Overdrive & Dark End
15 Capítulo 14-Os heróis não são tão bons
Notas iniciais
Asteriscos representam ações ou pensamentos dos personagens.
Tudo parecia igual, o frio continuava o mesmo, e o monte de neve que cercava a todos ainda estava ali. A diferença é claro era o fato de alguém ter tido uma perna decepada, junto de seu dedo, além de muitas pessoas terem sido mortas, homens, mulheres e crianças. Mas poucos ligavam para eles. Ned já tinha acordado, e estava em condições de dar um pequeno passeio com cadeira de rodas, estava armado com uma escopeta, e seu rosto só expressava raiva. Entrou em uma sala vazia e escura, o cheiro era horrível, quase impossível de se suportar. Amarrado em diversas correntes, um homem vestia roupas imundas, estava sem nenhum dos seus dentes, os dedos tinham sido todos cortados, além de ter aparentemente sido espancado brutalmente, devido ao seu rosto estar ensanguentado, fora isso ele não tinha nenhuma de suas orelhas. O homem era o organizador da rebelião, e foi pego assim que os seus aliados o entregaram.
Ned: Então... Você foi quem organizou tudo isso...
O homem olhava para Ned sem nenhuma reação, não podia escutar nenhuma palavra, então começou a olhar para a escopeta que Ned carregava.
Ned: Você quer morrer, não? Olha para essa escopeta como se isso fosse uma escapatória para o sofrimento, não?
Ned apontou a escopeta para o homem, que ficou sem reação, olhava para ela quieto e parado.
Ned: Cortaram tua língua? Esqueci, são suas orelhas...
Ned parou de apontar a escopeta, e se virou para o homem, que começou a chorar.
Ned: Vou deixar você sofrer mais um pouco. Logo você vai ter mais comida, água suja, e um monte de frutas podres, e comidas vencidas. Pena que aqui não tem banheiro.
Ned saiu da sala deixando o homem sozinho, chorando. Fora isso, sinalizou que se caso ele começasse a chorar demais, a tortura seria ainda pior. Assim que saiu de lá, foi para a cozinha, onde não conseguia alcançar as panelas. Denos apareceu para ajudar.
Denos: Precisa de ajuda?
Ned: Saia daqui, eu consigo me virar...
Denos: Não parece.
Ned: Aprenda a cuidar da tua vida, seu idiota. Agora me deixa sozinho, e nem se preocupe comigo.
Denos deixou Ned sozinho, saindo da cozinha. Ned olhava pela janela e depois para sua perna, e ficou ali, sem expressar nem um tipo de emoção, por mais que no fundo, aquilo era como se fosse um choro que ninguém podia ouvir. Denos voltou para a cozinha, pois tinha uma notícia para Ned.
Denos: Ned, novidades.
Ned: O que?
Denos: Abel mandou alguns homens para cá, aumentando a segurança do lugar.
Ned: O que demais pode acontecer aqui? Tirando alguns homens sendo mutilados, é claro.
Denos: Prevenção.
Ned: De que? Os Leones vão chegar aqui caminhando no meio desse deserto, em cinco minutos usando um exército de cinco mil homens?
Denos: Talvez...
Ned: Ótimo. Eu já estou indo dar as boas vindas para eles. Agora suma da minha frente.
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Em Noline os sinos das igrejas não destruídas tocavam, avisando que alguém tinha chegado lá. Quatro toques do sino eram para amigos, e dois toques para inimigos. Quando os dois toques pararam, Abel foi até a entrada da cidade, e Kay saía do seu carro para falar com seu pai.
Abel: O que foi filha?
Kay: Azarok, eles estavam em Free Paradise. Eu conversei com ele sem saber quem era em uma festa.
Abel: Vocês não...
Kay: Ele mentiu o nome dele, conversamos um pouco e depois Azarok foi ao banheiro. Quando saiu, eu escutei alguém chamar ele pelo nome verdadeiro, então ataquei, mas Azarok escapou.
Abel: Azarok está em Free Paradise? Isso se já não tiver partido.
Kay: O que vai fazer?
Abel: Tenho que falar com David... Mas antes, eu tenho uma proposta para você, filha.
Kay: Como assim?
Abel: Quero que você lidere partes dos exércitos dos Verraters em nossa fortaleza. Digamos que estarei ocupado por algum tempo.
Kay: Mas eu...
Abel: Não posso confiar em ninguém, não mais do que em você. Por favor, aceite isso, filha...
Kay: Isso... Se assim que você quer, então que seja.
A mudança de ideia repentina de Kay causou estranheza para muitos, mas Abel continuava com um tom frio, olhando nos olhos dela como se fosse normal.
Abel: Pode ficar aqui por uns dois dias antes de voltar para a fortaleza... E não pegue o rumo de Free Paradise. Pode dormir onde quiser, menos nas ruas...
Kay: Nem precisava falar.
Kay parou de falar com Abel e começou a andar pela cidade, e Abel ficou sozinho, olhando para ela. Com um olhar de esperança, não para ela, mas para si mesmo. Talvez ela seja a única razão de que não se tornou um maníaco por completo.
Abel: ...
Era uma noite luminosa, as estrelas praticamente iluminavam toda a estrada que vinha pela frente. Abel e sua velha noiva, Nari estavam viajando por longas estradas desconhecidas em busca de conhecimento. Nari era bela, o cabelo curto e castanho causava um pouco de estranheza, já que em Nomit a maioria das mulheres preferem cabelos longos. Abel nunca sequer comentava sobre a sua vida secreta como líder dos Verraters, e nunca queria envolver Nari naquilo. Ocorre um acidente de carro, no meio da estrada, e ela ficou interditada. Abel e Nari saíram do carro para ver o que estava acontecendo. Deram dois passos para frente, e duas pessoas agarram os dois. Elas estavam usando uma máscara de palhaço que deixava impossível de reconhecer quem era.
Abel: O que é isso?
Outro homem, dessa vez usando uma máscara de tigre, derrubou Abel com um empurrão. Ele começou a rir, e era impossível de não reconhecer, quem fazia isso era Fido. Ele se aproximava da noiva de Abel, que tentava gritar, mas não conseguia. Abel se levantou, e matou um dos homens invocando um espinho de gelo, perfurando o estômago dele, o outro tentou atacar Abel usando um facão. Abel observou em poucos segundos tudo o que tinha no chão, e viu uma garrafa de refrigerante que ainda não estava vazia.
Abel: Ice Water!
Abel congelou o restante de refrigerante da garrafa, e transformou em uma estaca de gelo, que acertou no pescoço do homem com o facão. Fido estava apenas provocando Abel, sem fazer nada, certas vezes soltando alguma risada. Abel foi até o carro e pegou suas lâminas, que ficavam no banco de trás. Fido virou para o outro lado, e reparou que Abel tinha escapado, e logo se preparava para executar a mulher, ao se virar para trás, os dois homens que estavam segurando Nari tinham sido mortos com uma estaca de gelo no peito de cada um deles. Abel por fim corre até Fido e acerta um golpe nele, e ele logo desaparece.
Abel: O que foi isso? Um clone?
O verdadeiro Fido se escondia atrás das árvores, não usava nenhuma máscara, apenas um terno preto.
Fido: Multi Spears!
Abel: Ice Shield!
Quando Fido atirou lanças, Abel formou uma proteção de gelo em sua volta, defendendo o ataque.
Abel: Ice Wave!
Abel lança uma onda de gelo na direção das árvores em que Fido estava escondido, mas aparentemente não acertou ninguém. Fido corre na direção de Abel e chuta a sua barriga, em seguida tenta golpear com sua espada, mas Abel defende. Ambos continuaram lutando assim, um perto do outro, com Fido atacando e Abel defendendo.
Abel: Ice Wave!
Fido: Shield!
Antes de Abel tentar atacar, Fido agiu como se soubesse que ele ia fazer aquilo, então invocou um escudo de energia segundos antes de Abel invocar a onda de gelo. Eles estavam um perto do outro, e então, Fido rapidamente desativou o escudo, e fez um corte diagonal em Abel, que conseguiu defender outro só que dessa vez ele era horizontal.
Fido: Fire Ball!
Fido dá dois passos para trás, e logo acerta uma bola de fogo em Abel, que caiu no chão, e fica com algumas queimaduras. Nari estava agachada, de olhos fechados e sem fazer nada. Fido então olhou para ela, e Abel que estava tentando se levantar.
Fido: Burn!
Fido começou a queimar Nari até ela morrer de maneira fria e extremamente dolorosa. Ele não sentia prazer em fazer isso, um pouco de ressentimento, mas achou que era necessário. Abel chorava como nunca tinha feito antes, e Fido simplesmente deixou ele vivo e foi embora.
Abel parou de lembrar disso, mas apenas pensava no motivo de Fido ter deixado ele vivo. A partir daí, recordou que depois da morte de Nari, ele adotou Kay, um tempo depois, apenas para suprir a falta de alguém para se importar. No fim ele chegou numa conclusão de que nem todos os que são considerados heróis chegam a ser totalmente bons.
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Azarok e os outros ainda estavam na estrada, estava no banco da frente enquanto Lince dirigia, os outros estavam atrás, e Flauspinne teve de ficar no porta-malas. Psycho estava quieto, mas expressava raiva, achava que as pessoas o consideravam uma monstruosidade devido a sua aparência, e ficava apenas olhando para os lados.
Schatten: Psycho, eu sei que pode acaba sendo uma estupidez minha, mas... Como você conseguiu essas cicatrizes, e perder o nariz?
Psycho: Eu tinha uma família, nós éramos muito ricos... A minha família e os Verraters sempre tiveram alguns problemas, mas eles se recusavam a entrar em Noline, o que sempre deixava todos nós tranquilos... Mas meu tio estava com muitas dividas, e por fim ele negociou com os Verraters... Ele nos vendeu e armou uma emboscada... Primeiro falou que arranjou uma namorada e que ela queria jantar em casa, minha mãe não ligou. Mas, foi só a campainha tocar e ela atender, e começou o derramamento de sangue... Eu estava no meu quarto, brincando com alguns bonecos, até eu ouvir alguns gritos. Lembro que eu somente tranquei a porta do quarto e esperei o perigo passar. Os gritos pararam em alguns minutos, e os Verraters tinham ido embora. Ao abrir a porta do quarto, meu tio pegou de surpresa, e então cortou meu nariz, além de ter feito diversos cortes no rosto e ter esfregado minha cara em brasas quentes. Quando ele ia me matar me esfaqueando, eu mordi o braço dele, e em seguida tomei a faca. A polícia chegou alguns segundos depois e ele conseguiu escapar. Eu olhei no resto da casa, e lá estava os cadáveres mutilados e queimados de todo o resto da minha família.
Schatten: Então, o que aconteceu com ele?
Psycho: Não tenho nem ideia... Mas se eu encontrasse meu tio, juro que faria algo muito pior nele.
Azarok: Eu me lembro de ter saído no jornal... Acho que foi na época em que Abel enlouqueceu de vez e queria matar qualquer família poderosa em Nomit, no fim os Leones sobreviveram, e algumas outras.
Daniel: Faltam quantas horas de viagem?
Schatten: Eu não sei. Não encontramos nenhuma cidade faz horas, e estamos andando de carro.
Azarok: Essa região é chamada de Terra amaldiçoada, seca e nem um pouco desenvolvida. Olhem ao seu redor, só encontramos terra seca toda hora, e não vemos árvores ou rios faz tempos. Eu sei lá quantas horas ainda tem de viagem.
Lince: Assim que encontrarmos esse Jack, e independente do que acontecer, o que nós faremos?
Azarok: Vou tentar entrar em contato com os outros da organização, e logo eu pretendo iniciar um ataque em Everwinter.
Lince: Como? Nós não temos aeronaves, e a última negociação pra ter uma delas acabou não dando muito certo.
Azarok: Errado, em Noline a gente não tinha aeronave, em outras regiões a área é maior e por isso nós deixamos as aeronaves por aí.
Lince: Faz sentido, no seu resgate pedir para trazerem aeronaves para Noline seria uma perda de tempo. Mas fora isso, Everwinter é enorme e naquela tempestade de neve é muito fácil se perder, fora isso, a vigilância de lá é forte.
Azarok: Eu pretendo libertar os prisioneiros e fazer com eles lutem conosco, reunirei um pequeno exército e eles vão me ajudar com isso. Everwinter pode ser importante devido aquele tal de Ned, mas fora isso os Verraters não se focariam em melhorar aquele deserto de neve, não?
Lince: Como vou saber? Fora isso, o que pretende encontrar lá?
Azarok: Aquele Ned sabe de muita coisa, pretendo conversar com ele.
Lince: E depois?
Azarok: Ele vai literalmente perder a cabeça com o que eu tenho para falar.
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O grupo de Ilere voltou para a caverna em que estavam escondidos anteriormente. Todos sabiam que não podiam se esconder para sempre, e logo teriam que sair e continuar. Ilere olhava para o mapa, junto de Daewnron. Os doentes e feridos não podiam ficar muito tempo sem tratamento, e isso era mais uma desvantagem.
Ilere: A área dos medicamentos ficava do outro lado da vila... Porcaria, queria que esse mapa mostrasse ao menos a divisa entre a floresta e as regiões.
Daewnron: Aqui é um lugar calorento, provavelmente estamos perto de Godspring, e o mapa indica uma área com muitas cavernas. Mesmo assim estamos muito longe do lugar indicado nele.
Ilere: Aparentemente a saída fica por perto de Everwinter...
Emily foi até eles enquanto escutava a conversa.
Emily: Precisamos fazer alguma coisa, e rápido...
Ilere: Não podemos lutar com tantas pessoas doentes... Tem algumas rochas do lado dessa caverna, vou invocar alguns Golems para usarem elas e assim trancar a entrada desse lugar. A água e as frutas serão racionadas por hoje. E espero que não pense pelo lado ruim, Emily, mas vou mandar você sozinha amanhã para buscar os suprimentos médicos.
Emily: Não posso ir hoje?
Ilere: Muita gente já saiu para buscar comida e água hoje, não posso arriscar colocando tanta gente para fora, precisamos de você aqui.
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A viagem só demorou algumas horas e o grupo de Azarok chegou na arena que não tinha nome. A arena ficada do lado direito da estrada, em um campo vazio enorme, aquilo parecia um deserto de tanto calor que fazia e as matas eram quase vazias. Os homens andavam quase todos sem camisa e com uma bermuda, as mulheres usavam saias e camisas curtas. Do lado contrário tinha uma pousada, caindo aos pedaços e quase vazia por causa da falta de recursos. A arena tinha um formato de castelo, inclusive três partes da arquibancada pareciam torres, e o centro era completamente redondo, ele era todo pintado de preto. O estacionamento ficava na frente do portão de entrada, e no alto estava um grande telão repetindo a última luta.
Azarok: Então, como falamos com ele?
Schatten: Simples, eles pegam qualquer voluntário da plateia, que será eu, ou algum de vocês. Vencemos a luta, deixamos o cara vivo, e então ele será automaticamente demitido, daí fazemos a proposta para ele.
Daniel: Como as lutas por aqui funcionam? Eu me esqueci...
Schatten: Os caras botam duas pessoas para lutar, quem ganhar consegue comida, dinheiro e abrigo, além de fama, quem perder morre ou sai de lá sem nada. O problema é que não sei quando Jack perdeu uma luta.
Azarok: É só uma luta por dia ou o que?
Schatten: Eles chamam diversos voluntários na plateia assim que uma luta termina, ou você pode reservar uma vaga para as lutas, o que pouca gente faz...
Psycho: Deve ser chato... Digo vir aqui toda semana para saber os resultados das lutas toda hora.
Schatten: As pessoas na verdade devem gostar das execuções sangrentas, cabeças sendo decapitadas e entranhas saindo, eu acho...
Daniel: Eu só não entendia as regras, mas lembro que nos bares as pessoas viviam assistindo isso feito loucos na televisão.
Eles olharam para o telão, onde Jack lutava com um desconhecido guerreiro. Aquela luta só tinha durado um minuto, em que Jack simplesmente pegou seu machado e acertou uma das pernas do oponente, que ficou imobilizado, e em seguida decepou os dois braços dele. Então, Jack deu um mero golpe de machado no peito do adversário.
Azarok: Caramba... Quem vai lutar com ele?
Schatten: Se alguém acabar se ferindo o bastante, antes de ser morto, basta simplesmente gritar que desiste, para todos ouvirem. Então, em seguida alguém deve ficar preparado para sair da plateia e pular na arena.
Lince: E então, no telão já tá indicado que as lutas vão começar em dez minutos... Alguém arrisca? A decisão vai ser por voto, ou o que?
Azarok: Acredito que o líder escolhendo seja melhor...
Lince: Vindo de você, óbvio...
Azarok: Isso seria o que qualquer Leone faria. Um líder deve saber a hora de arriscar seus soldados.
Ninguém falou uma palavra contra Azarok, naquela altura não tinham tempo para discutir, mesmo que discordassem.
Azarok: Bem... Lince, você será o primeiro a lutar. Se perder Daniel vai entrar, caso ele falhe então será eu. Depois será a vez do Psycho se eu perder. E por fim o Schatten será o último, caso Psycho perca. Aliás, Schatten e caso a gente querer ir lutar, mas algum intrometido vem no lugar da gente, o que fazemos?
Schatten: Ficamos perto da arena, assim que um gritar que desiste, caso isso aconteça, a luta prossegue automaticamente, e outro entra no lugar logo em seguida. A maioria quer pedir para desistir, mas eles não ficam vivos para fazerem isso.
Psycho: Só por curiosidade, mas onde você aprendeu as regras e tudo mais?
Schatten: Na prisão, os caras ficavam gritando de cela em cela comentado sobre as lutas mais antigas, e eu aprendi todas as regras enquanto eles gritavam no meio daqueles corredores. Os guardas detestavam. Madrugada inteira, eles tentando dormir e uns marmanjos gritando toda hora, era bem divertido. E Daniel, deixe sua arma de fogo com alguém, elas não são permitidas.
O grupo entrou na arena, e em minutos a luta começou. O apresentador nem sequer terminou de convidar alguém, e Lince já pulou fora da arquibancada para lutar. Jack estava seguindo a rotina de sempre, entrava na arena, e terminava de fumar um cigarro. A plateia gritava JACK, JACK, e todos queriam que o novo lutador acabasse morrendo da forma mais sangrenta possível.
Jack pegou seu machado, e guardou o isqueiro que estava usando. Lince estava com o olho fixado em Jack, que não demonstrava nenhuma expressão.
Lince: Ice Lance!
Jack: Armor!
Lince acerta sua lança de gelo em Jack, o que faria com que ele ficasse mais lento, mas o efeito foi anulado, pois Jack aumentou a resistência do seu corpo.
Jack: Earthquake!
Lince: Lancet!
Jack bateu com seu machado no chão, causando um tremor em toda a arena, o que deixou Lince com a guarda aberta. Jack correu na direção de Lince, e derrubou ele no chão com um empurrão, então pegou seu machado e estava pronto para decepar a mão de Lince, querendo matar ele lentamente.
Lince: Snowball!
Lince conjura uma bola de neve mágica que atinge Jack, deixando ele com a guarda baixa, e dando tempo para Lince se levantar. A plateia estava impressionada com o que tinham visto, finalmente alguém usando magias nas brigas, e uma luta equilibrada. Eles não sabiam o nome de Lince, então apenas observaram a cor de sua pele e gritavam BRANQUELO, BRANQUELO. O efeito da bola de neve passou, e Lince nem sequer atacou.
Jack: *pensando* Esse desgraçado é o mais durão com quem já lutei faz tempos...
Lince novamente volta a fixar seus olhos no adversário. Jack ficou parado e observava as características físicas do seu oponente, e reconheceu que ele era da tribo dos Crire, povo que habitava Everwinter antes de Ned tomar o lugar.
Lince: Earthquake!
Lince memorizou o ataque de Jack anteriormente, e novamente teve um tremor na arena, mas seu adversário não reagiu, a magia de resistência que usou ainda fazia efeito, e ele ficou parado.
Jack: Broken!
Lince: Icestorm!
Uma tempestade de neve mágica cerca a arena, e ninguém conseguia ver nada, exceto Lince, ele então tentou atacar Jack pelos lados, que segurou um de seus braços ao tentar usar sua lança.
Jack: Acha mesmo que eu não conheço esse truque?
Jack chutou o estômago de Lince, e depois deu um soco em seu rosto, derrubando ele no chão mais uma vez. Lince então conseguiu fazer um corte no joelho de Jack, que foi surpreendido com o ataque. Lince se levantou e chutou o rosto de Jack, e de tão forte que foi, fez o nariz dele sangrar. A plateia ficou vibrou e os gritos torcendo para que Lince ganhasse ficavam cada vez mais altos, pena que tinha sido momentâneo.
Lince: EU DESISTO!
Aquele grito foi surpreendente para todos, os gritos de torcida do nada viraram vaias. E Daniel entrou para lutar logo em seguida. Lince voltou para a arquibancada, sabia que as pessoas o olhariam com o olho torto, mas ele fez o necessário.
Psycho: Você podia ter acabado com ele!
Lince: Não podia, eu precisava que Daniel finalizasse o trabalho para mim.
Psycho: Como assim?
Lince: Ele pode prever de onde eu estava vindo, mesmo com a tempestade de neve bloqueando a visão, aquilo que eu fiz foi dar um golpe de sorte.
Schatten: Se o desgraçado não morrer nessa luta, ele que se afogue de engolir tanta fumaça de cigarro.
Azarok: Não fale assim de nosso futuro parceiro, Schatten.
Jack segurava o corte no joelho, e estava mancando um pouco. Daniel foi correndo na direção de Jack para fazer um ataque frontal e finalizar ele, pensava que a luta já estava acabada. Jack parou de segurar o ferimento, e se esquivou do golpe, então tentou atacar com mais força, e Daniel tentava bloquear.
Jack: Broken!
Na tentativa de bloqueio, Daniel acabou tendo sua espada quebrada, o que deixava ele sem nenhuma arma para lutar. A plateia ficou quieta, e o grupo de Azarok nervoso. Jack tentou atacar Daniel outra vez, mas ele esquivou.
Jack: Prefere morte lenta, ou rápida?
Daniel: Inferno!
A arena ficou com um calor insuportável de 60 graus, naquela região o clima quente já era ruim, e aquilo só parecia piorar. Jack estava com dificuldades até de segurar o machado, e foi aí que Daniel aproveitou sua chance. Nos cinco minutos que sobravam para brigar naquele calor, Daniel espancava Jack cada vez mais, e ele não fazia nada, o felino estava com sua face ensanguentada, e seu nariz tinha quebrado. Daniel finalizou a luta com um chute no rosto de Jack, que não se levantou e admitiu a derrota. A plateia ficou surpresa, e aquilo virou um show de aplausos. O organizador das lutas tentou falar com Daniel, mas ele ignorou e saiu da arena com o resto do grupo. Azarok mandou todos esperarem no carro, e esperou Jack ouvir a bronca e ser despedido, feito isso, foi falar com ele.
Azarok: Luta fantástica.
Jack: Cala essa boca, idiota.
Azarok: Eu acho que não... Estou aqui para fazer uma proposta.
Jack: O que?
Azarok: Conheço o teu passado com os Verraters, e eu sou Azarok Leone.
Jack: Eu não tenho mais nada relacionado aos Verraters.
Azarok: E agora que você vai ter que parar de lutar? Acha mesmo que vai sobreviver sozinho? E o que você vai fazer da vida?
Jack: Eu não sei...
Azarok: Acredite em mim, eu vou te pagar com MUITO dinheiro caso você se junte a nós.
Jack: Estou considerando...
Azarok: Ótimo... Fora isso eu vou te dar lar, dinheiro e honra, caso você me ajude a cortar a cabeça de Abel e deixar ela como troféu.
Jack: Você tocou em um ponto interessante...
Lince apareceu no meio da conversa, e curou os ferimentos de Jack. O felino ficou surpreso com a aparição dele, e logo deduziu o que tinha acontecido.
Jack: Então vocês armaram isso para eu me juntar a vocês?
Azarok: Você sabe que pode perder ao lutar nesse lugar, então se fosse bom o bastante teria ganhado todas as lutas.
Jack: Você é inteligente, Leone, gostei disso.
Azarok: Vem com a gente?
Jack: Não tenho escolha mesmo...
Azarok: E só uma coisa... NÃO pense em trair a gente.
Jack: Anotado... Ao menos eu posso fumar dentro do carro?
Azarok: Nós chegamos em um acordo...
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