Notas iniciais
Mais um; boa leitura!

Pássaros

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Escrito por Amanur e Noel Blue

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Capítulo 17

Não foi fácil para o Sasuke conseguir ter sua alta assinada pelo Dr. Kabuto. Os dois estavam sozinhos no quarto, conversando em particular, porque Itachi precisou sair por algumas horas para resolver algo no local em que trabalhava.

— Ainda faz pouco tempo em que se operou, Sasuke. Sair daqui é correr um enorme risco de contrair uma nova infecção. Além disso, quero experimentar em você alguns estudos que estou fazendo para recuperar a mobilidade através de uma cirurgia muito promissora, que tem tudo para dar certo.

— Uhum... Falando em cirurgia... Não que eu queira desmerecer a minha fisioterapeuta, mas suspeito que o senhor já tenha aplicado um de seus estudos em mim, não foi mesmo?

O médico suspirou, reposicionando seus óculos de grau sobre o nariz, enquanto o paciente o encarava furtivamente.

— Que bom que tocou no assunto. Isso significa que já está percebendo algum resultado, então, não é mesmo?

— Responda minha pergunta antes.

Kabuto pigarreou.

— Claro... Seu irmão assinou a primeira autorização para realizarmos o experimento. Então, com a ajuda de um neurocirurgião, fizemos um transplante de células-troncos. Como você chegou no hospital sem consciência, ele me autorizou a fazer o que fosse possível por você. Então, simplificando tudo, retiramos do osso do seu quadril algumas células-tronco chamadas mesenquimais. Elas têm grande capacidade de se transformar em diversos tipos de tecido, e por isso a injetamos diretamente no local onde a sua coluna foi fraturada. Essa foi a segunda vez que apliquei esse procedimento num paciente. O primeiro deu resultados positivos, então, resolvi testá-lo novamente. Mas como até então eu não estava lhe acompanhando muito bem, devido alguns contra-tempos que tive, achei que não tivesse lhe surtido efeito.

— Em outras palavras, isso significa que não vou precisar me submeter a mais nenhuma cirurgia...?

— Não se os seus resultados forem positivos. Foram?

Sasuke não quis dar o braço a torcer, embora a resposta àquela pergunta fosse óbvia. Apesar de ser grato à realização dele, ele se lembrava das palavras e o modo duro como tratou Sakura, e desde então Sasuke decidira que não ia mais com a cara daquele sujeito.

— Apenas quero me livrar dessas paredes brancas o quanto antes. — sem dizer mais nada, o paciente apenas apontou com a cabeça para a gaveta do seu criado mudo para que o doutor lhe fizesse a gentileza de abri-la e encontrar algumas notas em dinheiro ali. Quando Itachi tomava seu banho, de manhã cedo, uma enfermeira havia entrado para deixar a bandeja com seu café da manhã, e ele solicitou que tirasse de suas coisas a sua carteira, e colocasse algumas notas que ele tinha naquela gaveta, já pensando naquela solução para sua alta.

Enfim, o médico o encarou fingindo estar ofendido, mas Sasuke sabia que tipo de homem ele era, apenas pelo olhar frio, e seu jeito de quem não se importa muito com seus pacientes. E, claro, algumas enfermeiras também colaboraram para montar o seu perfil. Além disso, ele preferia pensar que aquela era apenas mais um meio sutil de agradecê-lo pelo que fez, e não apenas um simples suborno.

Kabuto assinou os papeis em seguida, sem dizer um piu, e Sasuke conseguiu sua alta. Finalmente iria embora daquele lugar sufocante, fétido e depressivo ainda naquela tarde. E sem se dar conta que tinha um pequeno sorriso no rosto, ele ficou observando seu irmão arrumar suas coisas numa mala, depois que o médico lhes deu as costas.

Sasuke ainda se perguntava por que seu irmão não lhe dissera nada até então, e suspeitou que o idiota apenas não quisesse lhe dar esperanças. Ou, quem sabe, ele mesmo já não a tivesse mais consigo.

— Não acredito que estou voltando para casa. — disse Sasuke, enquanto mexia devagar os dedos de sua mão direita, encantado com aquela possibilidade de voltar à normalidade. Itachi estava colocando as ultimas coisas dentro da mochila e olhou de soslaio para seu irmão. Ele ainda não sabia que Sasuke já movia os dedos, e Sasuke imediatamente cessou os movimentos para surpreendê-lo mais tarde.

— E eu não acredito que você conseguiu a sua alta. Tenho certeza de que é muito cedo... — resmungou, desconfiado.

— Não sei por que você está reclamando. Sei que você odeia esse lugar tanto quanto eu!

— Sim, eu detesto esse lugar, mas se é para o bem da sua recuperação, eu não me importo de continuar a dormir nessa poltrona ridícula.

— Você merece um descanso também... — Sasuke murmurou, intrigado com uma coisa.

A última coisa que Itachi pôs para guardar na mala do Sasuke foi um pássaro de origami feito com papel de jornal.

— Foi você quem fez isso? — questionou.

— Hum? Isto? Foi a doutora Haruno... Em sua ultima, ou penúltima visita... Não me lembro bem quando, mas você estava dormindo. Devo jogar fora?

— Não! Deixe-o na mala. Ela te disse por que deixou isso?

— Não... — com tudo posto nas malas, Itachi fechou o zíper e encarou o irmão — Pronto! Eu pedi ao Dr. Kabuto algumas indicações de fisioterapeutas que podem atender a domicilio e...

— Não preciso disso! Já tenho uma fisioterapeuta. — ele interrompeu bruscamente o irmão mais velho.

Itachi bufou e revirou os olhos com a teimosia do irmão, e como não era burro, ele sabia muito bem qual era o plano do seu irmão. Sasuke continuava insistindo que sua fisioterapeuta era Sakura, e embora o mais velho gostasse da moça, não queria que ela continuasse perto do caçula, pela influência que ela exercia sobre ele.

— Sasuke, você sabe que ela está fora de cogitação.

— Não tire de mim o pouco que eu tenho, Itachi... Essa é a única coisa que lhe peço. Não me obrigue a abdicar das minhas decisões, porque não sou uma criança. Eu sei o que estou fazendo, e você, inclusive, deve algo a ela.

Itachi franziu o cenho, tentando entender do que ele falava. Então, ao invés de usar palavras, ele mostrou ao irmão o que estava conseguindo fazer com os dedos.

Aqueles simples, mas muito significativos movimentos fizeram com o que o mais velho prendesse a respiração, tão incrédulo estava.

Mas passado a surpresa, alguns instantes depois, com mais um suspiro, ele se recompôs.

— Teremos tempo para conversar sobre isso depois. — Itachi resmungou, dando as costas para pegar as malas e levá-la ao seu carro. Mesmo não vendo, o mais velho sabia que seu irmão caçula estaria revirando os olhos.

Enquanto caminhavam pelo corredor, os médicos que passavam por ali, e que acompanharam Sasuke em sua estadia, paravam para cumprimentá-lo desejando-lhe uma ótima recuperação. Não que fizesse muita diferença para ele, já que a pessoa que ele queria que estivesse lhe apertando a mão (a mão que finalmente poderia sentir aquele toque), não estava presente. De qualquer forma, ele forçou um sorriso pequeno e agradeceu a cada um deles pelas felicitações.

— Não vou sentir falta desse lugar... — sussurrou Sasuke, enquanto já passavam pela porta do hall de entrada, depois que o Itachi deu baixa em toda a papelada burocrática exigida para deixar um paciente sair do hospital.

— Nem eu, fico feliz que estejamos finalmente indo para casa. — Itachi respondeu calmamente e olhou por cima do ombro, vendo o hospital se afastando cada vez mais, enquanto caminhava pelo estacionamento. Eles pararam ao lado de um carro sedã e, sem ajuda, Itachi conseguiu colocar seu irmão no banco de trás e a cadeira de rodas no porta -malas. Ele havia comprado uma especial antes de ir buscá-lo no hospital.

No caminho de volta para casa, Sasuke não sabia como explicar o que sentia ao rever aquela paisagem campestre pelo qual passavam. Eles moravam num grande rancho, na saída da cidade; ficava numa zona rural, mas bem desenvolvida ao redor. Era bom estar em casa, e poder voltar a respirar aquele ar puro e rever toda aquela bela paisagem verde. Os campos planos, que corriam pela janela lhe davam vontade de se levantar dali para correr de pés descalços naquela grama macia. Ou ainda, para curar a dor no seu coração, sobrevoar aqueles campos em seu avião.

Depois de passar pelo pórtico de entrada, Itachi ainda percorreu por mais alguns quilômetros, até alcançarem o casarão de dois andares. Itachi entrou na garagem por uma entrada lateral, desceu do carro, e pegou a cadeira de rodas. Nesse mesmo instante, o zelador do rancho, que trabalhava para a família há anos, apareceu para ajudá-los.

— Já deixei seu quarto organizado, Sasuke. Talvez você estranhe algumas mudanças, mas foram ordens do seu irmão. — o velho Jiraya murmurou para o mais novo, enquanto o carregava até a cadeira.

Sasuke revirou os olhos, mas não disse nada por que não queria estragar seu humor ainda.

Mas seu quarto não era mais o mesmo. Ele havia sido todo adaptado para um cadeirante. Havia mais espaço entre os móveis, e alguns deles, inclusive, substituídos por outros menores, para o alcance de Sasuke.

Depois de ter sido bem acomodado em sua cama, Sasuke ainda teve que aturar uma razoável quantia de perguntas a respeito de como se sentia e do que precisava, por parte do zelador. Quando finalmente Itachi o deixou em paz — pois este também não desgrudava do seu pé —, ele pediu para que Jiraya pegasse de sua carteira o papel em que a enfermeira simpática do hospital anotara o número de sua fisioterapeuta. E com aquele número, tentasse descobrir o endereço residencial da moça.

Enquanto ele aguardava o retorno do outro, Sasuke observava um papel dobrado sobre seu criado mudo. Dali de sua cama, ele conseguiu ler o convite para o aniversário da Hanabi, e lembrou-se do dia em que viu sua médica com aquele belo vestido. Ele poderia jurar que jamais havia visto criatura mais bela. E não se arrependia de nada; se tivesse que pegar outra infecção para vê-la novamente, ele não se importaria.

Quando Jiraya retornou, algumas horas depois, Sasuke já estava cochilando. Mas ao perceber que alguém entrava em seu quarto, ele despertou imediatamente, tão ansioso estava.

— Descobriu? — indagou.

— Sim... Tentei ligar para os números também, mas não obtive resposta.

— Ok... Amanhã você me levará até lá, mas quero que você guarde segredo quanto à isso do Itachi. Pelo menos por enquanto.

Aquela noite se passou mais lenta do que deveria. Sasuke ouviu cada tic-tac do seu relógio. Ele viu o tempo passar naquela mistura de ânsia e nervosismo, que não davam passagem ao sono, e se deixou levar pela irritabilidade. Era horrível ver as horas passarem naquele ritmo tartaruga, e sem poder fazer absolutamente nada para driblar aquele marasmo. E quanto mais o tempo passava, mais repetia para si mesmo que precisava da sua fisioterapeuta mais do que nunca!

Para enganar o tempo, então, Sasuke berrou pelo irmão, que dormia no quarto ao lado. Prontamente, em poucos instantes, Itachi apareceu no meio da madrugada, deslizando pelo chão bem encerado, de meias nos pés, cabelos emaranhados, cueca samba canção, olhos inchados e assustado com o que não sabia.

— O que foi? O que aconteceu?

— Estou entediado, e não consigo dormir... — o irmão resmungou, contendo o riso.

Bêbado de sono, Itachi encarou o irmão por alguns instantes, decifrando o que ouviu. Com um suspiro, para acalmar os batimentos cardíacos, ele puxou uma cadeira para o lado da cama do Sasuke. Ele tinha vontade de esgoelar o irmão, mas entendeu que estar de cama o tempo inteiro também não era tarefa fácil.

— Falei com o pai esta tarde... Ele disse que tentará vir esse fim de semana para vê-lo. — Itachi comentou, coçando os olhos.

— Não que eu me importe com isso...

— Ele se importa. Só não sabe como expressar...

— É... Comunicação é um negócio sério...

Nesse instante, um vento frio soprou para dentro do quarto, através da janela aberta, e Itachi se levantou para fechá-la. Sasuke tinha uma parede ao lado coberta com pássaros de origami, que fez sozinho quando pequeno, e eles balançaram com a rajada de ar. Isso lhe trouxe em mente o origami que a doutora havia feito para ele, e pediu para Itachi alcançar o papel.

— E ela nem sabe que você é fissurado nessas coisas... — o mais velho resmungou, entregando o pássaro que havia posto na cômoda nova na mão do irmão.

Com ele entre os dedos, Sasuke sentia a textura do papel, e imaginou-a fazendo a dobradura. Com algum esforço, ele conseguiu mover o polegar também, mas seus músculos ainda estavam rígidos, meio anestesiado.

— Ela disse que não iria desistir de mim... E pretendo cobrar isso dela.

Notas finais
Algum comentário?
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A explicação sobre a cirurgia do Sasuke, no início do cap, retiramos de uma noticia que encontramos no site: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/10/paraplegico-da-primeiros-passos-apos-transplante-pioneiro-na-bahia.html na noticia, explica que um paciente, com apenas dois meses de operação já se equilibrava sobre as pernas e até pedalava nas sessões de fisioterapia. Então, imaginamos que fazer com que o sSasuke recuperasse a sensibilidade dos dedos logo, não fosse algo tão absurdo. :)
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OBS: bom, ainda não temos do cap 18 em diante escritos, portanto, a partir de agora, a frequência das postagens ficará um pouco menor... Mas faremos o possível para manter pelo menos um cap por semana. Se por acaso conseguirmos finalizar dois, numa mesma semana, postaremos também...Mas só para que fiquem avisados! :)