Overdrive & Dark End

10 Capítulo 9- Conforto na Perdição


Notas iniciais
Falas escritas em script
Asteriscos representam ações ou pensamentos dos personagens

Ilere corria cada vez mais rápido para chegar no vilarejo, querendo ver se aquela provável maravilha era real, estava difícil tirar aquela alegria, depois de passar dias naquela mata em que não sabia para onde ir. Dava para ver que no vilarejo mora uma variedade de raças diferentes, de humanos, anões, elfos, entre outros. A maioria nem sequer tinha notado a presença de Ilere.

Ilere: Por onde eu começo...

Ela entrou no bar da vila, onde um homem enorme estava servindo bebidas. Ele tinha uma aparência assustadora, devido ao seu tamanho, mas era simpático. Sua pele era branca, sem nenhum cabelo, e usava apenas um enorme pano, que parecia uma saia. Seu nome era Hedork. O bar tinha uma boa aparência, bem higienizado, ao contrário de muitos bares de Nomit, e os bêbados não pareciam ser um problema. Ilere se sentou em um banco, perto do balcão.

Hedork: Você é nova, não é?
Ilere: Digamos que sim...
Hedork: Quer alguma coisa?
Ilere: Água.
Hedork: Nenhuma bebida?
Ilere: Eu não bebo...
Hedork: Como veio parar em um fim de mundo como esse? Deixe eu adivinhar, foi Abel Verrater?
Ilere: Certo... Como se chama?
Hedork: Apenas de Hedork... E você?
Ilere: Me chamo Ilere Eminentia
Hedork: A maioria foi por causa dele... Bons homens que descobriram o monstro que ele era, e acabaram parando nesse fim de mundo. O resto... Uma história pior que a outra... Já teve um homem que morava em uma região perto dessa floresta, os filhos estavam brincando, mas foram longe demais, então ele foi atrás deles e se perdeu.
Ilere: O que aconteceu com os filhos?
Hedork: O cara não conseguia reconhecer os corpos deles, se é que me entende... O resto, foi história.
Ilere: Eu tenho um irmão, ele sabe se virar sozinho, só queria saber se ele está bem...
Hedork: Esse mundo pode nós transformar em loucos... É o que fazemos para sobreviver. Algum tempo atrás, eu torturei um homem, ele tinha só a roupa de baixo, estava completamente sujo e sem dentes. O homem queria atacar o lugar, junto de outros parceiros dele, e tomar essa vila.
Ilere: Na floresta eu fui atacada por homens desse jeito...
Hedork: Eles tem um grupo, não sabemos o nome deles... As crianças chamam de Pragas Ambulantes, então apelidamos os mesmos assim.
Ilere: E essa vila, como se chama?
Hedork: Nós chamamos ela apenas de Salvação... Esse é o nome daqui.
Ilere: Tem algum líder?
Hedork: Luderick Varros.
Ilere: O que ele faz, exatamente?
Hedork: É um caçador, nos alimenta, e lidera, além de ser estrategista. Nós não temos ninguém para recorrer, tirando ele, é claro. Na verdade ele é bem mais do que um líder, ele...

Luderick entrou no bar, carregando um tigre morto, e querendo uma bebida.

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Luderick: Quero apenas uma cerveja.
Hedork: Certo...

Luderick se sentou do lado de Ilere, afinal não era todo dia que pessoas novas apareciam.

Luderick: Hedork, quem é essa moça?
Hedork: O nome dela é Ilere, aparentemente foi Abel quem fez ela vir para cá.
Luderick: Não é todo dia que temos novos visitantes, o que de certa forma é bom... Mas... Como veio parar aqui?
Ilere: Digamos que me envolvi em uma confusão com Abel, fui atacada por uns retardados na floresta, e agora estou aqui.
Luderick: Nós não recebemos pessoas novas faz cinco anos, que foi quando nós formemos essa vila... Pode ficar aqui por um tempo, e se você acabar gostando, pode morar aqui... Nós não temos nenhuma tecnologia de última geração, mas pode garantir um lar, amigos, comida e água. E se quiser ajudar na nossa luta contra as tais Pragas Ambulantes se você já ouviu falar...
Ilere: Vou pensar em sua proposta. Tem algum lugar para eu dormir?
Luderick: Tem uma pequena pousada com um quarto vago, não se preocupe, pois não cobramos nada.
Ilere: Excelente...
Luderick: Quer que eu leve para um passeio por aqui?
Ilere: Não, obrigada. Aqui não parece ser tão grande para eu me perder.
Luderick: Está bem.

Ilere saiu do bar e começou a caminhar pelo vilarejo, e se sentiu feliz ao escutar as mães chamando crianças para almoçar, vizinhos fofocando, coisa que ela não via fazia tempos. O vilarejo não era muito grande, tinha apenas entre dez e treze casas feitas de madeira, o bar, e uma pousada, além de um lugar que parecia uma espécie de templo. Ilere entrou no templo e se assustou. Dezenas de pessoas estavam adorando algo que parecia uma escultura de Luderick. Enquanto isso um homem falava.

Homem: Cá estamos nós, oferecendo nosso tempo, sangue, além de vida para adorarmos o grande LUDERICK. Homem que nos salvou da escuridão, das trevas, deu abrigo, comida, e salvação! Sem ele todos nós estaríamos perdidos, ele é o único que conhece o caminho da verdade! VIVA LUDERICK!

Ilere se retirou, estava nervosa, não acreditava no que tinha visto.

Ilere: O que foi aquilo?

Anoiteceu, e Ilere estava no quarto vago da pousada, resolveu sair um pouco. Viu que Hedork estava fechando o bar, e resolveu conversar com ele.

Ilere: Hedork, as pessoas aqui costumam tratar Luderick como se fosse um deus?
Hedork: Alguns, eles estão perdidos, Ilere, e acreditam em qualquer coisa, alguns nem se lembram das suas vidas passadas... Luderick manipulou todas elas de certa forma... Alguns não acreditam nisso.
Ilere: Mas por qual razão não fazem nada?
Hedork: Fazer o que? A última vez que alguém tentou fazer algo, Luderick torturou ele até a morte, e todos o aclamaram, alguns pais até forçaram as crianças verem aquilo. Além de que, você sabe o que tem nessa floresta, não tem como voltar para lá.
Ilere: Mas...
Hedork: Se quiser falar com ele, pode tentar.

Ilere voltou para a pousada, e foi dormir. Ao amanhecer, acordou com Luderick na sua frente.

Ilere: O QUE?
Luderick: Não tem chaves por aqui, esqueceu? Só passei para ver como estava a nova moradora. Eu sei que acordar com minha cara feia na tua frente.
Ilere: Não tenha dúvidas.
Luderick: Só queria ver como a nova moradora estava se comportando.
Ilere: Eu não moro aqui!
Luderick: É claro.
Ilere: Posso conversar com você? Lá fora, de preferência.

Os dois saíram, e Ilere começou a falar, um pouco nervosa, com medo do que poderia acontecer.

Ilere: Apenas me explique... O que tem naquilo que parece um templo?
Luderick: Nada demais...
Ilere: Então, como eu vi que lá as pessoas te adoram como se fosse um deus?
Luderick: Não sei do que está falando...
Ilere: RESPONDA!
Luderick: É uma metáfora, Ilere...
Ilere: Metáfora que precisa de uma escultura para ser adorada? Que uma pessoa é torturada em público por não aceitar?
Luderick: Quem te contou?
Ilere: Não importa...
Luderick: Tenha certeza de uma coisa, pare de me questionar e você vai viver aqui em paz, aceite a comunidade como ela é, caso contrário, as coisas tendem a piorar para você...
Ilere: Certo... Você já tentou achar uma saída daqui?
Luderick: Sim... Quando vou caçar eu sempre procuro outro caminho.
Ilere: Eu achei um grande paredão, eu sei voar, mas estava fraca, então não consegui. Agora não lembro mais o caminho até lá.
Luderick: Essa floresta é densa, e esse local... Bem, são poucos os que passam por aqui.
Ilere: Como você consegue bebidas alcoólicas? Fabrica?
Luderick: De certa forma, sim... Agora, eu tenho que ir caçar, até mais.

Ilere estava nervosa, pensativa sobre o que Luderick tinha dito para ela.
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Entardeceu, e na estrada, o grupo de Azarok caminhava, em uma estrada aparentemente sem fim, enquanto isso, conversavam para descontrair.

Schatten: Algum de vocês tem ou tiveram namorada antes disso tudo?
Azarok: Eu já.
Lince: Também.
Daniel: Nunca tive uma...
Psycho: As garotas acham assustador um cara de capacete andando por aí.
Schatten: Eu já tive... E qual foi a maior loucura que fizeram por elas?
Azarok: Eu mutilei alguns caras por causa dela.
Lince: A gente tinha quinze anos, eu espanquei o pai dela por prender ela, não dar liberdade, e essas coisas... Depois, ela virou uma daquelas adolescentes loucas por aí... Daí eu terminei com ela em uma cafeteria, a mesma começou a chorar, e eu cuspi no café dela para nunca mais me ver. Ela me encontrou de novo dois anos depois, eu estava tomando refrigerante em uma calçada, e comendo um hambúrguer, depois de me ver, ela cuspiu no meu refrigerante...
Schatten: E o que você disse?
Lince: Eu só agradeci por ter entendido a mensagem.
Schatten: Cruzes... A maior loucura que eu fiz? Bem, eu namorei uma humana, e como a mãe dela não aceitaria o namoro, eu fingi não estar interessado nela, de certa forma. Quando ela descobriu, eu estava estudando no quarto da garota, quando a mãe dela apareceu no quarto, e começou a falar algumas coisas feias de nós dois. No fim, eu fui expulso de lá com um nariz sangrando, e no dia seguinte as duas se mudaram.
Azarok: Mudando de assunto... Me lembrei que não muito longe daqui, mora meu tio. Não lembro o nome da cidade, mas sei que em pouco tempo nós vamos estar lá.
Daniel: Azarok, você acha mesmo que nós vamos vencer? Digo, nesse ritmo?
Azarok: Talvez... Você tem que parar de pensar nisso, temos que ser rápidos, mas agora não podemos... Cara, eu queria que meu pai estivesse aqui agora... Talvez isso não acontecesse.
Schatten: Mas aconteceu, Azarok. Cada coisa que você faz vai trazer consequências, não tem como saber o que aconteceria se Fido ainda estivesse vivo, devemos parar de pensar nisso.
Azarok: Vamos parar por alguns minutos. Aqui é um lugar vazio, e com muita mata, caso queiram fazer suas necessidades.

O grupo para no meio da estrada, perto de uma grande cachoeira, e quase todos vão até as matas, exceto Azarok que pega uma garrafa de água para beber. De repente, ele olha para onde todos estavam indo e começa a se recordar de um momento que teve com seu pai.

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Azarok estava sentado na frente da calçada, comendo um pacote de salgadinhos, enquanto seu pai vinha conversar com ele. Passou um dia desde que Azarok matou o amigo de Fido, Kenny.

Azarok: Pai, qual o motivo de tudo isso acontecer? Por que eu tive que fazer aquilo?
Fido: Tenho que ser sincero com você, Azarok... Nesse mundo, você quer ser bom ou ruim?
Azarok: Bom.
Fido: Não seja, Azarok, apenas tente fazer o bem, mas não tenha medo de quebrar algumas regras se for possível... Sabe seus irmãos? Um dia, você vai liderar essa organização, e infelizmente vai acabar levando muita gente para o caminho deles, a morte. Ou você pode acabar indo para esse mesmo caminho, eu não sei qual é o futuro... Apenas não tenha medo disso, e se prepare para encarar, além de fazer suas escolhas com sabedoria.
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Lince: Azarok, vamos?
Azarok: Sim, claro.

Continuaram sua jornada, quando chegaram em uma região chamada de Encruzilhada onde tinha um mercado, e uma pousada. Do lado de fora do mercado, três homens aparecem armados. Eles começam a atirar com as metralhadoras, e o grupo consegue proteção dentrou da pousada. Lá dentro as pessoas se desesperam.

http://www.youtube.com/watch?v=sf1-mbVkVIw&feature=relmfu

Azarok: O que a gente faz agora?
Schatten: Maelstrom!

Schatten acerta uma estrela de vento no pescoço de um dos homens, restando apenas dois.

Schatten: Esse foi golpe de sorte...
Lince: Icestorm!

No meio da rua aparece uma tempestade de neve, sem nenhum dos inimigos conseguirem ver, ao efeito passar, ambos estavam com suas gargantas cortadas. Dentro da pousada, dois caras aparecem com metralhadoras, atirando sem ver nada direito.

Psycho: Schnell!

Psycho perfura a barriga dos dois homens que estavam atirando em uma velocidade impossível de acompanhar. Enquanto isso, uma mulher tenta estrangular Azarok com uma corrente, e a atendente da pousada começa a tentar atacar os outros, Daniel rapidamente atira no estomago dela.

Azarok: Multi Spears...

Duas lanças de energia perfuram o crânio da mulher que estrangulava Azarok. Aparentemente, não tinha mais ninguém atacando.

Daniel: Os Verraters já nos encontraram?

Lince examina os corpos dos mortos, e encontra uma tatuagem com o símbolo da Blackhow. O símbolo é parecido com um palco, e com uma coruja dentro.

Lince: Aparentemente, a Blackhow está atrás de nós...
Azarok: Ótimo... O número de coisas que nós temos que lidar parece lista de compras, sério.
Psycho: Impressionante você brincar com isso, Azarok.
Azarok: Melhor isso do que chorar... Bem, vamos em frente, até onde eu lembro a cidade onde meu tio mora não é muito longe. Eu me recordo dessa Encruzilhada.