Notas iniciais
Jacob recebe uma visita inesperada cheia de surpresas.

Trilha Sonora

Estava trabalhando em meu Rabbit, modelo 1986, quando ouvi um rangido familiar vindo da entrada de casa. Larguei as ferramentas e espiei pela porta da garagem e nem acreditei quando vi. Era Bella, na minha antiga picape. Nunca iria entender como ela conseguia gostar de dirigir aquilo, mas fico feliz que estivesse. Assim teria desculpas para vê-la caso a caminhonete precisasse de concertos.

Fui pego de surpresa pela visita repentina. Havia meses não via Bella. Acredito que a última vez que a vi foi no dia do baile de formatura. Não entendi muito bem o que o meu pai quis dizer com aquele recado, entretanto acredito que para Bella tenha significado alguma coisa. De qualquer forma, Billy cumpriu sua promessa e agora eu tinha um carro no qual trabalhar.

Saí da garagem para ir ao encontro de Bella. Ela parece feliz em me ver. Abro um sorriso involuntário ao vê-la. Não consigo entender por que ela me faz sentir assim. Imagino que seja a familiaridade que nós tenhamos um com o outro, afinal brincávamos o tempo todo quando crianças, pelo que Billy e Charlie comentam. Tento me conter, mas meus sorrisos aparecem automaticamente a cada palavra que ela fala. Meu Deus! Devo estar parecendo um retardado!

Levo-a para falar com Billy dentro de casa, já que lá fora cai um chuvisco teimoso. Conversamos por alguns minutos, mas logo mudo de assunto para saber o que Bella quer fazer. Preciso aproveitar o tempo que ela está aqui, já que não faço ideia de quantos meses mais vou ficar sem vê-la. Sou pego de surpresa já que ela se interessa pelo Rabbit e vamos direto para a garagem.

Conversa vai, conversa vem, Bella me pega de surpresa quando pergunta:

– Jacob, você entende alguma coisa de motocicletas?

Bom, meu conhecimento sobre motocicletas é mínimo. Embry tem uma moto velha e mexemos nela vez ou outra, mas passo longe de ser um expert. Geralmente Embry mexe enquanto eu passo as ferramentas. Só que Bella não precisa saber disso, claro! Tento parecer convincente e despreocupado ao responder:

– Alguma coisa. Um amigo meu tem uma moto antiga e nós trabalhamos juntos nela algumas vezes. Por quê?

Bella ficou uns minutos calada, como se estivesse decidindo sobre alguma coisa. Quando respondeu, ainda parecia indecisa e até temerosa.

– Comprei umas motos e gostaria de saber se você poderia me ajudar a conserta-las. Elas não parecem estar em boas condições.

Realmente não esperava por isso, mas WHAT THE HELL?! Seria legal trabalhar em algo novo. Já estava quase terminando com o Rabbit e logo ficaria sem um projeto novo. Talvez as motos pudessem me dar ideias novas. Iria precisar conversar com Embry para pedir umas dicas, mas quão difícil seria conserta uma moto? Ora essa, eu estava consertando um carro... Uma moto não deveria ser tão complicada assim.

Fazemos um acordo no final. Não aceito pagamentos, mas Bella parece decidida a me dar algo em troca. Depois de um impasse, ela resolve me dar uma das motos e pede para não falarmos sobre isso com nossos pais. Fico feliz que ela tenha me escolhido para ser cúmplice nessa empreitada proibida, dessa forma poderemos passar algum tempo juntos.

Após trazer as motos para dentro, conversamos pouco e logo levo Bella de volta a picape. Depois de uma despedida rápida, volto a garagem e fico encarando as motos, sem saber por onde começar. Talvez eu deva chamar o Embry aqui para dar uma olhada nelas. Sento-me largado no chão e me perco em pensamentos. Percebo que ela não parece tão bem, parecia bem abatida ainda. Então Charlie tinha razão. Peguei alguns fragmentos de conversa entre ele e meu pai. Charlie não sabia o que fazer. Parece que Bella estava vivendo como zumbi desde que os Cullen tinham ido embora, mas nem mesmo Charlie sabia o que tinha acontecido. De qualquer forma, aos poucos ela parecia estar voltando à vida. Imagino o que tenha mobilizado essa mudança repentina...

Ouço Billy me chamando para jantar. Nossa, o tempo voou! Sempre que fico pensando em coisas que não deveria me perco no tempo. Corro pra dentro e no meio do caminho lembro que deveria ter escondido as motos. Droga! Volto correndo para garagem e jogo uma lona por cima dela. Dificilmente meu pai irá vir aqui, mas por via das dúvidas, melhor prevenir.

*****

De: Bella Swan

Para: Alice Cullen

Hoje fiz uma coisa impulsiva e louca, com certeza. Peguei umas motos velhas e levei ao Jacob para que pudesse consertá-las. Por quê? Não faço ideia. Talvez seja um daqueles ataques momentâneos na tentativa de ver as alucinações novamente. Sim, sim... Não perco as esperanças.

Mas mudando de assunto... Foi bom ver o Jacob. Fiquei surpresa ao notar que realmente me alegrei ao vê-lo. Ele me faz sentir... Leve? Não sei se essa é a palavra certa. É como se ele fosse um farol distante e me aproximar faz com que me sinta segura, porque sei que estou perto da terra firme. Talvez o inverno dentro de mim possa diminuir. O que você acha? Enfim...

As coisas estão legais por enquanto... Agora tenho um projeto e vou me focar nele. Irei ajudar Jacob com as motos. Essa é uma ótima oportunidade de mostrar ao Charlie que estou tentando viver minha vida e vai ser bom passar um tempo em La Push. Percebi que a companhia de Jacob me faz esquecer um pouco as feridas que ainda estão abertas. Quem sabe eu não consiga fechá-las com o passar do tempo?

Vou parar de escrever por um tempo. Essa mania de mandar e-mails para o além precisa parar também. Vou tentar me desligar um pouco de você, Alice. Espero que não se magoe. Um beijo. Saudades.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.