Notas iniciais
Último, vamos??

Minhas vestes eram as mais lindas, minha imagem refletida no espelho era de uma linda jovem que estava prestes a se casar, porém não era eu, era apenas uma imagem na verdade eu estava triste recolhida, fraca, sem ânimo. Sento na cadeira e choro, que vida injusta, começo a ouvir a barulhenta sala, os convidados deve ter começado a chegar. Meus fios não estavam soltos como de costumes, ou Carlos pediu para que prender e me encher de jóias, os belos sapatos me apertava de tal modo, sempre sonhei em casar, mas não com ele e hum com o homem que amava.

"Estava com um dos vestidos da madame, escondido é lógico, e suas jóias. Caminho como se estivesse mesmo casando, os olhos João Estava preso em mim, assim como os meus estavam presos no dele, em minha mão um buquê, e ele nada em suas mãos. Minhas mãos começa a suar frio, era uma pequena brincadeira. Ao encostar próximo a sua mão, retiro segundos depois, estava frio e suava, só que ele se aproxima da minha cabeça deposita um beijo e diz calmamente.
– Eu te juro Bianca, que irei te proteger, te amar, acima de tudo e todos!
– Eu juro João, que será minha primeira e última escolha e que nunca adorarei outra pessoa...

Nossa bocas selaram o pacto que nunca descompriria essa minha vida."
Limpei todas as minhas clientes sem cair, agora terei que aguentar, terei que ser firme e não deixar nada me abalar. Passei pela porta e vi um quarto trancado, algo que nunca vi nessa casa, coloquei minha mão debaixo do tapete, em busca das chaves que sempre ficam ali, não importa os quartos é só colocar a mão debaixo do tapete que você encontrará a chave. Minhas mãos tremulas tentam abrir a porta e com um pequeno esforço, consigo abrir a porta. Entro no quarto e olho em volta, um quarto escuro em pleno verão de Salvador? Olho para cama e tomo um susto, um homem, sujo de tinta jogado na cama e me encarando.
Ele se aproxima e passa sua mão de em mim, por mais que seja meu casamento e agora esteja suja, dou risada, coloco minha mão no pote de tinta e passo em sua pele. Ficamos brincando por um longo tempo, estava totalmente suja, que as tintas caia pelo cabelo, o rapaz ria sozinho olhando para a imagem no espelho.

– Você precisava de cor, cor, cor... — E ele repetiu as palavras algumas vezes.
– Mas eu ia casar! — Me aproximo e fica nos dois encarando a imagem no espelho.
– Quem, quem, quem disse, disse que é não, não pode se casar com roupa colorida.

Pulei na cama dele e comecei a chorar, as mãos ainda sujas de tinta passaram no meu rosto, sentir a tinta secar em minha pele. E ele fica encarando enquanto eu o olho e ficamos ali, nos olhando e somente isso. Ouço alguém chamar meu nome e a cada segundo pior, estava mais próximo. Seu olhar é evidente estava apavorado, ele corre e abri a janela, segundos depois ele vem até mim e me puxa pelas mãos.

– Vai embora, embora, embora! — Ele apontou a escada. — Vai, vai ser feliz.
– Muito obrigado, que Deus te proteja.

Meus pés tentam ser cuidadosos ao descer, só que eu começo a ouvir choro de um bebe, parecia ser o meu irmão, corro até um pouco próximo e vejo, era ele no colo de uma mulher. Me próximo e dou uma tapa nela, por mais que ela não tenha nenhum envolvimento e em ato de defesa própria, ela deixa meu irmão um pouco descuidado e então puxo e corro com meu irmão, um mês dentro dessa casa e não me deixaram ver meu irmão, corro e meu irmão parece estar sorrindo, fico satisfeita somente de vê-lo.
Alguns minutos correndo na mata, sento no mato e me sinto mais aliviada, meu objetivo era correr até o rio aonde os cangaceiros se acamparam. Continuava a correr e ao chegar não havia mais nada que dizia que os cangaceiros estavam lá, teria que andar até Fortaleza e com certeza eles estariam lá. Entro no rio e tento me limpar, tirar toda sujeira que a tinta fez. Ouço alguém se aproximar e brincar com o meu irmão, mas estava impossibilitada de ver, a água com tinta caia pelo meus olhos, limpo os olhos e vejo, era a mocinha que estava se oferecendo para meu homem.

– Oi... já te vi no acampamento? — Ela sorriu e pegou meu irmão.
– Já, fui causadora de um ataque lá. — Falei envergonhada, mas fui sincera.
– Então vem! — Ela segurou minha mão e me puxou.
Ela sai me arrastando, até o acampamento sorriu ao ver todo mundo, os homens mesmo preocupados com suas atividades, havia poucas mulheres. Ela me deixa em uma cabana e pega o meu irmão, se aproxima e sussurra.

– Boa sorte!

Entro na cabana e assim que ele me ver me beija, ficamos nos beijando por alguns segundos e depois ficamos abraçandos, estava feliz, estava com o amor da minha vida. Quando nos separamos nossas mãos ficaram coladas e assim ficamos juntos de alguma forma. Sua mão descola da minha e empurra minha cabeça em seu peito, minha risada é imediata e conseqüentemente a sua.

– Te amo! — Suas palavras tocam meu coração de tal modo que sinto que é a hora de nos casar.
– Também te amo! — O beijo, tudo que eu queria era viver com ele.

Nos beijamos, ali no meio do cangaço aonde a nossa história pode até não ir para nenhum livro como eu sei que amores daqui vão ser grandes romances, para quer eu queria que a nossa história fosse um romance que nem esse que a madame ler, diz ser italiano, francês... para que eu vou querer se eu nem mesmo sei ler, o João tinha seus motivos por estar aqui, talvez por querer lutar por seus direitos, um jovem do Rio que se apaixona por uma garota de Salvador e eles tem que lidar com o amor, com ódio de um filho do coronel, ciúmes e no meio disso tudo uma criança.

– Oxente homem, tenho que te contar um louco que me ajudou a fugir daquela casa, ele era louco mesmo, tá vendo esse vestido? Ele sujo todo.
– Este vestido e de casamento minha Bianca? — Nossos olhos se encontraram e eu sentir o seu ciúmes passar para mim
– Ia, se o louco não tivesse me ajudado, graças a ele eu agora estou com o amor dá minha vida, graças a ele eu peguei meu irmão no colo novamente, oxente posso dizer uma coisa pra ti homem? — Ele me olhava, sua boca havia um belo sorriso. — Eu nunca, nunca nessa vida gostaria de outro homem sem ser ti meu homem.

Nos beijamos, meu corpo, minha mente, meus sentimentos, tudo indicava que poderia, que era a hora de ser dele, éramos um corpo e agora eu tinha certeza era a mulher mais feliz do mundo, mesmo sem os pais, mesmo que a culpa de ter descumprido a promessa dá minha mãe, que eu não tive culpa, morando no cangaço, não que fosse ruim pois simplesmente eu estou ali simplesmente por João estar, seria feliz ali, ou el qualquer outro lugar.

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