Overwatch: A Luta pelo Futuro [Descontinuada]
4 Episódio 1: Oasis, Parte 4
Quando Juliana corre, animada, saltitando pelas pequenas estradas de tijolos dos Jardins Turísticos de Oasis, ela se depara com algumas pessoas suspeitas. Eles não haviam enxergado ela, nem Charles que havia ficado levemente para trás, mas saíam do local dos barcos vestidos de preto, usando máscaras estranhas com óculos vermelhos brilhantes. Assim que percebeu que carregavam armas, Juliana sabia que tinha que se esconder.
Charles quase entrega a sua posição, falando alto: — Senhorita! Onde está você?!
Juliana chia e ordena que fique quieto: — Se esconde. Tem gente estranha por aqui.
O Robô coloca a mão em frente de seu vocalizador e fala baixo: — Minha nossa... O que está acontecendo, senhorita?— Ele se esconde atrás da vegetação junto com a menina.
— Não sei...— Juliana fala timidamente, enquanto espia pelas plantas. Então percebe para onde se moviam... Era onde seu pai estava. Ela arregalou os olhos:— Ah, não.
E começa a se esgueirar, correndo quando achando necessário, tomando uma rota diferente para se aproximar aonde estavam seus pais, mas assim que ouve o trovejar retubante de um disparo de arma ela paralisa. Seu primeiro instinto foi olhar ao redor procurando por algum lugar pra se esconder. Um Banco, detrás do chafariz onde ficava a coluna central daquela sessão do jardim. E ficou lá. Seu coração palpitando forte, tão forte que doía. Não conseguia sequer imaginar o que estava acontecendo, o medo era forte demais. Fitava o espaço, tentando se guiar apenas pelos sons. Teriam ido embora ou...?
Passos pesados. Perto demais.
Caminhavam decididos a pegar uma rota, mas páram quando um miado suspeito alerta a menina que desesperada, balbucia: — Não não não...— Ela tenta calar o animalzinho. Segurando sua boca, mas não funciona, ele ainda mia. Entregando sua posição. Os sons dos passos cessam por um momento em que ela olha para a esquerda, espiando pela coluna... Não enxerga ninguém. Até voltar a sua posição original e ver um vulto diante de si.
Seu corpo congela, suas pupilas se contraem. Quem era ele? Essa figura vestida de preto, coberto por um capuz. E essa máscara? A mascara lhe assustava mais do que tudo. Pois onde deveriam haver olhos repletos de expressão lhe fitavam aqueles espaços vazios repleto de escuridão. Ela não esperava que a coisa falasse, e quando ele o fez, ela saiu correndo gritando, em puro pânico.
— Te encontrei.— Falou aquela voz grave e rouca.
Ela pensa ter fugido, olhando pra trás e percebendo que ele não estava mais perto do Chafariz. Teria desistido? Não. Ela colide contra um corpo que para alguém de seu porte magrelo era como uma parede sólida. Ela deixa o pequeno animal cair, e ele mia inquieto, sem saber o que estava acontecendo. Ignorante o perigo que lhes observava atrás daquela máscara.
— Não.. Não..— Tudo o que a garota pode é latir baixo essas palavras. Não sabe pra onde ir, o que fazer. E quando o monstro ergue a mão coberta por uma luva preta com garras prateadas ela grita alto e agudo. Rezando inconscientemente para que alguém ouça seu pedido de socorro.
E a ajuda vem.
Na forma de um disparo de energia.
O disparo acerta no ombro da entidade, bem nas costas e ele olha para a fonte, ralhando a voz grave com ódio. Antes que pudesse alcançar algo que estava em suas roupas, uma rajada de disparos o empurram para trás, vacilando a cada tiro, até que ele se converte em fumaça. Juliana rezando para que tivesse desaparecido para sempre. Ela recolhe o animalzinho e ainda de joelhos olha ao redor para ver quem reagiu contra aquele... monstro.
E se surpreende ao ver que era a Doutora Ziegler.
— Venha, rápido!
Charles aparece detrás dela. Ziegler aponta a arma para ele, mas ao reconhecê-lo, abaixa. Juliana corre até os dois, desesperada, abraçando forte aquela moça que salvou sua vida. Ela tremia quando olhou pra cima, pequenas gotas formando no canto dos olhos, estava tão assustada:
— Doutora! O que está acontecendo?!
Angela toca-lhe a cabeça acariciando de leve tentando acalmá-la, e falou mansamente:
— Está tudo bem, pequena. Você está comigo agora. Eu prometo que vou lhe tirar daqui.
Juliana franzia preocupada, olhando nos olhos azuis da doutora. Mal podia acreditar em si mesma. A poucos instantes odiava ela de coração. Agora, com apenas umas poucas palavras de encorajamento, ditas dessa maneira... sentia que a seguiria até o fim do mundo.
Disparos quebram o silêncio do momento. A Segurança do Jardim trocava tiros com os invasores de preto. Logo polícia deveria ser acionada e tudo se tornaria um caos ainda maior. Angela olha ao redor, buscando uma rota de fuga. Seu treinamento e experiência em situações como essa iria ajuda-lhe a evitar as zonas de conflito.
— Os Barcos... são nossa saída daqui. Vamos.— Diz Angela enquanto segurava Juliana com uma mão, e a pistola de energia com a outra passando por lobbies e correndo pelas pequenas estradas. Juliana olhava para trás, vendo com sua visão periférica aquelas pessoas suspeitas disparando suas armas em pessoas inocentes.
Um dos dois portos estava sendo protegido por seguranças e policiais. Cidadãos eram chamados para dentro, um dos seguranças da ilha organizava uma multidão em um barco, alertando a todos: — Rápido, venham! Estamos evacuando a ilha! A Força Tarefa virá a qualquer momento.— Um dos seguranças observa Angela correndo com a menina e fala: — Espera! Tem uma menina ali!
A multidão se volta na sua direção. Observando mulher e menina correndo através da linha de fogo, abaixados. Um dos agentes do grupo terrorista arremessa algo na vaga direção da porta dos portos, e se segue uma explosão que leva Angela ao chão com a menina. Suas orelhas zumbem, ela se arrasta para próximo da pequena que mantinha os olhos fechados, não queria os abrir. Charles se aproxima das duas: — Senhorita! Doutora! Precisamos ir rápido, o Barco irá partir!
Angela levanta a cabeça observando o grupo de civis no porto, prestes a partir. Ela tenta se levantar, mas algo dá errado, e cai novamente. Ela segura a menina, olhando para o mordomo robô e o dá uma ordem: — Leve a menina. Rápido! Tire ela daqui!
O Robô expressa preocupação: — Doutora, precisamos lhe retirar desse local perigoso também.
Angela apenas diz:— Leve ela daqui agora! Isso é uma ordem!
Sem escolha a não ser seguir seu protocolo, Charles carrega Juliana que observa por cima do ombro do mordomo robótico, Angela se levantando com dificuldades. Sua perna antes em um ângulo estranho, parecia voltar pro lugar com um estalo. O que isso significava? Não conseguia pensar em nada, apenas fitava em um estado de catatonia enquanto o barco zarpava para longe dos Jardins turísticos. A Doutora levantou sua arma e correu para junto dos seguranças. E depois foi silêncio e confusão.
Juliana estava totalmente calada durante toda a viagem de barco até mesmo até a caminhada até o carro. Charles lhe arrumou no banco detrás do veículo, colocando o cinto de segurança, certificando de que estivesse confortável:— Perdão pelo o que passou hoje, senhorita. Iremos para sua casa, lhe farei um lanche enquanto se ocupa com seus jogos.— Ele senta no banco dianteiro onde ficava o motorista e fala: — E então aguardaremos o retorno do mestre da casa.
Juliana finalmente despertou de sua catatonia, gritando em pânico:— PAPAI!
Charles já tinha trancado o carro, e ele começava o trajeto. A criança se esperneia, bate no vidro até machucar a mão e cai em prantos, desesperada. Gritando pelo pai, Charles tenta acalmá-la a seu modo: — Senhorita, o carro está em movimento. Se não se acalmar as chances de um acidente aumentarão consideravelmente.— Mas não havia funcionado. Ela implora: – Volta! Volta! Charles! Volta!
Porém, o robô nega: — Não devemos, senhorita. Não é seguro.
Com lágrimas brotando dos olhos ela grita furiosa, fúria que despenca em tristeza estrema:— VOLTA! É uma ordem! Charles! Volta... Por favor...
O Robô processa em silêncio por um momento. E então vocaliza mansamente:— Senhorita. Minha diretriz são para prezar pela sua segurança acima de tudo. Foi como seu pai me programou e é minha função primária. É perigoso retornar e seria de desejo de vosso pai retornarmos para a residência em sãos e salvos... Eu espero que compreenda.
O Carro fica silencioso de repente. Charles observa pelo espelho retrovisor, o olhar magoado da pequena, que o encarava pelo espelho com o cenho franzido, respiração ofegante e o rosto ainda úmido. Charles volta sua atenção para a estrada e fala baixo: — Senhor Yusef é um homem inteligente. Tenho certeza que ele estará bem, senhorita...— Era o máximo de empatia que a máquina conseguia mostrar. Seguido por sua falta de tato habitual— Minhas estatísticas mostram que o percentual de sobrevivência do seu pai são de..
Juliana fala rouca: — Cala a boca.
E Charles obedece: — Como quiser.
A criança olha para a janela, acariciando ociosamente o filhote de gato em seus braços, observando a cidade ser deixada para trás enquanto dirigem rumo a sua casa.
Fale com o autor