Overdose
6 Capítulo 6
Notas iniciais
John abriu os olhos lentamente, enquanto eles captavam a luz natural que o quarto recebia pela janela. Fazia um bom tempo que não dormira tão bem assim. E então quando percebeu oque estava a sua frente, se sentiu ao mesmo tempo atordoado e envergonhado, até se lembrar da noite anterior, e não pode reprimir um sorriso.
Os raios de luz fraca caiam sobre o rosto de Sherlock quase que como retocando cada parte de seu rosto, o qual estava calmo.
Ao andar com seu olhar pelo moreno percebeu que suas mãos ainda estavam enlaçadas como na noite anterior, isso surpreendeu John, e fez algo em seu coração se contorcer como a muito tempo não fazia.
Logo um par de olhos azuis se abrira a sua frente, os quais psicaram algumas vezes, olhando diretamente o médico.
Nenhum dos dois disse nada, ficaram apenas se olhando, até o silêncio se tornar incômodo e John tentar falar algo.
–Hm, bom dia.
–Bom dia — O moreno disse com sua voz mais rouca que o usual.
Mas uma vez o silêncio, ambos passeavam seus olhos pelo rosto do outro.
–Que dia é hoje ? — O loiro perguntou.
– Segunda — Sherlock disse dando uma olhada para o teto mas voltando para o amigo.Ainda permaneciam de mãos dadas.
Em um movimento brusco, John se soltou da mão do outro e se virou para o outro lado, a fim de pegar seu celular em cima de um criado mudo. Se arrependeu no mesmo momento. Sherlock havia permanecido ali com ele porque ele simplesmente ficara apavorado como uma criança com um pesadelo que tivera, e o moreno não reclamara e ficara ali de mãos dadas com ele como adolescentes, e era assim que ele reagia? “Idiota”. Percebendo isso, após pegar o celular nas mãos voltou para a posição que estava mas o moreno não estava mais lá, e John se limitou a bufar.
Quando checou o relógio percebeu que se não se apressa-se, chegaria atrasado na nova clínica. Claro, o médico não continuaria atendendo no antigo Hospital, eram muitas lembranças de Mary ali, tirando ainda o fato que fora exatamente naquele lugar que a conhecera, então, novo trabalho, nova vida , de alguma forma.
Depois do banho rápido e de meia xicará de café, ia saindo porta a fora até perceber que Sherlock estava sentado na mesa da sala, em frente ao notebook. John limpou a garganta. Queria sim dizer algo para Sherlock, algo como “Desculpas", mas soava tão estranho para John que deixou de faze-lo, e depois de perceber que não ganhara a atenção do amigo apenas disse .
–Estou saindo, chego as seis.
– Não dê atenção a secretária, é adúltera, casada e tem dois filhos . — O moreno disse digitando rapidamente no teclado — Aliás eu sugeriria mudar sua camiseta, a diretora que vai lhe introduzir ao Hospital odeia verde e não está em um bom humor, pois não gosta de receber ordens e sua tranferência repentina a irritou.
John arqueou as sombrancelhas e olhou para o próprio corpo. Não conseguia dizer se aquilo era uma resposta a sua indelicadeza mais cedo “ mas vamos lá, eles apenas dormiram de mãos dadas, Sherlock podia ter saído de lá quando sentisse voltande” , ou se era o verdadeiro Sherlock aparecendo de novo. Decidiu que a segunda opção era mais provável e subiu ao quarto em um segundo. Era melhor previnir do que remediar.
Quando desceu passou direto pelo amigo e trocou algumas palavras com a Sra.Hudson no andar de baixo.
–Isso é bom querido, ares novos! — Ela disse lhe dando um sorriso.
– É, acho que sim. — Ele deu um sorriso amarelo.
–Vai dar tudo certo, boa sorte.
– Obrigado. — Ele a deixou para trás e saiu porta a fora, esperando alguns segundos até algum táxi parar.
O evento da noite passada fora um tanto incomum. Sim, pesadelos para John haviam se tornado comuns novamente, após a “morte” do moreno, e mesmo depois de saber que ele estava vivo, enquanto ainda era casado com Mary. Talvez aquela ação tenha sido um tanto imprudente, mas Sherlock cedendo tão facilmente o intrigava mais.
O loiro começava a sentir menos pena de si mesmo em relação a perda da esposa, oque lhe deixava revigorado, as vezes quando lembrava doía, claro, mas não tanto quando nos primeiros dias depois do enterro desta, a despedida fora difícil para ele. Lembrara então de Sherlock se dispedindo antes de partir em um avião para exílio alguns meses atrás, de como agora, revendo a cena na sua mente, ele parecia estar escondendo algo. Naquele momento John também estava escondendo algo, mas tinha coisa mais para se preocupar, e não que aquilo pudesse fazer algum bem a eles naquele momento, então a conversa lhe parecera ‘normal’ para os parâmetros de Sherlock, mesmo que tivesse acabado um tanto confuso antes de ver o avião decolar.
John se lembrava de como se sentira ao perceber que havia se apaixonado pelo amigo com quem dividia um apartamento, a tanto tempo atrás. Logo após a primeira noite que estiveram no restaurante Angelo’s, o loiro se sentira diferente.
Primeiramente queria convencer a si mesmo que era só uma impressão, e que logo iria passar. Claro continuava a sair com mulheres, mas o moreno não saia de sua cabeça. E quanto mais se envolvia, e se aceitava, mas percebia que aquilo era impossivél. Oquê? Sherlock se interessar por alguém como John? Ótima piada.
Então quando Sherlock se ‘suicidou’ John não conseguia mais ver o mundo do mesmo jeito, mesmo já sabendo da resposta, teria sido melhor ter recebido um “não” definitivo do que ficar com um talvez silencioso.
Mesmo dezoito meses depois quando fora a sua psiquiatra, e ela lhe dizera. “ Você precisa dizer, colocar isso pra fora, diga isso agora.”
“Me desculpe, não posso” e John não contara a ninguém que desde a primeira vez que vira
aqueles olhos azuis e frios , mesmo demorando para aceitar , amava Sherlock Holmes.
Mas Mary entrara em sua vida, e seu coração se calara de uma vez, entretando, John não podia mentir para si mesmo, sabia que nunca havia amado Mary o tanto quanto amava Sherlock.E aquele maldito sentimento parecia lhe incomodar de novo.
– Chegamos, senhor. — O taxisista parecia um pouco irritado, John havia se perdido muito em seus pensamentos e nem tinha notado que já haviam parado.
–Oh, me desculpe — O loiro pagou o motorista e saiu do veículo, e ao olhar o prédio hospitalar tentara se recompor.
.
Passos foram ouvidos e John colocou seu pé direito na parte de dentro do apartamento. Ele estava com uma cara um tanto cansada, mesmo que não tivesse atendido mais do que duas pessoas, o dia fora cansativo, no mais, havia passado na Tesco para comprar algumas coisas que percebeu estar faltando no apartamento. O caminho o fizera bem , pois era mais que familiarizado com ele.
Olhou para os lado e não viu nenhum sinal do Holmes, então se dirigiu diretamente para seu quarto.
Quando desceu, em uma roupa mais confortável, encontrou a TV ligada na sala, e um barulho vindo da cozinha.
–Sherlock ?- O loiro chamou mas ninguém respondeu.
John se sentou no sofá e começou a assistir a TV, parecia um documentário sobre sobrevivência, não era dos mais interessantes, mas o controle estava longe e a preguiça havia o pegado.
Logo viu o Holmes entrando na sala, com seu roupão azul, nas mãos trazia duas canecas, uma ele reconhecera como sendo a que ele sempre usava quando havia morado ali.
O Holmes se sentou do seu lado e lhe dirigiu a caneca, sem nada falar.
– Obrigado . — John a pegou, e franziu as sombrancelhas. — Você não faz chá...bem você já me fez chá algumas vezes, mas ...você sabe.
Não veio resposta, e John se sentiu um pouco culpado.
–Hm, Sherlock...me desculpe por hoje cedo, por ter sido ...rude- John completou, achara que aquilo poderia ter ficado melhor em sua cabeça. Porquê Sherlock se calara de repente?
Então John procurou pela mão do mais alto, que estava pousada ao seu lado no sofá. John pousou sua mão sobre a do amigo e a apertou. O Holmes se virou lentamente, buscando incerto o rosto do amigo.
– Então ela continua sendo uma completa adúltera? Interessante. — A voz de Sherlock fora seca, mas John pode notar algo como angústia em sua voz, e enquanto este se virava para a televisão pode notar que as bochechas do amigo receberam um leve tom rosado.
John não fazia a menor idéia de como Sherlock soubera que a secretária o havia cantado.
Olhou para o próprio chá em sua mão que estava intocado, oquê tinha feito para o Holmes ? Começara a mover sua mão longe da do detetive, até este o puxar de volta e entrelaçar seus dedos.
John ficara surpreso , percorreu com seus olhos o Holmes, de suas mãos até o rosto deste, que agora estava mais vermelho ainda. John dera um sorriso tímido pra si mesmo, e se encostou no sofá, tomando seu chá, e apertando e ajustando a mão fina do amigo com a sua.
Não trocaram mais nenhuma palavra naquela noite, depois de alguns minutos John dormira, e sua cabeça fora parar no peito de Sherlock, o qual havia achado tudo aquilo um tanto previsível.
Pousou sua cabeça ao lado da de John, suspirando, tinha que se lembrar que aquilo era por John, e não deveria se deixar levar, logo John estaria com alguma namorada nova de novo, e aquelas coisas só estavam acontecendo porquê o médico precisava e Sherlock decidira que era uma forma de ajuda-lo.
Sherlock amava John, e odiava ter deixado isso acontecer, sabia que era uma rua sem saída, mas por ele, o Holmes podia se arriscar mais ainda naquela areia movediça em que estava afundando.
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