Ovos Azuis
2 Capítulo 2 " Magna"
Magna era o nome da senhora que enfim achava sua criação. Seria muito chama-la de mãe, já que a única coisa que fez, foi destruir aquela criança. Na verdade, o que acarretou aquilo foi uma antiga profecia que vinha de milenios atras, muito antes de qualquer casa criada naquelas terras. Segundo a profecia haveria um governador, que tendo um filho este acabaria com toda cidade que existisse no local. Ela vinha de uma família de rebeldes que por milênios ansiavam por ver a destruição dos homens que vieram das terras mais ao sul e acabaram com todos que viviam ali.
Magna era uma cientista muito conceituada por fabricar crianças perfeitas, já que ela mesma era pura perfeição, seus olhos como de qualquer cidadão mudava e radiava confiança, quando falava não havia olhares negativos ou murmurios. Como era precavida aplicava uma substancia em todas as criações para que se fossem imperfeitas seus olhos adquirissem um única cor, e logo seria feita a inspeção para certificar o estrago.
Contudo, essas crianças tinham em si uma diferença que poderia ser utilizada como armas, já que até seus dez anos eram massinhas de modelar. Dmitri foi um de seus primeiros feitos, ela ofereceu o menino ao rei como filho e tendo esperança que fosse ele a acabar com toda tirania, mas quando ele viu os olhos da criança recusou e mandou de volta ao laboratório. Nessa época ninguém foi acusado e portanto as experiencias continuaram anos a frente. Até que um espião descobriu aquilo, e todos da seção foram executados sem dó e suas famílias foram entregues ao julgamento popular por traição do mais alto nível. Foi em meio á tanta confusão que Magna fugiu e resolveu procurar cada um que havia sido jogado na floresta.
Durante três primaveras andava ao relento sem mais esperanças de achar um deles vivos, e já tinha todas as suas forças esgotadas. Foi quando encontrou Dmitri, que reconheceu assim que viu seus olhos e sua força. Aquele lindo menino que ela havia colocado dentro da caverna há oito anos era homem agora e vinha em sua direção, lentamente e com uma clave forrada de espinhos. Teve que manter-se pois sabia que ele nada lembrava dela; e mantinha a esperança que não faria mal a quem havia um dia abraçado enquanto aplicavam aquela injeção que apagaria grande parte da memoria.
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