modos não? — ela indagou.

— Ensinou, mas eu sou burro e esqueci.

— Há-há... — então, para revidar, ela fez o mesmo. Deixou um nariz pintado no rosto meio aborrecido dele.

—E agora é o momento em que fazemos guerra de comida? — ele resmunga.

— Não, sem guerra de comida na minha cama!

— Ah, ok. Só para esclarecer...

— Tudo bem.


Terminaram de tomar o café sem dizer mais nada, com seus narizes pintados. E também não era necessário quebrar aquele silencio. Se alguma vez ela o achou constrangedor, agora ele parecia acolhedor, especialmente com aqueles sorrisos que estampava o rosto de cada um deles, entre aquelas trocas de olhares.


Quando terminaram, ela empurrou a bandeja para o lado, e engatinhou até ele sobre o colchão. Seu rosto se aproximou tanto, que podiam sentir a respiração um do outro e, simplesmente, ficaram se encarando por um tempo com palavras presas na garganta. Palavras pequenas, mas de grande valor, que ela tinha medo de ouvir e de dizer. Mas quando ele finalmente tomou coragem para dizê-las, assim, de repente, ela lambeu o nariz dele lambuzado de geléia, o fazendo prorrogar aquela decisão por mais um tempo. E tudo o que Sasuke fez, foi rir da situação.

Com as duas mãos, meio sem jeito, ele puxa seu rosto para o dele, para um beijo meio tímido e meio feroz. Ela segurou as mãos dele, acariciando. Sorriu entre o beijo e se afastou, olhando bem para o rosto masculino. Em seus olhos havia um brilho diferente que fez seu coração se aquecer e bater mais rápido, e por um momento sentiu como se olhasse para seu marido, ali diante dela. Passou a mão por seu rosto e deu um beijo em sua testa, em seus olhos, seu nariz, bochechas e queixo e voltou a olhar para ele, como se memorizasse cada detalhe de seu rosto através daqueles beijos.

Agora que finalmente provara do gosto dele, não queria mais se desfazer dele. Como quem come pela primeira vez uma barra de chocolate e não consegue mais parar... E foi assim que aconteceu com ela. Sasuke se tornava um vicio delicioso, quente, acolhedor, algo que pedia sempre mais. Quando mais o beijava, mais se dava conta da necessidade que tinha dele, que escondia dentro de algum buraco escuro da sua alma, por que tinha medo demais de se entregar àquela doce sensação novamente.

— Você é lindo. — sussurrou para ele, com os lábios quentes encostados em seu ouvido.

Ao som de sua voz, Sasuke parece se derreter. Aquele timbre vibra em todo o seu corpo, e ele agarra a moça em seus braços. Ele toma os beijos dela em seus lábios, e penetra sua língua com gosto de café na boca dela. Sakura se entrega novamente à sensação, aos toques, à magia que ele injetava no sangue dela de maneira que jamais compreenderia.

Ela abre as pernas e senta no colo dele. Arranca a camisa que ele vestiu, e arranha as costas dele. Meio sem jeito, ele tenta fazer o mesmo com a blusa dela. Mas ele apenas a ergue o suficiente até o peito, junto com o sutiã, para conseguir beijar seus seios. Seus mamilos já estavam rígidos, e ela, sem o menor constrangimento, se entregava de olhos fechados para ele. Já rebolava sobre as pernas dele, deslizando sua mão sobre seu peito, até alcançar a ereção que ainda se formava sobre a boxer.

Ele gemeu de leve com o toque daquela pequena mão sobre seu membro. Ela o massageava, o fazendo relaxar mais ainda, enquanto seus lábios não descolavam dos seios dela. Ele a beijava ruidosamente, saboreando aquela pele cheirosa e macia que só as mulheres têm.

Quando ele ficou rígido o suficiente, Sakura saiu do colo dele, e se pôs de joelhos no chão, aproveitando que ele ainda estava sentado em sua cama, com as pernas para fora. Expôs o sexo dele, e o abocanhou com gosto, massageando as partes mais baixas. Ele jogou a cabeça para trás, se apoiando na colhão, aproveitando aquela sensação incrível que a boca quente e macia dele lhe proporcionava. Ela enroscava a língua em torno do corpo daquele membro quente, e sugava lentamente a ponta. Ele já inclinava o quadril, enquanto se agarrava nas colchas do colchão.

Como ela também já estava pronta para recebê-lo, retirou a calçinha por baixo da saia que vestia, e sentou por cima dele. Gemeu com a introdução do membro dentro de si, enquanto ele voltava a se sentar na cama. Sasuke agarrou a cintura dela, para lhe dar mais apoio, e beijou seu pescoço. O corpo de Sakura parecia mais macio e molenga do que antes. Ela rebolava com mais desenvoltura, e vê-la se mexer daquela forma o deixava mais excitado. Ela estava mais sensual, mais feminina, mais delicada, enquanto jogava seus cabelos cor de rosa para o lado, e mordia aqueles lábios suculentos, exalando desejo e tesão. De repente, a boca dele parecia sedenta e a puxou para um longo beijo de língua que se intensificava na medida em que os movimentos dela agilizava.

Ele tentou fazer algum movimento por baixo dela, conseguindo penetrá-la mais a fundo. Ela o abraçou, roçando seus seios no peito dele e gemendo em seu ouvido, e começou a cavalgar por cima dele.

Aquele vai-e-vem ia ficando mais forte, mais intenso, enquanto ela baita as coxas nele. Sasuke já urrava, prestes a gozar. Quando o ápice finalmente veio, ela gemeu mais alto, sentindo o seu próprio explodir. Ela rebolou mais um pouco, deixando a sensação do liquido dele escorrer entre suas pernas lhe tomar, enquanto o enchia de beijos molhados. Ambos estavam arfantes e suados, mas aquilo não importava.

Ele corou levemente, mas sem desviar seus olhos dos dela. Ele levantou a mão trêmula e pegou uma mecha de cabelo que saíra do rabo de cabalo e a pôs atrás da orelha. De repente uma brisa invadiu o quarto, e fez com que os fios soltos voassem, dando um ar meio artístico a ela, que olhou para sua janela aberta. Quando Sakura voltou seu olhar para ele, viu que o homem lhe mostrava seu melhor sorriso.

— Não, você é linda. E incrível. — e então, aquele sorriso se transformou em algo mais sacana — E você morre de amores por mim.

Ela revirou os olhos, e Sasuke gargalhou da cara dela.

— Você tinha que estragar o momento, não é? Típico dos homens. — ela bufou e se afastou dele, com um sorriso no rosto.

A moça soltou o cabelo para amarrá-lo novamente, dessa vez, bem firme. Ventou novamente e ela se perguntou quando foi que abriu a janela. Caminhou até ela, para fechar as persianas, sentindo o frio lhe arrepiar os pêlos.

— Sakura...

Ela franziu o cenho e voltou-se para Sasuke, que ainda a olhava com aquele sorrisinho, dando uma checada maliciosa no traseiro dela.

— O que foi? — indagou.

— Nada... Só estou vendo que tens a bunda mais linda que já vi. — ela revirou os olhos novamente, e recolheu suas roupas pelo chão.

— Quer tomar um banho?

— Com você?

— Ok. — ela deu de ombros, já que não conheciam mais o constrangimento por seus corpos nus.

— Só se você tiver fôlego para mais uma rodada, por que, devo lhe avisar, eu sou um leão insaciável. — ele disse, com uma estranha seriedade.

— Na verdade, estou exausta...


Ele suspirou.


— Ótimo, por que eu também!


Ela sorriu, adorando aquele humor dele. Era ótimo ter alguém bem humorado por perto, e isso só fazia com que o desejasse mais ainda.


Ela o ajudou até o banheiro. A maioria das coisas ele fez por si mesmo, se mantendo sempre com as costas encostada contra a parede para se manter de pé. Ele lavou os cabelos, passou sabonete no corpo, mas nos pés ela precisou se agachar para que ele não perdesse o equilíbrio. Quando saíram do chuveiro, ela o ajudou a vestir as calças. O resto, ele fez com muito orgulho.


Apesar da terrível tempestade que caia lá fora, de forte ventania e pingos que castigava o asfalto, o clima entre eles era mais acolhedor e caloroso. E por isso resolveram passar o dia juntos, como um casal aproveitando se levando no embalo daquele romance.

Jiraya, que havia voltado para a casa, ao ver que Sasuke dormiria com Sakura, já estava de plantão em frente ao prédio da moça, e os levou para almoçar fora. Depois, deram uma volta pela cidade e finalizaram a noite com uma seção de cinema com direito a pipocas.

Embora tudo parecesse perfeito, aquela sensação de que algo estava fora do lugar lhe incomodava. A perseguia como uma sombra obscura, tentando quebrar sua paz interior, querendo quebrar o silêncio que a protegia do passado.

Notas finais
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