Overdrive & Dark End

23 Capítulo 22-Caminhos cruzados


Notas iniciais
Falas escritas em script
Asteriscos representam pensamentos ou ações dos personagens

Abaixo da base principal de Abel, tem uma cidade dominada por Verraters, chamada de Antecipação. Não chega a ser bem uma cidade, pois as pessoas comuns que moram lá só vivem em troca de serviços como fazer comida, limpar o sangue derramado em tempos de guerra, e qualquer coisa ordenada pelos Verraters, não importa se é doentia, ou horrível. Tem apartamentos, e até vendedores de armas. As pessoas comuns, ou escravos, viviam em casas normais, ou na rua. A cidade tinha o dobro do tamanho da antiga Noline, mas não era um centro comercial, e um paraíso para se viver. Alguns não chamam de cidade, mas um tipo de fortaleza. Muros cercam o local, e Verraters vigiam sem parar, fazendo turnos. Alguns apelidam a cidade de Paraíso das Montanhas, sendo o único lugar realmente notável em Autain, tirando as belas vistas que se consegue no topo das montanhas. A cidade na verdade servia como principal defesa para Abel, e é lá onde maior parte dos Verraters fica. Já que para chegar na base, precisa passar pela cidade antes, então, Abel pode se antecipar e fugir. Nesse ambiente triste, e resistente, Kay e Denos conversavam, ignorando os escravos, e a miséria que atinge o local, era uma manhã triste, mas comum.

Denos: Ótimo local, não é?
Kay: Sim... Mas, a defesa é bem ruim.
Denos: Do que está falando?
Kay: Homens em cima dos muros... Qual o motivo de serem tantos? Eles são alvos fáceis, e uma defesa é necessária fora da cidade para conter os invasores.
Denos: Tem razão.
Kay: Eu pretendo ficar aqui por uns dias.
Denos: Seu lar é na base.
Kay: Eles são meus soldados, e fazem o que eu mando. Você podia me para alguém que deixe eu dormir por aqui, mas essa pessoa não pode ter nenhum problema mental, ou pensamentos doentios.
Denos: Eu não conheço ninguém por aqui.
Kay: Isso é mentira, eu sei que você sabe o nome de todos os homens desse lugar.
Denos: Como assim?
Kay: Toquei no seu ponto fraco... Mas, você entendeu o que eu disse.
Denos: Você não tocou.
Kay: Mentirosos são homens sem honra.
Denos: Está bem, eu entendi... Mas, não julgue ninguém pela aparência, só digo isso. Alguns são verdadeiros com o que aparentam ser, outros não.

Conforme caminhavam e conversavam, Denos apontou para uma escrava. Ela estava desdentada, vestindo trapos rasgados e sujos.

Denos: Aquela mulher parece ter cinquenta anos...
Kay: Quando na verdade tem trinta, eu sei disso.
Denos: Aprende rápido. Mas, se ela escapa daqui, e algum fazendeiro gentil acolhe essa mesma pessoa em seus aposentos, o que essa mulher faz? Ela aproveita da bondade do velho, e se prevalece, ou respeita as regras do local? E caso o velho diga que é hora de ir embora, essa mulher sai de lá com gratidão e respeito, ou simplesmente mata o fazendeiro, e toma a fazenda? É o que eu disse, alguns são o que aparentam ser, outros não. Você tem ideia do que os soldados já fizeram com essa mulher?
Kay: Tenho.
Denos: Confiaria nesses homens, caso estivesse sozinha com eles?
Kay: Eles não podem tocar em mim, pois meu pai faria algo pior com eles.
Denos: E caso seu pai morra, e você lidere esse grupo?
Kay: Eu evitaria que isso acontecesse, mas... Caso tentassem, eles implorariam que a morte chegasse, mas ainda assim, iria demorar muito.
Denos: Você é inteligente.
Kay: Certas vezes eu penso se você está no nosso lado, ou não.
Denos: Descubra, mas certas vezes a verdade é mais simples do que imagina.
Kay: Enquanto outras vezes é complicada. Você é um enigma, Denos. Não tem como saber as razões do que você faz, fala, ou até mesmo do jeito que se veste.
Denos: Uma pessoa com segredos é imprevisível, mas certas vezes não é ouvida. Tem que saber o que fala, e ter algo preparado caso alguma coisa acabe dando errado. Alguns fazem isso, mas não do jeito certo. As pessoas comentam de como sou um excelente estrategista, mas eu sei que não sou tudo isso que falam. Mesmo assim, eu prefiro ver as pessoas tentando provar isso, e ver que estão erradas.
Kay: Então você abraça a derrota, e odeia uma vitória?
Denos: O que machuca faz a gente forte.
Kay: Eu não consigo entender você...
Denos: Nem eu consigo entender você.
Kay: Mas batalhas podem matar a gente.
Denos: Então você foi fraca, e não conseguiu aguentar, mesmo sabendo com o que estava lidando. Eu não sou o melhor estrategista do mundo, mas isso não quer dizer que os outros são melhores.
Kay: Nessa guerra, não tem como fugir, especialmente caso esteja perdendo.
Denos: Sempre tem uma escolha, é possível fugir, mas do jeito certo. No entanto, a melhor opção é lutar e virar o jogo, os Leones estavam perdendo, mas agora eles já acabaram com Everwinter. Mas, caso esteja ganhando, é melhor lutar para continuar assim.
Kay: Quero um relatório completo dessa cidade, detalhes sobre armamentos, o material usado para a construção dos muros, quantidade de soldados, tudo. Você entendeu?
Denos: Entendi.
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Dias se passaram, e os Leones continuaram viajando. O caminho da estrada no meio das montanhas era o mais curto, e em poucos dias eles passaram metade do trajeto. O combustível das caminhonetes e carros tinha acabado, e a viagem continuou a pé. Tinha anoitecido, e os Leones montaram um acampamento no meio da estrada, para passar a noite. Fazia tempos que não tinha perigo, e a viagem já tinha virado rotina, tudo parecia igual, as montanhas eram quase idênticas. Mas a maioria queria que aquilo nunca acabasse, pois as coisas que vinham pela frente não eram boas. Azarok continuava o mesmo de sempre, certas vezes resolvendo negócios, e bolando planos, mas com uma garrafa de vinho na mão. Mas, essa noite ele continuava na sua tenda, só que conversando com Jack, além de fumando, obviamente.

Jack: Por que me chamou?
Azarok: Tem algum cigarro?
Jack: Nem precisava perguntar.
Azarok: Está bem, mas eu não quero fumar agora. Só quero saber se você não viu nada que chamasse a atenção nesse lugar? No tempo que esteve fora.
Jack: Absolutamente nada, esse lugar é vazio, Azarok.
Azarok: Bom, só queria saber. No mais, pode sair.

Jack saiu da tenda, e Azarok ficou parado, refletindo. Alguns minutos depois, saiu da tenda, e foi procurar Daniel, que estava comendo uma maçã, enquanto conversava com Psycho.

Azarok: Daniel, eu preciso que você faça muitas bombas.
Daniel: Vou tentar com o material que eu conseguir, mas vai ser mais difícil sem gasolina.
Azarok: Apenas tente, está bem? A guerra está chegando, e precisamos de material explosivo.
Daniel: Espere, eu posso fazer bombas que você pode ativar com as magias de fogo.
Azarok: Já está de bom tamanho.
Daniel: Só isso?
Azarok: Fale para alguns soldados procurarem o material que precisa.
Daniel: Está bem.
Azarok: Psycho, eu quero que você treine alguns soldados.
Psycho: Tudo bem, então. E você, o que vai fazer?
Azarok: Preparação para uma batalha.
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Na madrugada, Kay ainda estava na Antecipação, não dormiu em lugar algum, ficou no meio da cidade estudando os relatórios que Denos entregou. Ela descobriu uma passagem secreta no lado direito dos muros, que leva a uma pequena mata, densa e escura.

Kay: É questão de fazer o correto. Obrigada, Denos.

Kay pegou um capuz, e uma máscara negra, e saiu caminhando na cidade. A maioria estava dormindo, inclusive os vigias, o sono era pesado. Ela foi até os estábulos, pegou um cavalo, e fugiu pela passagem secreta.
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O grupo de Ilere dormiu no meio de uma mata, e continuou viagem ao amanhecer. Depois de tanto tempo viajando, o lugar onde eles queriam chegar aparentava estar cada vez mais longe. Era uma mentira, mas a maioria só pensava assim. Alguns estavam sem paciência, era difícil aguentar aquela viagem que aparentemente não levaria a nenhum lugar. Conforme caminhavam, Ilere viu que as pessoas do seu antigo grupo estavam começando a se afastar, e alguns ficavam para trás.

Ilere: O que está acontecendo?

Uma mulher jovem e com um filho no colo olhou para Ilere e cuspiu na cara dela. Os espadachins pegaram suas espadas, e ficaram parados.

Mulher: Você quer que arrisquemos sua vida por você, mas até hoje não vimos nada do que você prometeu ser cumprido. Metade do nosso grupo morreu por causa desses espadachins, e passamos fome por sua causa, e esse tesouro nunca aparece. Quer que a gente continue com você?
Ilere: O tesouro vai estar em nossas mãos, eu prometo.
Mulher: Como? Arriscando e levando a gente para o campo de batalha? Nós pensamos que você era a salvação, Ilere, mas não, foi apenas uma ilusão. Emily morreu por você, a sua salamandra também, mas no fim, não adiantou nada. Você não é diferente de Luderick, é uma mentirosa, mas ele não arrastava a gente para guerras sem sentido.
Ilere: E vocês vão para onde, afinal?
Mulher: Para bem longe de você.

O antigo grupo de Ilere partiu para, tirando Daewnron que continuava fiel a ela. Ela estava chocada, mas conseguia entender a razão do abandono. Ela não tentou impedir, e nem insistiu, apenas deixou que eles fossem embora. No fim, só restavam os espadachins, que ficaram parados e quietos. Ilere por um momento se sentiu fraca, não sabendo se estava fazendo o que era certo. Ninguém tentou consolar ela, pois não adiantava. Minutos depois, ela voltou ao normal, e agiu como se nada tivesse acontecido.

Ilere: Vamos continuar a viagem.

Luke se aproximou de Ilere, ele tinha estranhado o modo que ela agiu, não impedindo o seu antigo grupo de partir.

Luke: Tem certeza que isso foi... Inteligente? Deixar o seu antigo grupo ir embora, e não fazer nada para impedir?
Ilere: Essa é a guerra, e aquelas pessoas não serviam para isso. Não quero deixar pessoas inocentes perderem suas vidas por causa do tesouro. Mesmo assim, a divisão do tesouro vai continuar sendo a mesma.
Luke: Por mim tudo bem.
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Três dias se passaram, e o exército de Azarok continuava viajando. As montanhas ficavam cada vez menores, e as paisagens mais abertas. Estava entardecendo, e os Leones estavam cada vez mais animados, dormindo cinco horas por dia, geralmente montando o acampamento ao anoitecer, e já partiam antes de amanhecer. Era impressionante como o ânimo deles voltava aos poucos, assim que começavam a enxergar campos mais floridos, e verdes, além do ambiente sombrio no meio das montanhas ficava mais claro, aos poucos. Piadas, conversas voltavam com a mesma energia de antes, como se estivessem em um bar de Noline, era impressionante como eles se alegravam quando a tragédia se aproximava. Jack era um dos que mais falava, sobre os seus tempos grandiosos na arena.

Jack: Eu sempre preferi lutar com um inimigo sozinho, do que com vários.
Azarok: Isso não é novidade.
Jack: Sério, eu adorava lutar contra apenas um inimigo nos tempos da arena do que agora, com essa coisa de guerra e tudo mais. Naquela época eu podia abrir a barriga do cara, e tirar as entranhas dele enquanto ele ainda estava vivo. Eu tentei fazer isso com o Daniel, mas falhou.
Nelly: Isso não é um pouco cruel?
Jack: Falou a que torturou o cozinheiro gordo, e fez qualquer um vomitar só de escutar os gritos dele.
Nelly: Aquilo era diferente, Ned merecia aquilo. Você fazia isso com inocentes, não era errado?
Jack: Vou te falar a verdade, quanto mais sangue e tripas espalhadas na arena, melhor. Os organizadores te davam mais vinho, melhor aposento, e outras coisas para curtir.
Nelly: A única coisa que não te davam era liberdade.
Jack: Para que? Eu curtia meu tempo nas arenas, até que os Leones estragaram tudo, e fiquei sem ter para onde ir.
Azarok: De nada.
Jack: Fora que, se Abel tentar lutar comigo, eu pretendo guardar a cabeça dele como troféu.
Azarok: Cruzes, quem seria capaz de tanta crueldade?
Jack: Sua amiga torturadora de gordinhos.
Nelly: Nunca pensei que iria querer fazer isso com felinos também.
Azarok: Isso é fácil, tire os cigarros dele, e está feito, a pior coisa que Jack poderia sofrer. O problema é que eu também sofreria.
Nelly: Essa não é uma má ideia.
Lince: Se Fido olhasse esse monte de Leones fumando, não gostaria nem de liderar essa organização.
Azarok: Falando sobre meu pai, eu lembro uma coisa engraçada.
Jack: O que?
Azarok: Meu pai sempre falava para nunca deixar ninguém falar algo da minha mãe, mas quanto a ele, não tinha problema.
Jack: Como assim?
Azarok: Não tinha problema, pois ninguém sequer ousava falar sobre ele.
Lince: Até o tempo em que você fazia truques mágicos em festa de criança é mais interessante que isso.
Nelly: Sério?
Azarok: Verdade.
Nelly: Que tipo de truques?
Azarok: Soltar bolas de fogo no céu.
Nelly: *rindo* Nossa...

As montanhas pararam de cercar o exército de Leones, mas ainda tinha uma longa colina para descer, além de um trecho de estrada para percorrer. De longe dava para ver uma encruzilhada, que depois se tornavam duas estradas, ambas separadas por um enorme paredão, e que levariam direto até a montanha do tesouro. Ainda tinha algumas horas de caminhada pela frente.
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Ilere e os espadachins também estavam próximos da encruzilhada. Não tinha nenhuma montanha ao lado, e só restava percorrer o que restava da estrada. Eles continuaram, e em algumas horas chegaram na encruzilhada, onde Ilere ficou surpresa. Ela não imaginava que o caminho se dividiria em dois, Ilere sempre achou que era um. O enorme paredão não era uma surpresa, no entanto.

Ilere: Sempre achei que era apenas uma estrada...
Luke: Da para ver a montanha de longe, acho que ambas vão levar a um único caminho.

Um exército de Leones começou a aparecer, vindo do meio das montanhas. Os espadachins estavam em um número menor, mas não muito. Eles armaram as espadas, e se preparavam para uma possível batalha. Mas Ilere falou para eles pararem assim que viu Schatten.

Ilere: Schatten!

Era uma alegria enorme quando os dois irmãos se viram. Mas, tudo continuava estranho, Schatten não sentia a mesma coisa como anos atrás, e afinal, ambos estão em um grupo inimigo. Eles nem se abraçaram e chegaram perto do outro.

Ilere: Schatten... O que você está fazendo com os Leones?
Schatten: Como assim?
Ilere: Eles te fizeram prisioneiro, não é?
Schatten: O que?
Ilere: Você está em um grupo inimigo. Junte-se a mim.
Azarok: Irmandade das Espadas, ela está com eles. Eu já te contei sobre esse grupo, não é Schatten?
Schatten: Sim. E Ilere, eu não vou me juntar a vocês.
Ilere: Você não sabe do que está falando, está em um grupo inimigo.
Schatten: Inimigo seu, não é? Pois o que os Leones fizeram foi me acolher, e ter uma causa para lutar. Você me abandonou faz tempos, e então, o que faço agora?
Ilere: Do que você está falando?
Schatten: Eles são meus irmãos agora.

Os espadachins levantaram as armas, mas ficaram parados. Um Leone acertou dois deles na cabeça, usando uma pistola. Eles tentaram avançar, mas Ilere mandou parar.

Ilere: Nós queremos negociar, mas esse pessoal sempre usa a violência.

Azarok acertou uma lança de energia na barriga do Leone que atirou.

Azarok: Satisfeita?
Ilere: Uma vida não se paga com outra.
Azarok: Com certeza. Por isso eu só machuquei, mas não matei. Só fiz isso por ser irmã do meu amigo, pois os espadachins não merecem isso.
Ilere: Schatten, você vem com a gente, ou não?
Schatten: ...

Era uma decisão difícil de tomar, por mais que estivesse com raiva de Ilere. Por um momento pensou em se juntar a ela, mas mesmo assim, continuou calado.

Schatten: Eu sei que você quer o tesouro, assim como nós. Mas eu quero outra coisa de você, Ilere. Quero que você e seu grupo vão por uma estrada, e nós por outra, então tudo será decidido na montanha.
Ilere: Schatten, por favor... Você não sabe do que está falando!
Schatten: E você não sabe o que está fazendo.
Ilere: ...
Daewnron: Ela vai querer poupar sua vida, seu idiota, mas eu não posso dizer o mesmo...
Ilere: Pare!
Schatten: E então?
Ilere: Nós não devíamos estar lutando.
Schatten: Você está em outro lado nessa guerra, não posso fazer nada. Os Leones são minha família.
Ilere: O sangue vai cair naquela montanha, não seu, mas dos outros. Farei com que se arrependam do que fizeram com você, Schatten.
Schatten: Quando lutarmos no campo de batalha, estaremos unidos pelo sangue, mas de maneira um pouco diferente da normal.

Os dois irmãos ficaram calados, e então seguiram viagem. O exército dos Leones foi pela estrada da direita, e o grupo de espadachins da Ilere pela esquerda. Foi horrível, e tenso o que tinha acontecido, Ilere não imaginava ver Schatten daquela forma, e ele se questionava, mas não estava arrependido. A montanha estava próxima, mas seria necessário mais um tempo para ambos os grupos chegarem até lá. Era algo estranho dois inimigos se sentirem tão próximos, mas serem separados por um enorme paredão. Tinha anoitecido, e o exército de Leones montou um acampamento perto da montanha, em um campo vasto e livre. Eles terminariam a jornada um dia depois. Ilere e os espadachins acamparam no meio da estrada. Ela não tinha falado com ninguém no caminho, ainda não conseguia entender o motivo de Schatten ter feito aquilo. Daewnron tentou confortar ela, era arriscado, já que o antigo grupo de Ilere tinha abandonado ela, e agora quem fez isso foi seu irmão.

Daewnron: Quer conversar?
Ilere: *chorando* Como ele fez isso?
Daewnron: Os Leones, a guerra, eu não sei.
Ilere: Eu abandonei o Schatten, Daewnron.
Daewnron: Se ele sentisse algum amor fraterno por você, não faria isso. Sinto muito, mas Schatten é um inimigo, Ilere.
Ilere: Mesmo assim...
Daewnron: Amanhã tudo isso será resolvido.
Ilere: ...
Daewnron: Fora isso, você se esqueceu de uma coisa.
Ilere: O que você está falando?
Daewnron: Nós somos irmãos.
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No acampamento dos Leones, um misto de festa e medo se espalhava pelas pessoas. Eles iriam partir em direção a montanha na madrugada, e Azarok pediu que fizessem um banquete especial para o momento. A maioria já dormia, o céu começava a ficar cada vez mais escuro, e o medo maior. No meio disso tudo, Nelly foi até a tenda de Azarok para resolver algumas coisas. Ele estava deitado no chão, e olhando para ela.

Nelly: Azarok, Daniel disse que estava ocupado com as bombas, e mandou avisar para você que elas já estão prontas. No mais, para ativar elas é bem simples, elas vão ser jogadas no ar, e você lança uma onda ou bola de fogo nelas antes de caírem no chão.
Azarok: Só isso?
Nelly: Na verdade, não.
Azarok: Então, o que você quer?
Nelly: Apenas me preparar para uma possível despedida.

Azarok se levantou, e sentou em uma cadeira, mas continuava olhando para ela.

Azarok: Ótimo.
Nelly: Nossa, esperava mais de você, viu? Achei que seria mais sentimental com isso.
Azarok: Você sabe como é... Evito me ser tão próximo com pessoas desde que... Ela morreu. Mas, com o tempo estou superando isso.
Nelly: Azarok, eu posso te pedir uma coisa?
Azarok: Pode, mas antes eu quero que faça algo. Conte o que aconteceu com sua família, e a razão de ter virado guerreira, ao invés de uma dama ou algo assim. Pode confiar em mim.

Nelly ficou um pouco tensa, mas sentia que podia contar para Azarok. Ela respirou bem fundo, e então começou a falar.

Nelly: Os Verraters escravizam outros seres, como eu disse. Mas, eu não conseguia ver aquilo e agir normalmente, queria lutar. Ataquei alguns campos onde mantinham orcs prisioneiros, e consegui libertar todos eles. Um dia eu tentei libertar alguns elfos, mas falhei. Eles viram potencial em mim, e por isso me jogaram na prisão de Everwinter. Mas, isso não tinha sido nada, eles me torturam, e... *respira* Dias depois eu estava grávida. Em Everwinter eu tive os bebês, e meu namorado não era bem... Normal, era um torturador que fazia tudo pela sobrevivência, mas não encostava um dedo em mim... Eu só posso contar isso, está bem?
Azarok: ...
Nelly: Agora eu vou te pedir uma coisa.
Azarok: E o que é?

Azarok se levantou para ouvir o pedido de Nelly atenciosamente.

Nelly: Não quero que pense naquela garota.

Azarok estranhou por um momento o que Nelly tinha dito, mas logo entendeu o que ela quis dizer.

Azarok: Eu não quero pensar naquela garota.

Nelly beijou Azarok, e ele se sentiu diferente. Aquele era um amor verdadeiro, de alguém que estaria disposto e poderia ficar ao seu lado para sempre. Azarok sentia que todos aqueles pensamentos eram bobagem, e talvez ele realmente pudesse cair na tentação do amor verdadeiro. Se aquilo deixaria Azarok mais forte, ou fraco, ele não sabia. Mas era de Nelly que ele precisava.